Aviação executiva: o novo negócio da China?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Leiam a notícia abaixo reproduzida do Estadão de hoje (fonte: Aeroclipping do SNA), sobre o crescimento vertiginoso da aviação executiva chinesa (27%a.a.!!!), que está ocorrendo, dentre outros motivos, devido a “melhorias na infraestrutura como catalisadoras do crescimento” (pois é, né?). Se, hoje, a China já é o destino preferencial dos EXPATs de linhas aéreas, parece que, num futuro próximo, o país também será o destino do pessoal da ’91’…

Embraer prevê demanda de 805 jatos na China na próxima década
Segundo a empresa, a frota de jatos executivos na China tem crescido em média 27% ao ano
Beth Moreira, da Agência Estado

SÃO PAULO – A Embraer Aviação Executiva prevê uma demanda total de 805 jatos executivos pelo mercado chinês na próxima década. A expectativa é que os jatos executivos de grande porte representem 51% em unidades, ou 78% do valor total das entregas. A estimativa faz parte da previsão para o mercado de aviação executiva na China para o período entre 2014 e 2023, apresentada hoje, durante a Feira Internacional de Aviação Executiva Chinesa (CIBAS, na sigla em inglês) 2013, que acontece em Beijing, na China.

A fabricante brasileira mantém uma previsão favorável para o potencial do mercado chinês da aviação executiva, baseada em estudos extensivos do cenário econômico do país. Segundo a empresa, a frota de jatos executivos na China tem crescido em média 27% ao ano, impulsionada por um aumento de 26% da população de indivíduos ricos entre 2008 e 2012, de acordo com os dados divulgados pelo Hurun Report, que é considerado uma das publicações de luxo mais influentes naquele país.

Além disso, destaca a companhia, o ambiente econômico requer o desenvolvimento da aviação executiva para poder atender à demanda para viagens diretas de negócios e de lazer, que vai além das limitações de destino e programação das empresas aéreas. A previsão de mercado da empresa também destaca as melhorias na infraestrutura como catalisadoras do crescimento, com a expectativa de que o número de Operadoras de Base Fixa (Fixed-Base Operators – FBO) aumente das atuais cinco para nove empresas.

Em nota, o presidente da Embraer China, Guan Dongyuan, destaca que os investimentos da empresa durante uma década no mercado da aviação comercial na China resultaram numa frota de 120 jatos em operação. “Agora o objetivo é consolidar a presença no mercado chinês da aviação executiva, oferecendo a mesma qualidade de suporte e serviços de que os nossos clientes comerciais já desfrutam.”

Desde 2004, quando a Embraer entregou o primeiro jato executivo nessa região, a empresa já recebeu pedidos para 38 aeronaves, incluindo cinco opções. A companhia também estabeleceu vários Centros de Serviços Autorizados para os clientes da aviação executiva na região da Grande China, oferecendo serviços e suporte.

A Embraer também tem uma linha de montagem para jatos executivos no país. Em junho de 2012, a empresa firmou um acordo com a Aviation Industry Corporation of China (AVIC) para colaborar nos programas Legacy 600 e Legacy 650, utilizando a infraestrutura já existente da sua joint-venture, Harbin Embraer Aircraft Industry Co. Ltd. (HEAI). No final de agosto, o primeiro jato executivo Legacy 650 da categoria large montado pela HEAI realizou seu voo inicial com sucesso e sua entrega está programada para o final deste ano.

3 comments

  1. Bom, talvez o “SSE – Servico Secreto da Embraer” (costumava encontrar o pessoal da Embraer-Harbin na Ipanema, a churrascaria brasileira em Seul, na Coreia). Eh bem verdade que a aviacao executiva tem crescido na China, mais nas S.A.R.’s (Special Administrative Regions, i.e. Hong Kong e Macau) do que na Mainland. A razao: a Mainland China, ou China Continental, tem mais de 80% de seu espaco aereo militarizado, a tal ponto que ateh para a aviacao de linha operar eh dificil, complicado e buRRocratico (para a executiva, entao, nem se fala; eh proibido possuir, diretamente, um aviao particular, os planos tem que ser apresentados com grande antecedencia, praticamente nao ha – ateh menos do que aqui – estrutura de handling/FBo’s etc). Nao raras vezes, o ATC te segura num nivel baixo demais e lah se vai a autonomia, tem-se que voltar e/ou alternar, o “ingreis” do ATC eh pessimo (consegue ser pior do que os daqui) etc. E – se a empresa aerea nao tiver base e/ou acordo operacional no local onde o pouso foi feito, estah armada a confusao. Se aqui no Brasil isso jah eh complicado, quando ocorre, lah eh 10 vezes pior. Jah em Macau, mas principalmente em Hong Kong, disfruta-se ainda da vantagem do “arrangement” feito entre a China e as potencias, quando dos processos de “handover” (devolucao dos territorios) i.e. as leis e o sistema capitalista persistem ateh 50 anos apos a data da entrega. Isso eh o que tem possibilitado a Aviacao Executiva / VIP desenvolver-se em Hong Kong (Macau tambem, mas em menor escala e mais para atender a atividade dos cassinos) atendendo a praticamente todos os usuarios da Mainland, atraves de empresas com estruturacao moderna/capitalista, como eh o caso da Metrojet. A B.A.A. (Grupo Hainan), com bases em Shenzhen e Shanghai, eh – por enquanto – uma “tentativa de clonagem” que vai progredindo, ainda que lentamente, e por razoes varias. Esses entraves todos para voos privados domesticos geraram, no entanto, um beneficio: os empresarios chineses usam os avioes mais para voos internacionais e bem pouco dentro da propria China, o que estimula a compra de jatos super medios e/ou grandes / VIP, com alcance consideravel (Gulfstream G550, Global Express, BBJ, ACJ etc). Embora o nivel salarial e de beneficios na Mainland China ainda seja – para empregos deste nivel – um pouco decepcionante, a tendencia eh que a situacao melhore, principalmente pela perda constante de profissionais da B.A.A. para mercados proximos como Hong Kong, Singapore, Japao e mesmo Tailandia e Indonesia. Mas demora. A nocao de tempo dos chineses eh bem diferente da ocidental. Nao eh lugar para pessoas pouco pacientes (se bem que nos brasileiros estejamos – por razoes obvias – bastante escolados).

    • FVeiga
      4 anos ago

      Raul, bom post para o pessoal da 91 e Fabio, bela aula.
      Felizmente a noticia do crescimento aqui é verdade e infelizmente nao sao muitos os Brasileiros que tem vindo. Explico.
      Tem chegado bastante jato grande por aqui G650/550/450, F7X e Citation-X e como o salario é maior que nos USA e a escala melhor (muitas vezes 1 mes ON, 1 mes OFF) os gringos estao invadindo! (vejo isso no bairro que eu moro). Todos tem carteira do aviao e menores salarios nos USA.
      Ja os brazucas que voam esses avioes, ganham quase a mesma coisa no Brasil, entao financeiramente nao vale a mudança. Algo aqui é oposto do Brasil, o pessoal da executiva ganha menos do que o pessoal da comercial.
      Entao so vejo gente saindo da comercial para a exec, quando estao no fim da carreira e querem voltar para casa num bom jato.
      E os Brasileiros que querem vir para a Exec aqui, normalmente nao voam na comercial ou jatos grandes (se nao, viriam para a Comercial daqui, melhores salarios). Infelizmente aqui preferem deixar um jatao parado, do que contratar um cara de turboprop para ser copila de uma maquina grande, da pra acreditar?!

  2. Notícia revoltante para nós, pois sabemos que a falta de investimentos em infraestrutura é um dos – se não for o maior – problemas que afetam o crescimento da aviação no Brasil. E se é que dá para falar em crescimento… Está mais para estado de estagnação.
    Mas vamos aguardar os “800 para mais” aeroportos que serão construídos pela Dilma. Acho que sai até o final do mandato, não?

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