Sobre o planejamento financeiro da formação aeronáutica

By: Author Raul MarinhoPosted on
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No Bombardier Safety Standdwon deste ano, conheci o Marcelo Pinheiro, um consultor financeiro que está terminando sua formação de PC. Trocando algumas ideias com ele, eu lhe sugeri que escrevesse um artigo sobre planejamento financeiro da formação aeronáutica, um assunto muito pouco explorado aqui no blog, apesar da minha formação original também ser em finanças (mas em outro campo, bem diverso do que o Marcelo faz). O resultado é o texto que segue abaixo, que recomendo a todo mundo que está pensando em começar o processo de formação para ser piloto – especialmente o pessoal que acha que o negócio é “ir voando e ver no que dá”.

Ao contrário de um curso superior, a formação aeronáutica não possui prazo para ser finalizada, e também não possui um modelo de pagamento mensal para que ao final do curso o aluno tenha seu diploma obtendo aprovação nas matérias. Sendo assim, o planejamento financeiro para a conclusão da formação aeronáutica torna-se a parte mais importante do processo.
Desde criança sonho em ser piloto de avião. Ao concluir o ensino médio, minha intenção era dar aulas de inglês e, assim, pagar minha formação, porém, por influência do meu pai, decidi cursar a Faculdade de Ciências Contábeis e obter um emprego com uma remuneração melhor que a de professor, para facilitar o caminho para obter o brevê de piloto. Obviamente na prática a teoria foi um pouco diferente, me desenvolvi na profissão de auditor contábil, e deixei de lado meu desejo de ser piloto. Porém, durante toda a minha vida profissional, apesar de obter sucesso e boas oportunidades de emprego, sentia que não estava fazendo algo de que gostasse, mas não considerava a volta ao meu sonho de infância, pois já estava com 35 anos, estabilizado profissional e financeiramente.
Em 2011, conheci um piloto de helicóptero e, após realizar um vôo com ele, comentei sobre meu sonho de infância, mas que em minha opinião já tinha ficado para trás. Ele prontamente me incentivou a retomar a idéia, ponderando que eu pelo menos poderia tentar tirar a licença de PP, e assim matar minha vontade de pilotar. Fui em frente e, após a segunda aula prática, já tinha certeza de que iria mudar de profissão e tentar a vida como piloto de avião. Neste momento, comecei a pesquisar os custos para uma formação completa de PC/MLTE/IFR. Conclui minha formação como PP em oito meses, no Aeroclube de Jundiaí, mas para a formação de PC queria algo mais rápido para, posteriormente, ser INVA e começar a “recuperar” os recursos investidos na minha formação. Com estas premissas, optei pela EJ em Jundiaí e estou muito satisfeito com a escolha.
Em relação aos custos e forma de pagamento de minha formação, devo admitir que meu pai estava certo, e que devido à minha formação como contador fui capaz de acumular uma boa poupança capaz de custear toda minha formação aeronáutica. O tempo para formação desta poupança foi atípico, pois se passaram quase dezessete anos, e sei que a maior parte dos leitores deste artigo não está disposta e a esperar este tempo para obter o brevê. A intenção é comentar que, em minha opinião, se você deseja ser piloto, mas não tem condições financeiras para pagar sua formação, procure fazer um curso superior que garanta um emprego o mais rápido possível. Assim, você poderá iniciar sua poupança mensal e pagar seu curso de piloto. Minhas dicas para esta poupança são:
1- defina o valor mínimo que você deve guardar por mês
2- procure uma aplicação de renda fixa no seu banco e aplique este valor mensalmente como uma obrigação. Se possível, programe as aplicações com antecedência e deixe agendado no seu banco – assim, o recurso sai de sua conta corrente conforme programado.
3- estabeleça metas, como: “em 24 meses vou conseguir pagar meu PP”. Ex.: considerando um fundo de renda fixa nos dias de hoje, para atingir esta meta você precisa aplicar aproximadamente R$ 600 por mês. “Em 60 meses vou pagar meu PC”. Note que em 84 meses poupando R$600 por mês é possível atingir aproximadamente R$70 mil e praticamente pagar sua formação aeronáutica, ou seja, em 7 anos o processo estará concluído.
4- comece a voar após obter o valor para concluir o curso, assim você vai poder obter a licença com maior rapidez e não vai correr o risco de ter que parar porque acabou o dinheiro.
A conclusão que deixo é que o mais importante é definir metas e seguir as mesmas, pois assim você concluirá sua formação.

12 comments

  1. Bom dia, sou funcionário de uma estatal do rio, mas dês de pequeno meu sonho e ser piloto de helicóptero, o valor total chega a quase 100 mil, acada dia que passa meu sonho vai ficando mas pra trás, devido a ter casamento na frente filhos etc.. Mas não quero deixar nunca meu sonho de lado, só acho que o governo deveria financiar o curso de piloto pp, Pq as condições são bem difíceis, eu sei que antes de morrer vou realizar meu sonho, independente de trabalhar na área ou não, só de vooar fico satisfeito. Uma vez eu li em um blogue que um senhor vendeu tudo que tinha para pagar seu curso de piloto, e ele envelheceu e não arrumou trabalho, aí ele falou que se morresse hoje estaria feliz e satisfeito por ter realizado o sonho de infância.
    Sonho todos os dia em pilotar um helicóptero, nem que seja no final da vida eu vou realizar esse sonho

  2. Realmente planejamento é tudo mesmo para quem estuda aviação!!
    Comecei em 2006 mas ganhava um lixo de salário, me formei em outra coisa que hoje me da condições de ir pagando, com dificuldades mas pagando, estou quase checando meu PP.

    Para o PC provável que eu foque no teórico e guarde grana por pelo menos uns 6 ou 8 meses dai ja encaminho uns 70% das horas do PC.

    Até pq para mim que trabalha 12 horas, encarar um teórico puxado mais prova na Anac e ir voando ficaria estafante.

    Mas é aquela coisa, não é fácil é muito difícil isso que escolhemos mas temos que ter fé, que se lutarmos e persistirmos nosso espaço aparecerá em um futuro.

  3. Fábio Leandro
    4 anos ago

    Acredito ser uma ótima opção de planejamento, entretanto, não concordo que se deva seguir fielmente esta proposta para iniciar uma formação, por que nem sempre a teoria e a pratica andam juntas, isso pode acabar limitando o objetivo de cada um à desistência.
    Penso que a coisa toda deve sim ser bem planejada, porém, acreditar também, que a situação na aviação vivida hoje pode não ser de amanha, de maneira que oportunidades possam acontecer no decorrer de tudo.
    Sou PP recém checado e também estou na batalha, acreditando nessa linha de raciocínio, por que entendo que não há outro caminho para quem tem dentro de si o verdadeiro desejo de viver da aviação, mesmo sem ter a sonhada condição financeira (que é o meu caso).

  4. Denis
    4 anos ago

    Aja disciplina para poupar esse dinheiro mensalmente! É interessante esse pensamento conservador de formação aeronáutica, que primeiro vê a estabilidade profissional através do (R$), para depois a realização pessoal (sonho de voar, ser piloto, estar no comando de uma aeronave). Hoje de fato vários profissionais podem ter feito esse planejamento de vida pessoal (1º estabilidade financeira, 2º sonho), é um das alternativas em relação aos vários outros caminhos para se alcançar a profissionalização na aviação.

    • Rafael
      4 anos ago

      Caro Denis,

      Realmente, quando se coloca na ponta do lápis a coisa fica bastante frustrante. Entretanto, sou daqueles que é melhor encarar a realidade do que ficar “rezando” para dar certo. A parte prática (o nome já diz) requer bastante prática – meio idiota essa frase, né?! Explico. Você ficar fazendo as horas de voo no pinga a pinga é ruim para a formação. Uma manobra que você aprendeu e praticou num voo, você deveria aperfeiçoar no próximo. Caso passe muito tempo até o próximo voo, você acaba tendo que aprender de novo e postergar o aperfeiçoamento para o próximo voo.

      Apesar de você considerar o pensamento conservador. Acredito ser a maneira mais eficaz do ponto de vista aprendizado + tempo de formação – menos dinheiro gasto.

      Abraços,

  5. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Em tempo: eu custei a fazer o curso por motivos parecidos com o do Marcelo. Estava em outra(s) profissão(ões), e não tinha o dinheiro e nem queria fazer pingado. Ano passado, tive o dinheiro e o tempo ao mesmo tempo, pela primeira vez, e como precisava terminar em menos de um ano (pra voltar ao meu emprego atual), escolhi os EUA. Deu certo, levei 9 meses e aqui estou. Meu azar mesmo foi que a baixa que me possibilitou fazer o curso está durando demais, e agora estou com todos os itens da famosa fórmula do Raul (PP/PC/MLTE/IFR+Jet Training+ICAO4+PLA teórico) e sem nada à vista. Enfim… já dizia John Lennon, “a vida é o que acontece enquanto a gente faz planos”.

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      Tem uma outra frase ótima, mais sarcástica, porém: “Si quieres hacer reir a dios, cuéntale tus planes”

      Não sei de quem é (escutei falar em Seth Godin. Mas pra nossa sorte, uma argentina tem o antídoto:

      “El futuro es maravilloso, pero hay que hacerlo.”
      Elisa Carrió

  6. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Eu, só de estar formado e sem dívidas, vejo que tô no lucro… Já estar formado numa maré braba dessas, bom, aí já é prejuízo…

  7. Rubens
    4 anos ago

    Eu sou da truma do “ir voando e ver no que que da”
    Hoje ja estou estabilizado em outra profissão e mesmo que eu tenha todas as carteiras e me ofereçam um emprego na aviação eu não sei se abandonaria a carreira que ja contruí. Idealmente eu deveria ter sido piloto desde o inicio, mas nessa altura do campeonato, cooro o risco da emenda ficar pior que o soneto.
    Então vou voando como dá pelo simples prazer de voar, não estou preocupado quando, nem com quantas horas eu vou checar, eu realmente não sei quantas horas eu tenho de voo, sinceramente isto não me interessa. No momento estou aprendendo voar e a meta é fazer isto da melhor maneira possivel. acumular horas é consequencia o objetivo é qualidade e satisfação. Tem gente que torra dinheiro no Shopping, no jogo com carros, eu torro o meu em horas de voo, vamos ver o que acontece no futuro

  8. Hoje em dia, pode fazer sentido, pois cada vez menos existem aquelas “aviaçõezinhas” nas quais – no meu tempo – a gente “se encostava” para acumular horas. No meu caso – mesmo quase sem ter “Q.I.” à época -, gastei bem pouco em hora de vôo (além do custo do PP, para o qual não há escapatória, pq tem que ser em escola homologada), para checar o PC / IFR / Multi etc…comecei em abril de 1980 e chequei IFR / Multi em Outubro de 1982 (o PC já checara em fev/1981). Pelo que vejo, hoje em dia, os canais para fazer isso estão cada vez mais escassos e disputados…

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      De fato, para o bem ou para o mal, hoje em dia, 95%+ de quem se forma PC o faz pagando integralmente pelas horas de voo… A maneira “clássica” de formação que vc citou, hoje se restringe a quem tem familiares ou amigos muito próximos donos de aeronaves, e é muito difícil para quem vai na cara e na coragem tentar efetuar sua formação desta maneira.

    • Fred Mesquita
      4 anos ago

      Sou de sua mesma época Fábio. O único custo que tive foi o prático de PP. O resto foi na base da amizade mesmo. PP checado em 1988 e PC/Multi/IFR checado em 1989, e após, mais horas de duplo e comando para obter mais experiência de voo.
      Mas vejo que as escolhas da atualidade são diferentes daquela época, quando éramos convidados para voar de copila anda no teórico de PP. Hoje, não mais…

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