Sobre a atual conjuntura da aviação comercial brasileira

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Alguns leitores me escreveram pedindo para eu comentar o debate que aconteceu recentemente na GloboNews, no programa comandado pela jornalista Miriam Leitão, com o Efromovich (presidente e dono da Avianca) e o Kakinoff (presidente executivo da gol): “Aéreas pedem ajuda ao governo mesmo com crescimento do setor“.

Bem… É difícil comentar, pois o programa foi tão mal conduzido, que pouco se pôde aproveitar do que foi falado. Só faltou a entrevistadora vestir um capuz dos Black Blocs e incitar a turba a queimar os aviões das companhias aéreas nacionais – sob a ótica da sra. Leitão, as grandes vilãs da economia. Fora isso, teve a tentativa patética do presidente da Gol de justificar o injustificável – a compra com posterior destruição da Webjet, e a suposta política de “low cost low fare” de sua empresa – e o velho e bom discurso sobre o trio dólar-querosene-impostos, que a ABEAR está trombeteando aos quatro ventos na imprensa já faz algum tempo.

Dos 30min. de programa, o que sobrou de interessante foi:

1)A estratégia da Avianca, de focar no segmento de nível mais alto do mercado (uma espécie de “high cost, high fare”) contada pelo seu idealizador, o Efromovich;

2)A declaração do Kakinoff de que, assim como disse a presidente da TAM, o mercado só deverá voltar a crescer após 2015; e

3)O fato de que a Avianca crescerá 37% em 2013 (com lucro), e pelo menos 30% em 2014.

Mas se você quiser se informar melhor sobre a atual conjuntura da aviação comercial brasileira, não perca seu tempo assistindo ao programa da Miriam Leitão. Vale muito mais a pena você ler as duas reportagens abaixo, que saíram hoje no Estadão e no Valor (fonte: Aeroclipping do SNA):

Aéreas cobram ajuda do governo
Empresas fizeram uma série de pedidos para elevar competitividade do setor, como revisão do preço do combustível e corte de tributos
Wladimir D’Andrade

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) espera uma resposta do governo a uma lista de pedidos apresentada pelas companhias para aumentar a competitividade do setor. A expectativa do presidente da entidade, Eduardo Sanovicz, é de que o governo faça uma contraproposta ao setor em até dez dias.
Um dos pedidos é a revisão do cálculo do querosene de aviação, uma despesa que corresponde a cerca de 40% dos custos das companhias aéreas brasileiras. Sanovicz admite que será difícil que o governo concorde em alterar a fórmula do preço do querosene de aviação (QAV), já que o produto faz parte do portfólio da Petrobrás, mas afirmou que uma redução de preço pode ocorrer por meio de corte de tributos incidentes sobre o combustível.

“Cerca de 20% do que pagamos de QAV consiste em tributos”, disse, durante entrevista para a divulgação dos dados do setor em agosto. Sobre o combustível de aviação são cobrados PIS e Cofins de, respectivamente, 1,25% e 5,8%.

A Petrobrás calcula o valor do querosene com base na cotação internacional do barril de petróleo. A crítica do setor é que a maior parte do combustível é processada em refinarias nacionais. “A fórmula de precificação do QAV não deve mudar por conta da condição econômica da Petrobrás”, disse Sanovicz.

Em entrevista ao Estado, o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, confirmou ontem que o governo montou um grupo técnico para avaliar as sugestões das empresas. Ele, no entanto, disse que as companhias terão de melhorar sua gestão. “Sabemos que para modernizar o setor é preciso ter companhias robustas. Mas elas vão ter de fazer a parte delas e melhorar a gestão.”

O presidente da Abear fez questão de repetir que as conversas com o governo federal não dizem respeito a pedidos de ajuda para o setor, mas de correção de distorções tributárias que não se aplicam mais ao mercado atual e de mecanismos para dar uma certa previsibilidade às companhias aéreas.

“Não dizemos que a Petrobrás tem de subsidiar o querosene de aviação ou o Estado não tem de arrecadar, mas precisamos de regras que nos deem estabilidade de cenário nos próximos cinco anos”, disse. O setor aéreo vem enfrentando dificuldades financeiras, em função do aumento dos custos das companhias. Essa situação se agravou com a recente alta do dólar, já que mais da metade das despesas do setor são atreladas à moeda americana.

Para conter o prejuízo, as empresas vêm adotando uma estratégia mais conservadora, que levaram a uma redução da oferta de voos nacionais. O setor registrou no mercado doméstico queda de 5,7% na oferta e baixa de 11,1% na demanda na comparação com julho. O número de passageiros transportados em voos domésticos em agosto somou 6,5 milhões de passageiros, número 6,6% abaixo do total registrado no mês anterior.

Os dados do setor aéreo em agosto mostram, nas palavras de Adalberto Febeliano,consultor técnico da Abear, uma “ressaca natural” em relação a julho, mês de férias escolares. Nesse período, a TAM liderou os voos domésticos, com 40,2% de participação, seguida por Gol (34,1%), Azul/Trip (17,9%) e Avianca (7,8%). A Abear é formada por TAM, Gol, Azul/Trip e Avianca e começou a divulgar dados operacionais dos associados em setembro de 2012.

● Em baixa
11,1% foi a queda na demanda por voos nacionais em agosto em relação a julho, segundo dados das quatro maiores empresas aéreas brasileiras; variação supera queda de 5,7% na oferta no período

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Aéreas aguardam ações para sair da estagnação
Por João José Oliveira | De São Paulo

O transporte aéreo de passageiros passa por uma fase de estagnação no Brasil provocada por economia fraca, no lado da demanda, e pressão de custos, no lado da oferta, mas está pronto para retomar as taxas de expansão superiores a um dígito assim que obstáculos forem removidos com ajuda do governo, disse o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz.

“O crescimento já está contratado”, disse o executivo da entidade que representa TAM, Gol, Azul e Avianca, referindo-se à carteira de pedidos de aeronaves que essas empresas têm até 2020. Segundo dados reunidos pela Abear, o total de aviões no país vai passar de 450 aviões a 976 em sete anos.

“Nosso trabalho hoje é identificar os desafios para cumprir a meta para que em 2020 possamos transportar 200 milhões de brasileiros por ano”, disse Sanovicz. “Mas se nada acontecer, o cenário será o de redução de frotas, com impacto no preço”, afirmou o representante das aéreas.

Segundo a Abear, as aéreas registraram em agosto queda de 5,7% na oferta, medida por assentos-quilômetros-oferecidos (ASKs), em relação a julho deste ano. Na mesma comparação, a demanda caiu 11,1%, considerando o indicador passageiros-quilômetros pagos transportados (RPKs). A taxa de ocupação foi de 74,2%.

Na comparação com agosto de 2012 – com dados apurados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) porque a Abear só passou a fazer a compilação em setembro de 2012 – a oferta subiu 3,3% e a demanda avançou 4,9%. “Com a elevação dos custos do setor, que se acentuou com a subida do dólar nesse ano, as empresas estão priorizando operações mais eficientes e recompondo tarifas. Estamos numa temporada de expansão mais lenta”, disse o presidente da Abear.

O executivo diz que tal cenário torna mais urgente uma resposta do governo às demandas do setor, que pede alteração na fórmula de cálculo da querosene de aviação (QAV), redução do PIS/Cofins e da alíquota de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o combustível, além de melhorias na infraestrutura aeroportuária e a abertura do setor ao investidor estrangeiro além do limite de 20% do capital hoje existente. “O ministro [da Secretaria da Aviação Civil, Moreira Franco] prometeu dar resposta até o fim do mês”, disse Sanovicz, que projeta impacto efetivo de eventuais ações aceitas apenas em 2014.

 

8 comments

  1. Felipp Frassetto
    4 anos ago

    A globo(st…), principalmente na pessoa dessa “auto-interpretada economista-antropóloga-geógrafa-altruísta”, SEMPRE faz um desserviço ao país. Literalmente.
    Uma empresa, para sobreviver ao longo do tempo, sempre tem que se adaptar, é certo.
    Mas esta empresa vai além: é vira-casaca mesmo.

    Chumbrega:
    Antipatia nada. Isso é mancomunado mesmo.

    Porcaria…

  2. Rafael
    4 anos ago

    Bom. Se os números do nossa caro presidente da Abear se concretizarem (de 450 aeronaves hoje para 976 em 2020), a procura por pilotos mais de dobrará. Espero que ele esteja certo.

    Abraços,

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      Isso tá com uma cara de reposição de frota… esse papo de 200milhoes de pax até 2020 tá muito fora da realidade, na minha humilde opinião. Infelizmente.

      • Julio Petruchio
        4 anos ago

        2020?! Ihhh Tem água desse “corgo” p’ra passar debaixo da ponte… Muita coisa pode acontecer!

        • Enderson Rafael
          4 anos ago

          até acho que vai aumentar sim, mas de 80 pra 200? Nem nos meus devaneios mais loucos…

  3. Chumbrega
    4 anos ago

    Puts! Quanta antipatia da ML em? Nunca vi entrevistador tão chato!

    • Julio Petruchio
      4 anos ago

      Vou ser sincero: vez ou outra assisto as explicações dela no Bom Dia Braziu! E acabo não entendendo nada… Não sei se eu sou muito burro ou ela que explica bem…

  4. “Rede Esgoto de Televisão”? Devem sabe-se lá quantos zilhõe$ ao BNDES, então carecem de credibilidade com órgão de imprensa, há muitos anos.

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