A ilha de prosperidade que é a aviação agrícola

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Muitos reclamam do tom pessimista deste blog, que todo dia traz más notícias sobre a aviação – e, especialmente, sobre o mercado de trabalho para pilotos. Então, para estes que clamam por boas novas, recomendo o artigo “Céu aberto para a aviação agrícola – Setor emprega 7 mil, cresce 7% e mantém mercado aquecido“, do Portal do Aviador. Só não se esqueçam de que, para ingressar na aviação agrícola, são necessárias 400h de voo no mínimo; então, vai ser preciso passar por um emprego na aviação geral antes (como INVA, por exemplo), para poder se qualificar para a habilitação de PAGR. E também é bom lembrar que o estilo de vida de um piloto agrícola é bem peculiar, e não é todo mundo que encara ficar enfurnado numa fazenda por meses a fio (tem gente que adora isso, é claro, mas muita gente nem tem ideia de como é viver assim).

Bem, mas agora ninguém pode dizer que eu não trago boas notícias sobre o mercado de trabalho para pilotos…

33 comments

  1. Luiz Otavio S. Gonçalves
    10 meses ago

    Aviação agricola é mais que profissão, é paixão, já vi vários pilotos recem saidos do cavag voarem a primeira safra do capim aqui no Pará de graça, e olha que na década de 90 era uma fumaceira terrivel aqui, não tinha gps e muito menos dgps, era voando e olhando a rodovia, desviando de castanheiras com mais de 40 mts de altura, aqui era dureza, e esses garotos vinham para cá empolgadissimos e se apaixonavam pelo agricola, é certo que alguns ficaram pelo caminho, mas a maioria hoje são proprietários de suas próprias empresas de aviação agricola. riscos são muitos, remuneração nem sempre é das melhores, mas o prazer de voar agricola compensa.
    LUIZ OTÁVIO.

  2. Leandro
    2 anos ago

    A situação da aviação agrícola , não é um mar de rosas , cada vez se ganha menos, mas o risco é o mesmo. É claro que há exceções, mas a realidade para a grande maioria não é muito boa. Concorrência predatória entre empresas , baixos preços, são desestimulantes

  3. Renato vELHO
    3 anos ago

    MAS AFINAL ALGUÉM GANHA MESMO R$160.000 ANUAIS NA AGRÍCOLA? É OU NÃO REALIDADE A FALTA DESTES PILOTOS? EXISTE OU NÃO PANO PRETO SOBRE O SETOR? DÁ OU NÃO PARA TER UM AVIÃO AO MENOS USADO COM ALGUNS ANOS DE PROFISSÃO? ATENCIOSAMENTE UM NOVATO CRIADO NO CAMPO QUE ADORA AVIAÇÃO!

  4. valderuski
    4 anos ago

    Sim, os comentários são bem interessantes e desanimadores, só que eu quero v todos vcs trabalhando na pm de são paulo, ganhando micharia e lidando com os dois piores tipos de gente ( bandidos e oficiais da pm) ai vcs vão v o q é sofrimento. chora de barriga cheia este povo

  5. rafa545
    4 anos ago

    É eu entendo o que você falou, sei que 350 horas vão custar bem caro, mas eu tenho como juntar a grana sem me sacrificar. Você acha que eu teria mais dificuldade para entrar no mercado por este motivo ?

    Obrigado.

  6. rafa545
    4 anos ago

    Oi, sou de Goiânia, tenho 23 anos, e estou juntando para tirar o brevê, pretendo daqui a três anos tirar o piloto privado e o comercial e em seguida pagar por mais 350 horas de vôo em algum aeroclube, para ja adiquirir uma boa experiência e depois já tirar o CAVAG em um curto período de tempo. Minha duvida é, se eu depois de tirar o piloto comercial e comprar mais 350 h, se eu terei menos chance para entrar em alguma empresa de aviação agricola do que outra pessoa que após tirar o Piloto comercial, ganhou as mesmas 350 horas trabalhando como copiloto ou piloto em alguma outra empresa.
    Se puder me responder, muito obrigado.

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Olha, Rafa… Vai ficar esquisito. E caro uma barbaridade – vc já fez as contas? Eu tentaria ir pelo caminho “normal”, dando instrução, etc. Acho muito mais sensato.

  7. Rodrigo
    4 anos ago

    Sem querer desanimar, já foi a época que se ganhava bem na agrícola. Hoje um emprego razoável na executiva ou táxi aéreo ganha se a mesma coisa. Quem garante que a longo prazo não vai ter uma conta de tratamento médico por causa da intoxicação do veneno?! Na realidade o salário teria que ser no mínimo o dobro da executiva, pois os risco são variáveis. Já tenho as horas suficientes e refuguei 2 propostas de entrar na agrícola, pois a conta no futuro pode ser grande. Posso ganhar pouca coisa a menos na executiva mas com segurança e qualidade de vida, por que na executiva o patrão está dentro e a segurança depende de mim e a manutenção eu acompanho de perto.

    • Luciano Amaral
      3 anos ago

      Fizeste o certo!Me formei piloto agricola desde 1997 ate hoje.O piloto agricola alem de ganhar muito pouco ao longo do tempo gasta tudo que ganhou em hospital tratando da saude que o veneno destruiu.Minha resposta nao é pra desanimar,mas avalie com serenidade,se realmente vale a pena GANHAR POUCO E TRABALHAR NO LIMITE SEMPRE!

  8. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Ou seja, Pavin, se resolvêssemos fazer o curso de agrícola, só lá pelas 600h hahaha É fogo, viu…

  9. Marcelo
    4 anos ago

    Gostaria da opinião dos amigos, tenho 29 anos, trabalho como administrador de um posto de combustíveis, mas pretendo mudar de ramo, e uma área que sempre me interessei foi a aviação agrícola, eu teria que fazer tudo desde o inicio (PP, PC) e depois o curso para instrução para acumular as horas necessárias (o aeroclube disse que se fizer todos os cursos com eles, poderei dar instrução no próprio aeroclube, gostaria de saber também a opinião de vocês sobre isso, se tem muita gente querendo dar instrução? terei problemas para conseguir me encaixar como instrutor?)
    Gostaria de saber se vale a pena ainda investir na aviação agrícola, estou ciente das dificuldades, dos riscos. Eu não tenho problema algum em mudanças de estado, em passar meses fora de casa, dormindo em fazendas no meio do mato… gosto disso!
    O que me preocupa é a questão de emprego, sem ter experiência. E também a questão do salário, sei que o dinheiro é consequência do trabalho, mas gostaria de ter uma ideia real de quanto ganha um piloto agrícola em um primeiro emprego, e se nas próximas safras a renda aumenta?
    Como funciona o tempo da safra? São seis meses de muito trabalho e depois fica parado?
    E por eu ter 29 anos, seria tarde para começar?

    Desculpem tantas perguntas, mas conto com o apoio de todos, pois preciso tomar uma decisão muito importante em minha vida.

  10. Marcius
    4 anos ago

    Assim que tirei o PAGR em 2004, peguei minha habilitação e guardei no bolso. Nem cheguei a fazer uma safra.
    Fui voar na executiva pois percebi que a minha praia não era aviação agrícola.
    O relato do Celso já era do meu conhecimento e por isso eu nem quis experimentar aquele ritmo maluco.
    Mesmo assim, existe o pessoal que gosta e está muito contente voando agrícola.
    Por isso, não dá para afirmar se tal ramo da aviação é bom ou ruim. Se o sujeito tem dom para voar agrícola, executiva, linha aérea, etc, que ele seja feliz e faça o seu trabalho bem feito!

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      Exato. Voar numa porque não conseguiu nada na outra não é nunca uma boa escolha. Eu quero muito voar, mas não considero a agrícola minha praia por não ter esse perfil “radical” que ela exige. A linha aérea eu gosto e voaria com certeza, mas tampouco faço tanta questão por já conhecer o dia a dia do 121 há 8 anos como comissário e porque o mar não anda pra peixe (ou só anda pra peixe, sei lá). Sobram instrução de voo – que infelizmente, até pelo salário, tende a ser algo temporário – e a executiva, que dentro de si tem inúmeros desdobramentos possíveis. O fato é que há muitos tipos de aviação e muitos perfis de pilotos. E isso é ótimo!

  11. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Bem observado, Pavin… Na prática, minha consularização só serviu pra eu conhecer Miami Beach e descobrir que parece Iracema. Sem as castanhas do Aleisson.

  12. Eh engracado. Soh no Brasil que nao se aceita isso e aquilo. Tenho minha carreira inteira (33 anos e meio) documentada numa soh “personal logbook” da ASA, formato internacional (ICAO / FAA / JAR Compliant) etc.; jah passei por 4 empregos na Asia e Oriente Medio e jamais sequer levantou-se quaisquer hipoteses de as horas A, B ou C nao serem aceitas para qualquer que fosse o proposito (i.e. Convalidacao, obtencao de licenca do pais etc). Essa mania de querer ser mais real que o rei eh soh aqui, nesta bendita “republica”…

  13. Celso
    4 anos ago

    Raul…posso falar a vontade sobre esse assunto,pois voei 21 anos agricola…
    O problema nao eh so ficar “enfurnado” numa fazenda 9 ou 10 meses por ano,existem outros “probleminhas”,como por exemplo,o salario que caiu vertiginosamente ao longo dos anos(varias vezes ganhando menos que na executiva),que eh via de regra,uma porcentagem sobre a produçao,e que pode variar de 10% a 20%…ou seja,se voar ganha,se nao voar nao ganha nada…e nem sempre fica-se numa fazenda…quando se esta em empresa agricola,sua vida social e familiar praticamente acaba,pois o piloto vive de fazenda em fazenda,muitas vezes numa safra muda para varios estados!Claro que ha exceçoes,mas sao poucas!
    Outro “probleminha” eh a total falta de segurança nas operaçoes…sem falar nos riscos quando se esta voando a 1 metro do chao(sim isso mesmo),como fios,arvores,torres de alta tensao e por ai vai…
    Nao esquecendo que no dia dia estara lidando com agrotoxicos!e a primeira intoxicaçao ninguem esquece!Apesar de voar sempre com mascara e macacao,o dito veneno entra pela pele do cidadao…outra coisa que ninguem esquece tambem eh semear capim em pastos e adubar lavouras…meu Deus…aquele cloreto e ureia caindo no suor do rosto e ardendo nos olhos…ninguem merece!!!
    Outro detalhe:o cara voa uma safra toda,e na hora de receber leva um calote do dono do aviao!!!isso acontece muito,pois na agricola,os acordos salariais ainda sao no “fio do bigode”!!!Eu mesmo levei 2 calotes em minha vida de agricola,e fui obrigado a entrar com açao trabalhista para receber o que era meu por direito!e la se foram 7,8 anos de espera…
    Como eu disse,voei por 21 anos na agricola…parei e estou na executiva,ganhando um salario(em carteira,com todos os direitos) igual e vivendo mais a vida,e como sempre respondo aos que me perguntam se nao voltarei a voar agricola,sempre digo “nunca digo nunca,mas se depender de mim,NAO!).
    Entao,a quem se habilitar,aproveitem esse tal “crescimento” e encarem essa vida que descrevi brevemente…
    Mais um aviso aos candidatos:voces serao muito mal tratados em fazendas e usinas de cana…nao pensem que serao comandantes de aviao,mas sim,um peao terceirizado!

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Excelente comentário, Celso! Ótimo para o pessoal ver o que acontece na realidade da aviação agrícola! Mas, de qualquer maneira, o fato é que este é o único segmento da aviação brasileira que cresce no atual momento…

      • Celso
        4 anos ago

        Olha Raul…acredito que ha otimismo demais nesses numeros…mas que seja so a metade ja esta bom ne??

        • Raul Marinho
          4 anos ago

          Na atual conjuntura da aviação brasileira, qualquer número superior a zero já é para se comemorar! Mas levando-se em conta o crescimento do PIB agrícola, faz sentido que a aviação agrícola cresça no ritmo apontado.

      • O comentário do Celso é exatamente o que eu te disse que venho ouvindo, Raul. E dado a experiência dele, vejo que o panorama é esse mesmo. Apesar das oportunidades e do mercado, aparentemente em expansão, a agrícola é definitivamente pra quem quer TRABALHAR, sem frescura e sem “gramur”.

        • Celso
          4 anos ago

          Exato Alisson!pra quem quer TRABALHAR(deixar o couro das costas no banco do aviao!).
          Por isso muitos que fazem o CAVAG,quando chegam la no campo e veem a realidade,desistem…

          • Enderson Rafael
            4 anos ago

            Não é nem a questão de trabalhar muito, é o perfil do voo e do emprego mesmo. Trabalha-se muito na linha área, na regional também, e por salários inferiores. Mas são máquinas diferentes, com perfis de voos diferentes, com riscos diferentes. Definitivamente a aviação agrícola requer um tipo diferente de piloto, uma pessoa que gosta de voar de uma maneira inclusive imprópria para outras aviações, digamos, mais comportadas. Mas concordo que gente que goste de trabalhar está em falta, ainda que na aviação o problema seja menor pela questão de boa parte gostar do que faz.

          • Paulo Machado
            3 anos ago

            Você ja tentou ser dono do seu proprio avião [ aeronave agrícola] ?

    • Rubens
      4 anos ago

      Raul ,não deixe o Celso sumir do blog ele tem uma grande experiencia para passar para os novatos, grande relato direto e receado de informaçoes.

  14. Não seria essa uma “segunda prensa” do apagão de pilotos? Conheço muita gente que está na agrícola e diz que não é bem assim que a banda toca não (no que tange às oportunidades e sobre o salário).

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Não porque não há notícias de que haja um “apagão de PAGRs”, nem que os salários da aviação agrícola sejam estratosféricos, ou que seja “fácil ingressar na carreira”, como era o caso das reportagens sobre o “apagão de pilotos”. O que se noticia – e que é um fato – é que este segmento cresce continuamente no Brasil (não devido à aviação, e sim devido ao agribusiness), o que é justo. Se não, não se poderia informar nada de positivo sobre aviação, né?

      • Pois é. Tenho percebido um bom “movimento” de pilotos (INVAs sobretudo) fazendo o CAVAG. Como cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça, fiquei imaginando ser não seria isso um “apagão de pilotos dentro do apagão de pilotos”.

        Mas o que você explicou de fato é uma realidade que também tinha observado.

        • Raul Marinho
          4 anos ago

          É claro que tem gente que está nessa de “apagão dentro do apagão”, mas aí é por conta e risco do sujeito. Afinal, o cara já é pelo menos PC com 370h para começar o CAVAG. É bem diferente do apagão que os aeroclubes vendiam pros coitadinhos que nunca viram um avião na frente…

  15. André Pavin
    4 anos ago

    Uma coisa que sempre me perguntei foi se com as horas que voamos fora do Brasil (e tendo total de 400), poderiamos iniciar o curso de agrícola. Ou será que a ANAC não as reconheceria para essa finalidade?

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Em tese, a ANAC deveria reconhecer as horas voadas fora do Brasil, se vc proceder de acordo com o RBAC-61, seção 61.29, item j:

      As horas de voo realizadas a bordo de aeronaves com marcas de nacionalidade e de matrícula estrangeiras somente poderão ser aceitas quando a finalidade for comprovar experiência para a concessão de licença e/ou habilitação e/ou comprovar a experiência recente, conforme previsto neste Regulamento, desde que as horas de voo tenham sido realizadas em centros de treinamento ou centros de instrução ou em empresas de transporte aéreo certificados pela autoridade de aviação civil do respectivo país, que seja contratante da Convenção de Aviação Civil Internacional, e sejam declaradas por aquela autoridade e consularizadas, conforme Manual do Serviço Consular e Jurídico do Ministério das Relações Exteriores.

      Na prática, porém, isso não acontece, infelizmente.

      • André Pavin
        4 anos ago

        É, infelizmente não é o que acontece na prática. Para simplesmente incluir minha habilitação mono que tenho da FAA na licença brasileira me pediram para realizar 6 missões, ground school, etc. Sendo que precisaria apenas de 3 pousos/decolagens e cheque.

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