Alvíssaras da aviação geral

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Por indicação do amigo Marcelo Pinheiro, reproduzo a seguir duas notas publicadas nesta matéria da Folha de 23/09, ambas alvissareiras quanto ao desempenho da aviação geral. A primeira informa que a Líder Aviação deverá bater seu recorde de faturamento este ano, superando a marca de R$1Bi, principalmente devido ao bom desempenho do seu serviço de táxi aéreo para as plataformas de petróleo. E a segunda nota informa que a Algar Aviation desenvolveu um sistema de comercialização de aeronaves com pagamento em soja, o que mostra as possibilidades para a aviação do agribusiness brasileiro, não só para a atividade aeroagrícola.

BILHÃO ANTECIPADO

A Líder Aviação deve antecipar para este ano o recorde de R$ 1,1 bilhão de faturamento que, segundo os planos da companhia, seria atingido apenas em 2014.

“Todos os segmentos em que atuamos, da venda de aviões aos serviços de gestão de aeronaves, de fretamento e de manutenção, cresceram neste ano”, afirma o presidente Eduardo Vaz.

No ano passado, o faturamento foi de R$ 815 milhões.

O aumento mais acelerado ocorreu na área de fretamento para a indústria de petróleo, segundo Vaz.

A companhia tem 67 aeronaves próprias apenas para o transporte de funcionários em plataformas petrolíferas.

“Esse serviço representa hoje um faturamento muito importante para o grupo.”

Na venda de aviões executivos, a empresa deve encerrar 2013 com cerca de 30 negócios fechados, de acordo com o presidente.

O número supera o que foi registrado nos últimos anos, mas ainda fica abaixo do pico de aproximadamente 50 aviões vendidos anualmente entre 2005 e 2007.

R$ 1,1 BILHÃO é o faturamento estimado da empresa para 2013

R$ 815 MILHÕES foi o faturamento do grupo no ano passado

SOJA POR AVIÃO

A Algar Aviation, braço aeronáutico do grupo Algar, criou um novo modelo para a comercialização de aeronaves com foco no agronegócio.

A empresa oferece ao produtor rural, sobretudo a donos de fazendas de soja, uma garantia de compra dos grãos para que o negócio seja viabilizado.

“Esse modelo dá mais tranquilidade para o empresário na compra do avião, principalmente porque o agronegócio sofre muitas variações”, diz o diretor-superintendente Paulo César Olenscki.

A soja adquirida vai para outra empresa do grupo, que produz derivados como óleo.

O executivo afirma que vendas já foram fechadas, mas não revela números.

O principal modelo comercializado é o TBM 850, da fabricante francesa Daher-Socata, cujo valor é calculado em US$ 3,9 milhões (cerca de R$ 8,6 milhões).

Além da venda de aviões, a empresa também presta serviços de táxi-aéreo e de manutenção de aeronaves.

50% é o percentual estimado que a área de manutenção representa no faturamento da empresa

4 comments

  1. Enderson Rafael
    4 anos ago

    O Brasil tem uma vocação pro agronegócio que não dá pra ignorar. Muitos governos insistiram em indústria por aqui, e o agronegócio foi negligenciado seguidas vezes, em especial na infra-estrutura de transporte pra escoar a produção. Resultado, décadas de protecionismo nos deixaram com produtos caros, ruins e pouco competitivos no exterior, enquanto nossos grãos querem ganhar o mundo mas enfrentam portos congestionados e ferrovias inexistentes. Bonito faz o Chile, que produzindo quase que apenas cobre e vinho, tem qualidade de vida e produtos baratos pros seus cidadãos, praticamente sem indústrias. Enfim, focamos na coisa errada. Mas como a teimosia vence a insistência, algumas indústrias impensáveis surgiram e se destacaram, das quais nos encanta mais a Embraer. A ideia de viabilizar a venda pros produtores rurais é ótima pro mercado, pra eles, e pra nós. No campo não tem só aviões pulverizadores. E quem não toparia voar um avião bacana baseado numa fazenda tranquila? Tomara que o negócio dê certo, e muito!

    • Fábio Carvalho
      4 anos ago

      “Whitout data how can we reach definite conclusions?” Thomas Edison

      Uma pequeno complemento com respeito ao Chile… as classes de atividades economicas que formam atualmente o PIB Chileno, seguem em ordem de peso, volume e contribuição:

      1) Serviços Empresariais
      2) Mineração
      3) Serviços Pessoais
      4) Industria Manufatureira
      5) Comercio
      6) Construção

      Pode-se observar que a “minería” como é chamado mineração por aqui, vem em segundo na lista de contribuidores ao PIB, porém é realmente um motor de muito peso para a economia. E quando associamos a variável “aviação” podemos entender que a mineração é um potencial de demanda alta para vôos comerciais, charter, privados, etc.

      O assunto é tão importante que 7 novas empresas aereas estão chegando no Chile. Algumas empresas vindas da Europa, elas terão que adaptarse ao perfil de demanda, principalmente relacionado a mineração e vôos charter internacionais. O positivo é que a aviação por aqui está em expansão, e isso é positivo em vários sentidos.

      http://www.biobiochile.cl/2013/09/23/7-nuevas-lineas-aereas-llegaran-a-chile-cuatro-haran-vuelos-exclusivos-para-mineria.shtml

      Agora, voltando ao assunto comprar e pagar com soja. Isso é realidade já há bastante tempo no interior do Brasil, e outros mercados como o de implementos agrícolas trabalham de forma similar. O produtor rural pode comprar tratores, colheitadeira e outros implementos que tem seus preços muitas vezes da ordem do milhão de reais. Não raros são os casos onde 15 a 20 colheitadeiras são compradas de uma só vez para serem pagadas em soja a futuro. Ou seja, se o produtor pode comprar 20 milhões em máquinas agrícolas, porque não um TBM por 8M? Boa iniciativa da Líder e da Algar.

      • Enderson Rafael
        4 anos ago

        Gracias por los datos;-) E que cresça muito e absorva-nos!

  2. Muito interessante esse escambo. Nunca tinha ouvido falar em algo do gênero, relacionado a comercialização de aeronaves. Uma ideia que pode ajudar a aviação em tempos de crise.

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