Lá vem o Brasil, descendo a ladeira!

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Como diz a música do Moraes Moreira:

Brasil recua, na contramão do planeta

Aviação: Mercado brasileiro é único, entre grandes, a ter retração de oferta e demanda em 2013, aponta IATA

Por João José Oliveira

(Reportagem obtida aqui)

O Brasil é o único grande mercado a registrar declínio no transporte aéreo de passageiros este ano, em contraste com a melhora em outras regiões, segundo a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês).

Nos primeiros oito meses deste ano, as companhias no mercado brasileiro tiveram retração de 0,4% no tráfego doméstico e baixa, ainda mais expressiva, de 5,1%, na sua capacidade. Segundo a Iata, os cortes de capacidade no Brasil são resultado de inquietações das companhias aéreas com a fraca situação econômica e o impacto que isso pode ter na lucratividade.

Nesse cenário de aperto, a taxa de ocupação dos aviões melhorou no mercado interno, ficando em 75,3% em média este ano, ante 71,8% em 2012.

Na direção oposta à do Brasil, a China registrou crescimento sólido, de 12,3%, entre janeiro e agosto deste ano, enquanto a Rússia avança 9,6%, o Japão, 5,2%, a Índia, 2,8% e os Estados Unidos, 1,8%.

“A Iata apenas está repercutindo o que nós temos dito há meses”, disse o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz.

“Se algum dos agentes do setor aéreo deixar de fazer a sua parte, a meta que temos para 2020 não será atingida”, disse o executivo, referindo-se ao plano do setor de dobrar do atual nível de 100 milhões para o patamar de 200 milhões a quantidade de passageiros transportados pelas companhias nos céus brasileiros dentro de sete anos.

A Abear diz que a retomada das taxas de crescimento de oferta e de demanda no setor aéreo brasileiro verificadas entre 2003 e 2012 – em média de 14% ao ano – depende de investimentos em infraestrutura, de ajustes na carga tributária e de ganhos de eficiência operacional e financeira por parte das empresas.

“Estamos fazendo a nossa parte, cortando custos, buscando margens. Mas o setor não pode ser visto apenas de cima do avião”, disse Sanovicz, ressaltando que os investimentos das companhias aéreas no horizonte de sete anos somam valores que podem variar de R$ 26 bilhões a R$ 36 bilhões, dependendo da demanda no país.

O encarecimento do combustível e a alta do dólar – que impactam mais de 70% das despesas das aéreas brasileiras – levaram as líderes TAM e Gol a registrarem perdas combinadas de R$ 1,2 bilhão entre janeiro e junho.

Sanovicz diz que as empresas ainda aguardam a resposta do governo para sugestões como alteração na fórmula de cálculo da querosene de aviação (QAV), redução do PIS/Cofins e da alíquota de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o combustível.

A resposta que era esperada para o fim de setembro ainda não veio. “Sabemos que o ministro [da Secretaria da Aviação Civil, Moreira Franco] vai ter uma reunião na Casa Civil segunda-feira. Esperamos uma posição semana que vem”, disse Sanovicz.

A indústria do transporte aéreo ganha fôlego com a Europa registrando modesta melhora econômica e aumento da confiança do consumidor. A China recebe mais encomendas e grandes clientes, como os Estados Unidos, aparentam mais firmeza econômica.

Outros mercados emergentes, incluindo América Latina e África, também apontam maior número de passageiros e de transporte de cargas.

“A confiança na economia e encomendas de exportações estão aumentando, e a desaceleração dos emergentes parece estar se estabilizando””, aponta a Iata. Isso se reflete nos dados do mês de agosto, quando o mercado total de passageiros (voos domésticos e internacionais) cresceu 6,8% globalmente.

O Brasil, em agosto deste ano, registrou tímido crescimento, de 0,5%, no tráfego doméstico de passageiros em relação a agosto de 2012. A China, por sua vez, cresceu 13,7%, confirmando a robustez do setor naquele país. Na Índia, a expansão foi ainda maior, de 15,7%, depois da alta de 10,5% em julho, mas os resultados são voláteis no país, refletindo a contração na economia. A Rússia cresceu 6,9%.

O Brasil ficou atrás também em comparação à expansão do transporte aéreo de passageiros na América Latina como um todo, que foi de 7,5%.

O mercado dos Estados Unidos, o maior do mundo, cresceu 1,2% em agosto comparado ao mesmo mês do ano passado, em meio a certo otimismo na economia. A taxa de ocupação das aeronaves americanas continua alta no mercado doméstico, de quase 86%.

O transporte internacional de passageiros cresceu 7,5%. A América Latina registrou expansão de 9,8% em agosto comparado ao mesmo período do ano passado.

Conforme a Iata, a fragilidade da maior economia da região, o Brasil, não parece ter afetado o transporte aéreo internacional para as companhias da região. “Embora o Brasil continue a enfrentar deterioração da confiança dos empresários, outras economias como Colômbia, Peru e Chile estão expandindo fortemente”, diz a entidade.

As perspectivas para o mercado mundial continuam a dar sinais de melhora, sugerindo possivel aceleração no crescimento do transporte aéreo no fim do ano.

 

Fonte: Valor Econômico

2 comments

  1. carlos fernando de barros
    4 anos ago

    Como diz alguns integrantes do governo: ¨A aviação civil é pra zelite¨

  2. Júlio Petruchio
    4 anos ago

    “…outras economias como Colômbia, Peru e Chile estão expandindo fortemente”, diz a entidade.”.
    Interessante, né?
    Entre os considerados “maiores” não são citados como “melhores mercados” os que possuem esse o pseudo-socialismo, como Argentina (essa queria despejar a LAN de lá), Bolívia, Venezuela e lógico, o principal da reportagem, o Braziu!

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