“Um voo na vida de um piloto expatriado”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Um voo na vida de um piloto expatriado – Marcus Prata

Do mesmo autor do texto publicado ontem no post “Fogo a bordo! A pior das emergências”, o Marcus Prata, segue acima o link para baixar o texto “Um voo na vida de um piloto expatriado” – que, como o título sugere, fala sobre como é a rotina de um piloto EXPAT. Desta vez, ele está num PDF fora do corpo do post porque é um texto mais longo (são 14 páginas), e pode ser que alguns leitores prefiram imprimi-lo para ler em papel (o que recomendo), coisa que fica mais fácil com o PDF.

Quem leu o texto de ontem, sobre fogo a bordo, sabe que o Marcus escreve muito bem. Mas este artigo de hoje está ainda melhor – embora, novamente, o conteúdo se sobreponha à forma: seu relato sobre como acontece a rotina de um piloto no exterior traz detalhes muitíssimo interessantes para quem voa no Brasil e quer saber como é voar “lá fora”. Abaixo, vou reproduzir um trecho só para vocês terem uma ideia do tipo de comentário que vocês encontrarão no texto do PDF acima. Num certo momento, o autor-comandante está numa aproximação, e se depara com uma aeronave da Embraer, que o copiloto coreano ignora solenemente. Vejam como este evento aparece no texto:

(…)

O copiloto faz o read back preciso e fico contente, pois apesar do nervosismo e alguns tropeços ele fez uma boa fonia. Nada como ver um profissional dar o melhor de si para realizar um bom trabalho e nisso somos todos iguais em qualquer parte do mundo.

Ao passar para a frequência do solo do setor sul ele nos instrui…

Flight 61 taxi via Charlie and give way to a Brasilia (existe uma enormidade deles aqui em LAX) crossing on taxiway Tango and taxi to the gate

O copiloto fornece o read back correto, mas me indaga…

Captain what’s a Brasilia? Eles por aqui não têm a mínima cultura aeronáutica, desconhecem coisas básicas, e eu pacientemente e também com muito orgulho explico que é um bimotor regional fabricado pela EMBRAER, e ele em seguida…“What’s E-M-B-R-A-E-R?”“. Eu rio por dentro, mas simplesmente desisto de dar mais explicações e fico me perguntando como um sujeito que é aviador profissional não conhece a terceira maior fabricante de avião do mundo. E volto a recordar da resposta que a grande maioria dos copilotos locais me fornecem quando indago o porquê deles terem escolhido a aviação como profissão. Invariavelmente eles respondem que acham um bom emprego, que não sabiam o que fazer profissionalmente quando souberam que a empresa estava contratando piloto, e outras respostas que não vale nem a pena lembrar. Raramente encontro um piloto local que realmente adore a aviação, que tenha tido o sonho de ser aviador e que realmente goste de avião e tudo relacionado com ela. Tenho a impressão, não, tenho a certeza, que se fosse oferecido a eles um trabalho de escritório, das 9 da manhã até às 5 da tarde, mas que pagasse mais do que eles ganham por aqui atualmente, todos aceitariam de bom grado a troca. Háaa…a tal da diferença cultural, fazer o que?

(…)

E então? Vai deixar de ler um texto desses?

9 comments

  1. Henrique Coelho
    4 anos ago

    Raul boa noite. Gostaria de saber se existem mais textos escritos pelo Marcos Prata. Achei muito interessante os dois textos dele que foram postados aqui no PSP. Poucos textos conseguem prender a minha atenção e me levar pra dentro do cenário como esses dois textos conseguiram. Ele realmente escreve muito bem. Se houver mais textos dele poste no seu site quando possível. Abração.

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Se eu souber de mais algum texto do Marcus, pode ter certeza que irá aparecer aqui no blog!

  2. Rafael
    4 anos ago

    Fantástico! O Marcus escreve muito bem. A princípio parece grande, 14 páginas. Mas é de fácil leitura e muito rápido.
    Emocionante!!!

    Abs,

  3. Eduardo de Paula
    4 anos ago

    Se ele lançar um livro com suas histórias eu vou estar na fila pra comprar! Muito bom, li tudo e fiquei com aquele “gostinho de quero mais”…

  4. G.Teixeira
    4 anos ago

    Muito Bom!!!

  5. Raul, nunca me esqueço – quando trabalhava na ALTEON Training / Korean Air – da conclusão dos meus briefings de simulador, com o clássico “Any comments and/or questions?” 90% ou mais “disparavam”: “(1) Which engine are you going to fail? #1 or #2?” Ou então: “What time will be shiksa? Before session, or during break?” (* Em tempo, Shiksa = refeição/rango, em coreano) É como diz o Marcus Prata (“a tal da diferença cultural”). Muito bom, o artigo dele. Me lembra essas e outras coisas interessantíssimas, nos 6.5 anos em que ralei na “Terra da Tranqüilidade Matinal”.

  6. Pedro
    4 anos ago

    massa mesmo os seu textos

  7. Marcos Almeida
    4 anos ago

    Caro Raul Marinho,

    Vc é uma daquelas pessoas que o mundo nos presenteia para que a vida seja melhor. Obrigado, como piloto e jornalista, por suas contribuições.

    Att,

    Marcos Almeida (21) 76999008

    Marcos Almeida (21) 7699-9008

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