Reportagem sobre os pilotos asiáticos/árabes formados nos EUA

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Recomendo que vocês leiam o texto e assistam ao vídeo desta excelente matéria da NBC, compartilhada pelo amigo Flávio Veiga – “Foreign Airline Pilots, US Flight Schools: Do They Get Enough Training Time in the Cockpit?” -, que trata dos pilotos asiáticos e árabes que aprendem a voar nas escolas americanas e, retornando aos seus países de origem, ingressam imediatamente nas linhas aéreas, como copilotos. Alguns pontos a destacar sobre ela:

  • Trata-se, em essência, do tal do MPL/LPTM (só que melhorado, já que o Piloto de Tripulação Múltipla necessita de somente 40h de voo real para tal, e o PC da FAA se forma com 250h), que a ANAC regulamentou no RBAC-61 como sendo a salvação da lavoura da aviação comercial brasileira – e que muitos experts em aviação do Brasil aplaudiram. Entretanto, os especialistas em aviação americanos consultados acham uma barbaridade o sujeito sentar na direita de um B747 com somente 250h – inclusive, a FAA passou a exigir 1.500h dos copilas americanos que atuam na aviação comercial.
  • Fica evidente nesta reportagem que o problema da formação aeronáutica asiática tem raízes no fato de que, naquela região, a aviação geral é muito fraca, quase inexistente – especialmente a aviação de pequeno porte, com aeronaves CLASSE e TIPOs mais simples. Sim, a “aviação de riquinho” é o que permite às linhas aéreas brasileiras terem tanta oferta de tripulantes, e matar este segmento da aviação, como parece ser o objetivo do Governo Federal/ANAC/SAC, irá destruir a aviação comercial também, no longo prazo.
  • Para quem pretende ir voar na Ásia e Oriente Médio, é bom ficar ciente de que o sujeito que vai se sentar na direita da sua aeronave é um daqueles que a reportagem mostrou. É muito legal ganhar US$230mil/ano, mas não são só flores que aguardam os comandantes expats.

Além disso, essa matéria é muito interessante como complementação ao apresentado no post de ontem – FAA realizará mudanças no treinamento de pilotos -, e também ao excelente CP Cast que o Canal Piloto publicou na última sexta-feira sobre formação de PC nos EUA, com o nosso amigo Enderson Rafael.

2 comments

  1. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Essa matéria está bem interessante, e eu, formado naquelas bandas, vejo sim como uma das melhores formações do mundo, e senti um certo rancor do instrutor em precisar dar instrucao por anos enquanto seus alunos crus estao com um bom emprego num jato. Todos nós que estudamos lá, se procurarmos bem, encontraremos esse ranço, por mais que hj em dia nao voltemos mais de lá com emprego garantido – mas isso eh ciclico – e com a exigencia do atpl pra copilotos de regional (que nao ganham mto mais que instrutores) a coisa nao deve melhorar. Eu particularmente acho tb que o ideal seria o sujeito voar na geral por alguns anos antes de ir pra direita de um jato, mas nao acho um absurdo completo que ele vah com pouca experiencia, uma vez que, como jah discutido em outro post, eh um perfil bastante especifico e ateh, de crrta forma, “fácil” qdo comparado a outros segmentos. Mas assim como o problema do Colgan foi fadiga e a FAA aumentou o minimo pra 1500h, com o problema da Asiana apontando pra falha de uma trip experiente, estao mexendo na formação dos copilotos novos. Que as mudanças sejam coerentes o suficiente pra nao provocarem um colapso na formacao/empregabilidade como a que jah ocorre aqui. Pois a aprovacao num check eh a autorizacao para se seguir aprendendo, e sem um emprego no qual voar, ng consegue se aprimorar suficientemente.

  2. Nao soh na Asia e Oriente Medio, Raul. O “problema do assento da direita”, por assim dizer, estah por toda a parte ha muitos anos e nao eh culpa deles (as) copilotos. Tambem jah fomos copilotos, jah fomos jovens e jah fomos “problema no assento da direita”, se bem que tenhamos tido a sorte de – no nosso tempo – termos voado na “aviacao geral miuda” (quando entrei no meu 1o. emprego de linha aerea, jah tinha – apesar da pouca idade – mais de 6 anos na profissao e havia passado pela executiva e pela agricola, tendo voado desde monomotores a pistao ateh turboelices como o MU2 e “nearjets” como C500 e C550; ainda assim dei meus tropecos, ateh me adaptar; ninguem chega na linha aerea regular “dando show”, assim como quem voa linha aerea a vida toda apanha bastante, se for voar executivo/taxi aereo, sem nunca te-lo feito antes; sao “mundos estanques”, diria), hoje taxada, em funcao de um vies-ideologico-caolho-recalcado – como vc bem mencionou -, de “aviacao dos riquinhos”. Uma visao ridicula e atrasada, de parte do “establishment” e da “esquerdopatia” que grassa solta pelo pais…mas vamos lah. Voei na Asia, no Mundo Arabe e tambem na Europa (ateh 2009, embora tb baseado em Muscat, Oman), onde realmente tive a meu lado alguns copilotos bem “crus” (a maioria europeus, com 300 e poucas hrs + o type rating do A310/A300-600, pago do proprio bolso, mas muito bem embasados, inclusive quase todos com nivel superior e dominio do ingles excelente). Vai muito do comandante, que precisa se conscientizar de que a conjuntura agora eh essa, mesmo (e serah, por muito tempo) e – mesmo nao estando na funcao de instrutor – se dispor ser o backup do colega, redobrar a atencao e a vigilancia etc.; nao via maiores problemas, desde que existisse humildade e espirito cooperativo de parte a parte, dentro da cabine de comando; o dito “problema do assento direito” vai muito da cultura de cada povo (Mainland China e India sendo os piores, pelo que me contam; mesmo na China – por ser baseado em Macau – soh tive copilotos indonesios, tchecos etc., quase todos excelentes, entao nao tenho parametros para comentar). A impressao pessoal que ficou: via de regra, preferia voar com estes gajos “zero km”, do que com certos copilotos “antigoes-com-trocentas-mil-horas-de-janela”. Note-se que falei “via de regra”. Muitos dos antigoes eram tambem otimos profissionais e alih ainda permaneciam, no mais das vezes, ou pq haviam comecado tarde, ou mesmo pq o destino jamais se lhes sorrira com uma promocao (aquelas pessoas que levam a portada na cara, sempre que chega a sua vez; eh uma dura realidade da nossa carreira). Quanto aos novinhos, faziam o mesmo que nos fizemos quando eramos novos: estudavam muito, perguntavam muito, tentando sempre compensar a falta de experiencia com a aquisicao do conhecimento, o mais rapido possivel. Que se saiba, nenhum deles jamais teve problemas. Otimas pessoas, na sua maioria, e tenho amizade com varios deles. Alguns permanecem na mesma companhia aerea, outros progrediram em direcao a outras maiores / melhores da Europa e/ou Oriente Medio.

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