Sobre o clássico conflito piloto X proprietário de aeronave

By: Author Raul MarinhoPosted on
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copiloto xatiado
Esta charge é uma excelente caricatura do clássico conflito piloto X proprietário de aeronave – e é claro que, como qualquer caricatura, não representa a realidade fidedigna de todos os donos de avião e helicóptero (na verdade, eu conheço vários que são até mais conservadores que os próprios pilotos!). Entretanto, é fato que vários acidentes ou quase-acidentes aeronáuticos estão relacionados à “forçação de barra” dos proprietários das aeronaves junto aos seus pilotos, e relatos sobre isso abundam nos hangares Brasil afora.

No seminário de segurança operacional que ocorrerá na FUMEC em Belo Horizonte, no próximo sábado, eu irei mediar um painel de debates sobre empregabilidade em que irei focar este assunto. Se você tiver como ir ao evento, não perca, pois este debate promete! Até lá.

Obs.: A charge acima foi reproduzida com a autorização do “Copiloto Xatiado”, e foi publicado originalmente em seu perfil do Facebook

7 comments

  1. angelinoneto
    4 anos ago

    Caríssimo Raul.
    Aproveitando o ensejo desse artigo, gostaria de colocar a situação inversa. Como o patrão pode controlar a ação dos pilotos?
    No caso, uma notícia do UOL, aonde se menciona a apreensão de 450 kgs de drogas em um helicóptero pertencente ao deputado filho de um senador. O link da notícia é:

    http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2013/11/25/pf-apreende-450-kg-de-cocaina-em-helicoptero-da-familia-perrella.htm

    No caso, a empresa e os proprietários dizem não saber das ações do piloto e que ele estaria usando o equipamento sem nenhum consentimento, como isso é possível?
    Grato, como sempre, pela sua atenção.

    Angelino Neto

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Eu entendo que este caso do pó no helicóptero do filho do senador nem é uma questão aeronáutica, mas criminal, simplesmente. Porque se fosse um motorista traficando coca no carro do patrão, ou um caseiro usando o sitio para esconder drogas, seria a mesma coisa. O fato da cocaína estar numa aeronave é o que menos importa.

      Entretanto, há, de fato um outro lado da moeda desta charge, que é o do piloto malandro, que diz que não dá para voar para ficar sem trabalhar; ou do piloto medroso e/ou incompetente. E isso sim, é uma questão aeronáutica. Vou tratar disto em breve.

  2. Otaviano
    4 anos ago

    Raul, a Respeito do Seminário que ocorreu na Fumec, quero parabenizá-lo, pois foi de extrema importância. Gostei demais do Cmte Rafael também, da Advogada Priscila, Cmte Bosco, enfim, todos que foram convidados. Acredito que BH mereça mais palestras como esta, com Pessoas que estão fazendo a Diferença no mundo da aviação brasileira. Gostaria de tê-lo cumprimentado pessoalmente, mas no fim eu estava meio mal(dor de cabeça)..
    Não sei se é de bom grado, acho que seminários como esse, que ocorreram no sábado são excelentes para agregar valor ao currículo daqueles que, como eu, durante os dias de semana tem dificuldade, ou não podem comparecer.
    A parte que eu mais gostei foi quando colocou a situação da 91 para o SNA, pois realmente, até o momento, dão prioridade quase que total ao 121.
    Enfim.. Aprendi muito, gostei muito, e se puder vou ao próximo..

  3. Beto Arcaro
    4 anos ago

    Acho que faltou “Desconfiômetro”!
    Com certeza, lá em Wichita o 747 estava sob vetoração.
    E aí?
    Lá também tem muito aquela história: Cleared for visual approach!
    Roger, got the Rwy in sight.
    Aí né? Pilotos não habituados ao local, etc.

  4. Beto Arcaro
    4 anos ago

    Acho essa charge muito válida, para que os “Patrões” a vejam.
    A coisa já foi muito pior, mas ainda existem muitos “Mini Me´s” pelo mundo afora!
    Acho que a discussão tem sempre seu fim, na decisão do Comandante.
    Acredito que, embasado em argumentos técnicos, o Comandante deve se “agarrar” à decisão tomada sempre utilizando da “Diplomacia”, até a última estância!
    Uma vez, um Sujeito esgotou as possibilidades comigo!
    Me disse aos brados:
    Eu quero o “Meu” avião!
    Eu quero que você decole!
    Eu te pago pra isso, “dá teus pulo”!
    Tive muita força de vontade pra manter a calma, e disse:
    Exatamente! Você me paga para tomar decisões de não decolar, de alternar,etc.
    Nem perdi o emprego por isso!
    O avião saiu da manutenção no dia previsto, com todos os serviços executados, disponível par os vôos requisitados.

  5. Nós que o digamos. Se há “Human Factors” a serem considerados quando das investigações de acidentes, o supra mencionado é certamente um deles, no mais das vezes.

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