Exibicionismo: o 2º mais importante fator contribuinte para acidentes na aviação geral dos EUA

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Vejam que impressionante o estudo da FAA divulgado neste post, do excelente blog Segurança da Aviação Civil (mais uma indicação do amigo Enderson Rafael): “Os Cinco principais fatores contribuintes para Acidentes na Aviação Geral nos EUA“. Ele informa que o segundo fator contribuinte mais importante observado nos relatórios sobre acidentes aeronáuticos da aviação geral americana é o exibicionismo, presente em mais da metade das ocorrências.

Aqui no Brasil, não existem estatísticas a respeito (que eu saiba ao menos – se alguém souber, peço informar), mas não é difícil perceber como este fator também é comum, em especial em determinados aeroclubes, em que há uma guerra de egos entre instrutores para ver quem é o mais Top Gun. E o pior é que, muitas vezes, a diretoria destes aeroclubes sabem das peripécias de seus instrutores e nada fazem; na verdade, até incentivam que eles continuem assim procedendo. Vou citar um caso real ocorrido algum tempo atrás para ilustrar.

Num determinado aeroclube do interior paulista, onde alguns instrutores tinham por hábito dar rasantes sobre o pátio para assustar os alunos de PP, houve uma palestra sobre segurança de voo promovido pelo SERIPA-IV num domingo – que, segundo consta, foi excelente. Na 2ª feira seguinte, segundo relata um amigo que estava voando naquele aeroclube, estava ele lá fazendo a sua inspeção pré-voo em seu Paulistinha, quando de repente surge um bimotor de instrução do aeroclube num rasante a poucos pés de sua cabeça. Este meu amigo reclamou do ocorrido com o presidente do instituição, que disse que ia dar um corretivo no instrutor quando ele chegasse. Pelas risadas que esse amigo ouviu do tal “corretivo”, entretanto, ficou claro como a direção da instituição encarava aquelas “peraltices”: com total leniência e, até, com um certo estímulo. E sabem do pior: isto, infelizmente, não é exceção no Brasil.

13 comments

  1. Marcin
    3 anos ago

    Raul, o “fator exibicionismo” não está explicitamente descrito nas estatísticas, mas ele aparece de uma maneira mais global, está relacionado a Indisciplina de Voo. Entre 2002 e 2011 ele estava ocupando 21,9%.
    No último seminário de segurança de voo em Goiânia(maio/2014) o Seripa6 abordou esse assunto em gerenciamento do risco, com o nome:: “Impulsividade” que trocando em miúdos é a mesma coisa.
    Segue aqui o link do Seripa6 sobre o que acabei de falar, um abraço!
    http://www.seripa6.aer.mil.br/index.php?option=com_content&view=article&id=73&Itemid=73

  2. Capt.Bold
    4 anos ago

    Segura aqui minha cerveja que vou mostrar como é que se faz.

  3. Felipe Machado
    4 anos ago

    Que sensação que é o aeroclube de bragança hahaha…
    Top gunnners por todos os lados meus caros, poucas horas de voo, conhecimento básico sobre aeronave e liberdade para executar tais procedimentos.
    Realmente deve ser muito legal, porem minha vontade fica restrita ao FSX que permite essas presepadas.

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Na verdade, não faz diferença ser o aeroclube X, Y ou Z porque a maioria é igual neste aspecto.

  4. Freddy da Silva
    4 anos ago

    …e quem voa padrão nesse tipo de instituição é tido como medroso como disse o amigo David Benner.

  5. André Pavin
    4 anos ago

    A indisciplina de voo foi responsável por 25% dos acidentes aéreos entre 2003 a 2012, talvez esse exibicionismo se enquadre aí. As manobras (como low pass) são muito bonitas e prazerosas de se fazer, mas existe lugar, avião, autorização e TREINO para tal ‘peripécia’.

  6. paulo alves
    4 anos ago

    Dizia um amigo, quando falava com pilotos jovens que pedia uma orientação, uma dica, ele dizia que ele (o piloto jovem ) deveria desejar ser o piloto mais velho e não o melhor. Bem ele deveria saber o que falava. Morreu muitos anos depois de sua aposentadoria, com mais de 50.000 horas de voo.

  7. fredfvm
    4 anos ago

    Sei de aeroclubes que não segue regra alguma nas suas instruções. De alunos que solam com 40 horas e checam com 50 ou 60 horas, e se apegam por demais nesse tipo de escola, onde o modelo de instrução é dar rasantes e criar manobras que não existem. É ensinar o errado aos futuros pilotos, uma completa inversão de valores, formando maus profissionais, muito difícil de tirar erros no futuro.

  8. Beto Arcaro
    4 anos ago

    Primeiro, já vou dizendo: Existem dois tipos de piloto: O quê já deu rasantes e o quê ainda vai dar!
    Não estou estimulando ninguém!
    Só não estou sendo hipócrita de não admitir que pertenço ao primeiro tipo. Sempre que o fiz, fiz pelo “Meu Tesão” (Desculpem…É palavrão?) sempre na “Pista” e nunca para mostrar aos outros.
    Agora, o pessoal exagera! Como instrutor, com avião de instrução do Aeroclube, eu nunca faria um “Low Pass”.
    Acredito que o exibicionismo no Brasil é um pouco mais estimulado.
    isso vem, acredito que um pouco da baixa “Auto estima” dos instrutores, que de repente, pela primeira vez na carreira, têm a imagem de “Ás” perante os alunos.
    A formação é mais difícil, aí o cara vira meio que um “Pseudo Instrutor” e aí tem aquele ditado:
    “Em terra de Cego, quem tem um olho é Rei”!
    Se o tal Instrutor, for um cara com grana, filho ou sobrinho de algum político da Cidade, então vira o “Master Pilot of the Universe”!
    O pior, é que ele se convence disso, mesmo tendo uma audiência tão inexperiente ou omissa, e se transforma naquele cara que não ensina. Que, na verdade, só e´capaz de mostrar “o quê ele sabe fazer”, aí vem o “Pano Preto”, etc.
    Enfim, já vi isso acontecer algumas vezes em aeroclubes aqui da região.
    Essa história nunca tem um fim muito bonito!
    Na Aviação desportiva existem dois tipos de “Acrobacia Aérea”:
    A de Demonstração e a de Campeonato.
    Todas regulamentadas pela FAI, orgão ligado a ICAO, etc.
    As duas são bastante técnicas e competitivas (estou me inteirando um pouco agora! Me interesso mas não sei se vou gostar.) melhoram muito o seu preparo para situações adversas enfrentadas na “Aviação Profissional”.
    Em Acrobacia Aérea, não existem Top Guns….”VIVOS”!

  9. David Banner
    4 anos ago

    Isso na verdade é regra. Muito estimulada por BABACAS com a frase : “Operação Top”, ou simplesmente como “Top”. E quem for contra ou demonstrar que desaprovas as “operações top”, é automaticamente taxado de quadrado, idiota, empurrador de manete, embalador de avião, manicaca, c*gão, e outros adjetivos carinhosos mais.

  10. A inversão de valores é grande. E quando entra um diretor técnico e suspende meia dúzia, para tentar moralizar, é sabotado, taxado de xarope, criador de casos etc.; as pessoas ainda precisam evoluir muito, para entender o que é Aviação. Até lá, o morticínio prosseguirá…

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      Exato. A aviação no Brasil, em especial a geral, é um reflexo preciso da cultura do país. A diferença é que na aviação (assim como no trânsito) ela mata.

    • Mr. Alright
      4 anos ago

      Pois é, tem aeroclube por ai que se diz com a “Maior estrutura do Brasil” mas não tem o mínimo de cultura de segurança implementado no dia dia! Lamentável!

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