“País precisará de 3 vezes mais aviões até 2032, diz Airbus” – Uau!!!

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O portal Exame.com publicou uma reportagem ontem – “País precisará de 3 vezes mais aviões até 2032, diz Airbus” – que deve ter deixado o mercado da aviação animado. Uau!!! Vamos triplicar nossa frota em menos de 20 anos!!! Então, a carreira de piloto deve ser muito promissora no Brasil, ao meno no longo prazo, né? Pois é, acontece que há um trecho da reportagem que deixa claro porque isso não deverá acontecer. Vejamos.

Trata-se do trecho onde a reportagem mostra que o tal estudo da Airbus trabalha com pressupostos que eu considero irreais: PIB crescendo a 4%a.a., e tráfego aéreo a 6,8%a.a. Ocorre que os fundamentos macroeconômicos e fiscais do Brasil estão despencando ladeira abaixo, e tudo indica que enfrentaremos uma grave crise econômica no médio prazo – coisa que o rebaixamento iminente do rating de crédito de nossa dívida não deixa dúvidas. Ora, se com a situação não tão ruim, estamos crescendo a menos de 2%a.a., por que razão iríamos crescer a 4%a.a. no longo prazo com a economia se deteriorando? E, menos provável ainda, como iríamos crescer o tráfego aéreo do país a taxas muito superiores à economia, se é justamente a infraestrutura aeroportuária um de nossos maiores gargalos?

Sendo bastante otimista, eu acho que se conseguirmos crescer o tráfego aéreo a uma taxa média de 3%a.a. nos próximos 20 anos, seria motivo para muita champanhe e muito rojão. Agora, vejam o que a mágica das taxas exponenciais nos mostra: 3%a.a. em 20 anos dá um crescimento acumulado de 80% no período; enquanto que 6,8%a.a. no mesmo período resulta em… 272%!!! Percebem como uma diferença anual relativamente pequena, de meros 3,8%a.a., resulta em uma diferença absurda no longo prazo, de quase 200%? É por isso que o estudo da Airbus mostrou números tão espantosos, enquanto que uma estimativa mais conservadora (mas, ainda assim, bastante otimista) nos revela um crescimento muitíssimo mais modesto.

Portanto, pessoal, não se animem muito com esse tipo de notícia. Eu até acho que a aviação brasileira irá melhorar em algum momento no futuro. Mas dificilmente será nos termos fantásticos como o deste estudo da Airbus.

 

10 comments

  1. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Em tempo, 2032? Até lá meu longo prazo já ficou keynesiano…

  2. fredfvm
    4 anos ago

    Boa análise Raul, pois bem sei do seu conhecimento em contabilidades. Não só a fabricante AIRBUS, mas também a BOEING já havia publicado estudos parecidos com esse. O que mais me espanta nisso tudo é que a própria EMBRAER não divulgou nada ainda sobre a aviação do futuro no Brasil, pois ela é a que está mais qualificada para falar de Brasil.
    Outra coisa espantosa é que somente os fabricantes de aeronaves é que publicam estudos desse tipo. Será que é ulgum tipo de interesse comercial ?

    • Menezes
      4 anos ago

      A EMBRAER não divulga nada porque sabe a verdadeira realidade e essa realidade não é muito boa para interesses comerciais, ela, a Embraer, seria piada se publicasse um estudo como esse.

  3. Vou no popular: A AIRBUS INDUSTRIE é uma repartição pública que – casualmente – fabrica aviões. Devem ter começado a fazer esse “estudo” em 2007-2008. Quem quiser ter uma vida minimamente digna na Aviação Comercial afie bem sua proficiência lingüística e prepare-se para emigrar.

    • Rafael
      4 anos ago

      Fábio,

      Você está 100% certo. O problema é que para o pessoal com pouco experiência a coisa é quase impossível. Se os pilotos experientes não forem para fora, não abre vagas aqui. Logo a fila não anda.

      • Enderson Rafael
        4 anos ago

        Exato, os mais novos estão correndo atrás desse preparo, com formação melhor, inglês melhor, tudo isso. Mas a ponte entre eles e as empresas estrangeiras ainda não existe. Se os que voam hoje na linha não quiserem ir, quem nem chegou lá, embora tenha se preparado pra isso, também não poderá. Não sei realmente qual a solução pra isso, afinal levará anos até a cultura de expat se estabelecer por aqui, se é que se estabelecerá. Se acontecer, viraríamos uma “escola de TR”, e sabe lá como o próprio mercado reagiria. Como eu disse há uma semana, temos dúzias de pilotos indo pro Oriente e Oriente Médio em busca de melhores salários e condições de vida, porém dúzias não resolvem o problema de milhares. O fato é que, com a taxa de renovação natural das linhas aéreas brasileiras sendo depredada por seguidas reduções de oferta, novos empregos por aqui é algo com o qual praticamente não se pode contar. Talvez fosse o momento de o governo intervir para realmente fomentar nossa aviação. Pois a executiva mesmo, que está crescendo, não dará conta. E se o desemprego pras taxas do IBGE está em 5 ou 6%, dentro da aviação os números são bem mais sombrios. Talvez tenha passado da hora de uma política específica pro setor. Sem essa ponte entre os low hours e o exterior, e sem a migração em massa dos pilotos de linha aérea do Brasil, o cenário é de estagnação por anos até que surjam empregos em quantidade parecida com a de recém-formados. Tudo busca o equilibrio, e não será surpresa se em alguns anos tivermos muito menos escolas de aviação no Brasil – seja a falta de alunos por falta de perspectiva, seja pq mto mais pessoas começaram a ir pra fora se formar – e provavelmente em algum momento em 3, 5, 10 anos, voltará a ficar plausível conseguir emprego como piloto com menos de 500h. Mas neste exato momento, com retração das domésticas, expansão das estrangeiras, e ainda muita gente que começou a formação na época do “apagão” desembocando no PC… o cenário é caótico.

        • Rafael
          4 anos ago

          Eu já tinha pensando em algo a um tempo atrás.

          Pensei num fluxo onde co-pilotos com certa experiência fossem para fora. Perto deles virarem comandante, voltassem para o Brasil (Penso que seria interessante passar essa experiência para os co-pilotos novos e até para a própria companhia aérea). Ai uma nova leva de co-pilotos iriam para fora.

          Depois que esses comandantes ex-expatriados adquirissem mais experiência, eles iriam de novo para fora. Abrindo vagas de comandante aqui, que poderia ser preenchidas pelos os co-pilotos expatriados no fluxo de volta ou pelos próprios co-pilotos já em solo brasileiro. E ai ficaria a cargo de cada comandante super experiente retornar ao Brasil ou não no futuro. Acho que seria interessante para alguns retornarem sim para educar mais ainda as nossas companhias.

          Os dois principais desafios que vejo com essa proposta são: (1) Teria que ter uma parceria muito sólida e séria entre as empresas brasileiras e as de fora, talvez até fosse interessante ter alguma espécie de broker no meio para intermediar. (2) Teria que ter um apoio muito forte para esses pilotos e principalmente suas famílias. Ficar jogando esposa e filhos de um lado para o outro não é tão simples assim.

          Entretanto, vejo vários benefícios: (1) o mercado potencialmente absorveria mais rápido os pilotos recém formados. (2) a cultura aeronáutica entre os aeronautas poderia melhorar significativamente com a cultura e experiência que esses pilotos trariam. (3) nossas linhas aéreas iriam aprender alguma coisa com os nossos colegas estrangeiros (qualidade de serviço, trato com funcionário e etc). (4) os pilotos se sentiriam valorizados, seriam expostos a novos desafios, saindo do feijão com arroz do Brasil.

        • Cmte Charles
          4 anos ago

          É verdade Enderson só o mercado Asiático principalmente o Chines hoje absorveria toda a mão de obra que esta sem trabalho hoje em no nosso país é claro para aqueles pilotos que estiverem capacitados a altura eu graças a Deus depois de muito pensar e avaliar a real situação consegui me libertar (e em janeiro estou começando na Korean Air) desse quadro vergonhoso que é o dos aviadores brasileiros perante as empresas. Temos uns dos salários mais baixos da aviação mundial só para fins comparativos um co-piloto no oriente hj recebe em media $13mil dólares líquidos mais prêmios e benefícios aonde o salario pode chegar a facilmente a $20mil dólares mais moradia voando em uma pequena empresa domestica de lá quando aonde o salario de muitos comandantes aqui no brasil estão muito longe disso e dos comandantes que lá variam de 28 a 39 mil dólares mais benefícios e moradia mais fica aqui meu alerta para quem esta capacitado e tem desejo de ir para aquele mercado. Evite as empresas agenciadoras de pilotos que estão agindo aqui no país essas empresas alem de reterem uma porcentagem do seu salario mensal cobram todos os recheques necessários exigidos pelas autoridades dos países de origem das empresas quando os mesmo já são custeados pelas empresas contratantes procure contato direto com a empresa desejada ou que postou a oferta de emprego a não ser que a própria empresa indique uma empresa responsável pela seleção. Fica aqui minhas observações e dicas grande abraço companheiros.

          • Enderson Rafael
            4 anos ago

            Mto boa sorte na empreitada, Charles, eu faria precisamente o mesmo se tivesse os mínimos. E pelo que escutei recentemente sobre Seul, uma outra vida lhe espera. Muito bem observado, até os salários americanos, tradicionalmente baixos, permitem uma qualidade de vida mto superior. Eu, aqui, torço por uma melhora que me permita sequer voar. Bons voos!

  4. Enderson Rafael
    4 anos ago

    As notícias são péssimas, uma em cima da outra. Revisão do PIB pra baixo, com as cias falando em mais redução de oferta em 2014, os jatinhos November que a PF apreendeu e leiloou ninguém quis, então só serviu pra acabar com empregos, enquanto isso o Uruguay aprova lei pra estes mesmo jatos poderem voar lá o ano todo. Não dá pra entender como um governo tem políticas tão estúpidas, uma em cima da outra. A única coisa que deve crescer por aqui no curto e médio prazo é a executiva, mas pouco provavelmente a ponto de compensar o afundar da linha aérea, que vai cedendo espaço pros wide bodies estrangeiros, e nos deixando com cada vez menos aviões e empregos. A China precisa de milhares, mas só meia dúzia quer ir viver melhor e ganhar mais. A coisa tá complicada por aqui…

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