Sobre a cada vez mais enrolada história da cocaína no helicóptero

By: Author Raul MarinhoPosted on
307Views7

Vejam essa reportagem da Folha, sobre o caso do helicóptero da família Perrella que foi pego transportando quase meia tonelada de cocaína – “Deputado do SDD, piloto e copiloto dizem que não sabiam da droga em helicóptero” -, e prestem atenção nos seguintes trechos:

Primeiro este:

Ele disse que achava que a aeronave estaria em manutenção no fim de semana. Depois, confirmou que recebeu mensagem do piloto avisando sobre o frete e deu “ok”.

Sobre o recuo, o advogado de Perrella, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que o deputado “julgou que a aeronave terminaria a vistoria [no fim de semana] e na segunda ele [o piloto] faria uma viagem para São Paulo para levar alguém”.

Segundo Kakay, Perrella não desconfiou do frete porque os serviços de transporte aéreo são uma atividade corriqueira para ajudar a pagar despesas da aeronave.

  • Ou seja: “eu me confundi porque costumava fazer táxi aéreo pirata com a aeronave”…

E agora este:

O advogado do copiloto Alexandre de Oliveira, Marco Antônio Gomes, afirma que seu cliente não sabia das drogas e que acreditava que eram “muambas” do Paraguai.

  • Ou seja: “não era tráfico, moço, era só contrabando”…

E só para lembrar do assunto tratado à exaustão no recente evento da FUMEC, reproduzo abaixo o parágrafo 1º do art. 166 do CBA:

O Comandante será também responsável pela guarda de valores, mercadorias, bagagens despachadas e mala postal, desde que lhe sejam asseguradas pelo proprietário ou explorador condições de verificar a quantidade e estado das mesmas.

7 comments

  1. Cícero Soares
    4 anos ago

    Mais enrolada ainda, com o surgimento de novos “tentáculos”, como o da irregularidade da JR Helicópteros no Campo de Marte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/11/1378259-copiloto-de-aviao-preso-com-cocaina-mantem-escola-de-aviacao-irregular.shtml

  2. fredfvm
    4 anos ago

    Quando vi esse noticiário pela 1ª vez, logo de cara notei que se tratava de voos TACA (táxi aéreo clandestino), coisa tão comum no Brasil… E nenhum proprietário de avião ou helicóptero não pode falar: “eu não sabia”. Sabia sim, tanto sabe que recebe com agrado a sugestão para voar TACA e minimizar as despesas da aeronave.
    O maior problema que a ANAC tem é “como coibir esse tipo de voo”. Eu já apresentei (por email e pessoalmente) uma solução básica que poderia coibir, e muito, a prática de voos clandestinos. Eles não acataram minha opinião, mas vou pedir a você Raul Marinho, para expor minha idéia aqui e te pedir uma opinião sua sobre esse método que criei. Saber de você se tal idéia seria ou não viável.

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Fique à vontade, Fredão! Mi casa es su casa…

      • Jáber Lima
        4 anos ago

        Está aí uma matéria que seria muito interessante de se ler…
        Vamos aguardar esse post com total ansiedade!

  3. André
    4 anos ago

    É Raul, normalmente eu gosto dos seus posts, mas desta vez… francamente! É só meia tonelada rapaz; vai ver algum passageiro ou mecânico desceu da aeronave e deixou cair – tá “fácinho” de explicar :D

    Brincadeiras à parte, desta notícia ficará apenas a eterna constatação de que o narcotráfico permeia práticamente todas as classes sociais e instituições. Enquanto discutimos pela formação e pelo aperfeiçoamento de pessoas e procedimentos, tem gente traficando, consumindo, voando… Fica ainda aquela sensação amarga de que a lei é extremamamente frouxa – lei, por sinal, aprovada por políticos, classe cada dia mais frequente nas páginas policiais.
    Abraço,

    • Zé Maria
      4 anos ago

      O André resumiu tudo. . .e o pior é que vão acabar sendo inocentados. . .TODOS!!
      Vergonha de ser brasileiro. . .e de verificar ao que foi reduzido o nosso país, devido à classe política e à nossa omissão. . .
      E o “Doutor Adevogado” é deveras conhecido. . .

Deixe uma resposta