Sobre as 800 vagas para voar na China anunciadas pelo SNA

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O SNA enviou a seguinte mensagem para todos os cadastrados em seu site na semana passada:

EMPREGOS NA CHINA

A VOR Holdings, empresa que atua na seleção de pilotos para companhias chinesas, em conjunto com o Sindicato Nacional dos Aeronautas, estará em Dezembro no Brasil selecionando comandantes para diversos tipos de equipamentos.

A VOR representa 20 empresas e necessita no curto prazo de 800 comandantes. Existem vagas para B787, B777, B767, B757, B747, B737, A340, A330, A320, EMB190, CRJ Family, G450/550, Falcon 7X, BBJ e ACJ.

Na oportunidade serão feitas apresentações e entrevistas para encaminhamento do processo seletivo.

Dia 03/12/2013 ás 14h00
Local: Hotel Íbis Congonhas – Sala Brasília

Junte-se a nós para mais esta oportunidade!

Diretoria do Sindicato Nacional dos Aeronautas

Pois é, pessoal, são 800 vagas de emprego para pilotos, só na China, e só sob responsabilidade da VOR. Some-se a isso as oportunidades do restante da Ásia (Coréia, Japão, Vietnã, etc.), as que não são alcançadas pela VOR na China, e as oportunidades no Oriente Médio, África, etc., e o número pode aumentar bastante. E, nestas vagas, não há nada semelhante ao que se paga no Brasil atualmente. Já disse aqui que as companhias chinesas estão pagando salários que chegam a US$230mil/ano para comandantes de B737/A320/E190 – e o viés é de alta. As condições de trabalho também são, em geral, melhores que as oferecidas no Brasil.

Então, quem é que vai permanecer no Brasil? Basicamente:

1) Quem, por algum motivo, não quer trabalhar no exterior (não vou nem falar em “emigrar”, uma vez que há muitas oportunidades de emprego commuting, que não requer que se vá para o exterior “de mala e cuia”); ou

2) Quem não tem condições técnicas de ser aprovado num processo seletivo das companhias aéreas estrangeiras.

E é aí, neste item #2, que a coisa se complica, meus amigos. Porque há uma clara tendência de que ‘exportemos’  nossos melhores profissionais – ou, pelo menos, boa parte deles. Este cenário de mercado interno em baixa associado à alta demanda por pilotos qualificados no exterior leva necessariamente a esta conclusão. Então, exceção feita aos bons profissionais que permanecerão voando no Brasil por questões familiares, etc., a maioria dos que ficarem será o pessoal “do fundão”, que serão os formadores dos futuros comandantes do Brasil. Percebem onde quero chegar?

O Brasil possui uma tradição de formar bons pilotos. Mas isso não acontece por causa da nossa genética ou da latitude tropical do país, e sim porque nossa aviação tem se mostrado uma boa escola em décadas passadas. Ocorre que, pela segunda vez em menos de uma década, estamos sofrendo a subtração em massa dos nossos melhores profissionais (a primeira foi em meados dos anos 2000, após a falência do trio Varig-VASP-Transbrasil). E aí, os bons pilotos que restarem voando no Brasil deverá ser, em sua maioria, formada por profissionais próximos da aposentadoria, que não têm mais a energia requerida para sair do país. E depois, meus caros, é de se esperar que boa parte dos que ficarem será composta pelos que não conseguiram sair porque não foram aprovados nos screenings das companhias aéreas estrangeiras…

Será que estamos presenciando, neste exato momento, a quebra desta tradição brasileira de bons formadores de pilotos? Gostaria muito de conhecer opiniões em contrário.

 

18 comments

  1. Luz Antonio
    2 anos ago

    Parabens pelo exposto(China contratando e outras tantas mais)se valer (CONSELHO)Quem estiver Apto vaza,sem demagogia e claro,porque aqui ja??????Tempos outros,qdo iniciei ou iniciamos pessoal decada 70 não tinha exigencia ICAO,hoje digo aos iniciantes.Primeiro ingles,depois hs de voo,o restante vem na sequencia.Hoje por Ex.estou a procura de algo aqui mesmo,PLA 15.000 hs do moninho aos KING-AIR habilitações validas etc etc…e cade amigos caçando aqui ali la etc..Amigos o ICAO 04 vale tanto quanto ão 06 meus votos de boa viagem sucesso mil.Ha façam uma otima poupança por la aqui não e arriscoso.Ass TonyLUZ F.62-84186596

  2. CLÁUDIA BATISTA DA ROCHA
    3 anos ago

    Desculpe mudar um pouco de assunto. Tenho um filho de 15 anos que decidiu ser piloto comercial. A o que vem ele vai morar com minha mãe na Espanha, onde vai concluir o segundo grau. Na Espanha, onde ele poderia fazer o curso, ou seja, qual o caminho pra ele realizar esse sonho de infância . Grata
    Cláudia de Araraquara-SP

  3. Felipp Frassetto
    4 anos ago

    Este não seria “só” mais uma baixa de (bons) pilotos no país no meio da onda de disponibilidade destes?
    Por exemplo, no comentário do Fábio Otero Gonçalves, ele menciona que o mesmo ocorreu há uns 6 anos atrás. E no post, que o mesmo também aconteceu por volta do ano 2000.

    Não considero isso bom, dado o que foi exposto no texto. Porém e, acho; justamente por isso, não seria mais um ponto desse ciclo?

    Abraços.

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Primeira coisa: eu não falei em “ano 2000”, e sim “nos anos 2000”, ou seja: na década entre 2000 e 2009; portanto, era o mesmo evento a que o Fábio se referiu.

      Já sobre a questão do ciclo, é o seguinte. São duas épocas muito próximas com exportação de pilotos em massa. Isso nunca aconteceu em outros momentos, e portanto não dá para saber o quanto isso pode influenciar na qualidade de formação de pilotos no Brasil. Eu ACHO que as consequências serão drásticas, mas isso é só o que eu acho…

      • Felipp Frassetto
        4 anos ago

        De fato.
        Obrigado.

  4. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Bom, o post cobriu todos as questões que salvam o couro das linhas aéreas brasileiras de uma evasão em massa. Mais que tudo é cultural: o pessoal não quer ir, não querem abrir mão do churrasco e da cerveja, mesmo com opções como as commuting. O fato é que enquanto comandantes disputam vagas pra copilo aqui, lá tem avião ficando no chão. A ponte entre os low hours e as cias de lá tb é complicada. A China nem quer isso, pois está tentando aumentar sua classe média, ou seja, prefere gastar mais agora pra formar os próprios comandantes de amanhã do que gastar menos contratando estrangeiros como copilotos. No Oriente Médio não há essa limitação, mas embora os requerimentos tenham despencado nos últimos anos, ainda está longe de contratarem-se low hours. Enfim, a coisa está preta. Enquanto o governo ensaia um questionável subsídio às regionais, o PIB recua 0,5% com relação ao trimestre anterior. Enfim… se a escolha pela profissão de piloto no Brasil fosse unicamente técnica, seria uma roubada sem tamanho.

    • Agnaldo F. Silveira
      4 anos ago

      Enderson,

      Eu estive lá. Fui de curioso, pois não tenho os requisitos para disputar vagas de cmtes de 747, 777 entre outros.

      Fui para me informar sobre esta empresa (VOR) e obter mais informações da atuação dela.

      O nº de participantes não passavam de 30. E estou chutando auto. E a grande maioria pelo que percebi, estão empregados.

      Outro detalhe sobre a China, segundo palestrante e dono desta empresa. A legislação da China não permite a contratação de co-pilot estrangeiro, portanto, as vagas são para a posição de Comandantes.

  5. MARCOS P. T. RUEFFER
    4 anos ago

    BOM DIA RAUL,

    GOSTARIA PRIMEIRAMENTE ELOGIAR O TEOR DAS MATÉRIAS VEÍCULADAS NO BLOG, MAS TAMBÉM, GOSTARIA DE DEIXAR UMA SUGESTÃO: NÃO SERIA INTERESSANTE VEÍCULAR UMA QUANTIDADE MAIOR DE MATÉRIAS REFERENTE À AVIAÇÃO DE ASAS ROTATIVAS ?

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Marcos, vc não tem ideia do quanto eu me esforço para aumentar o volume de matérias sobre asa rotativa… Mas há dois problemas: 1)A falta de conteúdo específico para helicópteros, em relação ao que existe sobre asa fixa; e 2)Minhas próprias limitações, pois sou piloto de avião. Entretanto, estou aceitando indicações! Se vc as tiver, mande, por favor.

      • MARCOS P. T. RUEFFER
        4 anos ago

        BOM RAUL, É REALMENTE NOTÓRIA A FALTA DE MATÉRIAS EM DIVERSOS SITES DO SEGMENTO. DE QUALQUER MANEIRA FICA ENTÃO A SUGESTÃO AOS COLEGAS DA ASA ROTATIVA QUE CONTRIBUAM COM MATÉRIAS INTERESSANTES SOBRE A NOSSA AVIAÇÃO DE HELICOPTEROS.
        GRATO.

  6. Paulo
    4 anos ago

    Foi-se o tempo que formávamos bons pilotos. Agora temos maceteiros que mal sabem realizar um check list satisfatório, um gerenciamento de cabine eficaz, um brifim de cartas bem feito, etc. Talvez alguns instrutores da velha guarda ainda sobressaiam, mas está cada vez mais raro. E os checadores então? Chega a ser cômico. Não sabem nem os processos de avaliação. Consciência situacional? Responderam-me que isto não existia. Acredite….

  7. Thalyson Ramos
    4 anos ago

    Boa noite Raul, você poderia por gentileza falar um pouco mais sobre os empregos na modalidade commuting, ouvi alguma coisa no Cp Cast do Canal Piloto mas gostaria de saber exatamente como funciona, desde já agradeço.

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Commuting é quando o piloto é contratado por uma empresa terceirizadora de mão-de-obra, e esta o aloca à companhia aérea A, B ou C. Não há vínculo empregatício com a companhia e tampouco é necessário morar no país em que ela está. O piloto contratado desta maneira continua morando no Brasil (ou onde ele quiser), e trabalha num esquema parecido com o de plataforma de petróleo: ele vai até sua base, fica X dias “on”, e depois volta para casa, por Y dias “off”. Quando está “on”, não significa que ele voa todo dia, ele entra na escala (e tem que cumprir as regulamentações do país); mas qdo está “off”, ele fica como se estivesse de férias. É um esquema bem legal para quem tem família que não quer sair do país de origem, por exemplo.

      • Thalyson Ramos
        4 anos ago

        Entendo, muito interessante essa modalidade, você sabe me dizer aproximadamente quantos dias por mês o piloto fica on e quantos dias fica off? Tem como fazer o commuting diretamente com a cia ou só por meio das agências?

        • Raul Marinho
          4 anos ago

          Varia muito. Tem empresa que trabalha com 18×12, outras 30×20, e ainda algumas que tem um esquema mais flexivel, que vc tem que cumprir uma agenda de x dias por ano e ponto. E tbem ha a possibilidade de o contrato ser direto com a empresa, embora menos frequente.

  8. fredfvm
    4 anos ago

    Mas estamos formando pilotos de voo de testes e outros de Kamikasis, de tantos acidentes… O que mais escuto é algo assim: “pra mim não importa, eu entro em qualquer avião, preciso fazer horas…”, e nisso muita gente está indo para a terra dos pés juntos.

  9. Até aqui, certas palhaçadas impostas pelos screenings ainda estavam embarreirando muita gente, ao longo do processo. Mas os sinais são de que isto está por acabar, e aí o êxodo tende a acentuar. Já ocorreu, uns 6 anos atrás.

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