RF do PR-LAB: porque não se contratam pilotos como diaristas

By: Author Raul MarinhoPosted on
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RF do PR-LAB

O RF do link acima é sobre um acidente com três mortos ocorrido em Belém-PA em 02/2012, com um Seneca que ingressou em IMC sem que o piloto fosse habilitado IFR; houve desorientação espacial, e a aeronave colidiu contra o solo. Quem está acostumado a estudar acidentes aeronáuticos já deve ter visto vários casos semelhantes a este, mas há algo relevante a ser comentado neste em especial: as relações econômicas e contratuais entre pilotos e proprietários de aeronaves, completamente inadequadas para a manutenção de um bom nível de segurança de voo. Leiam, inicialmente, o item 1.13.3.3-Informações organizacionais:

pr-lab1

Agora, vejam esse trecho do item 2-Análise, que dá mais ênfase à questão das relações de emprego na aviação daquela localidade:

pr-lab2

Com base nos trechos do RF acima reproduzidos, fica difícil responder quem é o grande vilão da história: os proprietários/operadores de aeronaves, que barganhavam salários dos pilotos; ou os próprios pilotos, que disputavam entre si os voos freelance que apareciam. O fato é que nenhuma das partes dava a menor importância para a segurança, e sim às questões econômicas envolvidas. Fossem diaristas (faxineiros), o risco era de que uma casa ficasse mal limpa ou desarrumada, mas eram pilotos… Sem querer desprezar os trabalhadores da limpeza, não dá para contratar pilotos como se contratam diaristas, né?

9 comments

  1. Eduardo Machado
    4 anos ago

    Gostaria de parabenizar pela postagem !!! Primeiramente foi uma grande perda para a aviação em Belém, pois o Comandante era uma figura muito carismática, simples e antes de tudo um grande piloto, era uma pessoa que todos gostavam, sem inimigos, quem o conheceu pode com certeza afirmar isso e eu tive o prazer de conhece-lo apesar de não voar na região de Belém ! Na época desse acidente todos se perguntavam como poderia ter ocorrido, não havia um “senso” entre os pilotos do que realmente teria acontecido, muitos inclusive achavam que ele poderia ter sofrido um mal súbito pois após a decolagem ele nem chamou o controle Belém ! Só quem voa em Belém sabe que lá as condições deterioram rapidamente, isso é uma constante ! O RF é o documento oficial sobre o acidente, porem senhores em minha humilde opinião, os argumentos apresentados em muitos RF não passam de suposição, o que considero motivo insuficiente para julgar o colega pelo fato de ter decolado em condições de tempo ruim e dizer que o mesmo não tinha experiencia !

  2. Haroldo Cesar Laranja
    4 anos ago

    Ja voei muito como Freelancer na minha vida, e não è o valor da hora paga que mostra se o Piloto è capaz ou não, ninguem sabe a onde o sapato aperta, o que não pode acontecer è um piloto sem experiencia em vôos IFR querer operar ainda mais nesta região, so vai cheirar vela, e tem varios proprietàrios de aeronaves que não poderia nem ter carro que dira avião.

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      De fato, o problema não é o voo ser freelance, e sim o esquema de contratação, num leilão unicamente baseado no preço, sem nenhuma preocupação com critérios técnicos ou de segurança.

  3. fsoares
    4 anos ago

    Caro Raul,

    Primeiro quero parabeniza-lo pelo Blog e as colocações.

    Entretanto, não concordo com suas afirmações sobre o RF. A grande questão colocada no RF é a questão do VISUMENTO, ou seja, voar em condições IFR sem estar habilitado e preparado para isto.

    Contratar freelancer não vem ao caso, desde que a pessoa contratada seja responsável e saiba voar o avião, o que não foi o caso deste piloto, irre

    Negociar preço faz parte de qualquer negocio. Por mais que queremos valorizar a profissão, nada adianta se o mercado não pagar o que pedimos.

    Atenciosamente,

    Fábio Soares

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      A questão do visumento é fundamental, sim, mas isso já foi analisado diversas vezes aqui, e por essa razão não quis dar ênfase a isto desta vez. Contratar piloto freelance, per si, também não é errado, no que concordo contigo; tampouco negociar honorários. Mas o ponto que eu quis destacar na minha análise não foi nada disso, e sim como as operações aconteciam (ou acontecem) naquela localidade, com foco excessivo na questão ecomômica, e total negligência à segurança. O que eu quis destacar é que não se deve contrata pilotos com a esma lógica com que se contrata uma diarista, e que a operação aérea requer cuidados, não dá para se trabalhar da maneira coim que se trabalha lá naquela localidade. Basicamente, é isso.

  4. Renato G.
    4 anos ago

    O barato saiu caro.

  5. Rafael
    4 anos ago

    Isso só mostra como os donos de avião pensam. Se existe um monte de “empurradores de manete”, vou contratar aquele pelo menor preço. Acredito que quando os donos de avião passarem a ver os pilotos como profissionais, esse tipo de pensamento mudará.

    • Löhrs
      3 anos ago

      Esse é o grande problema Rafael, principalmente na Aviação Executiva, além dos proprietários rifarem o assento de cmte, muitos Co-pilotos furam o olho dos Cmtes por se acharem em condições de assumir o cargo e os proprietários aceitam. O coração destes está na calculadora. O pensamento é: “Ora se eu tenho um faz-tudo em meu estabelecimento e que de quebra quer voar, pra quê pagar piloto, ainda que eu não confie nesse meu funcionário totalmente?” O resultado além do susto e morte é o pseudo-cmte ter que usar muleta ou seja, nunca voar sozinho com o patrão.

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