Qual o perfil ideal de um INVA/H? Dê a sua opinião!

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Dando prosseguimento ao assunto discutido no post – “O que é importante para a qualidade da formação aeronáutica? Ou: as 200h PIC para INVA/H são a solução para os nossos problemas? Ou, ainda: Como o Sr. Pellegrino acha que nossos PCs irão obter as 200h PIC? Pagando?” – e, em especial ao comentário do amigo Cássio Amgarten sobre as características desejáveis para um instrutor, gostaria de iniciar aqui uma discussão sobre qual seria o perfil ideal de um INVA/H para melhorar efetivamente a qualidade e a segurança na instrução brasileira.

Baseado na minha própria experiência, eu acredito que poderíamos adotar duas (ou três) categorias de INVAs, para diferentes etapas da instrução:

  • INVA-I, com basicamente a mesma qualificação atual (sem a obrigatoriedade das 200h PIC), para a instrução nas fases pós-solo do PP e VFR do PC;
  • INVA-II, com um mínimo de 1.000h de experiência como INVA-I, mais alguma certificação do CENIPA (algo parecido com o EC, mas mais específico), para a fase de pré-solo do PP, IFR e MLTE (nestes últimos 2 casos, acrescido dos requisitos que já constam do RBAC-61 para estes casos); e
  • ‘INVA de INVA’ (ou INVA-III): um INVA-II com nível superior em Ciências Aeronáuticas e um treinamento mais aprofundado em pedagogia aplicada à instrução aeronáutica.

E, para todos estes casos, um processo de formação bem mais bem arquitetado, com uma boa dose de voos solo “de verdade” (que deveria ser comum a todo PC, aliás), cheques muito mais rigorosos, e avaliações mais bem feitas quanto à verdadeira capacidade que a pessoa tem para ensinar – além, é claro, de condições de trabalho mais dignas para o exercício da profissão. Esta seria a maneira como eu modificaria a estrutura da instrução aeronáutica básica, se tivesse poderes para tal.

Eu acredito que, com essa subdivisão em categorias de instrutores, seria possível manter a profissão de INVA aberta aos recém-formados e, por outro lado, obter uma  melhoria significativa na qualidade da instrução e também na segurança. Metade do curso de PP e a maior parte do curso de PC poderiam ser ministrados por recém-formados, ficando as etapas mais sensíveis da formação aeronáutica restritas aos instrutores mais bem preparados: o pré-solo do PP, principalmente por motivo de segurança; e o MLTE e IFR por uma questão de dificuldade técnica. E, para a instrução de novos INVAs, eu acho que a preocupação com a qualidade da instrução tem que ser redobrada, daí a necessidade de que este instrutor tenha uma melhor qualificação teórica.

Fico no aguardo da opinião de vocês quanto a esta ideia básica, com críticas e sugestões de melhoria – e, para a asa rotativa, uma opinião sobre até que ponto estes conceitos podem ou não ser transpostos. Lembrando que, em breve o novo RBAC-61 entrará em consulta pública, acho que um exercício sobre eventuais propostas de alteração na regulamentação podem ser interessantes, para podermos opinar com mais propriedade quando for o caso.

14 comments

  1. Patrick Eyng
    4 anos ago

    nunca tinha pensado nisso,acredito que seria uma boa mesmo essas categorias de invas,

  2. Cristiano Aranda
    4 anos ago

    Acredito que a essência da questão seja a profissionalização do INVA (H). Hoje existem muitos fatores que fazem com que a instrução seja somente uma “ponte” e não um fim.
    Depois de um tempo como instrutor, fica a sensação que a vida fora da escola é melhor, e não deveria ser assim, se fosse profissionalizado.
    Os instrutores são diferenciados com uma diferença no valor da hora de voo… até aí tudo bem, mas convenhamos que não é o mesmo um cara recém formado batalhando para encher as linhas da CIV e um cara com mais de 1000hrs, IFR checado, carteira de diferentes máquinas, etc… mas que acredita na sua vocação para instrução mas muitas vezes acaba sendo forçado à sair porque as escolas e o mercado em si não valorizam esse “profissional”!
    Por isso acho que a ideia de diferenciar o instrutor com carteiras distintas para diferentes fases de instrução seja um começo da profissionalização do instrutor, que como sabemos, tem que saber e querer dar instrução para que o futuro piloto se transforme em um profissional qualificado… caso contrário, um degrau, uma ponte, chame como queira, mas o instrutor chega, voa e ponto final.

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Pois é, eu tbém acho isso. Mas, por outro lado, não vejo problema em haver um INVAzinho com pouca experiência e sem intenção de se perenizar na instrução acompanhando um aluno de PC nas navegações em comando… Acredito que haja espaço para os dois tipos de instrutor, daí a minha proposta.

  3. Amgarten
    4 anos ago

    Raul e colegas, tenho uma idéia semelhante sobre esta questão. Na minha opinião poderia ser copiado o conceito aplicado pelo MEC para classificar e diferenciar as Universidades, os Centros Universitários e as Faculdades. No caso das Universidades, por exemplo, o MEC através de legislação exige o seguinte:
    “um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado;
    um terço do corpo docente em regime de tempo integral”.
    Já as Faculdades são classificadas por conceitos de 1 a 5 conforme a quantidade de Mestres e Doutores. E por aí vai.
    Talvez então se pudéssemos classificar as entidades de acordo com a experiência e outros fatores de seu corpo docente, seria uma boa. Talvez se houvesse uma associação de escolas e aeroclubes, se poderia ela mesma ser a responsável pela classificação de seus filiados.
    Acredito que este tipo de abordagem seja mais eficiente e traga mais profissionalismo, sem penalizar demais nem as entidades e nem os alunos.

  4. Robson
    4 anos ago

    Nas minhas andanças pelas várias escolas e aeroclubes para xecar o meu PP e PC, passei por vários INVA’S, e alguns deixaram desejar, porque simplesmente não tinha a menor vocação para ensinar. A maioria dos INVA’s só estão interessados mesmo em acumular horas. Já me aconteceu de pousar o AEROBUERO e o instrutor dizer para mim “-BELO POUSO ALUNO !!!”, e eu dizer “-NEM TOQUEI NO MACHE PROFESSOR”, esse é o INVA-PA (Instrutor piloto automático) que voa com o aluno as 40H e o aluno mau fez 50% de real comando, daí o INVA fica inseguro para solar o aluno. Mas já conheci excelentes INVA’s.

  5. Beto Arcaro
    4 anos ago

    Ahhh!!
    O famigerado “Solo Assistido”!!
    Finalmente esse assunto veio à tona!!
    Um problema muito sério.
    Um dos reflexos mais claros da má Formação Aeronáutica!
    A escola sabe, que não dá à seus alunos a formação exigida para voar como PIC de verdade.
    Sabe também, que o Instrutor (que na maioria das vezes também não voou solo) não tem a capacidade de julgamento para “Solar” um aluno de PP.
    Oras, no meu entendimento, solar alguém, é sempre uma decisão de “Comando”!
    Decisão difícil e bastante comprometedora.
    Para que se tome tal decisão, você tem que ter uma certa “experiência”, não ?
    Talvez, nem as 200 Hrs como PIC, que provavelmente vão ser exigidas pela ANAC, sejam suficientes.
    Sem contar a situação da escola ou aeroclube, que te dá um PP mas não pode lhe confiar um de seus próprios aviões, com medo que você “Quebre”, ou coisa pior!
    O quê acontece se o PP recém tiver um avião próprio ?
    Vai ter uma formação diferenciada?
    Não !
    Vai ter a mesma formação do aspirante à PP !
    Como eu já disse, é um “reflexo direto” da má formação.
    Terrível !!

  6. Lucas M.
    4 anos ago

    Eu achei a sua ideia muito boa, mas acredito que isso tornaria o trabalho da ANAC ainda mais atrapalhado.

    Agora aproveito para pedir a opinião dos leitores e o editor do blog se possível.

    Eu tenho Habilitação de INVA desde o ano passado, porém até hj, não consegui emprego nesta função. Esta habilitação esta por vencer, estou na duvida se revalido ou deixo de lado, porque vejo bastante gente sem perfil se prostituindo nesta função puramente para acumular horas. Trabalhei mais da metade da minha vida profissional treinando pessoas, queria muito mesmo ser instrutor, e não me importaria de ser instrutor pelo resto da vida. Mas não sei o que o futuro reserva para essa função.

    • Silvio Peixoto
      4 anos ago

      Revalida, pois não sabemos quando as oportunidades vão aparecer.

    • Amgarten
      4 anos ago

      Sem dúvida alguma, revalida. Uma vez INVA , sempre INVA! Além disso procure deixar todas suas habilitações em dia, nunca se sabe quando a oportunidade pode bater à sua porta. Também não desista de seu sonho, vai em frente, mantendo sua rede de amigos na aviação e sempre buscando atualização e aperfeiçoamento. Boa sorte!

  7. No tempo em que “INVA” era chamado de “IPE” – Instrutor de Pilotagem Elementar, a qualificação mínima exigida era exatamente a mesma de Piloto Comercial / Avião / Monomotor (a prova era idêntica). A partir daí, se tivesse os CHT’s complementares (IFR, Multi etc), podia instruir também nestas “capacities”. Funcionou assim por décadas, não sei por que as coisas têm que mudar nas siglas e na papelada e – como se não bastasse – piorar na essência. Afora isso, tem que saber muito para si, mas – mais do que isto – saber trocar em miúdos para o aluno. Ter humildade de reconhecer que não sabe tudo (“Olha, não tenho bem certeza disto, mas vou pesquisar e te respondo assim que possível”, ao invés de responder qualquer asneira, só por orgulho besta). E – mais do que tudo – saber passar valores (inclusive éticos) do que deve ser um aviador. Só passar conteúdo puro e ensinar a pilotar não adianta (para isto existem o CBT, o Ensino à Distância etc)…

    • Beto Arcaro
      4 anos ago

      Pois é Fábio!
      E o curso de IPE era dado no RJ, pelo próprio DAC!
      Teórico e Prático! Pelo menos, na minha época era assim (86/87).
      Geralmente o Aeroclube escolhia os PC’s, os quais ele achava que eram adequados e necessários (Tinha muito QI!) e pagava o curso. Depois você tinha um “Contrato” de exclusividade com o Aeroclube.

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