“O futuro dos nossos pilotos está nos EUA”

By: Author Raul MarinhoPosted on
1846Views38

A seguir, mais um ótimo artigo do amigo Enderson Rafael, sobre estratégias de formação e carreira na aviação. Especificamente sobre a possibilidade de as companhias aéreas americanas endossarem os vistos de trabalho de pilotos brasileiros com licenças emitidas pela FAA, acho um ponto importante para quem está decidindo onde realizará a sua formação aeronáutica neste momento refletir. Porque se o tal shortage vier mesmo com tudo nos EUA, essa possibilidade é bastante plausível – e, convenhamos, uma coisa é ser ‘expat’ na China, na Índia, ou no Oriente Médio, e outra é morar nos EUA, culturalmente muito mais palatável para o nosso modo de vida.

O futuro dos nossos pilotos está nos EUA

Enderson Rafael

             O título é provocativo, e o mais intrigante: funciona para duas probabilidades razoáveis, que discutiremos ao longo deste artigo. Não é obviamente uma certeza, mas uma teoria bem plausível conforme os indícios vão se somando.

No Brasil temos visto os salários de tripulantes caírem ano a ano. Hoje, qualquer profissional que voava na década de 90 diz que para o mesmo cargo, se ganha a metade. E eu não duvido. Eu que voo há apenas nove anos e hoje ocupo um cargo que na época que comecei ganhava 30% mais do que o cargo em que comecei, já sinto como se ganhasse menos do que ganhava naquele ano. O fato é que temos tido reajustes quase iguais ou abaixo de uma inflação que não nos diz respeito. Afinal, o índice não corresponde ao tipo de consumo que temos. É a velha história do empobrecimento da classe média. A inflação para nós está, há anos, muito acima da inflação que influi nas classes mais baixas da população, pelo próprio perfil de consumo que temos, de produtos que têm subido mais.

Não só isso: empresas que no passado eram referenciais de salário baixo hoje são de salários altos. Alguma coisa aconteceu. Oferta e demanda: sobram pilotos e comissários no Brasil e o salário vai caindo por falta de capacidade que temos de mantê-lo com pressão sindical ou mesmo pela simples abundância de profissionais. O movimento de expats (pilotos e comissários brasileiros que vão voar em outros países) ainda é muito pequeno para influenciar nisso – e provavelmente nunca será grande o suficiente para alterar essa tendência. E os EUA, que classicamente estão sempre à nossa frente, já nos mostram o futuro.

Lá ocorre um fenômenos para lá de “interessante”. Curso de comissário não há, as próprias companhias dão o treinamento completo, então fica difícil identificar uma “sobra” de comissários, e como as escalas são em geral bem melhor administradas que as nossas, é comum ver comissários mais velhos voando – afinal, aqui eles não aguentam, mas lá sim, justamente pela liberdade que você tem em escolher voos, e praticamente escolher quanto vai ganhar – as leis trabalhistas americanas são menos protecionistas que as nossas, o que permite essa negociação “em tempo real” de oferta e demanda. Com a melhoria dos nossos sistemas de escala, que embora lenta, vem ocorrendo, quem sabe um dia, cheguemos nesse ponto.  E claro, há que se modernizar as leis trabalhistas também, da época de Getúlio Vargas. Por enquanto, a liberdade é pequena. Bem pequena.

No caso dos pilotos, nas escolas de voo americanas poucos são os instrutores de voo nativos. Menos ainda são os alunos. Por quê? Bom, com os anos, com as crises, e com tudo o mais, os salários dos pilotos foram caindo. Hoje, copilotos da regional americana chegam a ganhar menos que comissários no Brasil. E as regionais, que antes eram um trampolim, vão se tornando o purgatório de uma carreira inteira. Com muitos pilotos vindo das forças armadas, a oferta se manteve, e as companhias não sentiram muito o problema – e até por isso puderam deixar os salários se esvaírem. Até agora – quando os EUA vão findando as guerras inventadas no começo do século XXI e não criando outras, além de trocar pilotos por drones. Vamos dar um pequeno salto e ver as origens do “desabastecimento de pilotos civis”.

O americano é muito ligado em dinheiro, todo mundo sabe. Ele dá muito valor para o dinheiro e para o consumo, tem uma capacidade de poupar que nos deixa envergonhados e uma capacidade de consumir que nos deixa boquiabertos. Logo, não consegue conviver nada bem com a ideia de ganhar 2 mil dólares por mês. Então, o jovem americano que é louco por aviação e sonha em voar, frente ao empréstimo que terá que fazer para pagar os 50mil dólares de um PC completo pensa: “eu vou gastar isso tudo para, com muita sorte e após ralar muito, conseguir um emprego na regional ganhando 2 mil? No way!” E aí, ele vai ser qualquer outra coisa – qualquer outra coisa paga mais que 2 mil dólares por mês nos EUA, de verdade. Então, após alguns anos trabalhando como médico, engenheiro, advogado, ou empreendendo o próprio negócio – os EUA são um país que incentiva muitíssimo o empreendedorismo – o sujeito vai lá e faz seu PP – apenas 8 mil dólares – e compra o próprio avião – em geral 1/3 do que custa aqui. Numa conta de papel de pão, um avião nos EUA custa 1/3 do que custa aqui para compra e metade para manter. Some-se a isso salários mais altos para praticamente qualquer profissão (uma secretária aqui tira 1/5 do que uma secretária lá, por exemplo) e os custos de vida mais baixos e está feita a receita: a maior aviação do planeta tem centenas de milhares de PPs. De luxo, como se diz aqui. É que lá não é só rico que tem avião, então a expressão não cabe. Os mais pobres voam só final de semana – conhecidos como “weekend warriors”. Os mais endinheirados voam todo dia, se deixar. E assim a renovação dos pilotos civis para as linhas aéreas americanas vai para o ralo.

O paralelo disso com a aviação brasileira, e o porquê do título do artigo, vem de encontro às mudanças nos mínimos da instrução brasileira, e no longo prazo, acontece hoje nos EUA o que talvez venha a acontecer conosco. A formação no Brasil é caríssima: um PC/MLTE aqui chega a sair pelo mesmo preço que nos EUA, embora com 100 horas de experiência a menos. Cada vez menos gente pode fazer o curso de piloto, e cada vez mais quem pode escolhe fazer nos EUA. Então, com o aumento dos mínimos para os instrutores – praticamente um dos únicos caminhos para o primeiro emprego – podem vir a faltar instrutores no médio prazo. Por outro lado, com o pífio PIB pelo terceiro ano seguinte na casa de 2% e a abertura de céus cada dia mais óbvia para as estrangeiras, a aviação brasileira vai passando dificuldades e contratando menos, ou mesmo demitindo. Com isso, pilotos recém-formados ficam desempregados por anos. E aí, quem pensava em fazer o curso, desiste ou posterga – afinal, aqui não é plausível para o brasileiro médio ter um avião. As escolas estão esvaziando, os INVAs estão sobrando. Isso já está acontecendo. Com a regra das 200h de PIC para os novos INVAs, a formação desses profissionais também diminuirá, provavelmente se equilibrará após algum tempo e, após mais tempo ainda, eles mesmo começarão a escassear na medida em que as contratações na executiva, taxis aéreos e linhas aéreas os absorverem. Logo, num futuro ainda um pouco – ou muito, depende da economia e de mais um monte de coisas – distante, também faltarão pilotos no Brasil. E aí quem sabe os salários melhorem. Ou não: contratemos estrangeiros.

E então vem a ligação com a segunda probabilidade que os EUA estão à beira de experimentar e nós ainda distantes, mas não isentos. Como eu disse no meio do artigo, não houve uma renovação de pilotos civis americanos. As escolas americanas estão bem, cheias até. Cheias de chineses, coreanos, árabes, panamenhos, colombianos, bolivianos e claro, brasileiros. Enquanto para os nativos a profissão perdeu o interesse – com a alternativa plausível do próprio avião inclusive – na Ásia e Oriente Médio faltam pilotos, na Colômbia, tem piloto que tirou o PC há dois anos e hoje é copiloto de 767. Só quem não nada em mar de rosas ao voltar para casa somos os brasileiros, afinal, aqui – na figura de nossos representantes – faz pelo menos uma década que deitamos em berço esplêndido terceirizando a culpa por tudo de ruim que nos acontece e não agindo para resolver, o que faz o nosso crescimento ser ridículo perto do resto do mundo. Logo, dos países que formam pilotos FAA nas escolas da Florida, Texas, Califórnia e Oregon, só nós temos “excedente de produção”. Some-se isso ao famoso shortage, que como demonstram os mínimos cada vez mais baixos nas centenas de ofertas de emprego que aparecem nos EUA toda semana, e temos a receita pronta. Existe sim, uma possibilidade, mesmo que pequena, que possa haver mercado nos EUA em breve para pilotos brasileiros com carteiras FAA que ainda não possuam o visto de trabalho naquele país. Afinal, essa é a única limitante atualmente para os pilotos brasileiros formados nos EUA: o visto de trabalho. Empresas podem decidir dar o visto, se for necessário para suprir a mão de obra lá. E com a falta de pilotos batendo à porta das companhias americanas, e sem outras opções, há sim essa chance para os cidadãos brasileiros que são, de certa forma, pilotos americanos. E bom, aí sim, poderemos ter uma migração considerável de expats daqui, alterando muito do que havíamos dito durante o artigo. Mas essa é uma outra história que fica para uma outra vez.

38 comments

  1. Márcio Soares
    3 anos ago

    Boa Noite Enderson ! Estou me planejando para ir viver nos Estados Unidos. Minha sogra vive em New York há 14 anos e não pretende voltar. Para tanto eu e minha esposa estamos nos desfazendo de nossos bens aqui. Tenho como objetivo também de tirar minhas carteiras e se possível trabalhar por lá. Você saberia me indicar alguma escola de aviação em New York para que eu possa fazer meus cursos. E uma curiosidade sobre a Embry Ridlle, já que você passou por lá. É possível tirar as carteiras lá sem realizar o curso superior deles ? Seria mais rápida a formação. E provavelmente sairia mais barato eu acho. Sei que é uma Universidade bem cara. Tenho bacharelado e pós-graduação em Direito realizados aqui no Brasil. Sei que esses diplomas nos Estados Unidos só são reconhecidos após procedimentos específicos. Mas será que junto com as licenças FAA soma alguma coisa ? E por último será que no final eu conseguiria se contratado lá ? Sei que com o visto F1 dá para trabalhar algum tempo como instrutor. Mas e depois, já que não pretendo voltar para o Brasil ? Desculpe o texto gigante, mas se puder tirar algumas dessas dúvidas vai me ajudar bastante. Muito obrigado !

    • Enderson Rafael
      3 anos ago

      Olá, Márcio! Tudo certo? Bom, vamos por partes: não conheço nenhuma escola em NY pra te recomendar, e lá é preciso ficar atento ao clima: durante boa parte do inverno quase não se voa. Por essas e outras a aviação na Florida é tão desenvolvida, pois dá pra voar o ano todo. Quanto à ER, acho que não dá pra separar as duas coisas. Há muitas escolas na Florida que suprem a sua necessidade, e no que tange ao visto F1 especificamente, eu recomendo a Phoenix East. É uma escola cara mas bastante conceituada, vizinha de porta da Riddle. Mas o F1 não é uma solução de longo prazo, pois após 2 anos o aluno tem que voltar para o Brasil. O sistema de imigração nos EUA é extremamente restrito, e não sei exatamente como, mas imagino que sua esposa possa conseguir o visto através da sua sogra, e assim, vc consegue tb como dependente, Neste caso, sendo um visto que permita trabalhar nos EUA, seus problemas estarão resolvidos: vc poderá sim, após concluir sua formação e o curso de instrutor, trabalhar nos EUA como CFI. E sim, para as regionais, após vc conseguir as 1500h e o ATPL (o equivalente ao PLA brasileiro), o fato de ter curso superior pode ajudar numa contratação. Boa sorte, o amerian dream é mesmo irresistível! Torço por vc!

      • Márcio Soares
        3 anos ago

        Muito obrigado ! pela atenção e orientações.

  2. Erick Roncati
    3 anos ago

    Olá Raul Marinho. Visualizei seu blog e tenho algo a dizer: parabéns por disponibilizar esta excelente ferramenta de acesso a informações sobre aviação. Li vários artigos de seu blog e, através dele, ampliou meus conhecimentos sobre o mundo da aviação. Percebi que você tem muita experiência e conhecimento de causa e , baseado nisto, gostaria de fazer uma pergunta e seu conselho sincero para me ajudar:

    Estou pesquisando informações, investigando o mercado de trabalho. Estou pensando em iniciar o Curso Teórico Piloto Privado Helicóptero. Já cogitei da hipótese de vender meu único imóvel ou fazer um financiamento bancário para realizar o curso. Contudo, para a asa rotativa, como está a empregabilidade para quem inicia agora em 2014 ? Para atingir as 500 hs, sei que o modo mais viável é a Instrução de Voo, mas li que este caminho se tornará cada vez mais estreito e as opções off-shore e táxi-aéreo também estão paradas.

    Poderia por favor traçar considerações a respeito.

    Desde já agradeço pela atenção.

    Erick Roncati

  3. LUIS
    4 anos ago

    Estive na ANAC em São Paulo, para convalidação, lá me falaram 150h, mas não fiquei seguro, pois parecia que a secretária não sabia informar nada…

    • Elisangela
      4 anos ago

      Parece Luis que ninguém da Anac sabe algo… Além do acesso ser muito complicado.

  4. Elisangela
    4 anos ago

    Alguém poderia me informar e a fonte, de quantas horas são validadas no momento da transferência da carteira de PC da FAA, para a ANAC? Alguns falam em 150 outros 250horas….. Complicando alguém da Anac responder hein?????Elisangela

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      Elisangela, no meu caso foram “zero”. Fiz tudo que a ANAC pede, mas só reconheceram a licença. Já da ANAC pra FAA, não costuma haver problema nenhum.

      • Elisangela
        4 anos ago

        Olá Enderson. Quando vc tranferiu da FAA pra cá? Complicado falar com a Anac alguém tem algum contato? Grata!

        • Enderson Rafael
          4 anos ago

          Chequei na FAA em mar/2013 e na Anac em jul/2013. Não sei como está agora, mas nunca é fácil obter qualquer resposta…

        • Enderson Rafael
          4 anos ago

          Chequei PC/MLTE/IFR na FAA em março do ano passado e na ANAC em julho. Minha carteira levou um mês. Você fez onde lá? E aqui?

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      O “padrão” são 150h, mas tem gente que, como o Enderson, levou 0h… 250h, eu nunca vi.

      • Elisangela
        4 anos ago

        Olá, qual o parâmetro pra 150?

  5. Rafael C.
    4 anos ago

    Boa tarde, Enderson e Raul

    vou começar o curso de PP agora em Março no Aeroclube do Rio Grande do Sul (ARGS). Pelo o que leio no site, o momento é muito ruim e ninguém está contratando nas cias aéreas. Gostaria que me ajudassem em quais cursos eu poderia realizar para ter um bom curriculum daqui a um ano, talvez um pouco mais. Felizmente tenho possibilidades financeiras de cursar tudo em um tempo razoável mas como já estou com 29 anos, optei por ir direto pro Aeroclube e não fazer a faculdade de Ciências Aeronáuticas, também sou formado em Direito pela PUC/RS. Seria o caso de eu fazer a faculdade de C.A. antes? Comecei a acessar o site a menos de um mês, parabéns pelos textos!

    Muito obrigado!

    Rafael.

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      Oi, Rafael, meu problema era parecido com o seu. Estava com 31 quando decidi fazer tudo e tive pela primeira vez na vida tempo e dinheiro pra isso. Fiz tudo nos EUA em oito meses e meio, e minha convalidação levou cerca de 5 meses pois eu já estava trabalhando de novo e ficava difícil conciliar, mas dá pra fazer em menos tempo. Hoje aos 33 estou com 290h, ICAO, Jet, facul… enfim, tudo pronto pra entrar numa cia, só está faltando a vaga mesmo. Enfim, eu acho que fazer nos EUA vale muito à pena principalmente pela duração e pela qualidade da formação – com o possível bônus do que falamos no artigo. Mas tem que ver qual sua disponibilidade. Quanto a fazer no Brasil, o Raul vai poder falar melhor. A contar pelo dólar alto, pode sim valer à pena. Um abraço e boa sorte!

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Olha, Rafael, se vc quer ter um diferencial realmente significativo no seu currículo, a melhor opção disponível é justamente o curso de CA da PUC-RS que vc citou… Fora isso, é fundamental um bom inglês, o Jet Training, cursos de prevenção de acidentes do CENIPA, CRM, habilitações de TIPO, etc. Mas se vc puder fazer a faculdade de CA, seria o ideal (inclusive para ter prioridade nos processos seletivos da Azul).

  6. fernando brandão
    4 anos ago

    Boa tarde Enderson
    Mercados se acomodam, inclusive o de trabalho….
    Lembro que na decada de 60 tivemos uma “inundação” de pilotos angolanos que chegavam ao Brasil dispostos a trabalhar por pouco mais de 10% do que os brasileiros percebiam, especialmente na aviação executiva.
    Em pouco tempo percebeu-se que incentivar e investir em treinamento de nossos pilotos era mais produtivo e confiavel do que absorver aquela mãodeobra “baratinha”, e os brasileiros sairam daquela situação de certa forma valorizados.
    Hoje o conceito imposto por um mercado de custos abaixo do que seria seguro, em “beneficio” dos paxs, e de pouca competencia na regulamentação e fiscalização, as soluções são efemeras e desconfortaveis para todos.
    Como diz o ceguinho: “Ta muito dificil!!”

    Saudações,

    Fernando Brandão

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      Com certeza, Fernando! O mercado tende sim a se nivelar: e isso vale pras 200PIC de INVA no Brasil e pras 1500h e ATPL pros copilotos dos EUA. Essas mudanças regulatórias são “antinaturais” e de uma maneira ou de outra, o mercado se adapta. Assim como em breve deve cair o número de alunos na formação de INVAs aqui, lá também vai complicar pros copilotos. Quem já tiver os mínimos vai ser pego rápido e quem não tiver vai ter que correr atrás, e nem todo mundo tem condições financeiras pra isso. Também acho que no médio prazo, se houver esse shortage feroz que está aparecendo no horizonte, os EUA vão dar um jeito de incentivar a formação de pilotos nativos, seja com financiamentos públicos ou mesmo privados – quem disse que os pax americanos vão gostar da ideia de pilotos expats – avião não é táxi, né? Enfim, é esperar pra ver como isso vai se acertar e torcer pra que abra possibilidades pra nós de alguma forma, seja lá ou aqui. grande abraço!

  7. Cmte Araújo
    4 anos ago

    Ou os pilotos americanos são muito mentirosos ou muito orgulhosos quando chego na escala no JFK e paro para algumas conversas eles fazem questão de se mostrarem muitos satisfeitos e superiores perante a qualquer outra tripulação de empresas estrangeiras. Vai entender!!

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      Os das majors estão bem. quem passa perrengue é o povo da regional…

  8. Agnaldo Felix
    4 anos ago

    Enderson,

    A carteira de INVA pode ser convalidada lá?

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      Oi, Agnaldo, não sei dizer com 100% de certeza, mas eu apostaria que não. Mesmo a convalidação do PC já é tão complicada que praticamente você precisa checar tudo de novo, pois as regs da FAA são muito diferentes das nossas. E o ponto importantíssimo no qual o artigo toca é: mesmo que você tenha a licença de INVA lá (conhecida como CFI, CFII – IFR- e MEI -mlte) você precisa de um visto de trabalho para exercer a profissão. Qualquer um pode pegar um visto de estudante qualquer e ir lá fazer o CFI agora, mas não vai servir de nada, pois sem visto de trabalho você simplesmente não vai poder exercer a profissão de instrutor – da mesma forma que um PC brasileiro FAA não pode sair voando de forma remuinerada nos EUA só por ser FAA. No entanto, se tudo caminhar como o artigo sugere que possa acontecer, em breve pode não ser tão raro assim uma escola patrocinar um work permit para um extrangeiro (nesse caso, o visto H1, diferente do que j;a acontece com o F1).

  9. Gustavo
    4 anos ago

    Bom dia! Eu deixei a aviação de lado anos atrás para fazer faculdade, devido uma grande crise de empregos na área. Voltei à aviação 1 ano atrás e ainda continua essa crise. Ou seja, muitos picos altos e baixos. Quando fui cair na real, perdí minha melhor chance de emprego até então, pois estava sem as carteiras. (Época que as grandes começaram a contratar à rodo). Os colegas que não desanimaram na época, hoje já estão todos em bons empregos (Voando), e eu estou na instrução. Aliás, nada contra instrução, faço com o maior prazer, porém como sabemos muito mal remunerado. Sendo assim, não tem o certo ou errado, porém minha opinião hoje, é que eu deveria ter continuado, e só depois fazer a faculdade. Se quer ser piloto, tem que estar pronto, pois no lugar certo e na hora certa vai aparecer. Abraços.

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      Gustavo, concordo totalmente com você. Cheguei a começar o PP da ANAC em 2007, mas ter visto o 3054 explodir na minha frente foi um banho de água fria, de descrença no sistema de aviação brasileiro. Na época eu não tinha nem o tempo nem o dinheiro, e faria provavelmente aos tropeços, sacrificando muito mais do que sacrifiquei agora em 2012, quando fiz o curso nos EUA. Mas em compensação, também perdi o melhor momento para conseguir um emprego na aviação brasileira. É difícil, cheio de falsos alarmes, esperanças desfeitas, mas é como você disse: uma hora a oportunidade aparece e você tem que estar com as carteiras na mão para agarrar. Grande abraço e boa sorte pra nós!

    • Tarcísio Neto
      4 anos ago

      Concordo com você Gustavo, pois o futuro a Deus Pertence !!!

  10. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Oi, Fabio, tudo bem? Bom, saber inglês é sempre algo importantíssimo quando se fala em aviação. No Brasil, especificamente, anda-se dando algum valor à faculdade também, ainda que, como o Raul sempre diz, o que vale por aqui mesmo é o QI. A sua ideia de ir para os EUA, fazer o curso todo lá e emendar no CFI (o INVA da FAA) é excelente: exatamente o que eu teria feito se tivesse mais tempo e dinheiro do que tinha. Ao contrário do Brasil, lá o mercado de CFIs está aquecido sim, há uma considerável oferta de empregos – mais um indício da proximidade do shortage – e ainda que o salário de um CFI não seja essa Coca-Cola toda, nos EUA dá pra viver dignamente mesmo com 1500 dólares por mês (para os nossos padrões, não os deles). O único porém da sua estratégia ao meu ver é o dinheiro para o curso. Você realmente precisa ter todo o dinheiro ou a capacidade de conseguí-lo ao longo da formação – que completa, do zero a CFI – deverá levar cerca de um ano. O visto que você precisará para fazer o curso lá e trabalhar como instrutor é o F1, mas ele só te dá o direito disso: de trabalhar como instrutor da escola onde estudou. Se você for trabalhar em outra coisa – o que dá porque o curso não é tão pesado assim – o estará fazendo de forma ilegal – o que além de não ser correto, pode complicar muito sua situação e colocar em risco mesmo sua licença FAA. Então avalie bem sua estratégia, mas com relação ao mercado de instrutores, lá a coisa está bem melhor que aqui. E o curso de instrutor anda na casa de 5 mil dólares – lembrando que você precisa ter PC/single para dar instrução em avião single engine, naturalmente.

    • Fabio Junior
      4 anos ago

      Muito obrigado pela resposta motivadora, agora vou estudar e trabalhar para conseguir realizar este sonho.

      Ah… Outra duvida, Eu gostaria de ir estudar nos EUA, trabalhar como instrutor e construir toda minha carreira no exterior nao precisamente na America ( de instrutor a Linha Aerea ), é possivel???

      • Enderson Rafael
        4 anos ago

        De nada! O céu é o limite. Mas como sempre se diz: “esqueça tudo que você aprendeu sobre empuxo, sustentação, peso e arrasto; o que faz um avião voar é o dinheiro.” Depois de ser instrutor nos EUA, você pode pegar carona na possibilidade que o artigo levanta e conseguir um visto de trabalho – vai que a coisa já estará tão complicada pra eles que uma exec resolve te patrocinar o visto? Outra possibilidade mais plausível é vc conhecer o amor da sua vida por lá (ou não) e casar com uma nativa, o que te daria o direito de trabalhar lá e construir sua carreira. No sentido de imigrar o Canadá parece ser bem mais promissor, apesar de que o curso de piloto lá é bem mais caro (mas dá pra convalidar a partir da FAA sem grande estresse, mas assim como no Brasil, as regras são bem diferentes). Já se sua ideia é Ásia e Oriente Médio, bom, aí é talvez mais negócio voltar ao Brasil e tentar colocar um Boeing ou Airbus na carteira, voando alguns bons anos aqui – coisa que no exterior para um low hours como nós é virtualmente impossível. Mas você é jovem, vai voar aviões dos quais só conheceremos os projetos, se tanto.

  11. Ótimo artigo / reflexão, Enderson. Concordo em gênero & número. Só acho que – a se confirmar a possibilidade – a barreira idiomática ainda tende a constituir um dos grandes obstáculos para muitos, se não para a maioria. Via de regra, o “ingrêis” daqui ainda é excessivamente macarrônico, demandando “improvement & sophistication”. Uma coisa é desempenhar para ser aprovado num curso em training centre (todos extremamente “business-oriented”, como sabemos; se bem que a CAE Simuflite andou “devolvendo”/refugando vários candidatos a comandante de Phenom 100, Mustang etc, justamente por “lack of basic english skills”) , outra completamente diferente é mudar para lá de armas e bagagens e ter que interagir (inclusive por escrito) diariamente com a gringaiada. Voar no, do e/ou para o NAS como FAA Airmen Certificate holder é outro capítulo à parte. Não é bicho-de-sete-cabeças, mas tem suas peculiaridades, embora obviamente – depois que a gente se acostuma – acabe sendo muito mais conveniente / inteligente / simples / prático / confortável / limpo / racional / civilizado do que em certos lugares que a gente conhece no chamado 3o. Mundo (ou seria 5o., de “O Quinto dos…”???). Se eu tiver esquecido algum adjetivo, fiquem à vontade para me corrigir, rsrs…

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      Oi, Fábio, pois é! A possibilidade existe, mas nem dá pra saber bem ainda em que termos seria feita: é sempre nebuloso imaginar os EUA abrindo seu mercado de trabalho. Provavelmente seria algo temporário, ainda que convenhamos, daqui que eles voltem a convencer os nativos a tornarem-se PCs em número suficiente para suprir uma economia que já este ano deve crescer meio trilhão de dólares… vai levar um bom tempo. Quando digo em termos, depende até da necessidade: há uma chance grande de os americanos da regional subirem para as majors e sobrarem os empregos em CRJs e turboprops pra nós. Também pode haver a necessidade de as major contratarem os expats direto. recentemente com o aquecimento da economia, uma major reintegrou 600 pilotos que estavam voando fora, e a maioria quis voltar mesmo ganhando menos que na Ásia. Aí vai saber os requsitos: se exigerem pilotos “FAA based” aí só entrariam os que tiveram sua formação incial lá. Se a restrição for menor, todos que tiverem licenças FAA posteriores (de IFR pra cima, como acontece muito, incluindo ATP, claro), o leque se abre bastante. Talvez haja um mínimo de ICAO Level pra isso (que a ANAC parece ter estabelecido como “5”). Tudo conjecturas. Mas o que é certo é que a águia está levantando voo novamente. Não foi dessa vez que Roma caiu. A quantidade de vags abertas no mercado da executiva americana é impressionante, e isso é reflexo provavelmente da escassez de mão de obra nativa que já começa a dar suas caras. Estamos de olho nos próximos capítulos!

  12. Fabio Junior
    4 anos ago

    Bom dia Raul e Enderson

    Desde que comecei a me interessar pela profissão de piloto eu tenho conhecimento da crise no setor, CIAs só demitem e tal, mas não desanimei. Eu acabei de me formar no Ensino Médio e meu plano era não fazer faculdade de nenhum curso( eu cheguei a ganhar bolsa de estudo em uma Universidade da região) e me dedicar ao Inglês e estudar para tentar estudar aviação nos EUA no final deste ano. Não tenho dinheiro mas eu estava procurando uma solução, amigos que moral lá estavam me ajudando mas isto não vem ao caso.
    Eu queria me formar lá nos EUA e trabalhar como instrutor, mas pelo que vejo a coisa não esta muito boa nem aqui nem lá. Então, o que devo fazer, Tentar ir para os EUA ou deixar a aviação de lado e começar uma faculdade para daqui anos começar meu treinamento?

    Desde agradeço e se possível eu gostaria de bater um papo virtual com vocês Raul e Enderson que entendem para me ajudarem a tomar a melhor decisão.

    Fabio Junior

Deixe uma resposta