“CASO DO VOO GOL 1371: RISCOS POUCO DIVULGADOS”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Reproduzo abaixo o texto que está na capa do site da ABRAPAC sobre a questão dos “passageiros black blocs” que acionaram a porta de emergência de uma aeronave da Gol, e foram “protestar” andando sobre a asa do Boeing. Mais tarde, vou voltar a falar deste caso num outro post, mas por ora gostaria de divulgar este ótimo texto, que está bastante informativo e tecnicamente correto sobre o assunto.

CASO DO VOO GOL 1371: RISCOS POUCO DIVULGADOS

A ABRAPAC vem a público esclarecer a gravidade dos acontecimentos da última sexta-feira no Rio de Janeiro, quando passageiros insatisfeitos com o atraso no desembarque do voo GOL 1371 decidiram protestar abrindo uma das janelas de emergência e saindo para caminhar sobre as asas.

Independentemente dos direitos garantidos pelo Código de Defesa do Consumidor, ao tomarem tal atitude, os passageiros cometeram uma grave infração contra a segurança (caracterizada como crime pelo artigo 261 do Código Penal) e condenaram a aeronave a ficar muito mais tempo ainda em solo. A saber:

• A saída de emergência não é uma simples “porta”, ao contrário do que diz o senso comum. Uma vez aberta, ela tem que ser recolocada, selada e verificada por equipe especializada. A aeronave fica impedida de voar até que isso seja feito, gerando atrasos e mais insatisfação.

• Se o sistema de abertura de emergência estivesse ligado, ocorreria o lançamento da escape slide (a rampa inflável para evacuação). Nesse caso, além de causar um prejuízo enorme para a companhia aérea, o ato obrigaria a aeronave a sofrer reparos mais demorados.

• Existem pontos das asas em que não se pode pisar, sob pena de comprometer a integridade das superfícies de comando e dos dispositivos hipersustentadores da aeronave. Uma vez que pessoas estranhas (não ligadas às equipes de manutenção) andem sobre as asas, a aeronave fica impedida de voar até que uma verificação minuciosa a libere.

• A caminhada sobre as asas por pessoas não autorizadas constitui risco para as próprias (quedas e ingestão, casos os motores estejam ligados) e inconvenientes para as demais, já que, ao notarem a presença indevida de pessoas, as outras aeronaves são obrigadas a interromper o taxiamento.

• A presença de pessoas não autorizadas fora de uma aeronave compromete a segurança de todo o conjunto de pistas, taxiways e pátios, obrigando a autoridade aeronáutica a suspender as operações – fato que gera ainda mais atrasos.

Com essas informações, a ABRAPAC espera esclarecer a mídia, para que esta contribua mostrando à sociedade que as consequências de um “protesto” desse tipo são bem piores do que os motivos do mesmo.

12 comments

  1. Paulo Alves
    3 anos ago

    Infelizmente é a mesma retórica. Má prestação de serviço. PONTO. Daí resulta o imponderável. Tudo pode acontecer. A aeronave também é um espaço público, várias pessoas com idades diferentes, doentes – quem sabe, grávidas, idosas, e entregues a própria sorte. Incompetência da EMPRESA. É ela a vendedora da passagem.Responsável pela integridade de todos, até mesmo contra os “vândalos ” que acionam um mecanismo de segurança de uma aeronave; se a coisa continuar assim qualquer dia acionam em voo …

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Lamento discordar, mas não é bem assim, não. Para quem não é do ramo, parece que é só má vontade da companhia e/ou incompetência dos tripulantes, mas a raiz do problema está na infraestrutura aeroportuária oferecida. Lembre-se que a companhia também perde dinheiro com esse problema, e que os tripulantes sofrem o mesmíssimo desconforto dos passageiros. O problema é que o controlador manda a aeronave para a PQP da remota, não disponibiliza ônibus e escadas para o desembarque, não dá informações sobre quando poderá decolar, não manda caminhão de combustível para reabastecer… E aí? O que fazer? E isso justifica o vandalismo, que por sinal é crime?

  2. Lorena
    3 anos ago

    Um outro detalhe é q o voo tava previsto para sair às 11h, e já saiu atrasado, às 15h. Segundo relato de passageira, pelo menos cumpriram a obrigação de servir alimentação (almoço) antes do embarque. Ocorre q segundo a mesma passageira, teriam servido comida (água, refrigerante e amendoim) qnd o voo saiu de novo, ou seja só depois das 22h. Além disso, o ar condicionado estaria desligado…
    http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2014/01/cuiabana-diz-que-passageiros-sairam-apos-3h-parados-dentro-de-aviao-no-rio.html

    Difícil saber o q de fato foi oferecido e como estava a situação na hr em q abriram as portas, mas eu não confiaria tanto q estava td bem, com os passageiros bem informados sobre os motivos da demora e bem alimentados…

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Se foi servido amendoim de menos, se não ligaram o ar condicionado, etc., isso deve ser investigado, e se a companhia ou os tripulantes descumpriram o regulamento, eles devem ser punidos de acordo com ele. Mas nada muda o fato de que: 1)quem causou o transtorno foram os responsáveis pela nossa péssima infraestrutura aeroportuária, e 2)quem delinquiu foi um grupo de passageiros. Na verdade, empresa e tripulantes foram, antes de qualquer coisa, as vítimas!

      • Lorena
        3 anos ago

        Discordo do ponto de vista. A empresa, se não forneceu alimentação e condições básicas pros passageiros ficarem na aeronave, teve sua culpa, além de ser vítima. Os passageiros, nessa mesma situação, tb foram vítimas, além de (alguns poucos deles q abriram a porta e foram pra asa) culpados.
        Não acho q cabe ficar classificando um ou outro lado ou como vítima ou culpado. Cada um pode assumir mais de um papel nessa história.

        • avsec
          3 anos ago

          Concordo!

  3. Enderson Rafael
    3 anos ago

    Segurança é indiscutível, e aquilo foi crime. Mas o Brasil é o país do oba oba. Vários voos estrangeiros também alternaram aquele dia. Eu estava de passageiro e fiquei na remota do GIG as mesmas 2h que o Etihad vindo de Abu Dhabi. Foi o tempo que levou pra reabastecer, trocar a tripulação e obter autorização do atc pra continuar até GRU. E na chegada em GRU nós conseguimos um portão uns 15 minutos antes do Etihad. Mas ninguém faz gracinha em avião gringo, né… aqui é protesto. Lá é terrorismo. Achar que a tripulação não fez tudo que estava ao seu alcance é subestimar a falta de educação de muitos conterrâneos nossos.

  4. André Pavin
    3 anos ago

    Gente, será mesmo que não foi feito isso pela tripulação? Ou vocês acham que eles gostaram de ficar ali também 2 horas parados? E como iriam desembarcar os pax? No meio da rampa? Me desculpe, mas eu culpo somente a infra-estrutura do aeroporto. Digo isso porque não acredito que uma tripulação de alta qualidade tenha ficado 2 horas simplesmente esperando sem sequer dar satisfações aos pax ou tentado reverter a situação. Se a trip realmente fez isso, eles sabem somente lidar com a máquina então, relação com humanos 0 (zero).

  5. Nego sempre se fia na passividade do brasileiro. Até que – de vez em quando – a situação sai do controle. O que alguns passageiros promoveram constitui crime de “interferência ilícita”, mas não foi de graça. Se a empresa os tivesse desembarcado para o saguão ou área de trânsito e provido o que está previsto na legislação, muito provavelmente nada disso teria acontecido. Agora quero só ver se a agência também vai em cima da empresa, ou se vão pegar só os pax das fotos para bois de piranha…

  6. Julio Petruchio
    3 anos ago

    Realmente os passageiros não deveriam ter feito isso, mas sabe como certas pessoas não possuem “educação de berço”,, mas vamos lá onde tudo começou:
    Segundo as informações divulgadas, a empresa em questão simplesmente deixou o avião e os passageiros à própria sorte durante um período de três horas.
    Foi realmente isso o que aconteceu?
    Se aconteceu, onde está a responsabilidade da empresa?
    Faltaram ônibus para transporte dos passageiros para levá-los ao terminal por três horas?
    Se isso realmente aconteceu, onde está a responsabilidade da empresa administradora do aeroporto?
    Se tudo isso acima aconteceu, onde está a responsabilidade do órgão fiscalizador (ANAC).
    Vamos ouvir grilhinhos do CQC novamente por parte dela, ANAC?!
    Considerando todo o contexto, a única responsabilidade apresentada foi a da Abrapac em tentar informar a desinformada mídia (des-)informativa

  7. augustogentile
    3 anos ago

    Isso tudo poderia ter sido evitado, né… O avião pousou as 17:50 e decolou 22:20!
    Água mineral, café e uma explicação amistosa por parte da trip ou comando teria um custo bem inferior. Quem lida com público tem de ter jogo de cintura e tomar atitudes pra prevenir que alguns loucos caminhem em cima das asas e arranquem as portas. O avião pousou as 17:50 e decolou 22:20 . porque não servir a galera? Ir lá bater papo, pedir desculpas ou coisa do tipo?

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