IS 61-002B: ANAC finalmente libera o cheque de IFRH em helicóptero “sob capota”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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IS 61-002B

Para quem não estava a par dos procedimentos estabelecidos previamente pela ANAC para a obtenção da habilitação IFR para helicópteros (IFRH), era o seguinte. O aluno até poderia realizar seu treinamento prático (as “horas de voo”) em helicóptero “sob capota” – isto é: em numa aeronave equipada com a instrumentação mínima de voo IFR (ADF-VOR-ILS e horizonte artificial), porém não homologada para o voo IFR real (ex. R-22) -, mas o cheque teria que ocorrer, obrigatoriamente, em aeronave homologada para voar IFR real (ex. Esquilo, Agusta, etc.). Isso, na prática, inviabilizava financeiramente a obtenção da habilitação IFRH, uma vez que os helicópteros homologados para voar IFRH real possuem um custo de hora de voo em torno de R$8mil, contra aproximadamente R$1,2-1,4mil de uma aeronave somente equipada com a instrumentação básica IFRH, e homologada pela ANAC para o voo IFR “sob capota” (um R-22 “normal” custa por volta de R$800/h). Mas não é só isso: como todo helicóptero é TIPO, para checar o IFRH num Agusta, por exemplo, seria necessário também obter a habilitação de TIPO do Agusta – o que implica em ground, banca, e um mínimo de 3h de voo de adaptação. Então, no fim das contas, para checar o IFRH, o sujeito teria que gastar umas 4,5h de voo no Agusta: 3h de adaptação, mais 1,5h para checar o TIPO e o IFRH. Com isso, sem contar com o custo da parte teórica para obtenção do TIPO escolhido, o candidato à obtenção da habilitação IFRH iria gastar 4,5 x R$8mil = R$36mil somente para o cheque – mais as horas de voo no helicóptero sob capota, mais as horas em simulador, e mais a parte teórica. Perceberam porque eu disse que estava inviável obter a habilitação IFRH?

Pois muito bem: a boa notícia é que esse procedimento finalmente mudou, e agora a ANAC aceita o cheque de IFRH também em aeronave “sob capota”. Na última 6ª feira, saiu publicado no D.O.U. a portaria com a entrada em vigor da IS do link acima, que permite o cheque em helicóptero homologado somente para o voo IFR “sob capota”, desde que haja, também, um cheque em simulador AATD previamente. Para quem tem interesse na obtenção desta habilitação, é muito recomendável ler toda a IS para inteirar-se dos detalhes deste novo procedimento, mas a representação esquemática mostrada abaixo já dá uma boa ideia de como poderá ocorrer o treinamento e o cheque de IFRH a partir de agora:

ifrh

Com isto, não há mais a necessidade de realizar os voos de adaptação numa aeronave IFRH real, e nem dos cheques de TIPO+IFRH neste mesmo equipamento. Agora, basta pagar a hora de simulador e a hora de voo num R-22 “sob capota”, por exemplo, que custa uns R$2mil ao todo. Para quem pagava R$36mil, é uma economia e tanto, não?

Agradeço ao amigo Álvaro Horowicz pela ajuda na divulgação da novidade e na disponibilização do arquivo da IS (que, até o momento, ainda não está na seção de “regulação” do site da ANAC – daí a versão apresentada possuir notas e destaques).

35 comments

  1. Heitor
    1 ano ago

    Raul, boa noite. Gostaria de saber em relacao ao simulador.
    Qual tipo de simulador poderia ser feito as horas de ifrh?
    Poderia ser feito em simulador de aviao ?
    Desde ja,obriagado.

    • Raul Marinho
      1 ano ago

      Não, tem que ser um equipamento homologado para helicóptero. Escolas de maior porte como a EFAI têm esse tipo de equipamento, verifique com eles.

  2. Benedito Carneiro neto
    2 anos ago

    Possuo PLA de avião e PCH ambos checados. Gostaria de saber como faço pra convalidar minha licença de IFRA e fazer o check inicial de IFRH? Quais pré requisitos? Quantas horas preciso a legislação não tem nada falando nesse aspecto alguem pode me ajudar?

  3. Mateus
    2 anos ago

    Boa tarde Caros,
    Minha pergunta é direcionada ao Raul,
    Raul, hoje mesmo fiquei sabendo sobre uma nova lei, a respeito do cheque de PCH. Obrigatoriamente a escola tem que ter uma aeronave homologada IFR (Real ou Capota). Caso contrario a partir de 31/12/2015 a escola não mais estará homologada a checar PCH? Correto?
    Resumido, quem quer checar PCH, obrigatoriamente tem que ter as 10 horas numa aeronave homologada IFR, afirmativo?
    Obrigado pela sua atenção e fico no aguardo.

    • raulmarinho
      2 anos ago

      A “nova lei” é a IS 61-002C, e é isso mesmo: se a escola não tiver aeronave homologada IFR, porde a homologação.
      E tem que ter as 10h IFR – tudo na aeronave, ou 5h na aeronave e 5h no simulador -, senão não checa o PCH.

      • Mateus
        2 anos ago

        Caramba, então a coisa é séria mesmo. Pelo que sei não existe muitas escolas no Brasil que tenham essa aeronave, é a minoria. Será que isso não pode causar um ” revolta ” das escolas? E sobre o cheque em escola não homologada, pelo que sei teria que checar com 150 horas numa escola que não seja homologada a checar PCH, sabe me informar sobre esse tipo de modalidade?

        • raulmarinho
          2 anos ago

          Na verdade, essa “colher de chá” para as escolas se estruturarem até 31/12 foi justamente para aplacar a “revolta” que vc se refere…
          Se vc voar fora de curso homologado, vc checa o PCH com 150h, sim. Leia o RBAC-61 (tem no blogroll), que explica isso.

  4. Davi
    3 anos ago

    Boa tarde,
    fui informado que em são paulo existia um centro CAE com simulador de s76. Sou pch, sera possível para mim fazer o ifrh nesse simulador. Me deram um numero do lugar la mas ninguém atende. E eu não encontro mais nenhum contato. Alguem me poderia ajudar ?
    Obrigado

    • raulmarinho
      3 anos ago

      Cara… A hora num simulador de S76 deve custar mais que uma hora de Esquilo (e estou chutando baixo).

  5. Soares
    4 anos ago

    Caros,

    Alguém poderia me indicar que escola já está treinando, e principalmente checando o IFRH pela nova norma? Outra coisa… Como funcionará a convalidação de IFRH de quem já tem pela FAA.
    Grato!

    • Resende
      4 anos ago

      Tem a Helimaxy em Campinas, muito boa, diga foi indicação do Resende.

      • Leonardo Pagotto
        4 anos ago

        Helimaxy é exelente mesmo, chequei meu PPH e PCH lá, agora farei o INVH tb!
        Pagotto

  6. Marcos
    4 anos ago

    Raul, o que o colega falou acima faz sentido sim. Helicóptero homologado para operação IFR deve necessariamente ser bi-motor.
    Com isso, não temos no Brasil helicóptero monomotor homologado para operação, apenas treinamento.

    Depois procuro com calma quais os requisitos para homologação deste tipo de aeronave e te mando.

    Abs

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Então me mande o documento comprovando que tem que ser bi, que eu publico minha retratação. Não tenho compromisso algum com o erro.

  7. bruno
    4 anos ago

    Caro Raul,

    Pelo que vi na reportagem, ainda seria algo bastante oneroso financeiramente tirar esta habilitação ifrh pois de acordo com os meus calculos seriam gastos em torno de R$ 2.000 x 20 horas ( horas sob capota ) + r$ 200 x 20 ( horas simulador ), seria isto?

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Para saber os números exatos, só entrando em contato com uma escola de aviação de asa rotativa, mas em princípio – e levando-se em conta como a coisa acontece na asa fixa – vc teria que pagar somente o diferencial do custo do R-22/IFRsc para o R-22/VFR pelas 20h, mais as horas do “excedente IFR” (umas 4h); mais o simulador; mais o cheque IFRH (integral). Supondo que a hora VFR está R$800, a hora IFRsc R$1.400, e o simulador R$350, isso daria o seguinte:
      (R$1.400 – R$800) x 24 = R$14.400 +
      R$350 x 25 = R$8.750 +
      R$1.400 =
      R$24.550.

  8. Rafael Favoni
    4 anos ago

    Infelizmente senhores. No país em que vivemos e voamos para tirar o nosso sustento e de nossas famílias. Qualquer decisão do poder publico existe pretenção política para beneficiar um ou outro. E na Anac e infraero não é diferente!

  9. Cmte
    4 anos ago

    Santa ignorância, no Brasil somente helicópteros bi-reator podem ser homologados para voo IFR, Raul, como pode falar tanta besteira em tão poucas linhas???

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      É mesmo, Cmte? Vc poderia, por obséquio, exibir o documento onde isto está escrito?

    • Dantas
      4 anos ago

      Onde você ouviu falar em helicóptero bi-reator ? Se isso existe, exemplifique aqui. Avioēs podem ser bi-reatores mas, helicóptero não pois, bi-turbina nem sempre significa bi-reator, os helicópteros mono e bi-motores que utilizam querosene de aviação são turbo eixo. Motor à reação possui turbina que provoca reação de propulsão em aviões como turbo fan que produz cerca de 30% de reação e 70% propulsão pelo fan, é o caso dos Boeing’s 737, Air Bus A320 e etc, somente os aviões a jato puro são considerados com propulsão de turbinas 100 % à reação, exemplo! concorde e aviões de caça.

      • fredfvm
        4 anos ago

        Ôôoo Dantas e Cmte, vamos ter a compaixão por nosso colega, tanto faz se foi dito bi-reator ou bi-turbina, o que importa é que todos nós entendemos o que foi dito, não mudando em nada o caráter do assunto abordado.
        É o mesmo que falar: “A ordem dos fatores não alteram o produto”, ou ainda: “A ordem dos tratores não alteram o produto”. Indo e vindo, a intenção nos levará ao mesmo entendimento.

  10. Menezes
    4 anos ago

    Ai vai depender se esse filho tem algum estimulo para se interessar pela escola, a Anac tem algum estimulo para tal? Será que esse estimulo imediato e não muito surpreendente, mas bom para a classe, não tem haver com ano de eleição?

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Que maldade… E o espírito público do diretor da ANAC?
      (Tudo bem, pode parar de rir…)

  11. fredfvm
    4 anos ago

    Uma boa medida que deve ser festejada por todos. Até que enfim a ANAC abriu os olhos nesse quesito. Acho que todos os futuros candidatos a IFRH deveriam comemorar.
    Na lista das habilitações inviáveis,aguardo muito o cheque de PLA, talvez seja a próxima a sair. Tomara !!!

  12. Joao paulo
    4 anos ago

    Pessoal boa tarde, gostaria da ajuda dos senhores sou PCA checado ( pc,multi IFR ) porem estou fazendo o PCH a duvidda é a seguinte eu preciso fazer o IFRH uma vez que eu tenho IFRA? e simulador precisarei fazer também? Posso ter algum abatimento?
    Obrigado

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Que eu saiba, não há “abatimento”, IFRA e IFRH são habilitações completamente estanques. O que dá para aproveitar são as horas PIC exigidas para a concessão da nova habilitação, mas as horas de voo e de simulador têm que ser feitas “do zero”. A confirmar.

  13. Prexedes
    4 anos ago

    A versão final oficial pode ser encontrada em http://www2.anac.gov.br/transparencia/pdf/bps2014/05/ANEXO_II.pdf (a partir de http://www2.anac.gov.br/transparencia/bps.asp).

    E uma observação: o Esquilo mais usual (HB-350B, ou equivalentes da Eurocopter, AS 350) não é homologado IFR, creio. Só o bimotor, AS 355, é q poderia ser, mas são menos de 20 operacionais no Brasil – e não creio q haja algum de escola.

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Esta “versão oficial” do link indicado é exatamente a mesma disponibilizada pelo blog, com as mesmas marcações e pequenas incorreções formais; não se trata da “versão oficial definitiva”, sem estas características, que em breve deverá constar da seção de regulação do site da ANAC.
      Quanto às duas versões do Esquilo, mono e bi-turbina, ambas poderiam, em princípio, serem homologadas IFR; mas na prática somente poucas unidades da versão bi-turbina o são – e isso por questões econômicas, não por impossibilidade técnica. O grande problema do helicóptero homologado IFR real é que ele tem que dispor de piloto automático, que é algo muito complexo e caro para a asa rotativa; e não pelo fato de ele dispor de uma ou mais turbinas, como muita gente pensa. Na verdade, até um R-44 a pistão poderia ser IFR, só que o A/P ficaria mais caro que a própria aeronave, e é por isso que ninguém converte um R-44 VFR em IFR… Já o requisito de aeronaves bi-turbina é uma realidade somente para a operação off-shore, mas isso devido a um requisito da Petrobras, para atender a uma demanda da CC dos petroleiros, não tem nada a ver com ANAC, ou com questões técnicas.

      • Praxedes
        4 anos ago

        A versão não é a mesma… A da ANAC tem data a partir da segunda página. E é oficial, pois a portaria de aprovação sai no BPS e cita que a IS está nessa página. Agora, se a ANAC errou ao publicar a versão oficial, isso é outro problema…

        • Raul Marinho
          4 anos ago

          Eu baixei do mesmo lugar, Praxedes… Só se a ANAC mudou o documento do link entre a noite de ontem e a manhã de hoje.

          • Praxedes
            4 anos ago

            Mt provável q tenha sido, pq os documentos são diferentes. Basta ver o cabeçalho da segunda página.
            Por sinal, já mudaram mais uma vez, pq agora nem os cabeçalhos dos apêndices estão com a marca amarela.

            Apenas um comentário sobre o “oficial”: na página do BPS é tão oficial qnt o da página de legislação. E, no fundo, os dois são pra consulta, com caráter exclusivamente informativo, como diz o próprio site da ANAC:
            “Os textos, arquivos, imagens, publicações e documentos disponibilizados no Portal da Agência Nacional de Aviação Civil são considerados públicos e de caráter exclusivamente informativo, servindo para conveniência de seus usuários. Sendo assim, a ANAC não se responsabiliza, nem pode ser responsabilizada pelo uso indevido e não-autorizado do conteúdo do Portal, bem como, por ataques indesejados promovidos por terceiros (hackers ou crackers), ou, ainda, por decisões tomadas pelos seus usuários com base nos arquivos disponibilizados no Portal.

            Ainda nesse sentido, para sua maior segurança, as versões originais de todos os Regulamentos, Instruções, Portarias e demais publicações normativas encontram-se arquivadas na ANAC, podendo ser acessadas mediante consulta ao Setor de Publicações.”
            http://www2.anac.gov.br/politicaPrivacidade.asp

            Sobre o Esquilo HB350B/AS350 poder ser IFR, ainda que seja verdade, se formos considerar isso, como vc mesmo disse, outros helicópteros menores tb poderiam ser usados pra treinar e checar IFR real com a regra anterior (não precisaria ser um Agusta) – desde q, como vc citou q pode ser feito pro Esquilo mono, se fizessem as adaptações necessárias. Em suma, o “Esquilo” na frase “mas o cheque teria que ocorrer, obrigatoriamente, em aeronave homologada para voar IFR real (ex. Esquilo, Agusta, etc.). ” só teria sentido prático pro Esquilo bimotor, q – creio – nem exista em nenhuma escola…

  14. Roger Ball
    4 anos ago

    Ponto para a ANAC.

    Acertaram dessa vez.

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Pois é, só que isso deveria estar assim desde a publicação do RBAC, no mínimo. É aquele negócio: teu filho adolescente está fora da escola há dois anos, ficou em casa jogando videogame esse tempo todo, e agora resolve voltar a estudar. Ok, legal, “ponto para ele” que retomou os estudos, só que um bom filho de verdade nem teria abandonado a escola lá atrás, né?

      • Roger Ball
        4 anos ago

        Pois é.

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