O otimismo da AOPA com o renascimento da aviação geral nos EUA – Ou: Como dizia o Cmte. Rolim, “Quem não tem inteligência para criar tem de ter coragem para copiar”, certo APPA?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A amigo Fábio Carvalho me enviou o link para esta interessante matéria publicada no site da AOPA, com a palestra recentemente proferida pelo CEO da entidade, Craig Fuller – “AOPA leaders present at Northwest Aviation Conference“. Vale a pena pelo menos ler o texto que resume a apresentação, do qual destaco dois aspectos:

1) Estímulo aos “aeroclubes de verdade”

Um dos pontos que achei mais interessante no texto sobre a palestra é o que fala sobre estímulos aos aeroclubes como maneira de impulsionar a aviação geral – e, aqui, está-se a falar dos “aeroclubes de verdade”, não de “escolas de aviação em formato de ONG”, como funciona, na prática,  a maioria dos aeroclubes no Brasil . Não seria legal se um PP qualquer da vida tivesse como alugar uma aeronave para ir com a família para a praia no final de semana, ou voar até uma cidadezinha a 500km de distância para fechar um negócio? Isso já foi relativamente comum, mas hoje contam-se nos dedos os aeroclubes que oferecem esta opção aos seus sócios – e, mesmo os que ainda oferecem esta possibilidade (caso do Aeroclube de São Paulo), possuem tão poucas aeronaves disponíveis e em estado tão deplorável que, na prática, esse tipo de operação é muito pouco atrativa.

Agora, imaginem aeroclubes com diversidade de aeronaves, desde experimentais/LSAs para quem quer somente “matar a lombriga” de pilotar; até aeronaves mais caras e sofisticadas, como as da linha Cirrus e/ou bimotores , para quem quer mais conforto e capacidade de carga e passageiros para outros tipos de necessidade; como isso seria interessante para a aviação geral!

2) Seguros

Para viabilizar a operação dos aeroclubes acima referidos, há que se resolver o problema das “apólices com cobertura não-proprietária para aeronaves” (“nonowned aircraft insurance coverage”). Ou seja: eu alugo um Cirrus do Aeroclube X, mas é a minha apólice que cobre os acidentes que porventura ocorram com aquele Cirrus, cujo beneficiário será o Aeroclube X. Hoje, no Brasil, na prática esse tipo de seguro não existe, o que acaba inviabilizando o negócio de locação de aeronaves pelos aeroclubes.

Agora imaginem se você pudesse ir até uma companhia de seguro, e adquirir uma apólice em seu nome para ser usada na proteção da aeronave locada. A seguradora te avaliaria tecnicamente, e você pagaria o prêmio. No dia em que você fosse pegar uma aeronave do acervo do seu aeroclube para voar, você apresentaria a apólice, que seria confirmada online na hora, e pronto. Não é tão complicado assim, é? Agora, imaginem como isso poderia baratear o custo de locação de uma aeronave, e como isso poderia viabilizar a aquisição de mais unidades pelos aeroclubes, inclusive com o aumento de interesse das empresas de leasing e financeiras…

Com estes pontos previamente discutidos, vamos então à parte que realmente interessa:

Como dizia o Cmte. Rolim, “Quem não tem inteligência para criar tem de ter coragem para copiar”, certo APPA?

Para quem não sabe, a AOPA-Aircraft Owners and Pilots Association possui um equivalente no Brasil, que é a APPA-Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves. Entrem no site da APPA, e vejam o que vocês encontram lá: brigas com as autoridades aeronáuticas e aeroportuárias (ANAC, DECEA e INFAERO), e artigos institucionais, justificando porque a aviação geral não é “brinquedo de rico”. Não que isso também não faça parte do site da AOPA, mas na congênere americana, há muito mais. Bem mais…

Principalmente no que diz respeito ao que a APPA pode fazer sem depender de entidades governamentais. Estimular a criação de aeroclubes especializados na locação de aeronaves, por exemplo, não depende do governo. Resolver o impasse das apólices não-proprietárias também. E imaginem o impacto que essas duas medidas em conjunto poderiam trazer para a aviação geral! Quanta gente poderia ser atraída para o sistema com isso?

Não quero, com este artigo, criticar a atuação da APPA no Brasil. Mas somente sugerir que a entidade mude um pouco o foco, que saia da defensiva, e parta para o ataque, para aumentar a base. Porque para ganhar importância, e poder brigar com o governo com mais chances de vitória, é preciso aumentar a escala. E depender de mais gente com condições para adquirir sua própria aeronave é complicado… A única maneira de crescer em importância de maneira significativa é atraindo gente que voe aeronave alugada, mais acessível… Ou, então, vai ficar cada dia mais difícil argumentar que a aviação geral não é só “brinquedo de rico”.

2 comments

  1. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Sempre achei curioso… chegar aqui no Brasil num aeroclube e alugar um Cessna pra passear com a família é praticamente impossível (sem contar, proibitivamente caro). E estamos falando de um “aeroclube”, sem fins lucrativos. Já nas escolas de aviação dos EUA, qualquer PP chega lá, faz um checkout flight, preenche uns papéis e vai voar o avião praticamente pra onde quiser (e por um preço que é da metade pra baixo). E estamos falando de “escolas”… Vai entender…

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Nos aeroclubes, vc tem que se tornar sócio, pagar uma jóia, mensalidade, apresentar documentos (no caso do ACSP, até certidão negativa do distribuidor da vara de falências, eles pedem!), para poder pegar uma aeronave do acervo. E as escolas simplesmente não podem realizar esse tipo de operação…

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