MÃO DE OBRA ESCRAVA

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Só ‘reblogo’ agora. Comento num post futuro.

16 comments

  1. David Banner
    4 anos ago

    Essa é a DURA realidade da aviação. Doa a quem doer. Ética e bom senso passam longe do mercado de trabalho do aviador. Isso não é de hoje. É desde “sempre”. E SEMPRE SERÁ!!! E pra quem me der base pra pensar diferente eu tiro o meu chapéu.

    A lei que prevalece é a da procura (IMENSA) e da oferta, que é tão rara quanto água na lua. Só assim entendemos como esse descalabro (trabalho escravo) se passa por algo aceitável nesse atividade.

  2. Marcelo
    4 anos ago

    Falou a voz da experiência. O Cmte. Decio Corrêa tem propriedade para discorrer sobre o assunto. Com a envergadura de quem se mistura à própria história da nossa aviação, há décadas ele denuncia e ataca estas ações. Sem muito sucesso, infelizmente. A categoria também não ajuda muito. Neste Brasil paradoxal, a moral e a lei são para os outros.

  3. Antonio Santos
    4 anos ago

    O que me chama atenção nessas historias, e o medo dos profissionais da área da aviação de buscarem seus direitos na justiça do trabalho, a partir do momento que isso for normal como é em qualquer outro ramo com certeza essas empresas pensaram duas vezes antes de abusarem de novos pilotos. Breve exemplo: uma empregada domestica atualmente mesmo tendo recebido seus valores em dia entrando com uma ação na justiça contra seu empregador recebera sempre algum valor. Agora você imagina quanto que um INVA/PC que trabalhou 2 anos as vezes sem receber nada ou quase nada pode ganhar em uma ação contra um aeroclube ou taxi aereo? Levando em consideração todos os direitos e benefícios que a profissão garante, horas extras, insalubridade etc.. Tenho certeza que teria aeroclube vendendo avião para pagar a ação.

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Na verdade, tem aeroclube QUEBRANDO para pagar ação trabalhista de ex INVA… Inclusive, um dos maiores e mais antigos aeroclubes do Brasil está nesta situação. Mas quem entra com ação é, via de regra, quem está se aposentando ou abandonando a aviação – ou, então, o espólio do INVA morto num acidente de instrução. De qquer modo, vc está correto no seu comentário qdo se trata de pilotos em começo de carreira, e vou escrever mais sobre isso em breve.

    • Rafael
      4 anos ago

      Tô contigo e com o Lucas. Nego fica se matando para voar de graça ou ganhando uma miséria. A própria classe se permite ser tratada assim.

      Já dizia a boa e velha filosofia: a dominação existe não porque existe o dominador, mas sim porque os súditos se curvam a ele.

  4. Lucas M.
    4 anos ago

    Cavalheiros,

    Não estou “empregado” hoje, porque recusei um posto de copila, que não me pagaria NADA.
    Hoje poderia estar com quase 1000hrs de voo com certeza. Já me chamaram de trouxa. Mas trouxa é quem se mata estudando e se prostitui desta maneira. E eu acredito que é por conta destes “profissionais” que a profissão de aviador está deste jeito.

  5. Olá Raul e amigos do blog. Meu nome é Lucas e tenho 21 anos.

    Recentemente descobri o site por estar pesquisando bastante sobre o assunto de aviação. Minha situação é um pouco complicada… Desde pequeno amo o ramo, mas acabei optando por outra carreira por esta parecer “demais” para a minha pessoa. Falo isso principalmente por questões financeiras.

    Com 17 comecei minha faculdade de publicidade (uma área que gosto, mas que sempre foi segunda opção) e estou cursando ela até hoje. Sempre joguei flight simulator e algumas semanas atrás acabei sonhando que era piloto, que eu deveria seguir meu sonho e tudo mais, acordei e não consegui tirar isso da cabeça.

    Atualmente tenho condições financeiras para de certa forma fazer o PP, PC, e futuramente cursos adicionais, como INVA e outros. Acontece que já tenho diversos cursos na minha área (photoshop, edição de vídeo e coisas do tipo).

    Confesso que minha família está puta da vida por eu ter de uma hora para outra, ter pensado em mudar minha carreira (e quando digo mudar, é pra valer).

    Já estou planejando começar meu teórico em maio… Mesmo a aviação estando em um clima não muito agradável, acredito que quando eu acabar (na verdade nunca se acaba) os cursos, a previsão é de o mercado estar em um clima um pouco melhor.

    Então amigos, acham que estou fazendo uma loucura? Ou devo seguir isso e agarrar com as duas mãos?

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Interessante vc escrever esse comentários justamente neste post…

      Mas o que eu posso te dizer é: faça o PP, cheque, e aí então avalie com mais propriedade o que é melhor para a sua vida.

      • Enderson Rafael
        4 anos ago

        Pois é, Lucas… uns 12 anos atrás eu tb estudava publicidade e jogava flight simulator.

        Eu queria muito ser um redator de sucesso e achava a aviação algo muito distante da minha realidade. Pra resumir o que aconteceu depois, em 2003 me formei publicitário, custei (13 entrevistas, pra ser preciso) pra conseguir o primeiro emprego apesar da minha formação ótima e de eu ter um bom portifólio. No meio de 2004, enquanto saía de uma agência que me pagava muito mal mas dava visibilidade (algo parecido com o que estamos tratando neste post) pra entrar em outra menor mas que me pagaria bem melhor, viajei de avião pela primeira vez desde os 9 anos de idade. Aquilo mexeu comigo. Demais. Não conseguia imaginar não ser pago para estar lá em cima de novo, e até mandei cv pra área de marketing de uma companhia. Três dias depois, já na nova agência, descobri um blog de uma comissária. Percebi que aquilo sim era algo que eu podia pagar e estava ao meu alcance. Minha família também não gostou nem um pouco, e como eu era redator consegui dobrá-los com uma carta na qual argumentava o quanto era apaixonado por aviões desde pequeno. Em dezembro de 2004 comecei o curso, em abril de 2005 passei na banca do DAC e fui demitido de uma terceira agência, na qual eu não tinha muitos jobs pra fazer mas gostavam de mim e me seguraram até o final do curso de comissário. Foi a única que me pagou realmente tudo direito até hoje. Tive sorte, era uma época de muitas contratações na cias aéreas. Mesmo assim, foram semanas angustiantes até a ligação que mudou minha vida. Com 3 idiomas e muita vontade, fiz e passei na primeira seleção que fiz. Em outubro de 2005 fiz meu primeiro voo de instrução em rota como comissário, e comecei a frequentar seminários de safety. A carreira se seguiu e em 2007 cheguei a prestar banca pra PP, sem saber muito bem como pagaria as horas de voo. Não passei por pouco, e sendo testemunha ocular do acidente em Congonhas e com a vida de casado, desanimei. Em 2009 fiz o curso de prevenção de acidentes no Cenipa, pela companhia. No ano seguinte, saí do 737 e fui pro 767. Minha época mais feliz como comissário. Escala boa, destinos maravilhosos, tripulações inesquecíveis. Em 2011 voltei pro 737 e fui promovido a chefe de cabine. Em 2012, então, a companhia ofereceu uma licença não-remunerada de um ano. Minha esposa, também comissária, foi me buscar no aeroporto e mal eu entrei no carro, ela, que sempre havia sido muito relutante em eu seguir na aviação – tenho a carreira de escritor em paralelo, o redator nunca saiu de mim – disse: “Pegue a licença e faça o curso de piloto”. Tive medo de gastar todas as minhas economias em algo tão arriscado, num mercado que estava num momento ruim, mas o sonho era maior. Avaliei os riscos, a chance de a cia não me querer de volta era pequena. Cheguei a me matricular numa escola no Brasil, mas eu só tinha um ano pra sair do zero e me tornar piloto comercial. Voei com um copiloto que fizera seu curso nos EUA. Ele me deu o caminho das pedras. Em maio embarquei, e já na primeira semana comecei minha formação pela FAA. Em julho chequei o PP, em agosto voltei ao Brasil e lancei meu terceiro livro, em outubro voltei pros EUA e comecei o IFR. No mês seguinte fiz o tão sonhado curso de investigação de acidentes na Embry Riddle, corri muito pra terminar a tempo, cheguei a voar 46h em 8 dias no time-share, necessário pra acumular as horas mínimas em comando para o PC. Em março chequei o PC/mlte pela FAA. Foram 252h em 8 meses e meio. Em abril voltei pro Brasil, ainda comissário na mesma companhia, que nos pegou de volta. Fiz o jet trainer, convalidei minhas licenças, em agosto de 2013 recebi a carteira da ANAC. Passei na prova do PLA, fiz um par de voos no Brasil, nas férias voltei aos EUA e fiz mais outra boa quantidade de horas atravessando a costa leste, e hoje ainda estou tentando meu primeiro emprego como piloto. 2013 foi péssimo. 2014 já tem cara de estar melhor, mas até agora, só alarmes falsos. Ao contrário de quando me formei redator, não tive uma entrevista sequer, dentro ou fora da minha cia, em quase um ano.
        Mas, 7 mil horas de voo como comissário e 290 horas como piloto depois, se você me perguntar se me arrependo? Eu faria tudo de novo. Como dito no texto do post, é um sonho, uma vocação. E não sei você, mas acho que a gente só tem essa vida. Mas claro, tem que fazer tudo com o pé no chão, até para o próprio sonho não ficar pelo caminho. Hoje ainda jogo flight simulator por falta de outra coisa pra voar. Mas as carteiras estão no meu bolso, pra hora em que surgir a oportunidade. Enquanto não surge, vou vivendo. Daqui a pouco saio para um voo de 3 dias. Afinal, além de escritor, redator, piloto… eu ainda sou comissário, não é?
        Um grande abraço, espero ter ajudado,
        Enderson

        • Muito obrigado pelas respostas, grande ajuda a sua Ederson.

          Vou expor meu medo. Digamos que eu me entregue para a área de aviação civil, vou ter que certamente trancar minha faculdade de pub, pois acho meio que “perda” de tempo eu continua-la com outra carreira na cabeça. Não que seja lá problema eu acaba-la, mas não sei, confesso que estou em dúvidas nesse quesito.

          Ederson, você acha que vale a pena de repente inciar com um curso para comissário e após isso fazer os de piloto? Ou o mercado para comissários tá complicado também?

          Fico com certo receio pois hoje tenho um trabalho, digamos que aceitável, fico meio assim em largar o que tenho, até por que os cursos para piloto vão longe, e até lá, não poderei trabalhar na área, e se eu acabar perdendo meu emprego, não terei muito onde me segurar. Por isso pensei em comissário… É muito tempo até poder de fato atuar na área? Até por que na minha opinião de leigo, não deixa de ser uma porta de entrada para pilotos.

          • Enderson Rafael
            4 anos ago

            Eu me tornei cmro sem pensar que depois seria piloto. Anos depois é que mudei meu pensamento e procuro tirar o melhor dessa experiência. Mtos seguiram o caminho de ser comissário e depois tornar-se piloto. Geralmente quem não tem dinheiro faz isso. Mas o que funcionou anos atrás hj não funcionaria, pois o mercado de comissários tb está fechadíssimo – e pra vc disputar uma vaga na Emirates ou Etihad nem precisa de curso, se a ideia é voar só pelo dinheiro.

            • Enderson Rafael
              4 anos ago

              Em tempo: se falta bem pouco pra vc terminar a faculdade, termine-a. Ter curso superior no mínimo vai cair bem no seu cv, e dependendo da cia até abate horas na seleção.

              • Ernesto Lippmann
                4 anos ago

                Rafael, eu gostei do seu texto, e estou escrvendo um livro sobre aviação, e gostaria de conversar com voce. Voce poderia me adiconar no face para conversarmos ? Obrigado, Ernesto

  6. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Lembro quando li este texto na revista, achei muito pertinente, e algo que não se vê muito na mídia. E na verdade, o buraco é até mais embaixo: tem muito PP voando remunerado no Brasil – o que é ainda mais bizarro que um PC voar de graça. Nosso mercado está todo errado, nem saberia bem por onde começar a consertar. Como em quase tudo que diz respeito ao Brasil, é muito malandro pra pouco otário.

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