Uma breve análise do mercado de trabalho para pilotos nesse início de 2014 – Ou: lamento informar, mas não estamos nem perto de um “apagão de pilotos”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Ontem, no post “E o ‘apagão de pilotos’, quem diria!, está realmente ocorrendo no Brasil“, eu comentei IRONICAMENTE que estaria havendo um apagão de pilotos no Brasil, mas acho que fui um pouco sutil demais na minha ironia. Então, para deixar bem claro: não estamos nem perto de um “apagão de pilotos” em nosso país, e continua havendo uma oferta de mão-de-obra muito superior à demanda, em todos os segmentos (comercial, geral, asa rotativa, agrícola, instrução…). Enfim: se eu me comuniquei mal ontem, peço desculpas, pois a intenção era fazer troça com as notícias de voos atrasando por tripulação ‘regulamentada’, que eu reproduzi no post acima referido. E quem explicou com grande competência por que não se trata de “apagão” foi o Enderson Rafael, em seu comentário, que reproduzo abaixo:

Infelizmente essa falta tem muito mais a ver com a regulamentação brasileira/gerenciamento de escala/obras nos aeroportos do que com falta de profissionais efetivamente. As escalas trabalham com os limites legais, mas como hoje se tornou comum ficar 40 minutos esperando um finger em alguns aeroportos do Brasil após o pouso, vez por outra é óbvio que a tripulação não vai conseguir cobrir o que tinha programado. Mesmo com os lastros de uma hora ou mais que geralmente temos nas nossas escalas, às vezes acontece. Mas faltar tripulação em apenas dois de 3mil voos em pleno carnaval – quando há dezenas de voos extras – e dizer que é apagão… não, né? Infelizmente, eu adoraria que estivesse faltando tripulantes e muitos mais precisassem ser contratados. Quem sabe quando as obras ficarem prontas e a capacidade do país melhorar isso não vire, por fim, emprego pra nós?

Mas, isto posto, aproveito a oportunidade para realizar uma breve análise do mercado de trabalho neste início de ano, que está parecendo um pouco mais promissor do que foi 2013.

A primeira boa notícia é a ausência de más notícias na aviação comercial: nenhuma companhia está fazendo planos de demitir tripulantes em 2014. E as maiores – TAM e Gol – deverão recontratar alguns pilotos recém-demitidos para suprir as necessidades dos voos extras da Copa, e para ‘apagar o incêndio’ desses problemas de regulamentação que vem ocorrendo esporadicamente, conforme citado no post de ontem. Mas a verdadeira boa nova, que gerou otimismo prá valer no mercado, foi a nova onda de contratação de copilotos pela Azul: seriam 60 nesse momento, e fala-se em mais 130 até o final do ano. Eu, particularmente, apostaria numa retomada nesse nível somente se (e quando) ocorrer o IPO (abertura de capital) da companhia, o que é esperado pelo mercado para somente depois da Copa. E também vale ressaltar que a Azul está contratando pilotos recém-formados (oriundos do Programa ASA e da PUC-RS); ou com relativamente poucas horas de voo, particularmente ex-INVAs.

Um fator que poderia ser realmente ótimo para o mercado seria se o tal plano governamental de incentivo à aviação regional saísse do papel – especialmente em relação ao subsídio prometido para que as companhias operassem em rotas deficitárias. Como estamos em ano eleitoral, há, de fato, essa possibilidade, mas eu ainda sou cético quanto a isso. Motivo: isso impactaria muito negativamente as contas públicas (particularmente, o tal superávit primário), que já não estão nada boas, e o resultado político final para o governo Dilma poderia ser muito ruim. Mas, segundo consta, TODAS as companhias aéreas estão com o dedo no gatilho para disparar a aquisição de aeronaves menores (ATRs e EMBs) para atender a este mercado. Este é um fator para ser acompanhado de muito perto.

Agora, as más notícias. A conjuntura macroeconômica do Brasil não só está deteriorada, como também (e principalmente) há um grau de incerteza muito grande pairando no ar. Isso adia investimentos, especialmente os não-essenciais – e poucas coisas são tão adiáveis quanto a compra de uma aeronave particular. Então, a perspectiva para a aviação executiva (’91’) não é das melhores (e, para a ‘135’, a coisa também não está aquela maravilha toda). Essas denúncias de fraudes da ANAC, aliadas à própria extinção do mito do “apagão de pilotos” na imprensa, tem feito com que a demanda por instrução aérea venha se reduzindo dia a dia (e a tendência é que essa diminuição se acentue ainda mais). Então, deverá haver menos oportunidades para INVA/Hs também. E o dólar, para arrematar, tem um forte viés de alta, assim como os juros, o que afeta negativamente a aviação como um todo. Tudo isso somado deve drenar parte substancial do otimismo citado acima, mas ainda assim, eu creio num saldo positivo para 2014. Não enormemente positivo, mas acima da linha d’água, pelo menos.

Basicamente, é isso.

3 comments

  1. Giba
    3 anos ago

    Posso fazer uma sugestão de pauta? No final do ano o Desgoverno federal fez os leilões de exploração de petróleo em vários locais no norte e nordeste do Brasil. Seria possível fazer uma análise ou previsão de quando isso pode se traduzir em mais empregos para pilotos de asas rotativas? e quais são as perspectivas para 2014?

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      É uma ótima sugestão, embora bastante difícil de ser atendida. Vou ver se consigo algum material sobre isso.

  2. Resumo da Ópera: quem puder, EMIGRE. Ontem.

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