Mais uma reportagem do Jornal da Band sobre as fraudes na ANAC – e um comentário sobre o que foi mostrado até agora

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Ontem, o Jornal da Band veiculou mais uma reportagem sobre as fraudes na ANAC: “Comissão ouve ministro e presidente da Anac“. Não há muitas novidades em relação ao que foi mostrado na semana passada, o que mostra que o estoque de denúncias do jornalismo da Band deve estar no fim. Daqui para a frente, o que deveremos ver são políticos bravateando que vão fazer e acontecer, e autoridades aeronáuticas dizendo que “todas as providências já foram tomadas”. Foi o que o JB mostrou ontem, por sinal (fora imagens requentadas de reportagens passadas). Então, já dá para comentar melhor o caso.

Em primeiro lugar, causa espanto o tamanho do amadorismo com que as falcatruas foram cometidas. Não existe sistema 100% seguro no mundo, mas tamanha facilidade para cometer fraudes como há na ANAC, também, acho difícil encontrar paralelo. Imaginem se a Receita Federal fosse estruturada daquela forma? Ninguém no Brasil pagaria imposto! O que quero dizer com isso é que há tecnologia disponível – inclusive, dentro do próprio Governo Federal – para que se tenha um sistema menos vulnerável na ANAC. Se não se tem, não é porque não se pode, mas porque se quer…

E, na outra ponta, para quem quer fazer tudo certinho, as dificuldades são hercúleas! Tudo é caro, demorado, confuso (e bota confuso nisso). Não se tem como ter certeza de que está tudo certo até que seu processo seja indeferido porque faltou um carimbo ali, uma cópia autenticada aqui. E ninguém aparece para lhe dar explicações. Boa parte do tráfego deste blog existe justamente por causa disso, então sei do que estou falando.

Daí, tem-se o casamento perfeito entre um sistema esburacado de um lado (o lado da corrupção), e complexo e caro do outro (o lado da honestidade). Quer meio ambiente mais propício para ocorrer fraudes em larga escala? Por isso, acho que o volume de fraudes é centenas de vezes superior aos 64 casos apontados na reportagem. Aliás, num universo de 12mil licenças, que é o que a reportagem diz haver em São Paulo, 64 casos equivalem a aproximadamente 0,5%. Se fosse só isso, estava até bom…

Mas, alguma coisa vai acontecer depois disso. Alguns bodes expiatórios precisarão ser sacrificados no altar da satisfação à população. E, depois, tudo deverá mudar (para pior) para que nada mude, se é que vocês me entendem… Ou seja: para quem pretende fazer tudo certo, pode esperar mais dificuldades pela frente. Não que isso vá dificultar a ocorrência de fraudes no futuro, é claro, mas vai parecer que as autoridades estão “fechando o cerco à impunidade”.

Para encerrar, gostaria de recomendar um artigo, que trata desse nosso curioso traço de personalidade de sempre recorrer ao tal “jeitinho”. Vale a pena a leitura!

A cultura do “jeitinho”: pesquisa revela que 82% acham que maioria pretende tirar vantagem

 

8 comments

  1. Eduardo Machado
    4 anos ago

    A ANAC só continuou a fazer o que o DAC sempre fez !!!!!

  2. Robson
    4 anos ago

    Muito legal e interessante a reportagem do”Jeitinho”, esse jeitinho me irrita as vezes, a grande maioria pensa que isso ainda funciona, mas mau sabem que estão entrando em um tipo de utopia do jeitinho brasileiro, pois acabam enganando a si próprio.
    Agora quanto a ANAC esse jeitinho pode custar caro tanto pra quem esta pilotando como pra passageiros que acham que estão voando com um profissional de verdade. Assim como diz a reportagem do JB “uma verdadeira fábrica de acidentes”.

  3. No caso da prova de inglês, pelo que se comenta na AFA, só deu rolo grosso pq neguinho denunciou direto à ICAO em YYZ. O que ela fez? Teve um ataque de fúria e mandou sacanear/arrochar nas próximas provas (i.e. Os justos – como sempre – pagariam “ad eternum” por quem pisou no tomate). Além disso, teria revogado o grau de cento e poucos aviadores (que supostamente constavam duma “rela” enviada à ICAO por quem fez a denúncia) e forçado os mesmos a refazerem a prova, sob a ameaça de cassação da licença de quem se recusasse. Não sei se isso ocorreu mesmo dessa forma, mas se ocorreu, soa arbitrário pelo método, embora na intenção punitiva ela não estivesse desprovida de razão. E pelo jeito, sob a atual presidência, a seqüência de arbitrariedades só tem feito aumentar…

  4. Beto Arcaro
    4 anos ago

    Ah….a Cultura do Jeitinho….
    Fiquei meio quieto aqui no Blog, esses dias, esperando o desenrolar dos acontecimentos.

    Em todas estas “Matérias”, colocam-se os Aeronautas como o “início” do problema todo.
    É claro, existem muitos Profissionais com péssimo caráter, péssimos princípios, etc., mas, se existe o ativo, existe também o passivo.
    “Quando Um num qué (ou deixa!) Dois num faiz!!”

    Se a ANAC é corrupta, tenho quase certeza que foi ela própria, quem começou esse “Ciclo”.
    Aí, vieram os Aeronautas (de péssimo caráter, princípios, etc) os quais foram os primeiros clientes, e que estão aí até hoje.
    Acredito que não exista tecnologia capaz de evitar fraudes (Nem na receita federal !)
    O que tem que existir, é punição exemplar para quem às comete !
    Como eu sempre digo, comparando com a mentalidade na FAA:
    Matou alguém?
    Fraudou, corrompeu, comprou, estava irregular?
    JAULA!!! Perpétua, se “fosse” possível !!!
    Então vocês vão me perguntar:
    Ah! Então vai ter que morrer mais Gente, para que se possa punir exemplarmente os culpados, mudando assim toda essa “Mentalidade”?
    Eu digo que sim!
    É o preço!
    Já não está “morrendo Gente” sem que se resolva nada?
    Não estou aqui, afirmando que não se deva fiscalizar!
    Não é isso!
    Eles preferem (e a mídia parece concordar) permanecer com essa ideia de “fiscalização inócua e demagógica” que só acaba gerando mais corrupção!
    Fiscaliza-se, detecta-se a “Irregularidade”, e dá-se “um jeitinho”, com o amigo, do primo , do Despachante que é “Truta” do “FUNCIONÁRIO”, e fica tudo numa boa, inclusive nas “Estatísticas”.
    Todo Mundo fica feliz, com os seus “Problemas” resolvidos!

    A ANAC tem corregedoria?
    Vocês acham que um “Órgão Corrupto”, como os quais temos o privilégio de “contar com a existência” nesse País, se Auto Fiscalizaria ??
    Então, fiscaliza-se mais, dificulta-se mais, põe-se mais combustível nessa máquina!
    Coitados dos pequenos “Táxis Aéreos”, Oficinas de manutenção (Não é só com a “Habilitação”, não!) que ficam à mercê de regras ridículas.
    Daí, pra acabar ficando “Sócio” de algum Despachante , é um pulinho!

    Tenho um Amigo, que possui uma Oficina de Aviônicos, Dealler de Serviços e Vendas da Garmin.
    Pois bem, ele foi alvo de fiscalização, por parte da ANAC, agora no final de 2013.
    Acontece que a Garmin lhe envia sempre, em quantidades para efeito de estoque, placas de circuito dos Garmin 530/430 para a reposição.
    Tudo bem embalado, com “Form”, guia de importação, etc.
    Pois é…
    No dia 24/12/2013, meu amigo teve sua oficina interditada pela ANAC. (Isso é dia para se interditar uma oficina? Se é que vocês me entendem…)
    Alegaram, que a empresa poderia manter esse material em estoque!
    Como, se o Cara é Dealler?
    Esse foi um dos motivos da interdição, os outros são mais esdrúxulos ainda !
    Meu colega, agora, está trabalhando para outras oficinas, as quais não tinham secção de Aviônicos e está arriscado à perder o “Deallership” da Garmin.
    E você aí, voando (ou sonhando em voar, no seu FSX) seu “Painel G1000”, achando que é maravilhoso, hein !!
    É “Surreal” que você ainda esteja!!

    Acredito que a Aviação é muito “Nobre” (como deve ser!) muito “Séria” (Como também deve ser!) para a nossa realidade.
    Não poderíamos acabar com os problemas da Aviação no Brasil, somente dizendo que:
    “Ah! É só começar tudo de novo, do zero”.
    Acho que, talvez, cometeríamos os mesmos erros.

  5. André
    4 anos ago

    Assino embaixo.

    • Amgarten
      4 anos ago

      Muito bom Beto! Assino embaixo tbm!

      • Beto Arcaro
        4 anos ago

        Obrigado Amigos!!
        De vez em quando a coisa sai!!
        Só tento mostrar a realidade, fora das faculdades de Ciências Aeronáuticas, fora dos “Workshops”. Eu tô dando a cara pra bater, como faço todos os dias. Nem posso me vangloriar de ter escrito de forma tão real, pois a realidade não é nem um pouco “Bacana”.

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