Sabem qual foi a média da experiência dos INVA/Hs envolvidos em acidentes em 2010? 2.095h!

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Resolvi tirar a limpo essa história de que os INVA/Hs com pouca experiência são os mais propensos a se envolver em acidentes aeronáuticos na atividade de instrução. Como não há informações públicas disponíveis para consulta sobre o assunto (estou me referindo a estatísticas já prontas, não a dados brutos), precisei construir meu próprio relatório. E, de saída, encontrei alguns problemas: em anos recentes, a maior parte dos relatórios do CENIPA relacionados a acidentes na instrução tem sido apresentada sob a forma de Suma de Investigação, e não como Relatório Final – o que significa que, nestes casos, não há referência à quantidade de horas que os pilotos possuem na CIV. Por isso, precisei pegar dados mais antigos – utilizei os dados de 2010, o último ano que não possuía nenhuma Suma de Investigação na relação de acidentes. Também houve alguns probleminhas quanto à data apresentada na planilha , mas isso foi de importância menor. O fato é que eu listei os 14 acidentes de 2010 ocorridos na atividade de instrução com RF publicado pelo CENIPA na planilha abaixo. Dêem uma olhada, que depois eu comento.

Acidentes com instrução – 2010

Salvo engano, o que temos no ano de 2010 é que:

  1. Dos 14 acidentes listados, somente 3 tinham instrutores com menos de 350h totais (experiência equivalente às 200h em comando), ou cerca de 21% do total;
  2. Em contrapartida, em 6 destes acidentes, os instrutores/examinadores tinham mais de 2.000h, ou seja: a taxa de acidentes dos muito experientes foi o dobro da dos recém-formados;
  3. A experiência média dos instrutores envolvidos em acidentes foi de 2.095h.

Isso significa que, em princípio, não se verifica a hipótese de que os instrutores menos experientes estariam mais propensos a se envolver em acidentes na instrução. É claro que é preciso ampliar a investigação, aumentar a amostra, levar em conta a experiência média dos instrutores como um todo (não só os que se envolvem em acidentes), enfim: é preciso aprimorar este estudo. Mas este primeiro levantamento, por mais superficial que seja, nos mostra que a realidade pode ser bem diferente do que supõe o senso comum.

12 comments

  1. Gabriel
    4 anos ago

    Exatamente, o negócio não é quanto ou o que se voa e sim COMO se voa !!!

  2. Orlando
    4 anos ago

    Sou INVA e sempre pensei nessa questão das 200hs, mais pelo lado da instrução em si, da sua qualidade. Estou com 1100 horas de voo e acredito que a minha instrução hoje com mais experiência seja melhor do que quando comecei. Hoje posso passar uma instrução de melhor qualidade baseada nas centenas de horas e sei lá quantos alunos. Cada hora e cada aluno, me ajudaram a entender melhor não só a instrução, o ser humano mas o próprio voo. Sem dúvida que segurança é fundamental e deva ser encarada com seriedade e importância, mas sempre vi as 200 horas mais no sentido da experiência formando melhores pilotos que sua vez voando melhor também contribuirão para uma maior segurança e profissionalismo.

    Além disso, hoje vejo a instrução essencialmente amadora. Não sei se essas 200 horas resolverão mas qualquer coisa que contribua para uma instrução mais profissional e dada por profissionais, melhor pagos e que até possam optar por essa carreira como fim e não como meio para para os mínimos das companhias, pra mim já tem meu apoio.

    Só pela discussão que está havendo sobre o assunto, seja por qualquer ângulo, as 200 horas já serviram para alguma coisa.

    Abraços

  3. amgarten
    4 anos ago

    Muito bom, Raul. Os numeros podem ajudar a entender melhor certas questoes. Seria interessante tambem que houvesse um levantamento sobre a contribuicao de acidentes com aeronaves Tipo no total de acidentes da aviacao geral. Acho que teriamos surpresas… Sera que os defensores da exigencia de simuladores para todo Tipo que voa regido pelo RBHA91 possuem tal levantamento? Estou curioso.

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Olha Cássio… Quero quer que o pessoal do CENIPA tenha tal levantamento. O duro é que eles não compartilham os dados publicamente.

  4. Kaue Bosa
    4 anos ago

    Muita gente ainda não se deu conta de que voar bem = voar certo, e não ser arrojado.

    Acho que essa comentario ja diz tudo. parabens..

  5. thiago thomaz de souza
    4 anos ago

    Curiosamente a Robinson considera como mais “perigoso”o piloto com cerca de 500hs de voo…

  6. Luan Ferro
    4 anos ago

    Raul, a quantidade de hora é muito relativo. Conheci pessoas com mil horas, mas n tem nenhuma capacidade. Assim como conheço pessoas recém checadas PP que voam bem. As 200 horas não avho tão erradas, assim na teoria todos teriam que ter experiência fora do aeroclube, o que vejo como vantagem. Ond eu realmente vim aprender a voar foi na aviação geral, querendo ou não no aeroclube ficamos muito restritos. Hoje, perto das minhas mil horas de voo, continuo aprendendo. Então, considero uma medida boa, porém entendo também o lado dps recém checados, que vai fechar mais o mercado. Tendo em vista que visa a melhor qualidade da instrução(que todos sabemos que não anda das melhores) eu apoio.

  7. Fabiana
    4 anos ago

    Obrigada Rual por essa informação.
    Sou professora teórica de Instrutor de Voo e abordo questões comportamentais, questões de ensino aprendizagem, a importância do briefing, a importância da comunicação…enfim, sou apaixonada por esse curso e sempre deixo claro para os alunos ( futuros Instrutores) da responsabilidade que eles terão.
    Enfatizo muito a importância do altruísmo e da credibilidade, pontos fundamentais no caráter de um piloto.
    Sexta feira passada estava conversando com um aluno e ele me questionou sobre o índice de acidentes durante a Instrução, falei que iria pesquisar…..mas agora já tenho a informação.
    Amanhã darei aula e levarei essa informação aos meus alunos.

    Obrigada e parabéns pelo seu trabalho.

    Fabiana

  8. gustavousanj
    4 anos ago

    corrigindo : “todos” diz a respeito das pesquisas, deveria ter dito todas pesquisas ;)

  9. gustavousanj
    4 anos ago

    Concordo, aqui nos EUA direto fazem levantamentos e pesquisas e na maioria das vezes para nao dizer todas os acidentes em sua maioria sao com os mais experientes. Ao contrario de exigirem mais horas, creio eu que seria muito melhor e de maior resultado melhorar o treino de certa forma o fazer mais exigente.

  10. wassall
    4 anos ago

    Parabéns pela iniciativa, tudo tem que ser analisado com rigor científico, como este não é um país sério, está tudo repleto de “achismos”, com certeza os legisladores da ANAC nunca acompanharam o dia a dia de um explorado INVA.

  11. Muita gente ainda não se deu conta de que voar bem = voar certo, e não ser arrojado.

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