Perspectivas da aviação executiva (’91’) e a crise de confiança da economia

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Estamos vendo uma certa recuperação da aviação comercial neste início de ano, com a Gol e a TAM recontratando boa parte dos pilotos demitidos em 2012/13, a Azul realizando novos processos seletivos para copilotos, e a Avianca trazendo novas aeronaves para o transporte de carga. Só a Passaredo se encontra encrencada no momento, com notícias de salários atrasados, mas o impacto é muito mais simbólico (trata-se da única companhia genuinamente regional em atividade no país) do que real, já que sua participação de mercado é pouco significante. Ou seja: para a aviação comercial (‘121′), o cenário é positivo, embora não exatamente excelente.

Ocorre, entretanto, que as notícias da economia não são nada animadoras. O PIBinho cada vez mais “inho”; a “contabilidade criativa” cada vez mais importante para mantermos nosso superávit primário; escândalos de corrupção e má gestão se volumando; possível crise no setor elétrico com racionamento ainda em 2014; infraestrurura logística em péssimo estado; e agora, para coroar a fase de más notícias, o rebaixamento da nota do país na Standard & Poor’s. Tudo isso gera um clima de incerteza muito grande na Economia, e o resultado prático óbvio é a suspensão de investimentos em “itens supérfluos” – e, digam-me vocês: o que pode ser mais supérfluo que a aquisição de uma aeronave particular? E esta é a má notícia para a aviação: as perspectivas para a ’91’ não são nada animadoras.

Os analistas que escrevem sobre economia na imprensa especializada estão sendo unânimes em afirmar que o rebaixamento da nota da S&P tem muito mais a ver com medo do futuro do que com uma constatação de um presente/passado ruinoso. Então, pensando como um empresário/executivo típico, por que eu iria comprar um avião/helicóptero justamente agora, quando o futuro se apresenta tão ameaçador? Não seria melhor aguardar? Ou, mais ainda, será que não seria uma boa ideia vender a aeronave que eu tenho? E, em não querendo vender, será que não seria melhor voar menos? Como é que eu vou justificar para o conselho ou para os sócios que é essencial adquirir uma aeronave agora? Percebem como a coisa está complicada para a aviação executiva?

Sim, há diversos estudos que mostram que uma aeronave executiva é uma ferramenta de negócios, que aumenta a produtividade profissional, etc. etc. Mas o problema é muito mais psicológico/emocional do que técnico/econômico: um jatinho ou um helicóptero sempre será visto como ostentação, como “luxo desnecessário”, pode mostrar o relatório que for. Por isso, caros amigos e amigas, talvez a recuperação dos empregos na aviação para este ano seja afetada por um mau desempenho do segmento que vinha se mantendo relativamente estável até então, apesar de a aviação comercial estar dando sinais de melhora. Lamento pela análise desanimadora.

13 comments

  1. hUMBERTO RODRIGUES
    3 anos ago

    Sem querer colocar mais “água no chopp”, mas o QAV entrou no aumento a partir de 1° de Abril p.f.:

    Preço do combustível muda em 13 estados e no DF

    Redação JL 25/03/2014 10:00

    Segundo o Confaz, os novos valores começam a valer no dia 1º de abril

    Os estados de Alagoas, Amazonas, Ceará, Goiás, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e o Distrito Federal vão utilizar novos Preços Médios Ponderados ao Consumidor Final (PMPF) a partir do dia 1º de abril.

    A informação foi divulgada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) por meio depublicação no Diário Oficial da Uniãodesta terça-feira (25). De acordo com o texto, os novos valores serão utilizados para cobrança do consumidor final.

    Base de cálculo

    Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final serve de base para o recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) feito pelas refinarias.

    Além da gasolina, a tabela traz preços de referência para outros combustíveis, como querosene da aviação, etanol, gás natural veicular (GNV), gás natural industrial, óleo combustível, diesel e gás de cozinha.

    Confaz

    O Conselho Nacional de Política Fazendária é integrado pelos secretários de Fazenda, Finanças ou Tributação de cada estado e Distrito Federal e pelo ministro da Fazenda.

    O órgão tem como objetivo promover o aperfeiçoamento do federalismo fiscal e a harmonização tributária entre os estados brasileiros. Para isso, as secretarias de Fazenda de todos os estados mantêm uma Comissão Técnica Permanente (Cotepe).

    A Cotepe se reúne para discutir temas em finanças públicas, que possuem interesse comum. Desse modo, esses assuntos serão decididos nas reuniões periódicas do Confaz.

    Os resultados das decisões são concretizados por meio de convênios, protocolos, ajustes, estudos e grupos de trabalho. Em geral, as ações executadas abordam concessão ou revogação de benefícios fiscais do ICMS, procedimentos operacionais a serem observados pelos contribuintes, bem como sobre a fixação da política de Dívida Pública Interna e Externa, em colaboração com o Conselho Monetário Nacional.

    Fonte: Portal Brasil

  2. Raul, minha modesta opinião como piloto da Aviação Executiva e como broker (desde 1992): nesses momentos de “conjuntura cinzenta”, quem costuma padecer é o (desculpem, NO OFFENSE!!!) chamado “baixo clero” da Aviação Executiva, ou seja, marinheiros de primeira viagem que compram o avião mais por uma questão de imagem/ego do que por necessidade corporativa, como bem comentou o Beto Arcaro. Nos super médios e/ou grandes de longo alcance (i.e. Gulfstream G550 / Global Express / Falcon 900LX e 7X etc) o planejamento de aquisição é, no mais das vezes, feito muitos anos antes (mesmo para uma mega-empresa, um investimento de até US$ 60 milhões não é exatamente como fazer compras no supermercado, né?), tanto que há aeronaves novas sendo entregues agora que foram adquiridas 2-3 anos atrás. E vou compartilhar aqui alguns “termômetros” das minhas prospecções: estamos atualmente procurando jatos para comprar e reexportar, a pedido e em cooperação com um escritório de brokerage amigo, dos EUA. Resultados, até aqui: Falcon: ZERO. Gulfstream GIV / GV / G450 / G550: ZERO, exceto um que eu já voei e – por razões várias – não vou recomendar a cliente algum. Global 5000 ou Express, Express XRS etc: ZERO. Só estou encontrando Citations dos mais baratos, um Hawker, um Challenger, alguns Learjets de procedência duvidosa…ou seja, na nossa percepção, a maioria dos empresários não está vendendo, pelo menos não no momento, nos segmentos “premium”. Daqui a pouco, não sei, depende de quanta lambança desGovernamental ainda passe sob a ponte, comportamento das bolsas etc. E sei de gente que ainda está trazendo aviões em aquisição recente, e não é só por conta da Copa e/ou para campanha política. O que pode-se argumentar é que esses ingressos de aeronaves não gerariam muito (ou nenhum) emprego novo, porque são de gente que já tem aeronaves, então o que ocorre é uma substituição da aeronave antiga por uma mais nova ou mesmo zero bala, utilizando o pessoal que já era da casa. Outro fator é que há pilotos experientes cujos empregos desapareceram recentemente e que estão migrando dentro do esquema “dança das cadeiras”, mas – tanto quanto sei – esses processos já estão praticamente concluidos. Bom, de qualquer maneira, se alguém tiver informações em contrário, favor entrar em contato via e-mail captotero@lhtaviationconsultant.com e/ou tel. (22) 98125-9440. Agradeço desde já.

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Concordo com seu comentário. Minha análise foi enfocando o “baixo clero” mesmo, o comprador de Cirrus, de Seneca, no máximo um Kinguinho usado… Porque, para o dono de Gulf/Falcon, a história é outra. Tirando o Eike, a crise não chega num povo desse, né?

  3. wilson
    3 anos ago

    Essa analise está corretíssima! Pois tenho um exemplo próximo. O patrão aqui tem capital pra comprar 10 cirrus a vista e sempre que chama a diretoria pra decisao de trocar o rv10 por outro equipamento vem a dúvida! Será que eh o momento certo? Nesse momento o principal problema é a taxa cambial! No momento existem outros investimentos também e nova aeronave vai ficando pra depois!!!

    • Beto Arcaro
      3 anos ago

      No teu caso, a empresa já tem avião, né?
      Talvez não troquem o RV10 por um Cirrus porquê o RV faz o mesmo serviço, com um custo bem menor.
      O Cirrus seria luxo?
      Acho que é até uma medida “Sustentável”, não?

      • wilson vieira
        3 anos ago

        Tem 2 aeronaves um seneca V ano 2012 ! que estamos lutando pra trocar por um C90 gtx! o problema do mono é que o inverno aqui é bem pesado e um cirrus tem mais capacidade em mau tempo!!! Além do 5 acento e o paraqueda que é um grande diferencial!!!!

        • Beto Arcaro
          3 anos ago

          5 assentos, paraquedas, Mono por mono…., Diferencial??
          Um Seneca por um C90 GTX ainda vai, mas um Cirrus por causa desses fatores acima??

          • wilson vieira
            3 anos ago

            É bem complicado voar na região amazônica com esse tipo de equipamento.

            • Beto Arcaro
              3 anos ago

              Cara!
              Não tem nada à ver com o Post, cada um tem um ponto de vista, mas Cirrus na região Amazônica?
              Um Avião, cujo o próprio fabricante “não acredita” que possa ser operado em pistas não preparadas? É a “ferramenta” errada pro lugar errado.
              Não seria melhor um Centurion usadinho, mas bem equipado, upgraded e bem mais barato. pra esse tipo de região?
              Já que vocês querem um Mono…
              Tá chegando no ponto que eu queria!
              Aviação Executiva, “Optmizada” para o tipo de operação requerida.
              Puxando pra minha realidade:
              O cara têm uma industria têxtil aqui cidade.
              Ocorre que esse sujeito tem clientes no interior do estado, nos estados vizinhos, mas possui também, UMA FAZENDA EM MATO GROSSO!
              Esse mesmo cara, quer começar com a Aviação Executiva para auxiliar seus negócios.
              Tem muito dinheiro e a primeira ideia que lhe vem a cabeça, como leigo no assunto é:
              Vou comprar “Um Jatinho”!
              Se o primeiro “Assessor Aeronáutico” que ele encontrar for um pilantra, ele vai mesmo acabar comprando o tal Jato.
              Aí a “alegria” vai durar uns três meses, se muito!
              Se tudo isso não acontecer, e ele for bem assessorado:
              Ele vai comprar um Bonanza, um Saratoga, um Centurion, etc.
              Vai ficar um ano com o Avião.
              Depois, vai perceber que precisa de mais versatilidade e segurança e provavelmente partirá para um Baron.
              Mantendo-se esse mesmo cenário de utilidade e de “poder de fogo”, considerando-se somente uma aeronave em uso, o “Top” que esse sujeito poderia operar, em termos de Aviação Executiva, seria um King Air C90 (Talvez um B200)
              Na minha opinião, reduzir ou acabar com a Aviação Executiva, independente do equipamento (Jato Grande, Jato pequeno, Turboélice, Cirrus, etc.) é coisa de quem não precisa dela, ou quem não pode tê-la. Se não, não fica saudável!
              No meu último emprego, a unica coisa dentro da empresa que na medida do possível, era saudável era a Aviação.
              E os caras colocaram o avião à venda…

  4. Beto Arcaro
    3 anos ago

    Acho que a Aeronave Executiva está servindo cada vez mais para o propósito do “Nome”.
    Ou seja, “Executar” algo.
    A Aeronave Executiva tem que ser “para” o negócio !
    Lá nos EUA o nome é “Corporate”, não?
    Se ela for lucrativa para a empresa ela deixa de ser “Luxo”.
    Luxo vira, se estiver “sobrando”!
    Já à algum tempo, não vejo mais aquele Proprietário que tinha um King Air “Só” para ir à Angra dos Reis.
    Não vejo nem aquele que tinha um Cirrus, “Só” pra isso!!
    Mas pensando bem…Não é melhor assim?
    Só vai ter avião, quem realmente puder e precisar!
    Não é mais “Sustentável”? (Já que a palavra tá na moda…)
    No início dos anos 90 (Até o Real) tínhamos inflação louca, Dollar estratosférico, e uma “Executiva” até que razoável.
    E olha que, em termos de mercado de trabalho, ela era muito pior do que ela é hoje!
    Não sei se tem muito à ver, mas ontem, vi a notícia de que apesar das restrições impostas pelo governo para que isso não aconteça, os gastos dos Brasileiros no exterior só têm aumentado.
    Como pode? Me explica “Raul do Mercado Financeiro”!
    Agora, o Futuro?
    Economia ruim, não é boa pra nenhum tipo de Aviação.

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Bem… Sobre o fato “de que apesar das restrições impostas pelo governo para que isso não aconteça, os gastos dos Brasileiros no exterior só têm aumentado”, é fácil de entender: o custo de aquisição de bens de consumo no Brasil é extremamente alto, devido à tributação excessiva, ao nosso elevado custo logístico, à baixa escala, às margens estratosféricas dos lojistas daqui, etc. E o povo já aprendeu a comprar no exterior, a driblar o IOF do cartão (compra-se um pré-pago paraguaio no doleiro, p.ex.), e agora quem é que vai na FNAC comprar um iPad, se pode-se ir para Miami comprar o mesmo produto e ainda passear na Disney?

      Já quanto ao problema da aviação executiva citado no post, acredito que vc mesmo seja o exemplo vivo do que falei. Afinal, não foi o seu ex-empregador que extinguiu a aviação da empresa em que vc trabalhava exatamente pelas péssimas perspectivas da economia para o setor deles (altamente regulado pelo governo, aliás)?

      • Beto Arcaro
        3 anos ago

        Lá no meu caso, eu acho que a empresa piorou a situação dela mesma, colocando o Avião à venda.
        O Avião era imprescindível para a operação da Usina.
        Lá não era luxo!
        A gente provava por A+B que três assentos ocupados do Avião, e às vezes até um, dependendo do caso, ficavam mais baratos do quê 400 Kms de estrada (com 100 de terra!) até Brasília, mais passagem aérea, mais o tempo perdido por um Executivo da empresa.
        Eles simplesmente ignoravam, ou não entendiam.
        A hora de um King Air B200, hoje, “All Inclusive”, custa R$3.500,00.
        A Empresa continua funcionando com “Todo Mundo’ viajando de Linha Aérea e perdendo dois dias de trabalho, na semana, nesse processo.
        Quando o Avião não voava, pois era mal administrado, eles queriam o Avião de qualquer jeito.
        Lá, a coisa já começou errada.
        Era a “Casa da Mãe Joana”!
        Terem colocado o Avião à venda, no caso, foi mais pra mostrar serviço.

        • Raul Marinho
          3 anos ago

          Então… É exatamente a questão emocional/psicológica que eu falei. Na crise, a moçada vende o avião mesmo, por mais que faça sentido racional.

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