[R/RBAC-61] Propostas enviadas à GCEP/ANAC

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Depois de muitos debates, enquetes (às vezes, mal sucedidas), e defesas acaloradas de diversos pontos de vista pelos leitores, enviei hoje a minha proposta à GCEP/ANAC quanto à reforma do RBAC-61 com os seguintes pontos:

1) Cursos teóricos de PP – Sugestão: que eles não sejam obrigatórios

Motivo: se tivéssemos ótimos cursos teóricos de PP Brasil afora, até acho que poderia fazer sentido eles serem obrigatórios. Mas o que temos, na prática, é que a maioria deles são meros adestramentos para o candidato ser aprovado na banca da ANAC; então, para quê exigir que o aluno frequente um curso desses? Se, no futuro, os cursos teóricos de PP melhorem a sua qualidade média, aí sim pode-se pensar em sua obrigatoriedade.

2) Cursos teóricos de PLA – Sugestão: que eles não sejam obrigatórios

Motivo: há tão pouca novidade no curso de PLA em relação a um bom curso de PC, que simplesmente não faz sentido exigir sua obrigatoriedade – mesmo porque os aeroclubes e escolas não o oferecem atualmente.

3) Exigência das 200h em comando para INVA – Sugestão: que esta exigência não conste do RBAC-61

Motivo: num cenário em que os PCs recém-formados não têm alternativas para ingressar na carreira que não a instrução, exigir as 200h PIC estrangularia o mercado em definitivo, e incentivaria ainda mais a fraude e o voo em condições inseguras e/ou irregulares em termos trabalhistas (PCs trabalhando de graça, só pelas horas); sem haver, por outro lado, um acréscimo significativo da segurança e da qualidade da instrução. Acredito que, com manuais de cursos mais exigentes, pode-se obter um resultado melhor do que esta exigência em termos de segurança e qualidade de instrução, sem os problemas que ela poderia gerar.

Além dos pontos acima, também comentei o caso da proposta de regulamentação para a habilitação de TIPO, extremamente confusa e difícil de ser interpretada. Agora é esperar para ver qual texto vai para a fase de consulta pública da reforma do RBAC-61, quando entraremos numa nova etapa do processo.

26 comments

  1. Flavio Pinheiro
    3 anos ago

    Espero que a ANAC pense igual a você Raul.
    E esqueça muitas coisas que elas estão querendo mudar.

    Com os valores dos cursos teóricos você tem condições de pagar sua prova, seu exame médico e algumas horas de voo (depende do aeroclube).

  2. Sérgio
    3 anos ago

    Ainda com relação à obrigatoriedade do teórico para PP: um dos motivos pelo qual concordo com a não-obrigatoriedade é o fato desta ser mais um item a onerar na formação do futuro aviador. Aqueles que residem em localidade sem uma escola próxima, teriam um custo extra em tempo e custo de deslocamento.

  3. Sérgio
    3 anos ago

    Quanto a obrigatoriedade do curso teórico de PP a partir de 22 de junho de 2014, uma dúvida: se o indivíduo, sem o PP teórico em escola homologada, realizar a banca da ANAC antes dessa data, ficar em 2ª época e a 2ª época for marcada para uma data posterior a entrada em vigor desta norma, teria o indivíduo direito de realizar a 2ª época, mesmo não tendo o curso teórico requerido para a execução prova?

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Essa dúvida já foi antecipadamente respondida no workshop sobre a reforma do RBAC-61, e já postada aqui. Não, o candidato tem que estar aprovado integralmente até 21/06/2014.

  4. César Marino Bona
    3 anos ago

    Gostaria de saber, se possível, a quantas andam os boatos sobre as 200hrs em comando para INVA/H. Tens alguma informação mais atualizada? Grande abraço!

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Este blog não divulga boatos. O que eu sei é o que ouvi do pessoal da ANAC no workshop, e a TENDÊNCIA das autoridades de regulação da agência é de excluir essa exigência na reforma do RBAC-61. É só o que eu sei.

      • Cesar Marino Bona
        3 anos ago

        Desculpa se pareceu ofensivo o que escrevi, não era a intenção. Obrigado por responder e vamos aguardar os fatos. Grande abraço!

  5. Cesar Marino Bona
    3 anos ago

    Parabéns pelas propostas! Fico na torcida para que sejam acolhidas pela ANAC.

  6. Antonio Magnani
    3 anos ago

    Acho que toda pessoa que queira ser um bom profissional, tem que procurar um ensino que lhe de subsídio. Nossa Escola o Aeroclube de Londrina, proporciona isso, e os que não tiverem capacidade que a ANAC simplesmente feche. Isso sim seria uma atitude séria para com aqueles que querem aprender.

    • Marcus Britto
      3 anos ago

      Só complementando, se realmente for aprovado a não obrigatoriedade do curso de PP homologado, vai abrir precedente para qualquer um abrir uma porta anunciando que é um curso de PP e os desavisados que são muitos, vão achar que estão realmente sendo orientados da forma correta. O que impede de qualquer pessoa jurídica não qualificada, abrir um curso de PP se a homologação não for obrigatória ???

      • Raul Marinho
        3 anos ago

        Se isto fosse verdade, hoje haveria uma infinidade de cursos de PP não-homologados por aí… E não me parece que seja isso o que acontece.

        • Marcus Britto
          3 anos ago

          Desculpe, não tinha lido essa sua resposta e repeti alguns comentários.
          Bom finalizando, não quero mudar a sua opinião, eu respeito o seu ponto de vista mesmo sem concordar…
          Obrigado pelo espaço, continue com esse trabalho de informação, é altamente esclarecedor.

  7. Marcus Britto
    3 anos ago

    Acompanho seus Posts e acho você um profissional antenado, inteligente e um profundo conhecedor dos problemas enfrentados pelos pilotos brasileiros, só não concordo com sua posição em relação ao RBAC 61 em alguns pequenos detalhes.
    Primeiro acho que você esta generalizando quando coloca a qualidade dos cursos de formação teórica de pilotos. Eu sou Coordenador e professor de algumas matérias em especial Navegação que adoro lecionar de um curso na Baixada Santista. Trabalho duro para melhorar o conhecimento dos pilotos em formação inicial, pois a base dessa formação vai influenciar e muito a continuação Pedagógica posterior. Tenho 34 anos de aviação e 12 anos de instrução prática, e passo para os meus alunos que não se deve estudar para passar na ANAC, mas sim para alcançar a formação básica de um futuro aviador, com isso implanto cursos extracurriculares, faço projetos de aula para todos os meus professores com um conteúdo programático mais abrangente do que o exigido pela ANAC e quando meus alunos de PP estão formados, já tem uma base sólida teórica para o PC.
    E em relação as 200 Hrs em Comando para INVA, não posso dizer que é o mais adequado, mais posso afirmar que o Instrutor de Voo tem que ser mais valorizado e não ser um mero trampolim para a carreira em busca de horas. Um piloto formado por um desses aviadores que estão lá de passagem, tem grandes chances de ter uma formação deficiente.
    Em resumo, mesmo sabendo que o professor neste pais não tem nenhum valor, nós profissionais deste segmento devemos brigar pela profissionalização do Instrutor qualificado.

    • Antonio Magnani
      3 anos ago

      Isso mesmo compartilhamos com seu depoimento,pois aqui no aeroclube de Londrina a coisa é seria também, é preciso separar o Joio do trigo. Qualquer curso profissionalizante precisa de boas escolas.

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Caro Marcus Britto,

      Dada sua experiência na aviação e na instrução aeronáutica, vc deve saber que a qualidade MÉDIA do ensino está muito aquém do desejável – ou não? Se sua escola é uma exceção, parabéns! Mas o que vejo por aí é, infelizmente, o que disse: uma mediocridade absurda, com cursinhos mal estruturados e despreparados para oferecer um ensino de qualidade mínima.

      Quanto à questão dos INVAs… O assunto é complexo e multifacetado, mas depois de muito estudar, conhecer a opinião de outras pessoas, e refletir sobre o tema, cheguei à conclusão de que a obrigatoriedade das 200h PIC iria mais atrapalhar do que ajudar. Mas que se há de fazer algo pela instrução, disso não tenho a menor dúvida! Só que, entendo, devemos ir por outros caminhos.

      Um grande abraço,

      Raul

      • Marcus Britto
        3 anos ago

        Caro amigo Raul,

        Eu entendo o seu ponto de vista em relação a instrução neste pais (o curso de PP “não é homologado”), mas vc não acha que se não homologar vai abrir precedente para qualquer um montar um curso de PP ou continuar essa bagunça ?
        Se Homologar o curso, quem for abrir uma porta para ensinar, precisa se enquadrar na configuração da ANAC e sofrerá fiscalização periódica.
        Já que na sua opinião a média de ensino é péssima, sem o controle da ANAC você não acha que continua podre ?
        Até hoje o curso de PP não teve necessidade de homologação para funcionar, eu acho que por isso existe tanta porcaria espalhada, mas com certeza se homologar as restrições vão aparecer e todos terão que operar em uníssono.
        O que acha ?°

        • Raul Marinho
          3 anos ago

          Marcus,

          Salvo engano, os cursos de PP hoje oferecidos pelos aeroclubes são homologados pela ANAC. Eles não são é obrigatórios, o que é outra coisa…
          Bem, mas de qualquer maneira, eu não consigo enxergar o que vc enxerga – talvez por miopia minha. Não acho que tornar os cursos de PP obrigatórios fariam com que eles tivessem sua qualidade melhorada. Mesmo porque os cursos de PC, que são obrigatórios (e, portanto, indubitavelmente homologados) também são de qualidade sofrível NA MÉDIA.

          • Marcus Britto
            3 anos ago

            Bom dia Raul,

            Bom não tenho como argumentar com vc, pois sua visão generalizada é extremamente negativa. Não estou aqui para defender a ANAC e muito menos os cursos existentes. Não acho que vc tenha miopia, mas a abrangência da sua visão do ensino esta limitada. Não quero tornar isso uma discussão, até mesmo porque respeito muito suas opiniões e melhor jeito de provar isso é continuar meu trabalho e provar o contrário. Boa sorte Comando…

            • Raul Marinho
              3 anos ago

              Marcus, eu fiz os meus cursos de PP e de PC no Aeroclube de São Paulo, que tem a reputação de estar entre os melhores do Brasil. E cursei Administração de Empresas na FEA/USP, também tida como uma das melhores do país. Comparando, em termos absolutos, o nível de ensino do ACSP com o da FEA, percebe-se o quão medíocre está o ensino aeronáutico no país (e olha que o ensino de Administração nem é o forte do Brasil, hein!?): se for para traçar um paralelo, seria como se o melhor curso de PP/PC fosse equivalente ao de uma faculdade particular de Administração de segunda linha de S.Paulo, dessas que fazem propaganda na TV anunciando mensalidades de R$199,00. Entende onde quero chegar? Não é que eu seja negativista, e sim exigente. Se eu não fosse assim, não deveria ter um blog como este, concorda?

              • Marcus Britto
                3 anos ago

                Mas é ai que eu quero chegar Raul…
                Na minha época não existia em cada esquina um curso de PP/PC como hoje. Eu estudei no RJ na EAPAC junto com Análise de Sistemas & Métodos. Ná época só existia a EAPAC e a SKYLAB, hoje tem inúmeros cursos, da mesma forma que em SP.
                Então eu não considero esses cursos criados aos montes, para fazer uma análise da qualidade.
                Sou da EACON Santos e esse curso já existe a mais de 30 anos e posso te afirmar que aqui é deferente.
                Quanto a sua exigência eu confirmo como ingrediente necessário para excelência. Continue sim com suas ponderações, pois eu as acompanho e as uso como leitura necessária para informação e cultura aeronáutica.
                Gostei muito do nosso debate e me ponho a disposição para qualquer ajuda e disponibilidade de dados que eu possa ter acesso…

                • Raul Marinho
                  3 anos ago

                  Não conheço a EACON-Santos, e acredito na sua palavra. Mas de que adianta UM exemplo positivo num mar de mediocridade? E quando estou falando em mediocridade, não me refiro somente às escolas: na verdade todo o sistema é medíocre. Porque, se sua escola for realmente boa, ela deve perder muitos alunos que preferem uma outra que cobre menos nas provas, afinal “diploma não é tudo igual”? Aliás, outra coisa que me espantou na aviação foi o fato de NINGUÉM dar a menor bola para onde vc se formou, ou qual foi sua nota no curso teórico. Em qualquer profissão, faz diferença qual faculdade consta no seu diploma e seu histórico escolar, mas não na aviação, onde os contratantes de pilotos só se preocupam com duas coisas: QI e horas de voo.
                  Como se vê, há muito o que fazer para melhorar a aviação, né? Bom prá nós, que queremos melhorar o nível da formação aeronáutica neste país…

                  • Marcus Britto
                    3 anos ago

                    Concordo, infelizmente a aviação se transformou nisso. Na época do meu pai, que era Comandante da VASP, não sei se vc lembra do caso VASP em 1982 (http://youtu.be/-ZvQxGxlmNo) ele já se revoltava com um monte de procedimentos e errados, chegou a ser da diretoria do Sindicato dos Aeronautas e comandou uma greve padrão, ou seja voava o avião dentro dos padrões do fabricante, gastando mais combustível e pousando como o manual define. Ele tentou mudar alguma coisa, mas uma andorinha não faz verão, infelizmente.
                    Cabe a nós nos mobilizarmos para mudar. Você já esta fazendo com seu Blog, suas críticas e intervenções, mas realmente é desanimador…

                    • Raul Marinho
                      3 anos ago

                      O meu blog tbém é uma gotinha no oceano… E, sozinho, não leva a nada do mesmo jeito. E vou te confessar que, depois da enquete que eu fiz sobre as 200h PIC para INVAs, um dos assuntos mais relevantes do universo da formação aeronáutica hoje em discussão, que a maioria simplesmente não leu o enunciado (ou não conseguiu entender), estou desanimado também.

                    • Marcus Britto
                      3 anos ago

                      Não desanima não meu amigo Raul !!!
                      Não considero uma gotinha no oceano, se você não sabe, a abrangência é significativa no meio, o que acontece é que a juventude, mesmo aviadores novos, não tem a tendência da busca por informação e cultura, isso é uma problema crônico da geração atual e se iniciativas como a sua param, mesmo que fosse uma gotinha, o oceano estará uma gotinha mais seco.
                      Peço encarecidamente, não desanime e continue nos informando e colocando nossa realidade em pratos limpos, pois para mim alem de importante, sem seu trabalho estaremos mais pobre de informação…

    • Renata
      3 anos ago

      Além das exigências para a Homologação dos Cursos feitas pela ANAC, acredito os cursos deveriam sim ser obrigatórios.

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