Skavurska! A Rússia liberou a entrada de tripulantes estrangeiros na aviação civil do país!

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Quase um ano atrás, este blog já falava sobre a escassez de pilotos na Rússia – vide “Apagovsky de pilotovsky?“, de maio de 2013. Agora, em abril de 2014, chega a notícia de que a Rússia liberou a entrada de tripulantes estrangeiros no país – leiam “Companhias aéreas russas recebem permissão para contratar pilotos estrangeiros“, da Gazeta Russa. Não é um mercado tão espetacular quanto o chinês, que está pagando cerca de US$250mil/ano para comandantes de A320 – de acordo com a reportagem, um comandante de A320 da Aeroflot ganha US$11mil/mês, o que dá US$132mil/ano -, mas ainda é bem mais do que no Brasil , e não deixa de ser mais uma opção para profissionais do Brasil e do restante do mundo (mesmo que o volume não deva ser nada comparado à demanda chinesa: a perspectiva é de que o governo autorize somente 200 contratações de estrangeiros para este ano).

Outro trecho que eu achei interessante na reportagem do link acima é o abaixo reproduzido:

“As empresas aéreas russas não gastavam um centavo no treinamento das tripulações, mas apenas usufruíam do legado dos tempos soviéticos, com seus pilotos militares aposentados. Acontece que o treinamento estatal de pilotos entrou em colapso junto com a União Soviética”, disse à Gazeta Russa o especialista Aleksêi Zakharov. “Há alguns anos, a Aeroflot abriu uma escola de aviação para formar copilotos, mas agora é preciso contratar comandantes.”

Interessante porque mostra como um modelo de investimento zero das companhias aéreas leva ao colapso da aviação no longo prazo. Que sirva de lição.

3 comments

  1. Henrique
    3 anos ago

    Particularmente, não pensaria duas vezes antes de ir voar na Rússia. Seria uma experiência fantástica!

  2. Bom…cada lugar é para um aviador e cada aviador é para um lugar. Não digo que “desta água não beberei”, mas – por várias razões históricas muito particulares – sou altamente suspeito para falar da Mainland China. Tenho vários ex-colegas / amigos que lá estão há muitos anos e não querem outra vida (pelo menos é o que eles dizem). Só acho que em um lugar que oferece todo aquele dinheiro (oferecer, qualquer um oferece; muitas empresas de lá começam a descumprir o contrato, tipo um mês depois que o caboclo aporta por lá) e tem uma rotatividade estúpida de mão de obra, tem algo de muito errado, ou então a pilotada não gosta de dinheiro, não sei. O processo para obtenção da licença do CAAC é um teste de paciência e de sanidade mental (leva até um ano). Não sei como será na Rússia, imagino que dêem um validation nos moldes do JAR FCL (pela minha experiência, um processo muito razoável, até manso, diria). Particularmente, se eu estivesse mirando naquelas regiões do Globo, em princípio preferiria a Rússia do que a Mainland China, com duas ressalvas: (1)- Se a base for em Moscou, US$ 11,000 não dá para muita coisa. É uma das capitais mais caras do planeta e (2) Os records de segurança de vôo lá são sinistros, por assim dizer (perdoem o trocadilho de humor negro, mas não resisti). Quando eu fiz meu treinamento inicial do A310-300 em Toulouse, em 1997, passaram para a gente a reconstituição do acidente deles com um A310, em que a moçada ficou brigando com a automação, até bater (https://www.youtube.com/watch?v=KPyJBTiTOIA). Scary, to say the least…

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