Ampliando a discussão sobre “sterile cockpit”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Ampliando a discussão sobre “sterile cockpit” proposta pelo amigo e conterrâneo Vitor Castro na sua resposta ao comentário do Fábio Otero neste post – “Uma discussão interessante sobre ‘Significant Cockpit Distraction‘” -, vejam o vídeo abaixo e depois opinem de acordo com as questões originalmente colocadas pelo Vitor:

Como você acha que essa situação seria tratada nos dias de hoje? Você acredita que o excesso de descontração e desrespeito a política de sterile cockpit representa distração o suficiente a ponto de colocar toda operação em risco?

 

 

6 comments

  1. Andrey
    3 anos ago

    Raul,

    Dois exemplos encontrados no youtube de “not so sterile cockpit” que não acabaram bem.

    Abraços

  2. Vitor Castro
    4 anos ago

    Legal Raul, deu destaque aos questionamentos que levam a uma reflexão mais aprofundada desse assunto que é de suma importância .
    Eu não posso afirmar com toda certeza, mas creio que a maioria do pessoal da aviação de linha aérea (121,) respeita com seriedade os procedimentos de sterile cockpit hoje, assim mostra a experiência do nosso amigo Enderson dentre outros. Lembrando um caso relativamente recente na história dos desastres aéreos, no voo do Colgan Air 3470 que despencou sobre Buffalo em NY, um dos fatores contribuintes elucidado pelo NTSB na área de fatores humanos foi uma atmosfera de distração entre os dois tripulantes na fase crítica de aproximação para o pouso.
    Da mesma maneira, como comentou nosso amigo Otero no outro post, acredito na possibilidade de flexibilidade em certos casos, como exemplo durante instrução para fins únicos de garantir um bom aproveitamento no treinamento.
    A questão fica complicada mesmo nas operações da aviação geral e executiva. A verdade é que devemos por a atenção na formação, é exatamente do que trata esse blog, certo?
    Eu como instrutor de voo busco sempre aplicar tudo o que sei da melhor forma, tal busca procura formar uma cultura de segurança solida em cada aluno.
    Como comentaram no outro post, é incrível como os alunos de hoje se distraem durante fases criticas do voo, atendem celular, postam foto em facebook/instagram em voo, puxam papo sobre o churrasco do dia anterior e etc. Na grande maioria das vezes somos culpados por não agir/orienta-los devidamente. Como peça fundamental no sistema de aviação, devemos atentar que não só estamos ali para acumular horas e galgar degraus mais elevados, mas também que, o caboclo que você forma hoje dividirá novamente a cabine de comando contigo, e quando não, serão responsável pela segurança de milhares de pessoas tanto no ar quanto em terra.

    • Vitor Castro
      4 anos ago

      Onde escrito “serão responsável pela segurança de milhares de pessoas tanto no ar quanto em terra.” leia-se “serão responsáveis…”

  3. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Voo há quase uma década como comissário e na cia onde voo, o sterile cockpit sempre foi regra muito clara: abaixo de 10000ft somente assuntos relativos à segurança: e numa operação normal, no que tange à comunicação entre tripulação comercial e técnica, isso se resume aos ok de cabine de passageiros que são dados via interfone sem uma palavra sequer (chime codes). Muita gente nem sabe, mas existem práticas equivalentes e até “before take off briefings” entre comissários. O que fazer em qual tipo de emergência, localização dos equipamentos de emergência, quem faz o quê seguindo que tipo de comando. A cada troca de aeronave o fazemos. Que sempre haverá quem foge aqui ou ali do padrão, seria hipócrita dizer que não, mas da minha parte essa prática sempre foi estritamente cumprida. E fico feliz de perceber que isso se estende à esmagadora maioria dos meus colegas, pilotos e comissários.

    Como piloto, tendo voado só aviação geral, percebo que a coisa é diferente, claro. Mas mesmo assim, durante os primeiros e últimos minutos de um voo, o foco na segurança sempre foi prioridade, e há pouquíssimo espaço para assuntos paralelos. O fato de você não estar voando profissionalmente não significa que não deva pilotar de forma profissional. E acho que nesse sentido, uma instrução de PP muito bem dada fará toda a diferença na carreira do aviador, em especial pra que ela se encerre com uma aposentadoria cheia de bons causos, e não num RF.

  4. augustogentile
    4 anos ago

    Acho o Sterile Cockpit fundamental. Esses dias um aluno resolveu atender o celular na final da 14 em SBGO. Pra quem tem alguma dúvida da importância dele, está aí um belo exemplo.

    • Verdade. Acho que esse negócio de usar celular e/ou nextel em fases críticas do vôo (i.e., decolagem / subida inicial e/ou aproximação / pouso), bem como ficar atendendo à Coordenação via rádio, enquanto toda a carga de trabalho recai sobre o outro colega, virou uma certa “cachaça” na Aviação Geral e que deveria merecer uma maior reflexão tanto por parte dos tripulantes, quanto por parte dos departamentos comercial e de operações das empresas. Muitas vezes a gente é rotulado como “vaca sagrada” por interromper na marra os “canais de tagarelice” nessas fases da operação, mas seria interessante que certas “empresas” entendessem que a segurança operacional vem antes de tudo. Não é só para a “otoridade” ver. Senão, de que adiantam todos esses cursos com nomes e acrônimos pomposos (CRM, GSO, SMS etc) aos quais temos de nos submeter, a cada dois anos???

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