AF-447: No final, a culpa foi dos pilotos e fim de papo. Como sempre…

By: Author Raul MarinhoPosted on
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É o que se entende do que segue informado na reportagem a seguir, do Estadão de hoje (fonte: Aeroclipping do SNA).

O Estado de S.Paulo
Quarta-feira, 14 de maio de 2014
Air France: novo relatório culpa ‘fator humano’
PARIS

A queda do Airbus A330 da Air France, que fazia o voo Rio-Parisem31demaiode2009, aconteceu por causa de “uma reação inapropriada da tripulação, depois da perda momentânea das indicações de velocidade”, de acordo com a análise de especialistas apresentada durante a investigação judicial, à qual a agência de notícias France Press (AFP) teve acesso ontem. A tragédia deixou 228 mortos. As simulações e análises “mostram claramente a predominância de fatores humanos nas causas do acidente e nos fatores que contribuíram” para a queda, conforme os cinco especialistas ouvidos pela Justiça. “Também constatamos que o acidente do AF-447 poderia ter sido evitado com ações apropriadas da tripulação.”

A análise, datada de 30 de abril, havia sido solicitada um ano antes pelas juízas Sylvia Zimmermann e Sabine Kheris, após uma análise preliminar apresentada em julho de 2012 às famílias das vítimas. Suas conclusões serão apresentadas em2 de julho às partes civis pelos especialistas e juízes.

As conclusões do primeiro relatório de especialistas indicam uma conjunção de fatores: falhas humanas, problemas técnicos, procedimentos equivocados e condições meteorológicas adversas. Com base nesse documento é que Air France e Airbus foram processadas em 2011 por homicídio culposo.

Mas a contra-análise apresentada agora traz uma visão diferente. Os autores apresentam uma lista de 14 fatores que contribuíram para a tragédia, por ordem de importância. O texto cita “má compreensão da situação” e “divisão equivocada de tarefas na cabine” pela tripulação, mas também fala de “ausência de instruções claras” e de “treinamento” pela Air France.

Procurada pela AFP, Yassine Bouzrou, advogada de familiares das vítimas, considerou que o relatório está “cheio de contradições e de imprecisões”. “Os especialistas se contentam em culpar os pilotos.” Já a Air France lamentou “os vazamentos da contra-análise solicitada pela Airbus”.

AFP

8 comments

  1. Alexandre Medeiros
    3 anos ago

    Raul, antes de tudo parabéns pelo seu blog. Sou parente de uma vitima e piloto comercial. Devido aos relatorios que recebi e a pouca, mas já existente, experiencia a única pergunta a despeito de toda polêmica envolvento os sistemas da aeronave … pitot … etc foi porque os pilotos não desviaram das formações? Eles já tinham a informação de que era um sistema muito intenso, tanto é que TODOS os voos no mesmo periodo desviaram …. Desculpa, mas a Airbus e Airfrance não tem, ao meu ver, culpa direta. Nada teria acontecido se eles tivessem desviado ….

  2. Com certeza o fato do “Junior First Officer” ter ficado puxando o manche para trás com o avião estolado chama muito a atenção. Mas lendo o relatório, fica claro que acontecia uma coisa muito cruel: com o avião abaixo de 90 kts, o sistema interpretava que a indicação era falsa e não emitia aviso de estol. Quando o piloto abaixava o nariz do avião e a velocidade subia acima de 90 kts, o sistema enviava o ameaçador aviso “stall, stall”. O sistema criou no co-piloto um reflexo condicionado ao contrário, ou seja, cada vez que ele empurrava o manche e a velocidade crescia, ele recebia o aviso de estol. Então, por mais que houve falha humana, mesmo sendo leigo, eu acho que o sistema colaborou muito para a queda.
    abraço e parabéns pelo blog

  3. Enderson Rafael
    3 anos ago

    Que os pilotos erraram isso é evidente. Mas se o problema são eles, esse tipo de acidente nunca mais aconteceria já que eles morreram?

    O que se precisa descobrir é corrigir é o “porquê” de eles errarem. O projeto do Airbus contribuiu, o próprio Sullenberger disse que num Boeing aquilo não teria ocorrido pois o PM perceberia que o PF estava literalmente estolando o avião ao puxar o manche, o que no Airbus não é tão fácil de perceber. Lembremos do alarme de stall, que parava de soar abaixo de determinada velocidade, levando o PF a puxar mais o manche – afinal quando ele baixava o nariz o alarme soava. Não se pode ignorar a confiança cega no Airbus “que não estola” (assim como Titanic não afundava).

    Tudo isso contribuiu. É muito dinheiro em jogo, e um avião francês, com uma tripulação francesa numa cia francesa, a tendência à pizza de queijo brie é considerável. Que os demais operadores do A330 mundo afora não dêem-se por satisfeitos e modifiquem seus procedimentos e treinamentos para contornar as deficiências da acft.

    E não só ela, a falta de domínio da pilotagem básicas pela geração “children of the magenta” precisa ser sempre combatida. Aviões comerciais de grande porte são complexos de entender mas fáceis de pilotar. Não podemos deixar que atrofiem nossas habilidades custosamente aprendidas na aviação de instrução e geral. Essa culpa é nossa também.

    • Beto Arcaro
      3 anos ago

      O Airbus estola sim!
      Em “Alternate Law”, que era o modo de vôo em no qual eles já estavam, devido à um desvio de formações mal feito (Quebraram o Avião na Pauleira!) o avião estola normalmente.
      O pouco contato que eu tive com o Airbus 320 (muito parecido com o 330, pra não dizer igual!) me fez gostar do Avião!
      Acho uma “Puta Máquina”, com filosofias diferentes do Boeing.
      Após uns 30 segundos pilotando com o Sidestick, você esquece dele.
      O vôo continua sendo pelo quê você vê e sente! “By the seat of the pants”!
      Não acredito que Sidestick ou Yoke, tenham sido fatores contribuintes ao acidente.
      Agora, Treinamento, “Children of Magenta, enfim, fatores relacionados à “Nosotros”, Seres Humanos, na minha opinião, tiveram tudo à ver.

      • Andre Hashigute
        3 anos ago

        Ok, “children of magenta” vem colaborando muito nos acidentes, nesse inclusive ao que parece. Mas fico imaginando o clima no cockpit. Uma pauleira doida, tempestade, gelo e o avião entrando em Alternate Law, apresentando indicações de falhas em sistemas, indicações confusas e aparentemente fazendo o que em tese ele não “se permitiria” fazer: ESTOLAR . Era um ambiente nada fácil de se parar pra pensar e “sentir o avião na bunda” e então tomar a decisão de dar nariz em baixo e full power. Ainda mais em um avião complexo como o Airbus, onde seria mais provável que eles estivessem passando por uma pane elétrica do que por um simples stall!
        Agora o fato do sidestick do Airbus não se mover quando o outro sidestick é movido acredito que contribuiu, pois o PM não possui um feedback sobre o que o PF está fazendo com o avião. Em um Boeing poderia checar visualmente se o PF esta cabrando, picando, curvando e etc…
        Nada contra o sidestick, mas se houvesse um link entre os dois que os fizessem mover juntos, ao menos esta tese não poderia ser levantada!

  4. Ricardo Altieri
    3 anos ago

    Se há erro de projeto tem que groundear a frota de A330 do mundo inteiro,e quanto a empresa desestimular desvios aí e complicado mas e isso um forte abraço a você e parabéns pelo seu Blog..
    Gostamos muito doses trabalho parabéns Raul….

  5. Ricardo Altieri
    3 anos ago

    Desculpe e não foi???????
    Não desviaram da CBZADA aí e difícil eu defendo a classe mas nesse caso infelizmente…….

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Também foi, é claro. Mas, conforme o relatório anterior, houve erro de projeto, de treinamento, e a questão da cia “desestimular” (digamos assim) desvios, para evitar escalas não programadas.

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