Exame.com: “Nada de altos salários. O que instiga profissionais recém-formados a quererem fazer parte do time de uma companhia é a sua cultura, diz pesquisa”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Para reacender o debate sobre os baixos salários da Azul, empresa em que 10 entre 10 pilotos recém-formados sonha trabalhar, recomendo ler essa matéria da Exame.com: “O que as empresas precisam fazer para atrair jovens trainees. Nada de altos salários. O que instiga profissionais recém-formados a quererem fazer parte do time de uma companhia é a sua cultura, diz pesquisa“. Não é específico sobre pilotos (aliás, pelo contrário), mas a lógica por trás é a mesma da aviação. E sobre isso, gostaria de contar uma experiência pessoal.

Nos longínquos anos 1980/90, quando me formei em Administração, havia um programa de trainees líder inconteste de mercado (na área financeira/bancária, ao menos), o do Citibank. O trainee do Citi não era o mais bem remunerado do mercado (na verdade, era um dos menos), mas, apesar disso, aquele era um dos programas de trainee mais disputados. Era muito mais difícil entrar no Citi como trainee do que numa USP ou FGV (para ficar entre as faculdades de Administração mais concorridas à época). E a conversa era exatamente a mesma que se ouve hoje sobre a Azul, de que apesar do baixo salário, o “pacote” compensava, etc. e tal. Não por acaso, na minha turma, de 1990, que teve 20 selecionados, eu fui o último a pedir demissão, no final de 1994… Alguma semelhança com o “aeroclube de jatos”?

4 comments

  1. Rafael
    3 anos ago

    Bom, vamos lá.

    Se você é uma pessoa com uma condição razoável. Pais que puderam te bancar e ainda continuarão, você, até pode, se dar ao luxo de ir nos critérios subjetivos. Mas se o bicho pegou e pega economicamente, você vai escolher aquele que paga mais e ponto.

    Quando você vai ficando mais velho, não são só os anos, rugas e cabelos brancos que vão aumentando, os compromissos financeiros também. Esposa, filhos, pais doentes, prestação de imóvel, carro, aquele intercâmbio que você quer pagar para o seu filho no futuro se diferenciar no mercado e etc…

    Não é só na aviação não. No mundo corporativo, você não tem pensão não meu amigo. Sim, algumas empresas oferecem previdência complementar e tal, mas você tem que “morrer” na empresa. E você acha que o que a empresa faz quando você está perto de se aposentar? Nego manda embora mesmo. Qual empresa quer ter nas suas linhas de custo, pagar por uma “mao-de-obra” não ativa?

  2. A grande diferença é que na Aviação a gente é – pelo menos para o vôo – limitado em idade, e o AERUS não existe mais, tampouco a estabilidade da VASP da Viúva. Dinheiro é – portanto – prioridade para o aviador, mais por isso mesmo. Voar numa empresa só por “bom ambiente” ou “pacote que compensa” (compensa como, cara pálida? pacote não paga os pacotes do supermercado e nem a gasolina do posto; muito menos o plano médico/dentário, caro p/ kct) até é legal, mas só os muito jovens podem dar-se tal luxo. Os mais velhos, quando o fazem, ou é por total “obliviousness” ou por falta de opção, mesmo.

    • Clayton A. Pereira
      3 anos ago

      É verdade,

      Pensando por esse lado da moeda faz sentido Fabio. Afinal, acredito que aquele que busca uma primeira oportunidade de emprego ainda mais na aviação, digo os mais jovens ( faço parte desse grupo), sempre visam estar em uma empresa e/ou ambiente de trabalho “ideal” sem ter o salário como prioridade. Talvez tenho essa visão justamente pelas responsabilidades que ainda me são cabíveis, quero dizer, não sou um pai de família, por exemplo.

  3. Clayton A. Pereira
    3 anos ago

    Concordo plenamente!

    Acredito que esse dado é bem análogo àquela frase onde diz: “Faça aquilo que gosta e não terá de trabalhar um único dia na sua vida”. Ou seja, esse dado é praticamente um complemento para essa frase e, é claro, penso que trabalhar em um ambiente onde a cultura, ética, enfim, seja eficaz de modo que qualquer colaborador se sinta confortável e satisfeito, propiciará um rendimento muito maior desse colaborador. Ah, eu farei parte desses 10 em cada 10 ( risos ).

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