O comunicado do SNA sobre o “pacote de maldades” da Copa – e o silêncio ensurdecedor da ABEAR e da ABAG

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Ontem, o SNA enviou a todos os seus associados o comunicado abaixo reproduzido, sobre a reação da ANAC à declaração conjunta que diversas entidades da aviação publicaram anteriormente, em repúdio ao tal do “pacote de maldades” para a Copa. Em resumo, o que interessa é que ficou decidido que será criado um “Comitê para apuração e acompanhamento de desdobramentos regidos pelas novas Resoluções publicadas” e que “cada entidade [que assinou a declaração conjunta] fará o encaminhamento diretamente à presidência da Agência, sobre os pontos que geraram desconforto, sugerindo alterações e melhorias”. Ainda não está bom, mas é um começo… Pelo menos, a ANAC não arquivou a tal declaração no seu famoso “arquivo redondo”, né?

Sobre isto, resta agora acompanhar os trabalhos deste Comitê e como a ANAC vai tratar os pleitos enviados pelas entidades representativas. Mas o que causa espécie é o eloquente silêncio que a ABEAR e a ABAG continuam mantendo sobre o assunto. Se, no fim das contas, são as empresas associadas a estas duas entidades que pagarão a maior parte das multas geradas pelo “pacote”, por que estas não integram o coro dos descontentes? Quem pode ficar com a maior parte das multas: as companhias TAM-Gol-Azul-Avianca e as grandes da aviação geral, ou a ASOS–Associação dos Concessionários, Empresas Aeronáuticas, Intervenientes e Usuários do Aeroporto de Sorocaba? Só que, estranhamente, a ASOS assinou a carta de repúdio, e as entidades representantes das “big shots” da aviação, não… Estranho, né? Ou será que nem tanto?

A seguir, o comunicado do SNA:

Comunicados SNA 19/05/2014


A declaração conjunta em protesto às políticas oficiais para a aviação civil brasileira durante a Copa do Mundo – FIFA 2014, publicada na ultima sexta-feira (16/05) por diversas instituições do setor, teve notória repercussão e culminou no agendamento de reunião, por iniciativa da ANAC, nesta manhã.

A reunião ocorreu, simultaneamente por transmissão de videoconferência, na sede da Agência em Brasília e em sua superintendência em São Paulo, e contou com a participação de diversos técnicos da ANAC e representantes de entidades profissionais e patronais.

O Presidente da Agência, Sr. Marcelo Guaranys, iniciou os debates fazendo uma exposição das normativas expedidas, tecendo considerações sobre os documentos, bem como externando justificativas pelas imprecisões das matérias publicadas sobre o assunto na mídia em geral.

Guaranys assegurou que as normativas serão fiscalizadas e somente haverá punição quando efetivamente se comprovar a irregularidade.

O Presidente do SNA enfatizou os danos e prejuízos que poderão ser causados aos profissionais do setor em caso de penalização tal como preconiza a recente normativa, bem como sinalizou receio no que tange à proficiência técnica dos operadores responsáveis pela aplicação das sanções, vez que as regras estabelecidas são permeadas por subjetividades e não abarcam, de forma clara e precisa, todas as peculiaridades das operações.

Os demais presentes também expuseram preocupação com relação às normativas e, de forma uníssona, posicionaram-se de forma contrária à aplicação dos diplomas

Ao fim dos debates, decidiu-se pela criação de um Comitê para apuração e acompanhamento de desdobramentos regidos pelas novas Resoluções publicadas.

Cada entidade fará o encaminhamento diretamente à presidência da Agência, sobre os pontos que geraram desconforto, sugerindo alterações e melhorias.

Sugeriu-se a participação de um representante do SNA em todos os processos administrativos contra aeronautas, no caso de qualquer tipo de sanção. Está medida garantirá a ampla defesa e uso de conhecimento técnico específico da nossa profissão no julgamento de qualquer tipo de sanção.


—  Diretoria do Sindicato Nacional dos Aeronautas  

3 comments

  1. Ilo Rego
    3 anos ago

    Meus amigos isso é vergonhoso de se ver, saber que o país vai passar por cima do seu povo para posar de bonzinho para poucos. Essas informações deveriam chegar a massa geral. A que ponto chegamos, já que não resolveram a infraestrutura necessária ao país, então que feche o céu para os meros mortais.

  2. augustogentile
    3 anos ago

    Estive em uma palestra da FAB ontem, sobre operação na copa. A restrição é tão grande a aviação geral, que, ao término da palestra, perguntei ao capitão palestrante se a recomendação era pra não operar. E foi em palavras claras que ele disse: “Recomendo não operar”. Escolas de aviação, aeronaves particulares e táxi aéreo (ou seja, toda geral) NÃO TERÃO AUTORIZAÇÃO para ingressar nem na área branca. Aeroportos das redondezas estarão operando com slots de pouso, sendo restrito 1 por dia. Não há possibilidade de usar os mesmos como alternativa, e os planos de voo ou notificações serão aceitos somente 1,5 hora antes do EOBT. As áreas serão ativadas 3 horas antes do inicio dos jogos e permacerão ativadas até 4 horas depois do início (7 horas). As multas vocês já sabem os valores, e toda aeronave que infringir qualquer regra e será considerada HOSTIL, sendo interceptada e sujeita a medidas de solo. Em último caso está autorizado o abate, caso todas medidas se esgotem. Se a área branca corresponde ao limite das terminais, quem vai pegar um avião pra pousar tão longe do destino?

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Pelo menos o capitão foi sincero… Porque é isso mesmo o que eles querem: o céu só para a 121 e os jatinhos da FAB e da FIFA com as autoridades.

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