THE HOUSE OF RAPP: “Learning to Fly — Without An Instructor?”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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owlAchei o tema deste post do blog THE HOUSE OF RAPP – “Learning to Fly — Without An Instructor?” – espetacular! Afinal, pela minha própria experiência, em parte considerável da instrução aeronáutica, o instrutor mais atrapalha que ajuda, realmente. Sim, há horas de voos de instrução sublimes, em que o instrutor faz toda a diferença na qualidade do seu aprendizado, mas eu diria que estas não são a regra. E, ao contrário do que poderia sugerir o senso comum, nem sempre os instrutores com milhares de horas de voo nas costas são os que melhor ensinam…

Eu acho este um ótimo tema para discussão! O que vocês acham? Até que ponto um instrutor de voo ajuda ou atrapalha na instrução? E por quê?

 

2 comments

  1. Trabalhei muito pouco em instrução básica (i.e. aeroclubes). A maior parte da minha experiência deu-se no segmento avançado, i.e. rota / local no próprio avião e simulador (FFS / CAE Level “D”), ao longo de 8.5 anos de Ásia. Tenho para mim o seguinte: grande parte dos instrutores (a) tem preguiça de preparar a sessão (ou vôo) antecipadamente e/ou (b) tem preguiça de elaborar e conduzir um briefing conciso, detalhado etc (isso quando não sabe fazê-lo; daí a necessidade de bons CFI’s), o que acaba por comprometer muito a qualidade do treinamento. Quando o(a) aluno(a) – além de ter se preparado / estudado – entende com clareza o que o instrutor espera dele(a), o rendimento do programa é infinitamente melhor, seja numa instrução no simulador, seja na aeronave. Em outras palavras: parece-nos ideal que o instrutor haja mais como um coordenador / facilitador do que valendo-se de “coaching” (poucas coisas me deixam mais P_ dentro das calças – quando sou o treinando – do que interrupções freqüentes por parte do instrutor, principalmente no simulador; quebra totalmente a seqüência e remove a componente de realidade) a não ser – é claro – quando a intervenção/interrupção é indispensável. De modo geral, quanto menos meter o bedelho, melhor. Para que o aluno progrida rápida e satisfatoriamente é essencial um ambiente em que o(a) mesmo(a) se sinta à vontade para experimentar, errar etc., observando principalmente – ao longo do processo – o que não fazer, sob hipótese alguma. Se só “der show” e não cometer erros, não está apreendendo muito (antes fazê-los na companhia do instrutor do que mais tarde, já no exercício da prerrogativa e sem ter passado pela experiência). Outro ponto igualmente importante, principalmente em um treinamento de várias sessões (e/ou vôos consecutivos), como no caso dum inicial, é um debriefing igualmente completo (debriefing no bar geralmente não atende ao propósito), que – além de revisitar os aspectos positivos e negativos do treinamento recém concluído -, também dê uma prévia do que será feito no próximo vôo (ou sessão de simulador). Quando há disponíveis ferramentas de mídia para reconstituição da sessão (caso do Full Flight Simulator), é interessante que o self debriefing seja estimulado, como forma de desenvolvimento da autocrítica. Em suma: instrução de qualidade é para quem tem paciência e disposição de ajudar os outros.

  2. Enderson Rafael
    3 anos ago

    O artigo me chamou a atenção assim que li o título! Afinal, à primeira vista o autor parece defender que um aluno que aprenda tudo sozinho se sairá melhor do que um que use um instrutor. Bom, ele mesmo desenvolve o texto e sugere que não é exatamente isso, mas que em boa parte do aprendizado, o instrutor acaba atrapalhando. E aí vai muito da segurança do instrutor: quanto mais seguro ele for – leia-se “quanto mais tarde ele conseguir se sentir confortável para intervir” – mais eficiente será o aprendizado. No meu PP tive um instrutor que não era tão seguro assim, já no IFR e no PC, meus instrutores eram daqueles que só falavam algo ou encostavam em algo se estivéssemos a segundos de morrer – o que aconteceu, claro, poucas vezes. Isso em voo, naturalmente. No teórico, a didática é não menos importante e claro, não foquemos só nos instrutores, pois vai muito do aluno: um aluno interessado é ótimo para um instrutor; um aluno que precisa ser carregado nas costas é péssimo. Então, em boa parte, bons alunos ajudam bons instrutores, e o contrário também.

    Moral da história: não acredito que um aluno completamente autodidata – tanto no teórico quanto no prático (se isso fosse legalmente possível) se saia melhor que um bem orientado por um instrutor disponível mas não opressor. No fim das contas, isso tem mais a ver com bons alunos e bons instrutores do que com o programa de treinamento. Mas o que surge aqui nessa discussão de muito relevante é a importância voo solo: você aprende muito de adm (aeronautical decision making) voando sozinho. Isso nenhum “solo assistido” pode te ensinar. E por isso acho a questão das mais de 100h de time-share/timebuilding do treinamento da FAA no part 61 tão valiosas, afinal você atravessa meio país sem um instrutor pra decidir por você, e consequentemente, te atrapalhar. Talvez essa seja a chave entre formar pilotos e formar comandantes.

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