Uma experiência pessoal de quem foi aprender a voar nos EUA depois dos 30 anos

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Por mais que eu explore um determinado assunto “em teoria” (na verdade, minha abordagem sempre é prática, mas enfim…), é muito interessante quando alguém dá seu depoimento pessoal de como as coisas efetivamente aconteceram com ele. E é este o caso do relato a seguir, do leitor Luiz Viola, que foi aprender a voar nos EUA depois dos 30 – o que faz deste texto interessante tanto para quem se acha “velho para a aviação”, quanto para quem está considerando a possibilidade de aprender a voar nos EUA. Como de hábito, a seção de comentários está aberta para quem quiser obter maiores detalhes com o próprio autor.

Oi pessoal, tudo bem? Resolvi escrever esse post para falar minha experiência dentro dos tópicos mais quentes do bolg: “estou velho para aviação?” e “Formação aeronáutica nos EUA”.  Tenho 31 anos e depois de muita pesquisa, inclusive aqui no site, resolvi me aventurar na aviação fazendo PP/PC/MLTE/IFR nos EUA. Sei que esses tópicos são super batidos, então não vou gastar muito tempo no que já foi discutido e vou focar em transmitir apenas minha visão e opinião sobre alguns tópicos que andei ouvindo por aí, antes e depois de voltar.

Idade

É exatamente o que diz esse post:

Comecei o PP com 30 anos. Estudei com pessoas de 19, 20 anos, mas encontrei também gente da minha idade. A questão da idade é muito mais pessoal que de mercado. Não sou casado e não tenho filhos. Tinha uma carreira anterior que me permitiu juntar dinheiro pra pagar o curso, ou seja, ao final, tirei as carteiras sem me arruinar financeiramente, nem prejudicar minha família. Como fala o post, é tudo uma questão de risco. Eu sempre trabalhei com o pior cenário, que seria checar PC MLTE IFR e ficar desempregado por um tempo (o que eventualmente aconteceu desde que o mercado se retraiu em 2012). Pra quem tem família pra sustentar, as coisas se complicam um pouco. Então muito cuidado com “minha mulher vai segurar as pontas aqui em casa por 2 anos pra eu virar piloto e arrumar um emprego melhor”. Esses 2 anos podem virar 4, 5, etc. e além disso provavelmente quem começa na aviação ganha muito pouco.

Formação nos EUA

Fiz a formação no Texas, diferente da maioria que vai pra Flórida. Valeu a pena ir pra fora? Sim e não. Eu diria que não é melhor nem pior. Tem vantagens e desvantagens que na minha opinião termina tudo no zero a zero.  Eu queria uma formação rápida e sabia que lá poderia conseguir, por isso fui. Fiz do zero ao PC MLTE IFR em 8 meses a custa de muito esforço. Lá a formação é muito exigente. Tem que estudar muito e tem uma coisa que no Brasil não tem: prova oral. O inglês volta muito bom, é verdade. É mais barato? Mais ou menos. Gastei  US$ 40 mil, com tudo (passagem, estadia, alimentação e formação). Só que existe um “porém” bem grande como o próprio Raul já disse aqui em diversas ocasiões: você volta como um desconhecido que tem PC MLTE IFR. E isso tem um peso enorme porque o mais importante é conhecer as pessoas do meio. Então eu diria que é um trade of: fazer o curso mais rápido, treinar inglês, morar fora, etc. e em troca ficar “desenturmado”.

Mercado de trabalho

Quando estava indo, ouvi muitas histórias e muito bull shit que dizem por aí. Aí vão algumas e minha opinião sobre cada uma:

  • “Com a carteira FAA você pode voar os aviões de matrícula americana no Brasil”. Se tem aeronave americana operando no Brasil, ela está ilegal. Não existe isso. Pela lei, os aviões que operam aqui têm de ter com matrícula brasileira. Um avião estrangeiro pode entrar no país e ficar um tempo, mas tem que sair depois de alguns meses.
  • “Depois dos 30 é quase impossível entrar na linha aérea”. Na minha opinião, os requisitos da linha aérea são ditados pelo mercado e pelo perfil de cada empresa. Mas no final das contas, se a demanda aumentar, ninguém vai se preocupar com idade.
  • “Fulano voltou dos EUA já com duas propostas de emprego”. Duvido. A menos que já tivesse contatos prévios no Brasil (famosa peixada). Pelo que vi até agora, a entrada no mercado é extremamente trabalhosa e difícil. Ainda mais com o mercado retraído.
  • “Os aviões lá nos EUA são muito melhores e a manutenção é impecável”. Os que voei eram um lixo. Velhos, sujos e fedidos. Mas saíam por US$ 90/h. A manutenção era muito boa na minha escola, mas já vi casos até de uma escola que falsificava os documentos de inspeção. Pra voar aviões mais novos, paga-se mais caro
  • “Os instrutores lá são muito mais qualificados”. Igual. Mesmo questão daqui: ninguém quer ser instrutor, só quer fazer as horas. A maioria era muito frustrada porque queria estar voando aviões maiores. E lá onde estudei os instrutores não se misturavam com alunos como vejo acontecer aqui. A distância entre o aluno e o instrutor é maior.
  • “Você já volta de lá com ICAO”. Se volta falando inglês bem ou mal, não interessa. Vai ter que chegar aqui e pagar pra fazer o teste ICAO porque a ANAC não reconhece o inglês na carteira da FAA.

Enfim, resumindo, ir para os EUA virar piloto aos 30 é uma grande aventura cheia de incertezas. Eu fui porque não tinha nada a perder, conhecia os riscos e estava bem com isso. A profissão é muito dura, a entrada no mercado de trabalho é muito difícil e não se ganha tão bem quanto em outras profissões.  Mas se o bichinho da aviação também te mordeu em algum momento da vida e você também quer se aventurar, tenho certeza que vai encontrar um caminho. Espero que esse relato ajude a fazer essas escolhas de maneira sensata.

Grande abraço,

Luiz Viola

33 comments

  1. Kelvin Dantas
    3 anos ago

    OLÁ PESSOAL! EU TAMBÉM FIZ MEU CURSO APÓS OS 30 ANOS. E ISSO ERA UMA DAS MINHAS PREOCUPACOES MAS, SE FORMOS FICAR MEDINDO DISTÂNCIA, ISSO PODE NOS ABATER E ALTERAR A NOSSA AUTOESTIMA. ENTÃO EU ENTREI E VESTI A CAMISA. É… CONFESSO QUE FOI UM TANTO ÁRDUA ESSA MISSÃO, MAS VALE A PENA. APÓS PRATICAMENTE QUASE QUATRO ANOS VOU INGRESSAR EM MEU PRIMEIRO EMPREGO. HOJE TENHO 36 ANOS E VOU COMEÇAR AGORA A VOAR UM CESSNA 210 NA REGIÃO AMAZONICA. TIVE A OPORTUNIDADE DE IR BUSCA-LO NOS EUA. COMO DIZ O NOSSO COLEGA LUIZ VIOLA, NÃO É UM MAR DE ROSAS, MAS SE O BICHINHO DA AVIAÇÃO TE MORDEU, VAI EM FRENTE.

  2. Telmo Tassinari Neto
    3 anos ago

    Prezados, boa tarde.

    Como outros disseram acima:

    A aviação não é fácil e o momento não é bom, assim como, é imprevisível.

    A formação nos EUA agrega ao piloto e ser humano muito mais do que simplesmente as carteiras.
    Alguém duvida o quanto uma experiência desta amadurece uma pessoa?
    Alguém tem dúvida do quanto a aviação precisa de pilotos maduros, experientes (não só no voo) e prontos para estar em uma profissão muito vulnerável e imprevisível?

    Não se adquire maturidade apenas voando. Conheço excelentes pilotos com 20/25 anos e um nº considerável de horas de voo mas que não demonstram a maturidade suficiente para lidar com situações cotidianas das relações interpessoais e profissionais. Isso, pode parecer que não, mas, até mesmo para a construção de círculos de relacionamentos (network) é apreciado e perseguido em diversas empresas.

    Se você puder ir para os USA e isso não for lhe causar enormes prejuízos em sua vida, pelo contrário, lhe for proporcionar a realização de um sonho, lhe for agregar conhecimento e principalmente ESPERANÇA em alcançar um dia suas metas, FAÇA!!!

    Esteja preparado mentalmente para as incertezas desta carreira, mas, mais do que isso esteja preparado para um dia ser integrante de um classe de privilegiados: aviadores!!!!

    Forte abraço. Bons e seguros voos a todos.

    Rtt.

  3. Lucas Góis
    3 anos ago

    Chequei meu PP em 2008, depois de varias vezes entrar pra FAB, terminando falei com meu atual cunhado sobre a situação, ele já era PC, MULTI, IFR e ele mesmo me falou que na época não valia a pena. Agora mesmo, me encontro em Hong Kong, visitando minha irmã, pois meu cunhado hoje voa A320 na Hong Kong express, ja tendo voado na Web e na TAM. Durante esse periodo que passou, entrei para marinha mercante e pude juntar uma grana, vou enfiar a cara, porque quem sonha com aviação não pode desistir, não vai ser facil, mas todos que estão nessa têm que ter meta, como meu próprio cunhado teve. A galera que conheci aqui, de várias nacionalidades, gente considerado velho e de países sem tradição nenhuma em aviação, alcançaram o objetivo e me disseram que valeu a pena, passo o mesmo sentimento para vocês que estão nessa fase.

  4. Vinícius
    3 anos ago

    Definitivamente, com os altos e baixos no caminho preparatório, este mercado esta novamente em alta ou continua estagnado? Pretendo seguir meu projeto r iniciar a carreira na profissão por uma paixão pessoal, realizando tudo aqui no Brasil, mas quanto mais pesquiso parece que mais afastado fico de um real opinião sobre o momento do mercado. Espero que alguém consiga me ajudar. Obrigado

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Se vc realmente pretende “seguir meu (seu) projeto e iniciar a carreira na profissão por uma paixão pessoal”, meu caro, então esqueça dessa história de querer saber como o mercado está hoje em dia. Porque a única certeza que vc pode ter é a de que ele estará diferente quando vc estiver formado. Estude, se prepare, construa relacionamentos e, lá na frente, quando vc estiver se formando, avalie o mercado para planejar a sua estratégia de ingresso. Mas fazer isso agora não vai levar a nada… Suponha que ele esteja ótimo. E aí? Isso é uma boa notícia para vc? Quem iniciou a formação em 2009-10, quando o mercado estava contratando pilotos às baciadas, formou-se em 2012-13, quando o mercado estava demitindo em massa. Entendeu onde quero chegar?

    • Diego
      3 anos ago

      Busque outra coisa que você goste na vida, que possa levar como profissão, a aviação é um grande furada, não compensa, altos custos e uma volatilidade imensa de empregabilidade, é um meio fechadíssimo em que somente pessoas com altos contatos conseguem emprego, parece que qualificação é o que menos importa nisso, fora os salários que estão cada vez mais baixos e a instabilidade de carreira. Na minha opinião garoto, parta para outro sonho, porque isso aqui é furada, se eu tivesse escutado esses conselhos a 6 anos, hoje eu estaria bem na minha vida, mas to tentando sair do prejuízo. Se você gosta mesmo de voar, o que aí há uma grande diferença entre voar por prazer ou voar profissionalmente e ter que lidar com situações desagradáveis, compre um ultraleve e voe nos finais de semana, mas leve como ocupação outra profissão que você goste. Boa Sorte!

  5. Diego
    3 anos ago

    Não sei se vale a pena, bom se for um sonho, só digo uma coisa, vá com calma, seja ponderado, pesquise muito, mas muito antes mesmo, talvez vale a pena, como também pode ser uma tremenda dor de cabeça se tratando de empregabilidade, salários, estabilidade profissional e a vida que o profissional leva, fora os gastos estratosféricos para conseguir se formar, que diga-se de passagem, oque menos se tem é incentivo a formação do piloto, cada dia que se passa, as horas e demais cursos adicionais na área estão cada vez mais caros, além das provas e certificado médico, o custo beneficio esta deixando a desejar.

  6. Isamara Fontes
    3 anos ago

    Muito legal esse depoimento, estou com 18 anos e acabei de abandonar o curso de enfermagem na metade pra fazer o que realmente gosto. Minha família não apoia muito e diz que ninguém vai contratar uma piloto novinha e ainda mais mulher, porém sigo firme na rocha e sei que vou conseguir realizar meu sonho. Queria dicas de quem já é piloto ou estuda ainda de como é o mercado para as mulheres atualmente. Obrigado!

    • Mariana
      3 anos ago

      A mesma coisa acontece comigo, porém minha família não quer que eu desista de fazer medicina! Acham que por ser mulher é muito difícil conseguir o emprego de piloto, que por ser uma profissão muito masculina,haverá discriminação e tal!

      • Raul Marinho
        3 anos ago

        De fato, há discriminação na aviação contra as mulheres, infelizmente. Mas esse não é o maior desafio – tanto é que há diversas mulheres voando inclusive em linha aérea e em operações offshore. O grande problema é, independente do sexo (ou do gênero, como está na moda falar hoje em dia), conseguir se estabelecer num mercado caótico e pautado por indicações e outros métodos de seleção pouco meritocráticos. Daí a medicina ser uma carreira bem mais promissora, realmente… Mas se o que você quer para a sua vida é voar, vá em frente e lute pelo seu sonho!

  7. Juliano Rangel
    4 anos ago

    Excelente depoimento, mas me pareceu meio frustado. Bom vou deixar meu registro e opinião. Tenho 32 anos, casado e tenho uma filia. Sou projetista, advogado e acredite o mercado não é conto de fadas para nenhuma profissão. Estou terminando o meu curso de PP (checando) e pretendo no próximo dia 21/07/2014 me matricular no curso de PC, quanto ao mercado sei que não é dos melhores e o salário também não. Mas o que você busca? se for salário, faça medicina, pois é muito bem remunerado, agora no meu caso, trata-se de uma realização pessoal, um sonho e uma paixão e isso não tem dinheiro que paga, o segredo não é quanto ganha, mas como está vivendo com o que ganha, levando em consideração que nossa vida é unica, devemos procurar fazer aquilo que gostamos e que nos dá algum prazer, ainda que eu não consiga voar um Cessna Citation Excel, mas voarei um C172, C210… o que importa? Afinal fazer as coisas das quais você gosta não tem preço, serei eternamente grato a Deus se eu conseguir entrar no mercado ainda que seja para trabalhar em um cherokee pa 28…. o que eu quero é viver o meu momento, isso não tem preço… não deixe de sonhar por causa da idade

    • Marcelo Escaler
      3 anos ago

      Juliano, parabéns pela sua coragem e dedicação. Também sou Advogado e hoje aos 43 anos entendo seu posicionamento. Temos que buscar realmente nossa realização profissional ou qualquer outra que seja. O que adianta ter dinheiro e trabalhar infeliz, ganhar muito ou pouco, e não estar satisfeito????

      Boa sorte, em seu check e não esmoreça, vá em frente, pois como disse mesmo que seja para voar em um cherokee, nas piores das hipóteses.

    • Vinícius Rocha
      3 anos ago

      Ironicamente, o Citation XL a que se refere como sonho de pilotagem, envolveu-se em um trágico acidente ontem, vitimando o presidenciável, Eduardo Campos. O importante é não ter o mesmo destino, ou azar, como queira. A aeronave reconhecida como segura por especialistas, agora cai em desconfiança com outros relatos de insegurança.

  8. Alexander Van Parys
    4 anos ago

    Para os que se formaram nos EUA: Que escolas vocês recomendam?

  9. A minha maior dúvida com relação à formação nos EUA continua sendo com que nível de inglês você ‘Precisa’ estar pra poder iniciar a formação por lá.

    Enquanto a escola faz pensar que “pode ir que você afia a inglês por lá”, fui aconselhado por colegas para não ir se meu inglês não estiver fluente e que o curso demoraria demais por conta de qualquer dificuldade no inglês.

    É assim mesmo?

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      Olha, eu aconselho algo em torno do que chamamos de ICAO 4, ou seja, um intermediário-alto. Menos que isso pode realmente ser contraproducente. Conheço gente que foi falando zero e terminou, mas gastando mto tempo e dinheiro.

      • Raul Marinho
        4 anos ago

        Só um adendo: o aconselhável seria o equivalente ao ICAO-4 mesmo, mas em relação ao “plain english” – ou seja: ao inglês comum, não específico. Porque o ICAO-4 propriamente dito requer um vocabulário aeronáutico e habilidades de fonia que o sujeito que ainda nem começou os estudos de PP certamente não terá.

        • Enderson Rafael
          4 anos ago

          Exato ;-)

  10. André Pavin
    4 anos ago

    Fala Luiz, lembro que fui um dos primeiros com quem você entrou em contato quando decidiu ir para os EUA e espero ter te ajudado a tomar essa decisão. Fico feliz que hoje esteja com tudo em mãos e pronto para o mercado.

    Você encontra alguns aviões no Brasil com matrícula N para voar utilizando sua FAA. É difícil mas encontra. Muitas empresas fazem o traslado dos aviões de lá pra cá com documentação de trânsito de aeronave depois fazem abertura da importação. Hoje é claro esse movimento de aeronaves diminuiu.

    Os comentários sobre aviões e instrutores são muito focados em sua escola. Eu não generalizaria. Conheci diversas escolas nos EUA, voei em algumas e no Brasil também, e no geral não tenho dúvidas de que a formação americana ser melhor. Passei inclusive por escolas nos EUA onde os instrutores querem ser somente instrutores, e isso melhora mais ainda a formação. Tem que lembrar também que em relação ao custo você volta de lá com 250 horas e não 150 como é aqui. Em relação aos contatos sempre discordei quanto a isso. Quem me colocou na aviação no Brasil foram justamente os contatos que fiz por lá, mas quem sabe isso foi uma questão de sorte.

    Boa sorte por aqui, abraços!

    • LViola
      4 anos ago

      Legal André, a idéia foi descrever minha experiência pessoal de maneira bem clara. Bons vôos e boa sorte! grande abraço

    • Daniel de Sá Rodrigues
      4 anos ago

      Estou até com medo de entrar no assunto de vcs!!! Rsrsrs. Tenho 38 anos, militar e estou terminando o PC em breve, e penso muito nas oportunidades que virão! Elas existem? Será que virão? Grandes ou pequenas??? Alguém pode me ajudar? Daniel de Sá

  11. acordeipraisso
    4 anos ago

    Relato sensato, parabéns pelas palavras e pela sinceridade.

    • LViola
      4 anos ago

      Obrigado, qualquer coisa estamos aí
      abs
      LViola

      • Gabriel Lopes
        4 anos ago

        Boa tarde,li seu post e achei inspirador muito bom,pretendo começar os cursos ano que vêm (2015) estarei com 27 anos,mas como muitos um pouco inseguro em relação ao mercado ea minha idade o que vc aconselha???

        • Raul Marinho
          3 anos ago

          Aconselho a vc comprar meu e-book, baixar a planilha financeira no blog, e fazer um bom planejamento financeiro da sua instrução.

      • Sandra Araujo
        3 anos ago

        Caraca, cansei só de ler!

  12. Eurico Miranda
    4 anos ago

    Gostaria de deixar aqui uma outra visão de quem se formou fora.
    Sempre me perguntam se a formação fora(EUA) é mais barata e rápida. Minha resposta é: “ Se for só levar em conta custo por hora de voo, alimentação e passagens não vale a pena“.
    Agora, se colocar a solida base da formação teórica, as exigências de padronização com procedimentos Pre e Pós-voo, a estrutura aeroportuária, o inglês e a cultura que o Americano possui na aviação, vale muito ter esta experiencia. Pois a partir dai, o piloto construirá sua carreira.
    Concordo e vivenciei uma realidade de não conhecer ninguém e ficar mais de um ano e meio fora do mercado. Porém, na primeira oportunidade que tive para demostrar minha experiencia, consegui a vaga.

    Abç a todos.

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      Eu, que apesar de já estar há mais de ano buscando uma oportunidade e não ter conseguido sequer demonstrar o que sei, ainda complemento, Eurico: depende muito da cotação do dólar e de onde você mora/ onde fará o curso no Brasil. A menos que a pessoa more do lado de um aeroclube ou escola, existe boa chance do custo ficar igual pra se voar menos aqui. No meu caso era isso que iria acontecer, pois moro a 300km de onde faria minha formação. No fim das contas, gastei menos do que gastaria aqui com uma qualidade de vida, formação e conforto muito maior. No longo prazo, acho que vale a pena sim ;-)

  13. Beto Arcaro
    4 anos ago

    Eu diria que, estatisticamente, a instrução, a organização, enfim, a “Operacionalidade” das escolas por lá, é infinitamente melhor nos EUA.
    Mas, eu tô frizando: “estatísticamente”!
    Tive colegas que tomaram “Cano” de escolas nos EUA.
    Chegaram lá, e a escola simplesmente não existia!
    Só fiz cursos de aprimoramento, Flight Safety, Airbus, etc.
    Na Airbus, tudo é muito impessoal, chato, etc.
    Dá a impressão de que eles querem que você “nasça sabendo” tudo que eles querem que você saiba.
    Querem treinar pilotos igual “Pastel”.
    Entrei na Linha Aérea em 2011, com 42 anos, no auge do apagão de pilotos.
    Ao meu ver, foi só por causa do ICAO, mas eu já tinha bastante experiência na “Geral”.
    Se fosse recém formado, não sei se me chamariam…
    Não deu certo, não gostei, voltei para a executiva!
    Na Flight Safety a coisa é bem diferente!
    Te levam pra almoçar, te levam pra jantar, querem saber da sua realidade da sua operação, e por aí vai.
    Principalmente, quando você é “Cliente”, está trabalhando para alguém que comprou um avião, etc.
    Americano é “BONZINHO”!!
    Muito!!
    Nunca tirei as carteiras Americanas, só convalidei “On Basis”.
    Se você já tem a CHT brasileira da aeronave à ser voada, isso basta para voar “November”.
    Se você está lá, em treinamento, para uma aeronave que você ainda não voa, eu acho interessantíssimo, que você aprenda por lá e tire a FAA.
    Anos atrás, um amigo tirou o PP aqui no Brasil, convalidou lá “On Basis”, e fez o PC, Multi e IFR por lá.
    Não sei se isso é possível, hoje em dia.

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      É sim, embora tenha algumas restrições: hoje se vc for levar o PP daqui precisa ir com o ICAO ou vai precisar rechecar lá. Na verdade, sai tão caro fazer o PP aqui e se adaptar ou rechecar lá que acaba, na minha opinião, sendo mais negócio fazer tudo lá. E sim, tem que pesquisar muito bem a escola: tem escola que tem nome e não é boa, e escola que não tem nome e até, de repente, nem existe mesmo, como vc contou.

  14. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Muito bom o relato de alguém do Texas! Tem um amigo que faz lá, e esse tempo que o Luiz levou foi mais ou menos o que levei também.

    Sobre os tópicos do final, vou fazer algumas observações que julgo pertinentes:

    – Por conta do fisco, acabou a festa dos jatos N no Brasil, por isso o diferencial de ter FAA pra voar esses aviões acabou e conheço gente que perdeu o emprego por conta disso. Dizem que o Uruguai liberou, então, mais uma vez, o Brasil pensa uma semana na frente e perde empregos e divisas pra países vizinhos. Ano atrás, com o dólar baixo, o mercado de traslados era muito forte. Hoje não é. Mas ainda assim, vez por outro amigos que tenham FAA trazem aviões, então existe sim um diferencial nesse sentido, e existe sim avião November voando no Brasil, ainda que por tempo limitado.
    – Concordo plenamente: é oferta e demanda, em 2010 teve gente com 47 anos entrando de copila em jato que eu sei.
    – Exato, isso só vale pra quem já tinha QI aqui, conheço amigos que conseguiram emprego muito rápido por conta disso. Mas você não volta totalmente desenturmado (pelo menos nas escolas que tem mais brasileiros), afinal conhece muitos brasileiros lá que são enturmados aqui, então mais cedo ou mais tarde a coisa anda. O problema mesmo é que 2012/2013 foram anos muito fracos, e isso fez acumular muita gente no mercado.
    – Voei em duas escolas, uma com aviões velhos e outra com aviões mais novos, e ambas cobravam o mesmo. Hoje represento a segunda por achá-la melhor. As escolas que tem aviões novos e operam part 141 são em geral o dobro do preço.
    – Depende muito da escola: já vi e estudei com os dois perfis: CFIs que só estão acumulando horas – mto comum nas escolas 141 – e CFIs mais velhos que estão lá só pq gostam mesmo – mais comum em escolas 61. Vai muito do caráter e profissionalismo da pessoa. Quanto a serem mais qualificados ou menos, tem instrutor bom e ruim lá e aqui, mas o programa de lá é muito mais exigente. Essa é a diferença.
    – Já disse e repito: a ANAC não reconhece o inglês de lá, e claro que se vc souber aproveitar, vai se sair bem na prova aqui, que é muito tranquila perto dos orais e voos de lá. Como sempre sugir que os alunos já embarquem pros EUA com um inglês por volta do que chamaríamos de ICAO 4, considero muito improvável menos que 5 na volta pra quem for já falando bem. Mas muito mais que a fala, vc desenvolve o ouvido. Vai de cada um aproveitar ou não a oportunidade.

    Espero ter enriquecido a discussão e bem-vindo de volta, Luiz!

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      Complementando: eu fiz e faria de novo nos EUA, não me arrependendo em nada. Mas a maior vantagem que vejo na formação lá, além da formação e rapidez, é a segurança. Afinal, a infra estrutura muito melhor e o controle muito mais preparado, faz a aviação geral e o treinamento nos EUA muito mais seguro.

  15. Marcelo Pinheiro
    4 anos ago

    Excelente depoimento, principalmente desmistificando o fato de que fazer o curso nos EUA só tem qualidades. Conheço duas pessoas que fizeram o curso nos EUA e hoje não conseguem emprego como INVA por não ter voado o PC na escola que eles querem trabalhar, com o mercado atual cada vez mais as escolas/aeroclubes só contratam ex-aluno, ou seja, INVAS que fizeram o PC e o INVA lá.

    Parabéns pelo texto e muito sucesso na sua carreira Luiz Viola.

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