A quem interessa os pátios da aviação geral vazios?

By: Author Raul MarinhoPosted on
294Views2

Ontem, publiquei um post com imagens dos pátios da aviação geral Brasil afora, todos vazios, às moscas. O motivo disto seriam as restrições impostas pelo trio ANAC, DECEA e INFRAERO, que praticamente inviabilizaram a aviação geral no período da Copa – para, segundo eles, evitar o caos aeroportuário. Se assim for, então pelo menos o motivo é nobre… Mas será que é esta a real motivação para que as autoridades aeroportuárias insistam em manter os pátios da aviação geral vazios?

Olhem só que interessante essa nota publicada ontem pela coluna do Lauro Jardim na veja.com: “Inflação de jatinho“. Nela, fica-se sabendo que a empresa recém-contratada – sem licitação, aliás – para prover hangaragem no Galeão aumentou a diária cobrada das aeronaves particulares de R$400 para US$7.500. Um “reajuste” e tanto, né?

Trata-se de uma questão de “desequilíbrio sazonal nas relações de oferta e demanda”, como diriam os economistas, e os donos de Gulfstream de dezenas (ou centenas) de milhões de dólares que se virem para pagar a hangaragem de suas máquinas, é claro. Mas não é curioso que o pátio do Santos Dumont, que fica ao lado, esteja assim (a foto é do pátio de SDU ontem, e foi enviada pelo amigo Raphael):

sdu

Estivesse este pátio mais bem aproveitado, será que a hangaragem no Galeão custaria tão caro? Se a famosa Lei da Oferta e da Procura estiver certa, a concorrência de SDU não deveria derrubar os preços do Galeão?

Puxa, que sorte que tiveram esses concessionários do Galeão, hein? É certo que as autoridades aeroportuárias não previram que os lucros da concessionária subiriam tanto devido ao seu esmero em evitar o caos aéreo, mas que elas trabalharam involuntariamente para isso não há dúvidas também…

(Será que fui muito sutil?)

Fotos bônus: situação das taxiway de SDU, com outras imagens enviadas pelo Raphael

s4 s1 s2 s3

 

2 comments

  1. Sutis como uma jamanta foram eles. A indignação que eles causaram entre as empresas de handling e outros prestadores que estão há décadas no Galeão (desta feita, arbitrariamente cerceados de exercer suas atividades) foi uma coisa de causar ânsia de vômito. Já aqui do outro lado do planeta, fiz hoje um “line observation flight” e vi BBJs, G550s e 7Xs aos pontapés em dois aeroportos, estacionados nos mesmos pátios remotos onde as várias empresas comerciais asiáticas (regulares e/ou não, low costs etc) também estacionam, tanto para embarque/desembarque quanto para estadia prolongada, sem problema algum. As tarifas para pouso / telecomunicações / estadia são simbólicas, se comparadas ao escorchante tarifário tupiniquim (seja agora, na Copa, seja em tempos ditos “normais”) . O problema – no Brasil – é que o uso contínuo do cachimbo já entortou a boca. Enquanto isso aí não sofrer um “choque de gestão” 100% liberal-capitalista como ocorreu no Chile, por exemplo, o clientelismo – tão ao gosto das ratazanas esquerdoPTas – continuará a ditar o ritmo com que a banda toca. Não tem jeito.

  2. Beto Arcaro
    3 anos ago

    Isso só vai pra Imprensa se houver algum interesse também…

Deixe uma resposta