Mais um editorial da APPA sobre o problema da aviação geral ter sido impedida de voar na Copa

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Sabemos que nossas autoridades aeroportuárias não estão exatamente perdendo o sono pelo fato de a aviação geral brasileira estar, na prática, ‘groundeada’ nesse período de Copa do Mundo – antes, pelo contrário: elas estão comemorando o fato de o caos aéreo não ter se instalado nos aeroportos. Também sabemos que eles, os senhores da aviação brasileira, não dão a mínima para críticas. Mas, não obstante, é sempre salutar que editoriais como este recém-publicado pela APPA sejam divulgados. É o que dá para fazer, né?

Aviação: Desperdício brasileiro e ameaças á segurança durante a Copa

Falar que o Brasil é conhecido como o país do desperdício é “chover no molhado”. Infelizmente a nossa Aviação também tornou-se ambiente pródigo para jogar recursos públicos no lixo.

Exemplos disso podem ser dados aos montes. Começando por um Presidente da República que vem a público dizer que construirá 800 novos aeroportos quando sequer consegue cuidar dos mais de 740 que já existem (foi o que a atual Presidente afirmou em seu Plano de Logística: Aeroportos), os maus exemplos são encontrados aos montes. Pátios de estacionamento vazios por políticas de restrição de uso que a Agência Reguladora desconhece. Reorganização de espaços aéreos que depois de bilhões investidos tiram aeronaves de órbita sobre NDBs e VORs e os colocam em órbita sobre fixos GPS. Sistemas de pouso por instrumento (ILS) instalados mas sem uso, por anos. Toneladas de querosene e gasolina de aviação queimados desnecessariamente por empresas aéreas e operadores privados de aeronaves em voos abaixo das altitudes e velocidades de melhor performance das aeronaves, jogados fora em esperas são só alguns exemplos corriqueiros do dia-a-dia de quem voa no Brasil.

Naturalmente, seguindo a melhor lógica de prestação de serviços “Padrão-Zimbábue” e impostos “Padrão-Dinamarca”, toda a falta de serviços e estrutura é patrocinada por taxas, impostos e toda sorte de maneiras que o Estado encontra para financiar sua própria ineficiência.

Agora na Copa do Mundo FIFA 2014, talvez tenhamos alcançado o ápice do desperdício e da gestão da aviação. Com o intuito de escapar ao caos, proíbe-se o voo. Num período em que um pais administrado por profissionais deveria estar aproveitando ao máximo um evento do porte de uma Copa do Mundo, a Aviação brasileira está parou.

As Companhias Aéreas não parecem estar muito satisfeitas com a ocupação das suas aeronaves.

A Aviação Geral, por sua vez, que em qualquer lugar do mundo sempre é fonte de capilaridade e mobilidade em eventos dessa natureza, está parada, dentro de hangares. As políticas de slots aplicadas simplesmente tornaram a operação aérea da Aviação Geral impossível. Combinada com a implantação generalizada de slots, promovida pelo DECEA e CGNA, a ANAC entrou com seu quinhão inventando regras técnica e legalmente questionáveis, que punem o eventual descumprimento de slots com multas e até a suspensão da licença de pilotos. A manifestação veemente de uma dezena de entidades e especialistas, informando que tais medidas ferem regras básicas de segurança operacional foi desprezada pela ANAC.

Enquanto a ANAC comemora a “punição” de uma aeronave estrangeira, ignora que as regras aplicadas simplesmente colocaram no chão a frota de Aviação Geral. Centenas de aeronaves de escolas de Aviação, alunos, instrutores estão praticamente impedidos de voar durante a Copa. Já informados das distorções e da necessidade de correções nas políticas, CGNA e ANAC informaram que estão ajustando a quantidade de slots em aeródromos onde se constata que a dose do remédio é tão alta que pode matar o paciente.

Pilotos gravam comunicações com órgãos de controle de tráfego aéreo que solenemente desprezam as boas práticas de segurança, a lógica e as normas, forçando aeronaves a prosseguir para outros destinos alternativos mesmo quando seus atrasos decorrem da falta de infraestrutura nos aeroportos de onde decolaram.

O ambiente da Aviação está tenso e as Autoridades Aeronáuticas, que deveriam ser fonte de segurança e estabilidade, se tornaram as fontes principais para a desestabilização e a insegurança. Infelizmente, desperdiçar tornou-se política pública no Brasil, também na Aviação. A APPA tem feito seu melhor para informar e interagir com as Autoridades e espera que haja tempo para correção dos erros já cometidos e que tais situações não causem danos maiores.

 

4 comments

  1. Thiago T
    3 anos ago

    e o pior é que a palhaçada vai continuar quando o show acabar! em menor escala, mas vai…

  2. Beto Arcaro
    3 anos ago

    E esse editorial, faz algum efeito??

    • Julio Petruchio
      3 anos ago

      Efeito talvez não faça, mas pelo menos o assunto não fica limitado aos mimimis de porta de hangar e bares de aeroportos.

  3. Julio Petruchio
    3 anos ago

    O Globo
    Quarta-feira 18.6.2014
    Trânsito no ar
    Ancelmo Gois
    oglobo.com.br/ancelmo

    O esquema de fechamento do espaço aéreo de jatinhos também tem furos.

    Veja só: na sexta passada, o Falcon que levava Galvão Bueno e Arnaldo Cezar decolou de Congonhas com uma hora de atraso porque o Controle de Brasília “perdeu” o plano de voo apresentado três horas antes.

    Segue…

    Na volta, a aeronave, já sem os ilustres passageiros, foi proibida de pousar em Congonhas por
    “atraso” de 30 minutos e desviada para o interior paulista, sob ameaça de multa.

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