Zero Hora: “Obras previstas para aeroportos do Interior não saíram do papel”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Lembram dos “800 aeroportos prá mais” da nossa Soberana? Então, será que sai pelo menos uma pista de aeromodelismo até o fim do mandato?

Leiam a matéria abaixo, publicada no gaúcho Zero Hora de hoje (fonte: Aeroclipping do SNA), que está excelente:

ZERO HORA
23/06/2014 | 06h03
Não decolou
Obras previstas para aeroportos do Interior não saíram do papel
Lançado há um ano e meio pela presidente Dilma Rousseff, o plano de aviação regional continua em planilhas e estudos técnicos.
por Guilherme Mazui


Na lista de beneficiados, Rio Grande deixou de ter voos regulares para a Capital
Foto: Fabio Gomes / Especial

Lançado há um ano e meio pela presidente Dilma Rousseff, o plano de aviação regional continua em planilhas e estudos técnicos. Com previsão de aplicar R$ 7,3 bilhões na modernização de 270 aeroportos, o programa segue sem previsão de início de obras, que só devem decolar em 2015. No Rio Grande do Sul, sexto Estado em número de terminais beneficiados e 11º em previsão de investimento (R$ 310,8 milhões), dos 15 aeroportos do plano, oito estão no estudo de viabilidade, a primeira das quatro etapas até as licitações. Outros sete estão na segunda fase, a de estudos preliminares, que já aponta futuras reformas e a necessidade de equipamentos.

A realidade nacional tem o mesmo ritmo. Dos 270 sítios escolhidos, 182 tiveram os estudos de viabilidade analisados e apenas três estão com estudo preliminar concluído. O local mais próximo de ver as obras começarem é Barreiras (BA), mas a licitação depende de autorização do Tribunal de Contas da União (TCU).

A demora provoca críticas de especialistas, que consideram a iniciativa acima da capacidade de execução do governo. Professor de transporte aéreo da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Jorge Leal Medeiros projeta que parte das reformas ficará no papel:

— O plano é muito grande e contempla locais com economia modesta. Poderia atender 130 a 160 terminais, o que já seria difícil de executar.

Responsável pela ação que tenta popularizar os voos regionais, a Secretaria de Aviação Civil (SAC) credita as dificuldades ao ineditismo da medida. Ministro-chefe da SAC, Moreira Franco espera lançar os primeiros editais nos próximos meses.

Bilhetes subsidiados para ter passageiro

Além de vencer as etapas burocráticas, o governo precisa sanar interrogações das companhias áreas, como a concessão da gestão dos aeroportos à iniciativa privada, modelo ainda em fase de consulta. As isenções de tarifas e subsídios para passagens, estimados em R$ 1 bilhão ao ano, dependem do envio da proposta para discussão ao Congresso, já paralisado pelo ano eleitoral. Dilma confia que será possível vender bilhetes aéreos a preços similares aos de ônibus.

— Vamos subsidiar 50% dos assentos ou até 60 assentos por aeronave para aproximar o preço da passagem de avião à de ônibus — anunciou a presidente em maio.

Para Medeiros, além de preços atraentes, o sucesso de voos regionais depende da economia das cidades e da distância dos trajetos. Esses fatores dificultam a pretensão de Dilma de construir terminais com voos regulares a cada cem quilômetros.

— Além do preço, em média, o usuário só vê o transporte aéreo como opção viável quando o trajeto de ônibus supera quatro horas — diz Medeiros.

Professor do curso de Ciências Aeronáuticas da PUC Goiás, Georges Ferreira afirma que o governo deveria tirar o foco das grandes companhias e de aviões de maior porte e incluir medidas de incentivo ao táxi aéreo, capaz de atender 3 mil municípios no país.

Multiplicação de passageiros, ao menos no papel


Se Se projeto avançar, Santa Cruz poderá ter mais do que aviões de treinamento
pousando na cidade Foto: Cesar Lopes, especial

A previsão de investir R$ 310,8 milhões em aeroportos do interior gaúcho faz o governo federal multiplicar por sete a previsão de movimentação nos 15 municípios selecionados para o plano de aviação regional. A projeção é saltar dos 350 mil passageiros de 2013 para 2,6 milhões em 2025. Pelas pretensões, baseadas em dados sociais e econômicos das regiões, aviões teriam de cortar os céus em ritmo intenso. Os números fazem especialistas classificarem as projeções como “otimistas demais”, em especial diante do cenário recente, com suspensão de voos em Rio Grande e Uruguaiana.

No programa, algumas praças têm demanda reconhecida, a exemplo de Caxias do Sul. Para Erechim, a ideia é fazer a movimentação passar de 891, em 2013, para 713,1 mil passageiros em 2025. Como comparação, o aeroporto de Caxias do Sul tem capacidade para 500 mil passageiros por ano. Em 2013, passaram pelo terminal 236 mil pessoas.

— Essa projeção é difícil de alcançar. A não ser que a economia tenha um boom acima do esperado — diz o professor Elones Ribeiro, diretor da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da PUCRS.

O governo aposta no crescimento das economias regionais, nas reformas, nas isenções de tarifas e nos subsídios das passagens. Para o professor da USP Jorge Leal Medeiros, as medidas são insuficientes, já que também é preciso custear a necessidade de bombeiros e equipes treinadas nos aeroportos, gastos elevados que costumam inviabilizar terminais de pequeno e médio porte. Diretor do Departamento Aeroportuário da Secretaria de Infraestrutura do Rio Grande do Sul, Jorge Tadiello tem dúvidas sobre como manter os aeroportos rentáveis:

— Os terminais do Interior não trazem margem de lucro atraente. Pelo contrário, são administrados com dificuldade.

No Estado, três terminais são prioridade. Dos 15 terminais gaúchos selecionados no plano de aviação regional, o governo do Estado pediu prioridade para Rio Grande, Passo Fundo e para o novo aeroporto de Caxias do Sul, em Vila Oliva, trio que considera viável em curto prazo. Como já passaram dos estudos de viabilidade, Rio Grande e Passo Fundo estão mais próximos das reformas, mas só a partir do próximo ano.

As praças escolhidas contemplam municípios que recebem voos regulares, como Santa Maria, Passo Fundo, Caxias e Pelotas, além de outros com infraestrutura modesta, usada por aeronaves de pequeno porte, como Santa Cruz do Sul. Na cidade, a 150 quilômetros da Capital, o aeroporto é mais frequentado nos fins de semana para passeios e rodas de chimarrão.

Com estudos ainda em andamento, a Secretaria da Aviação Civil recebe levas de prefeitos, secretários e parlamentares dispostos a alterar a lista de contemplados, como a inclusão de Santana do Livramento, sugerida pelo deputado Paulo Pimenta (PT), em razão de companhias brasileiras utilizarem no passado o terminal de Rivera, no Uruguai.

A situação dos projetos

Alegrete
-Fase: estudo preliminar
-Projeto: terminal de passageiros com 682 m², pátio com 15 mil m² e alargamento da pista

Erechim
-Fase: estudo preliminar
-Projeto: terminal de passageiros com 2.160 m², pátio com 54 mil m² e ampliação da pista

Bagé
-Fase: estudo de viabilidade técnica

Caxias do Sul
-Fase: estudo de viabilidade técnica

Gramado
-Fase: estudo de viabilidade técnica

Passo Fundo
-Fase: estudo preliminar
-Projeto: terminal de passageiros com 2.160 m², pátio de 31 mil m², ampliação e alargamento da pista e pista de deslocamento de aviões

Pelotas
-Fase: estudo de viabilidade técnica

Rio Grande
-Fase: estudo preliminar
-Projeto: terminal de passageiros com 2.160 m² e pátio com 42,1 mil m²

Santa Cruz do Sul
-Fase: estudo preliminar
-Projeto: novo pátio de aeronave com oito posições e 30,1 mil m², novo terminal de passageiros
(1,2 mil m²) e nova pista

Santa Rosa
-Fase: estudo preliminar
-Projeto: terminal de passageiros de 682 m², pátio de aeronaves com quatro posições e 15 mil m² e ampliação da pista em 30 metros

Santa Maria
-Fase: estudo de viabilidade técnica

Santa Vitória do Palmar
-Fase: estudo de viabilidade técnica

Santo Ângelo
-Fase: estudo preliminar
-Projeto: terminal de passageiros de 2.160 m², pátio com oito posições para aviões em 42,1 mil m² e nova pista

São Borja
-Fase: estudo de viabilidade técnica

Uruguaiana
-Fase: estudo de viabilidade técnica

Fontes: Secretaria de Aviação Civil (SAC) e Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)

2 comments

  1. Humberto
    3 anos ago

    800 novos aeroportos? A pergunta que tem que ser feita é: quem afinal vai cuidar dos mais de 740 existentes, jogados às traças? Lógico que 800 aeroportos foi mais uma conversa para as eleições, assim como uma suposta política de subsídios para vôos regionais feita por gente que pode conhecer de economia e até se esforçar para fazer as contas em jargão de aviação, mas que realmente não conhece o princípio básico de aviação de alimentação. Isso sem contar que todos nós sabemos exatamente onde foram parar as empresas que aceitaram conviver com subsídios diretos desse tipo. Recomendo a página http://www.appa.org.br/2012/?p=1357, que tratou do assunto. Abraço.

  2. Antonio Santos
    3 anos ago

    Não conseguiram ampliar a pista do Salgado Filho quem dirá fazer o resto, mesmo ja tendo feito o mais difícil que era a desocupação de uma favela que se encontrava na curta final da 29. É muita incompetência ou outros interesses.

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