Tramita na Câmara um Projeto de Lei que regulariza a soltura de balões não tripulados – mas só os “ecológicos”, é claro!

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Fiquei sabendo pelo site da ABRAPAC que “um Projeto de Lei na Câmara Federal pretende ‘liberar a soltura de balões’, fato que trará grande perigo à aviação. O PL 6722/2013, de autoria do deputado Hugo Leal (PROS/RJ), classifica os balões não tripulados como ‘elementos da cultura nacional’ e exime de punição as pessoas que os fabricarem e soltarem”. Ah, sim, e é claro que só os “balões ecológicos” é que estariam liberados (como se houvesse balão inofensivo à aviação)…

Que mimo! Quer dizer então que, em favor da tradição cultural do país, vamos colocar em risco toda a aviação? Poxa, se for assim, vamos descriminalizar o canibalismo também, né? Pois quando o bispo Sardinha foi devorado pelos Caetés no século XVI, a cultura de comer carne humana já era tradicional no Brasil – e isso foi bem antes de que qualquer balão alcançasse os céus. Levando-se em conta que, pela tradição, come-se somente uma pessoa por vez, essa prática seria bem menos mortal do que a de soltura de balões, que podem matar centenas de uma vez só.

Não sei se esse Projeto de Lei tem reais chances de ser aprovado – o que não duvido, dado o lobby que os baloeiros exercem. Mas precisamos ficar atentos para combater esse absurdo. Se, com os balões na clandestinidade, a atividade já apresenta risco para a aviação, imaginem com a sua legalização!?

 

11 comments

  1. Fabio Santiago
    2 anos ago

    A comissão do novo código aeronáutico deveria pensar em alternativas para controlar, e não apenas proibir tal prática.

    Tratando-se se atividade cultural e de difícil fiscalização haveria maior efetividade na prevenção registrando os baloeiros que quisessem soltar balões dentro de certas regras de segurança para o tráfego aéreo (como no balonismo) e para o meio ambiente (licenciamento ambiental).

    A clandestinidade é que gera risco e cá para nós qualquer um pode fazer um balão e soltar escondido. Nem os motoristas que dirigem bêbados são pegos, salvo quando matam alguém. Mas se houver alguns eventos por ano em locais e datas previamente articulados com o controle do tráfego aéreo a adesão dos baloeiros seria grande.

    E basta desenvolver algum dispositivo para controlar o tempo de vôo dos balões, estabelecendo uma altitude limite e sua rastreabilidade para tornar essa prática aceitável.

  2. Marcos Real
    2 anos ago

    Outros países praticam a mesma cultura e não vemos essa perseguição, em 2014 o Reino Unido regulamentou a prática criando um código estipulando uma distancia dos aeroportos e com necessidade de informar ao órgão de aviação.

    http://www.tradingstandards.uk/policy/skylanterns.cfm

  3. Marcos Real
    2 anos ago

    Senhores, bom dia.

    Somos da Sociedade Amigos do Balão, Rio de Janeiro.

    A intenção do projeto é exatamente regulamentar a pratica cultura, inclusive a preocupação dos riscos a aviação esta contemplada. Vemos um conservadorismo aos contrários a essa cultura pelo desconhecimento, temos mais de um século dessa relação e nunca tivemos acidentes, acreditamos que com regras estaremos caminhando para uma solução de fato.

  4. Egbert Schlogel
    2 anos ago

    Sr. Raul, completando o comentário, sempre solicitamos emissão de NOTAM para realização. Abraço.

  5. Egbert Schlogel
    2 anos ago

    Sr. Raul. Comento que já foram realizados eventos de balões sem fogo em localidades onde o Cindacta comunicou não haver atrapalho ao tráfego aéreo. Foram soltos centenas de balões em 4 eventos realizados e não houve se quer, um avistamento por parte do relato do CENIPA, prova esta que, sem visualização é claro que não houve atrapalho ao tráfego aéreo. Atualmente, os adeptos desta modalidade tem como interromper o voo do balão em um determinado tempo. Muitas vezes a falta de conhecimento, não por ignorância, mas por falta de oportunidade em apresentar a quem interessa as técnicas utilizadas no sistema. Tema polêmico que gera discussão de ambas as partes. Comento, ( e deve ser de seu conhecimento) que, na reformulação do Código Brasileiro de Aeronáutica consta o risco baloeiro, mas as alegações são errôneas no redigir. Estão simplesmente, ( no dito popular), varrendo a sujeira para debaixo do tapete. O grande problema é a clandestinidade, as solturas fortuitas dos balões que possam causar incêndios. A regulamentação é a solução.
    Att. Egbert- SAPEC

  6. Egbert Schlogel
    2 anos ago

    Trata-se de uma regulamentação, não de liberação. Os adeptos só poderão soltar em determinados locais que não causem atrapalho ao tráfego aéreo. O problema existe pela clandestinidade com solturas a qualquer modo, dia e horário. Regulamentar é preciso.

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      Sr. Egbert, o sr. poderia explicar melhor quais seriam estes “locais que não causem atrapalho ao tráfego aéreo”? Como se faria com que os balões não chegassem a localidades em que haja aeronaves? Há alguma consulta à ANAC ou ao CENIPA quanto a esta proposta? Qual o resultado?
      Ats,
      Raul

    • Cleverson Fukuoka
      2 anos ago

      Egbert, caso haja regulamentação, qual seria a responsabilidade do soltante caso este balão caia em uma mata seca e cause incêndio?? Em uma refinaria? E quando bater contra uma aeronave?? Como terá controle para onde irá este balão visto que os ventos são divergentes em alturas diferentes?

      • Egbert Schlogel
        2 anos ago

        Sr. Cleverson, as solturas de balões hj já dispõe de sistema de abafamento de bucha, tocha como queiram e também a bucha extinguível elaborada com material que se apaga em um determinado tempo. As solturas não seriam aleatórias e sim em locais estipulados pelos órgãos aeronáuticos e com tempo de voo limitado, ( também possível hj). Outra, são os balões SEM FOGO a qual eu defendo e presido a devida Associação, com eventos realizados com sucesso para todos os seguimentos, desde a aeronáutica, ( sem nenhum avistamento ) e para a cidade que recebeu os eventos, com arrecadações, jamais alcançadas seja qual foi o evento realizado em tais locais. Assunto polêmico que precisa ser adequado, mas que precisa mais conhecimento por parte dos senhores. Um abraço.

  7. mardeycouto
    3 anos ago

    SANA precisa se manifestar!

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