Um excelente artigo da Flying Mag (mais um)

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Já comentei aqui diversos artigos publicados pela Flying Magazine (na maior parte das vezes, uma dica do amigo Beto Arcaro, como é o caso agora), e desta vez vamos falar de mais um, o “Remember 19?“, reproduzido abaixo.

Em resumo, é o seguinte: um rapaz de 19 anos, recém-checado PP (com o curso quase todo voado num Cirrus), foi levar a família para passear num C172. Ele se atrapalha com o check-list, e decola full flap; a aeronave estola, cai, e todos morrem. Fim da história.

O autor do artigo levanta dois fatores que devem ter influenciado enormemente na ocorrência:

1) O fato de estar a bordo a mãe, o pai, e um primo bem mais velho, o que deve ter contribuído para o nervosismo do rapaz – inclusive na confusão quanto à posição dos flaps; e

2) A excessiva preocupação com o peso da aeronave. Quando o avião apresenta problemas para ganhar altitude, o rapaz assume imediatamente que aquilo era devido ao excesso de peso (e não era: a aeronave estava rigorosamente dentro do envelope), e nem cogita reduzir/tirar o flap.

É claro que há outros fatores também a serem considerados, como o fato de o sujeito ter realizado sua instrução numa aeronave mais potente, para depois ter ido para uma menos potente; e o papel do instrutor que liberou o rapaz para o voo, aparentemente sem o treinamento adequado no modelo. Mas isso eu deixo para vocês levantarem e debaterem, uma vez que o assunto é bastante rico para uma discussão saudável sobre segurança de voo…

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7 comments

  1. Beto Arcaro
    3 anos ago

    Utilizando-se o Cirrus SR-20 como aeronave de treinamento básico, será que eles ministram os treinamentos de Stol, Accelerated Stol, Spin Recovery, etc.
    Tenho minhas dúvidas…
    Em um Cessna, eu sei que o fazem.

  2. Aleksandro Gardano
    3 anos ago

    Parece ser aquele velho caso de distraçāo e ansiedade, levando em conta que com 52hs de vôo nāo geram ainda a fluência necessária para executar as funções a bordo e “entreter” a Familia (que talvez em um vôo de estréia como este, também estivesse ansiosa e um pouco falante!).

    Talvez neste caso específico, o problema resida menos no fato de ter brevetado em uma aeronave diferente (até mesmo pq no Cirrus vc decola com flaps 50%..e desconheço qq aeronave deste porte que decole com full flaps) mas uma genuína falta de atençāo no cumprimento dos checklists.

    Me recordo as primeiras vezes que levei a familia para voar, e a dificuldade de concentraçāo, até o ponto em que há a necessidade de uma certa “grosseria disciplinar”… isolar os rádios e voltar a conversar com todos bem depois da decolagem e o mesmo na aproximaçāo e pouso. Voar, principalmente com a família, exige disciplina e o briefing prévio é ainda mais necessário..

  3. Juliano Rangel
    3 anos ago

    Embora os elementos que temos para verificar o ocorrido leva a conclusão de uma aeronave que estola na decolagem eu ainda acredito que pode ter ocorrido outras coisas no voo, um C172 demora muito pra estolar, deva ter ocorrido algo, como uma brincadeira dos familiares que levou a tragédia, pode ter sido outro motivo e as vezes para fazer um pouso forçado na cabeceira o Piloto pode ter dado um full Flap na tentativa de reduzir velocidade e espaço para pouso. Não consigo acreditar que um Piloto, ainda que Privado, vai decolar com 4 pessoal em um C172 com Full Flap, nem vazio acho que ele tomaria essa decisão ainda que sobre pressão de ser seu primeiro voo com a família. Acredito na hipótese do pessoal que realizou a perícia estar com preguiça de investigar o acidente e deu por concluso com os elementos básico que encontraram nos destroços. É um ponto de vista….

  4. Beto Arcaro
    3 anos ago

    Acho que Cirrus não é, e nunca vai ser avião para instrução básica, à não ser que você vá passar o resto da vida voando o próprio. Aí você não é piloto de avião. Você é “Piloto de Cirrus”!
    Se você brevetou em um Avião básico, próprio para instrução, poderá voar “também” o Cirrus, no decorrer de sua carreira.

  5. alexandre
    3 anos ago

    Penso que a instrução (básica) deve ser feita com aeronaves de pouca potencia, de modo a ensinar o piloto “negociar” com a aeronave. Apontar motivos ou culpados sentado em casa, não fazendo parte do voo pode ser injusto ou equivocado, mas com o que temos no caso, penso que a culpa é do checador, estolar na decolagem na aeronave mais fácil do mundo de pilotar, mostra que o recém formado piloto ainda não estava apto.

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