Pilotos com nível superior ganham mais que pilotos sem diploma universitário?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Na semana passada, recebi essa interessante pergunta nos comentários da página de FAQ do blog:

(…) Pilotos com formação em “Aviação Civil” ou com algum curso superior ganham mais do que um piloto que fez apenas o curso? (…)

Achei essa pergunta interessante porque, normalmente, as pessoas questionam se ter faculdade é obrigatório para ser piloto (e, pela ANAC, não é: nenhuma licença ou habilitação requer mais do que o Ensino Médio), ou se facilita para ser contratado por uma companhia aérea (e, de acordo com a maioria dos processos seletivos de copilotos, facilita sim, mas não é determinante); mas nunca se questiona isso que o leitor perguntou, se o piloto com diploma de faculdade ganha mais do que o sem nível universitário. Além disso, a resposta é menos simples do que parece… Então, vamos lá.

Para o piloto que atua exclusivamente como piloto mesmo – comandante ou copiloto/1º oficial – dentro de um cockpit, ter ou não ter nível superior deverá ser indiferente em termos salariais. Ou seja: uma vez contratado, o copila da TAM que fez Ciências Aeronáuticas na PUC-RS, por exemplo, e ingressou na companhia na seleção de 2010 vai ganhar a mesma coisa que o seu companheiro também contratado em 2010 que veio do aeroclube e nunca pisou numa universidade. Pode até ser que o bacharel tenha sido contratado com mais facilidade, com menos horas de voo na CIV, etc. , mas o seu contracheque não irá refletir o fato de ele ter diploma.

Ocorre que, a partir de um determinado momento da carreira, quando já se atingiu o ápice em termos da pilotagem propriamente dita – quando já se é comandante, eventualmente de linha internacional, se for o caso; ou mesmo instrutor ou checador -, a única maneira de ser promovido (e, por consequência, ganhar mais) é agregando funções administrativas. E é aí que ter diploma universitário começa a fazer diferença em termos salariais. Não que seja impossível tornar-se piloto-chefe ou diretor de operações sem nível superior, mas quem tem faculdade (e, de preferência, alguma pós-graduação) terá melhores condições de competir pelo cargo, isso é fato. Assim, neste sentido, ter nível superior faz diferença, sim, em termos salariais.

 

 

27 comments

  1. Rafael
    3 anos ago

    Você comentou a respeito dos comandantes que acumulam outras funções… O inverso também existe? Por exemplo, um profissional de operações / TI / finanças que trabalhe em uma companhia aérea também pode ser piloto (supondo que ele tenha as carteiras e habilitações)?

    • raulmarinho
      3 anos ago

      Em companhia aérea é raro (a não ser para DOVs, MMAs e CMSs), mas eventualmente acontece de um funcionário administrativo entrar num recrutamento interno e se tornar copiloto na empresa. Em táxi aéreo e na aviação executiva é um pouco mais comum.

  2. Vinicius Macedo
    3 anos ago

    Eu estou fazendo engenharia de telecomunicações estou no 4 semestre, esse curso pode me ajudar na carreira de piloto? e porque pode ajudar ou não?

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Pode. Há processos seletivos – como o da TAM, por exemplo – em que ter um curso superior (qualquer um) conta pontos. Já outros, como o da Azul, só dão vantagem para que tiver diploma de Ciências Aeronáuticas.

      • Vinicius Macedo
        3 anos ago

        obrigado Raul

  3. Rafael
    3 anos ago

    O meu conhecimento é do mundo externo a aviação. Aqui, qualquer curso de especialização, mesmo que seja de “corte e custura” necessita de nível superior.

    Pergunta para os mais experientes leitores do blog:

    Ao longo da carreira de piloto, diversos cursos vão aparecendo para o profissional fazer: segurança, CRM e outros – existe algum vpré-requisito quanto a formação superior para poder fazer esses cursos? Se a resposta for sim, o tema abordado pelo Raul no último parágrafo faz muito sentido e, mais sentindo ainda para as empresas mais e mais solicitar o diploma de nível superior.

    Colocando-se no lugar do empresário, se eu tenho dois profissionais com as qualificações necessárias, sendo que um com diploma e outro não, eu escolheria o que tem diploma. Pois, no futuro, eu terei um profissional que não tem restrições técnicas para fazer cursos de especialização e/ou assumir mais funções.

    Abraços

    • Rafael
      3 anos ago

      Por favor, leiam “corte e costura”…

  4. Andre Hashigute
    3 anos ago

    Pessoal, no meu caso eu nao tenho curso superior algum, e meu currículo atualmente se encontra com 650 horas de vôo, Multi, IFR, INVA, ICAO 4, FAA, Jet Training além de algumas indicações no Elancers da Azul e, mesmo com toda essa onda de contratações, sequer chamado pra alguma seleção eu fui. Cade vez me convenço mais que a Azul nao contrata sem curso superior, e temo que as outras sigam nesse raciocínio. Como estou empregado voando fixo um Minuano, nao tenho condições de fazer o curso superior de Ciências Aeronauticas da PUC aqui de Goiânia, pois os vôos nao tem programação. Pesquisei a respeito do curso de CA da Unisul a distância e me interessei bastante. Seria a saída para que eu pudesse ter um diploma de curso superior que ao meu ponto de vista, é o que está faltando no meu currículo. Mas, falando com alguns amigos, a maioria se mostrou resistente ao “curso superior a distância”. Qual a opinião de vocês a respeito? Será que o Rh de uma companhia daria importância a um curso superior feito a distância? Essas são minhas dúvidas…

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      André, eu penso que se vc não tem condições mesmo de fazer o curso presencial, então faça o EAD. Ele é reconhecido pelo MEC, e sendo assim ele te dá o direito de, por exemplo, fazer uma pós depois (geralmente, com flexibilidade muito maior que a graduação). Em suma, eu acho recomendável que vc faça o curso EAD, sim.

  5. Rodrigo Edson
    3 anos ago

    Raul

    Quanto a isso não vejo problemas, já que não fará a minima diferença ter um advogado pilotando ou um graduado apenas com o ensino médio. Porque? Simples, o que um aprendeu no aeroclube/escola será o mesmo que o outro.

    E outra, conheço pilotos que possuem o ensino médio e ganham muito mais do que aqueles que possuem algum curso superior. Ah, e a maioria possui apenas o ensino médio.

    O que importa é o grau de experiencia do piloto na aviação e claro na aeronave. Não podemos esquecer também que vivemos num meio em que 90% das vagas são preenchidas pelo infeliz “QI”.

    Abs

    Rodrigo

  6. Eduardo Silveira
    3 anos ago

    Até aonde pode o curso universitário diferir na qualidade técnica final do aeronauta?

    Pode-se afirma que o Arturzinho Loyola nascido e criado na capital, o qual que o papai pagou a faculdade e as horas de voo possuirá mais preparo que o João Silva que brevetou no aeroclube de Cacimbinhas da Serra?

    Eu sou estagiário no setor jurídico de uma empresa de consultoria que atua neste ramo, nós possuímos 4 estagiários que atuam na área técnica e só foram admitidos depois que uns 40 candidatos egressos de cursos superiores de aviação civil passaram pelo processo seletivo por aqui. A fase técnica da seleção é feita pelo proprietário daqui e depois de um dia de seleções não cansei de ouvi-lo lamentar o péssimo nível técnico que este pessoal detêm.

    Pode parecer que eu esteja criticando de modo generalizado, porém peço que não encarem meu comentário desta forma. Eu me embaso naquilo que constato resultante de seis horas diárias de contato direto com um experiente aviador que atuou pela Varig, Vasp e TAAG, que possui invejável currículo nas áreas de direito aeronáutico e internacional além de MBA na área da administração. Reproduzo sua visão do negócio da formação superior na área de aviação civil, que segundo o mesmo não é requisito e nem diferencial para admissão de pilotos em uma empresa de taxi aéreo onde é sócio e gerente operacional.

    Infelizmente a atual escola de formação de pilotos segue por uma perigosa tendência cibernética, no qual predominam os grandes nomes do setor que exploram cursos superiores que abordam tudo e não se aprofunda em nada, e o resultado disto é o despejo de pessoal com preparo mediano que goza de algumas regalias capaz de lhes colocar a frente de pessoal formado em aeroclube e escolas de aviação sem que muitas vezes não demonstram superioridade técnica alguma.

    É um pena que empresas valorizem tanto estes diplomas, porém creio que seja uma tendência cada vez maior e quando meu chefe e toda esta geração da velha escola de pilotos já tiver partido, airmanship será apenas uma qualidade impressa em papel, emoldurado e fixada na parede da sala de muito aeronauta.

    • Douglas
      3 anos ago

      O real problema não é o diploma, mas o perfil dos atuais “pilotos”, aquele ser humano por trás da CHT, seja em uma Universidade ou em um Aeroclube a filosofia do “quanto mais rápido melhor” predomina. Você citou certos pontos interessantes só que de forma muito superficial e pobre, o ideal seria nivelar o ensino aeronáutico e organizar a bagunça que a gente tem hoje em dia, acabando com essa desinformação entre alunos e os próprios pilotos. É de conhecimento de todos aqui, que na aviação quem se dedica a sempre estar atualizado, estudar e ter uma mente aberta, se destaca no meio. Porém a realidade mostra o contrário, em que muitos desses são deixados de lado em várias etapas do processo, porque ainda reina o “QI”, um Quociente que de inteligência não mede nada.

      • Raul Marinho
        3 anos ago

        Fique à vontade para enriquecer e aprofundar o debate sobre o assunto.

        • Menezes
          3 anos ago

          Os Aeroclubes da vida estão sucateados, matando um leão por dia, como esperar uma boa formação nos mesmos se a tendencia e extinção, muitos empresários não são pilotos e olham um cara com formação superior melhor que outro que não a possuí, não que uma formação superior seja ruim, mas o que está sendo medido?

    • Paulo A. N.
      3 anos ago

      Boa tarde à todos.

      Olha, não estou aqui para fomentar polêmicas ou nada nesse sentido. Mas preciso relatar uma percepção.
      Tenho 38 anos, e depois de longos anos retomei meu caminho na aviação. Faço o curso de DOV e também o PP (por ora o teórico).

      Vou fazer uma comparação, que pode parecer insensata para muitos, mas, diante do que eu tenho visto me parece necessária.
      Tenho uma relação de 15 anos com o audiovisual, onde sou reconhecido e tenho um relativo sucesso, atuando em em todas as suas áreas, que abrangem desde o terrível vídeo de casamento, ao cinema comercial de longa-metragem. Enfim, quando iniciei meus estudos na aviação, tinha a ilusão de que era um meio de altíssimo nível sócio-cultural e educacional, porém, não foi o que encontrei. Quando estava nas minhas primeiras aulas, percebi que grande parte dos alunos mal tinha o domínio da língua portuguesa, e no decorrer das matérias minha percepção geral só piorou. Seguramente, posso afirmar que cerca de 70% dos meus colegas, mal tinha domínio de matemática elementar e cerca de 80% não tem a menor noção, tanto da estrutura jurídica brasileira, e muito menos do que se trata um Estado Soberano. Terríveis em conhecimentos gerais. Quanto os alunos de outros cursos, principalmente o de comissários, o nível era pior ainda. E não digo isso só da escola em que estou matriculado pois estive em algumas escolas pesquisando os cursos.

      Bom, venho do audiovisual, um meio onde as pessoas que acreditam que tudo é glamour e que basta ser um “loquinho” com uma câmera na mão para ser cineasta. Pois bem, não é. E é exatamente aí onde começam as diferenças.

      Fazendo um breve rodeio, eu acredito que a aviação é maravilhosa, gosto e continuarei nela, no entanto, trago comigo uma bagagem de vida e não há como apagá-la.

      Voltando. Diferente da noção de sétima arte, o cinema é meio de alta tecnologia, muito técnico e que requer muita, mas muita gestão. É caro, equipamentos caros e delicados, muitos recursos humanos envolvidos, e por aí vai. Mas o que faz a máquina funcionar é conhecimento, e a questão é justamente essa. Como na aviação, a faculdade não é o requisito mais essencial das carreiras no audiovisual, e sim o domínio da função que irá se exercer. De modo geral, e comparando com a aviação, as pessoas tem generalizadamente ótimo domínio do idioma (sendo que a maioria, inclusive técnicos de “chão” tem um 2° idioma), matemática, redação, além de uma vastidão de conhecimentos gerais. Para a maioria, se especializar, obter novos conhecimentos e se reciclar não se trata de um calvário, mas de um modo de vida e de se reinventar em um mundo onde o tempo das mudanças é cada vez menor. E, pasmem, a formação também é cara, podendo ser mais cara do que a aviação dependendo do tipo de carreira que se escolher.

      Dada à essa cultura que eu também adquiri nestes últimos 15 anos, a primeira coisa que fiz antes de iniciar o curso de DOV, foi pesquisar as possíveis formações da aviação e fiquei frustrado como temos poucas e ruins possibilidades acadêmicas, sendo que para quem deseja uma formação especializadíssima as opções são fora do Brasil.

      Minha conclusão é que há a urgente necessidade de se repensar o ensino de aviação, associada à várias outras medidas, para que se eleve o nível do meio, ou os riscos e danos só aumentarão. Nivelar por cima em um meio tão regulado, que tem extrema necessidade de observância de regras e procedimentos não é mais nada do que obrigação, e isso requer muita formação, muita instrução.

      Até aqui, conheci pouquíssimas pessoas que sabem o que estão fazendo no meio, infelizmente. Vale incluir que tenho familiares (inclusive meu irmão mais velho) e amigos na aviação, e todos compartilham essa percepção de que o nível está generalizadamente baixo.

  7. Paulo
    3 anos ago

    Um pouco fora do tema, mas já que foi citado no post… Qual a diferença entre Primeiro oficial e co-piloto? Existe relação com a ser PLA checado?

  8. Renato
    3 anos ago

    Para ser piloto a única exigência é ter ensino médio, então vai ganhar salário de “ensino médio”, e não de universitário.

    Só uma analogia. O que eu quero dizer é que vai ser nivelado por baixo, não havendo diferenciação.

  9. fredfvm
    3 anos ago

    O cabeçalho da matéria me faz pensar que “Piloto” não só existe na aviação comercial (empresas aéreas de grande porte), pois conheço dezenas de pilotos da aviação executiva que ganham absurdamente melhor do que esses da comercial, e quase todos não possuem diploma de curso superior.

    Acho muito relativo o fato de ser Piloto da comercial em detrimento de outro tipo de aviação. A agrícola, por exemplo, onde ganha-se muito mais, como outro exemplo. Não querendo ser do contra em achar que na comercial não se ganha um bom salário, mas em outros tipos de aviação também há suas nuances e dificuldades, onde o quesito “Diploma de Curso Superior” não é o fator determinante para o bom salário.

    Posso até citar um amigo de Belém que recusou entrar numa empresa aérea, pois seu salário é muito superior a de um comandante numa grande empresa aérea, e ele por estar trabalhando numa empresa ligada à aviação petrolífera, considerou um risco muito maior ir voar na comercial. E olha que ele voa aviões de pequeno porte…

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Pois é, Fred, o problema é que essa discussão nem faz sentido de ser travada sobre a aviação geral. Só a aviação comercial possui processos de RH estruturados, em que ter ou não nível superior pode fazer alguma diferença na contratação ou na promoção de empregados. NA aviação geral, você sabe, os processos são informais, com as contratações baseadas no QI, e as promoções no contato direto patrão-empregado.

      • Menezes
        3 anos ago

        Outro dia estive conversando com uma pessoa que manda e desmanda em um grande taxe aéreo da região norte e perguntei a ele como era feita a escolha de pilotos em uma seleção e o que era bom para eles, pois com tanta gente querendo entrar ficava farto de mais essa escolha, ele me respondeu:
        “… entre as coisas básicas (Multe IFR), ser da região + ciências aeronáuticas ou curso superior de aviação civil+ ICAO 4…”

  10. David Banner
    3 anos ago

    Conheço vários pilotos diplomados que ganham o mesmo que alguns que não tem faculdade. Ou seja: “nada”. Ambos estão desempregados.

    Sarcasmo a parte, o diploma faz diferença mesmo (quando faz) é na hora da seleção. Seja para admissão seja para uma promoção.

    Essa é minha visão. Muita gente discorda. Curiosamente todos têm diploma e gastaram fortuna nos cursos (graduação e/ou pós).

  11. Bruno Oliveira
    3 anos ago

    Tudo pode ser diferencial na hora da contratação, principalmente se falando de companhias aéreas.
    Em resumo e na prática: o RH tem em frente João e José, ambos se parecem e tem os mesmos atributos, João é formado, João fica com a vaga.

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      É verdade, embora isso não aconteça na prática. Sempre vai ter um com mais horas ou mais QI…

      • Julio Petruchio
        3 anos ago

        Se tiver o João recém formado, Icao 4 e um Big White Shark e o José com carteiras de Jato, Turbohélice, multi, ifr, experiência, horas de vôo para caramba, ICAO 5 OU 6 e uma manjubinha de QI, o João leva.

        • Rodrigo
          3 anos ago

          O Julio Petruchio falou tudo!

      • Andre Hashigute
        3 anos ago

        Tenho a impressão que a Azul se importa mais com diploma do que com horas. Nao conheço ninguém que voa lá sem Ciências Aeronáuticas ( a nao ser os vindos da Trip) e um amigo que está fazendo Ground do ATR me confirmou que pilotos bem voados eram minoria na turma.

        • David Cunha Candiotto
          3 anos ago

          As vezes, o cara que é formado já passou algum tempo da vida estudando tudo e mais um pouco sobre tudo. Acredito que a companhia vê um aproveitamento melhor nos pilotos com Formação, nem sempre sendo “Ciências Aeronáuticas”, mas tem a parte que o próprio conteúdo do post cita, que é o administrativo.
          Vendo por amigos que estão na Azul, e um que está em fase seletiva sem nem ter 20 horas de experiência fora do aeroclube e do Jet Training, acredito que pilotos sem vícios da Geral(91) acabam por ser uma boa opção para moldar o padrão do piloto de acordo com o que a companhia deseja (acho até que li esse argumento aqui no blog tempo atrás).

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