SNA começa a se preocupar com INVA/Hs e pilotos da aviação executiva

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Uma das principais críticas que faço à atuação do SNA – e isso já expus a diversos dirigentes do sindicato pessoalmente, inclusive – é quanto ao fato de eles se preocuparem quase que exclusivamente com a aviação comercial. Secundariamente, o SNA também atua nas frentes da aviação agrícola e do táxi aéreo, mas os segmentos da instrução aeronáutica e da aviação executiva (’91’) continuam esquecidos. Ou, pelo menos, continuavam, pois nos últimos dias, o SNA finalmente começou a mexer nesses vespeiros, vide os comunicados abaixo reproduzidos. Leiam-nos, que eu retomo em seguida.

Sobre os INVA/Hs:

RELAÇÃO TRABALHISTA – INSTRUTORES DE VOO

Faz tempo que o modelo de contratação de Instrutores de Voo como “Pessoa Jurídica – PJ”, ou através de contrato de prestação de serviços, invadiu os aeroclubes e escolas de aviação em todo o país. Ocorre que tal prática configura nítida fraude trabalhista e acaba causando um grande impacto nas condições laborais e sociais desses aeronautas, uma vez que não são assegurados os direitos previstos a todos os trabalhadores durante o contrato de trabalho.

Os aeroclubes utilizam o artifício da contratação de PJ – ou de pessoa física mediante contrato de prestação de serviços –, que, importante lembrar, é ilegal de acordo com as normas do trabalho vigentes no Brasil, para ter profissionais de qualidade por tempo determinado, ou simplesmente para burlar a legislação, reduzindo-se os custos com o pagamento dos direitos previstos na legislação trabalhista.

A assinatura da Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS é um direito básico de todo o trabalhador, previsto na Consolidação das Leis do Trabalho – CLT em seu artigo 29. Como consequência, o Instrutor de Voo tem direito, dentre outros, à:

• Exames médicos de admissão e demissão;
• Repouso semanal remunerado, ou seja, pelo menos uma folga por semana (preferencialmente aos domingos);
• Pagamento do salário até o 5º dia útil do mês subsequente ao vencido;
• Pagamento da 1ª parcela do 13º salário até o dia 30 de novembro, e a segunda até 20 de dezembro;
• Férias remuneradas de 30 dias, acrescidas de um terço (1/3) do salário;
• Para as mulheres: licença maternidade de 120 dias; e para os homens: licença paternidade de 5 dias corridos;
• Horas extras pagas com acréscimo de 50% do valor da hora normal;
• Aviso prévio cumprido ou indenizado de, no mínimo, 30 dias em caso de demissão;
• Seguro desemprego;
• Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS.

Também, lembramos que o Instrutor de Voo é aeronauta para todos os fins, uma vez que este profissional cumpre os requisitos legais para considerá-lo como tal (artigo 2, da Lei nº 7.183/84), quais sejam: 1) habilitação pelo Comando da Aeronáutica (CHT); 2) exercício de atividade a bordo de aeronave civil nacional (instrução); e 3) contrato de trabalho.

O Sindicato Nacional dos Aeronautas está oficiando todos os aeroclubes e escolas de aviação do país, solicitando que adotem as medidas necessárias para a efetiva assinatura das CTPS de seus aeronautas, sendo-lhes garantidos todos os direitos daí decorrentes, bem como para que sejam observados os direitos previstos na Lei nº 7.183/84 (lei do aeronauta) e demais diplomas aplicáveis à espécie.

A Diretoria do Sindicato Nacional dos Aeronautas

Sobre a aviação executiva:

Relação Trabalhista – Aeronautas da Aviação Executiva

Alguns aeronautas da aviação executiva, equivocadamente, são registrados pela respectiva empresa ou pelo proprietário da aeronave em outros Sindicatos que não o SNA.

Consequentemente, no caso de rescisão do contrato de trabalho, as competentes homologações são realizadas naqueles entes sindicais.
Ocorre que estes profissionais são AERONAUTAS, conforme estipula o artigo 2º, da Lei nº 7.183/84 (Lei do Aeronauta):
“Art. 2º – Aeronauta é o profissional habilitado pelo Comando da Aeronáutica, que exerce atividade a bordo de aeronave civil nacional, mediante contrato trabalho. ”

O SNA tem por dever legal e estatutário assegurar o cumprimento da legislação trabalhista na classe dos aeronautas em todo o território nacional, sendo sua responsabilidade principal zelar pela tutela dos direitos laborais dos trabalhadores sob seu manto, no qual se encontram inseridos os aeronautas da aviação executiva.

Também, sabe-se que alguns desses profissionais são contratados como “Pessoa Jurídica – PJ” ou por contrato de prestação de serviços e, consequentemente, sem a devida assinatura na Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS.

Ocorre que este é um direito básico de todo o trabalhador, previsto na Consolidação das Leis do Trabalho – CLT em seu artigo 29.

Vale lembrar que a contratação de pessoa física através de uma pessoa jurídica para prestar serviços com pessoalidade, subordinação, não eventualidade e remuneração, configura fraude trabalhista, uma vez que existe nesta relação o vínculo empregatício entre o aeronauta (empregado) e o proprietário da aeronave (empregador).

O SNA está oficiando todos as empresas proprietárias de aeronaves, bem como os proprietários de aeronaves particulares, solicitando que adotem as medidas necessárias para o registro dos aeronautas junto ao SNA e para a efetiva assinatura das CTPS de seus aeronautas, sendo-lhes garantidos todos os direitos daí decorrentes, bem como para que sejam observados os direitos previstos na Lei nº 7.183/84 (lei do aeronauta), tudo em respeito ao previsto nas normas sobre o assunto.

Caso você, aeronauta da Aviação Executiva, tenha seus direitos trabalhistas lesados, nos contate através do e-mail regulamentacao@aeronautas.org.br.

A Diretoria do Sindicato Nacional dos Aeronautas

Voltei

Uma das funções mais nobres de um sindicato, em minha modesta opinião, é a de proteger os trabalhadores deles mesmos. O que quero dizer com isso? No caso dos aeronautas – e, especificamente falando, no caso dos instrutores de voo -, isso pode ser exemplificado em dois eventos de que este blog tratou:

1) Nov/2012: O caso do aeroclube que pagava R$15/h para os INVAs

Neste caso, não foram poucos os leitores que enviaram mensagens para saber qual era o aeroclube, pois queriam participar do processo seletivo mesmo sabendo das condições de trabalho aviltantes que ele oferecia. “Ah, mas ganhar R$15/h é melhor que nada!”, era o argumento da maioria… E é mesmo, claro! Só que se todo mundo pensar assim, a profissão de INVA nunca vai ser mais do que um sub-emprego mal remunerado e super explorado! Se depender dos próprios INVAs, nada vai acontecer, é preciso de um ente externo – no caso, de um sindicato – para por ordem na casa. (Neste caso, nada aconteceu, e o aeroclube realmente contratou INVAs nestas condições).

2) Fev/2014: O caso do aeroclube que cobrava taxas dos candidatos ao processo seletivo de uma vaga de INVA

Também neste caso, houve manifestações de leitores no sentido de proteger o aeroclube. Afinal, “pelo menos este está contratando, coisa que ninguém está fazendo”. E, mais uma vez, somente um ente externo poderia impedir que a prática abusiva e ilegal continuasse, pois se dependesse dos próprios candidatos, o aeroclube jamais seria denunciado. (Neste caso, eu mesmo denunciei o fato ao SNA, e o aeroclube foi notificado para interromper a prática, o que realmente ocorreu).

Já quanto aos pilotos da aviação executiva, não há nenhum caso descrito no blog, mesmo porque as contratações são caso a caso e muito menos divulgadas. Mas todo mundo sabe que estes pontos que o SNA está procurando coibir – o piloto free-lancer que atua com regularidade e a remuneração via “PJ” – não são exatamente exceções à regra. E, a depender dos próprios pilotos que atuam desta forma, também é de se esperar que eles fiquem do lado de seus patrões.

A grande preocupação dos sindicatos (qualquer sindicato) é quanto à possibilidade de o empregador simplesmente desrespeitar a legislação trabalhista, demitindo irregularmente ou atropelando normas quanto à jornada de trabalho, por exemplo. Eu também acho isso importante, mas no caso de o sindicato não cumprir com o seu dever, sempre há alternativa para os trabalhadores, como recorrer diretamente à Justiça do Trabalho ou ao MPT. Já nos citados casos de proteger os trabalhadores deles mesmos, trata-se de uma atividade em que somente um ente externo como o sindicato poderia atuar, já que os trabalhadores não recorreriam à Justiça por conta própria por definição. É por isso que acho esse tipo de atividade tão nobre.

Eu sou um grande entusiasta desta gestão do SNA, indiscutivelmente mais atuante que as anteriores. Mas estava faltando expandir sua atuação para os segmentos da instrução e da aviação executiva, coisa que ainda não havia ocorrido até agora – pelo menos, não de maneira ostensiva. Percebam que, nos casos específicos acima citados, um ocorreu na gestão anterior do SNA, enquanto que o outro já é da atual gestão. Não por coincidência, no caso #1 nada aconteceu, enquanto que no #2, o aeroclube foi notificado.  Ou seja: reconheço que já houve uma melhora, mas faltava foco – o que, espero, agora passe a haver.

Espero, sinceramente, que essas iniciativas se aprofundem, e que o SNA foque cada vez mais na instrução aeronáutica e na aviação executiva, inclusive com a negociação de Convenções Coletivas de Trabalho específicas para estes segmentos. Mas, num primeiro momento, se o sindicato conseguir trazer a maioria dos trabalhadores para a formalidade, já será um grande passo.

Minhas sinceras congratulações ao SNA!

 

 

 

 

 

31 comments

  1. Douglas
    3 anos ago

    Quase dois meses depois. Alguma coisa mudou?

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Aguardando resposta do SNA.

      • Raul Marinho
        3 anos ago

        Reproduzo abaixo a mensagem do jurídico do SNA, em resposta a este questionamento:
        “A recente campanha do SNA contra a pejotização, em pouco tempo, já rendeu significativas mudanças, como a regularização da situação trabalhista de diversos instrutores de voo de diversas escolas e aeroclubes, bem como de inúmeros pilotos da aviação executiva. Vamos continuar a campanha, sempre em defesa dos direitos sociais e trabalhistas de todos os aeronautas do país.”

  2. Pedro Mundim
    3 anos ago

    Olha, se é lei não há como discutir. Não to aqui nem contra nem a favor, mas gostaria de comentar os dois lados da moeda. Não há só vantagens. A realidade das escolas e aeroclubes é bem diferente do que muita gente imagina. Isso vai inviabilizar inúmeras escolas e aeroclubes e ,consequentemente, a formação de alunos com menos $$ por aí. As vagas de INVA vão cair pra menos da metade. Onde voavam 4 a 5 invas vão ficar 2. A fila vai aumentar e ficar mais demorada pra quem tá esperando uma chance. O preço da hora de voo se elevará substancialmente. Ao contrário do que se pensa, a margem de lucro de grande parte dos aeroclubes e escolas não é megalomaníaca, salvo alguns exemplos. Trabalho em um Aeroclube e tem mês que as contas não fecham – manter aviões custa muito. Tem o lado positivo da profissionalização, valorização e formalização, sem dúvida. Mas tem o impacto negativo, sim. Escolas e Aeros não tem subsídio, nem isenção fiscal. Então, se precisam comprar um magneto, um transponder, etc… pagam 60% de imposto de importação! Mais ICMS! Mais IPI! Tudo calculado em cima do preço + frete. Isso em dólar! No caso de escolas e Aeros, um magneto pode ser considerado produto com fins educacionais, mas são pesadamente tributados. Combustível AVGAS aumentou 20% nós últimos 60 dias. Acho louvável o sindicato lutar pela classe, mas deveriam lutar, também, pela viabilização da aviação. O Estado está inviabilizando a aviação. Temos a segunda maior frota de aviação geral do mundo! É preciso lembrar que avião que não dá lucro, não voa e não tem piloto.

    E outra: que empresa vai assinar a carteira de um inva com 180 horas de voo por um ano sem nem saber como o cara voa? A galera da base da pirâmide pode esperar sentada por uma chance. Quando o lance das 200h em comando causou uma comoção porque iria barrar a porta de entrada para o mercado de aviação. E isso agora então…? É verdade que vai valorizar a profissão, só que a peneira vai ficar fina, fina, fina

    O que vc acha Raul?

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Eu acho que os aeroclubes têm um modelo de negócio obsoleto, anacrônico, criado nos anos 1940 para a formação de oficiais aviadores da reserva, e com os custos fortemente subsidiados pelo Estado. Daí, foi ‘fondo’, foi ‘fondo’, e os abnegados, idealistas, românticos e patriotas dirigentes destas instituições foram rareando, os picaretas e amadores foram ficando mais numerosos, até que chegou o século XXI e os subsídios secaram. Aí, no final da década passada, o clima era de desespero, e grande parte dos aeroclubes do Brasil estava à beira da falência. Veio, então, a bolha do “apagão de pilotos”, que lhes deu uma sobrevida. E, agora, essa bolha está estourando, a demanda já caiu cerca de 40% (e deve cair mais), a Avgas está subindo, os aeroclubes não tem caixa para realizar as manutenções que a frota requer e, para matar logo de uma vez, aparece essa ideia “revolucionária” de trazer os INVAs para a legalidade. Será que serão eles que irão quebrar os aeroclubes? Ou foram anos de amadorismo, má gestão e, em alguns casos, roubalheira?

      • Pedro Mundim
        3 anos ago

        Concordo com tudo o que você disse. O negócio de educação na área de aviação civil e instrução aérea é arcaico, mal gerido e muitas vezes roubado. Mas a carga tributária e leis trabalhistas também são arcaicas e injustas. Todos os negócios no Brasil sofrem com isso. Porque temos de pagar mais de 60% de imposto de importação em um produto que não tem similar nacional tipo um motor Lycoming, 40% de imposto sobre o avgas, etc?

        As leis trabalhistas no Brasil servem mais para repassar $$ pro Tesouro Nacional do que para proteger o profissional. Se toda tributação que incide sobre os salários fossem revertidas para o trabalhador seria maravilhoso. Só que não são. Nem o FGTS “é seu”. As restrições de uso dessa grana são um cara na tapa do trabalhador.

        Seria ótimo trabalhar como INVA totalmente dentro da legalidade e segurança. Mas quem tem a resposta pra isso agora?

        Não temos a contrapartida para o desenvolvimento de uma indústria e mercado de aviação nacional forte, não temos estímulo por parte o Estado. Estímulo não é sinônimo de subsídio. Uma carga tributária menor tirana já seria ótimo para aviação e para qualquer atividade que não dependa de renda do governo.

        • Raul Marinho
          3 anos ago

          Pois é, mas aí transcende o propósito deste blog, e teríamos que discutir política a fundo…

        • Rafael
          3 anos ago

          Não acho que os seus argumentos deixam de ser válidos, mas cada entidade que brigue pelo o seu propósito. O objetivo de qualquer Sindicato é defender os interesses daquela classe trabalhadora que ele representa. Todos os seus argumentos são corretos e válidos, mas não invalidam a atitude do SNA.

          Se os aeroclubes e escolas tem problemas com importação, imposto, combustível e itens semelhantes, por que eles não se juntam, formam uma associação ou entidade semelhante e brigam pelos seus interesses?

          • ATFS
            3 anos ago

            Pois é! Tenho uma empresa que emprega hoje 27 funcionários, pago todos os impostos em dia. O “simples” desse mês bateu na casa dos 50.000,00. Porquê? A empresa está faturando, pagando impostos absurdos, sim. Mas ainda assim, um negócio bastante viável, que me da lucro e possibilidade de expansão.

            Uma escola que precisa, burlar leis trabalhistas para se manter. hummm sei não!

            Agora uma idéia para a galéra:
            Imaginem… se todos os INVA/Hs que estão “empregados” e os que já passaram por esse “emprego” entrassem na justiça, para requerer o piso que não foi pago e todos os outros benefícios?
            Aquele inva que trabalhou 3, 4 como PJ, fazendo uma conta de padaria, dá para o sujeito, importar um Cessninha lá dos States com a indenização… hihihi

            Não adianta! Pode demorar, mas uma hora a conta vêm.

  3. Elgen Canzil
    3 anos ago

    Me desculpem a expressão, mais chamar piloto de prostituto nesse caso e agredir a pobre mulher de vida facil.
    Os caras se nivelam por baixo com a ideia de se tem quem faz eu tbm faço, se o fulano voa por 15,00 eu vou fazer igual pra nao ficar no chão.
    Recentemente em uma entrevista de emprego eu disse que meu preço seria R$;5,00 o hectare aplicado, dai o fazendeiro fez a conta rapida que se eu voar 100 mil hectares eu ganho a fortuna de 500 mil reais; olha a ideia de empresario desse cara, preocupado com quanto eu vou ganhar e não com quanto vou produzir.
    Dai eu disse a ele que tem pilotos de R$: 3,00 e caso ele ainda quisesse um mais barato EU MESMO indicaria um de R$: 1,50 pra ele, só que não garantia nada nem na aplicação e muito menos na aeronavegabilidade da aeronave apos ele iniciar os trabalhos.
    Quem muito se abaixa mostra a bunda.
    Se valorizem, não acreditem que vcs sejam tão ruins que não mereçam salarios dignos.

  4. No 91 não há CCT, mas tá nivelado com o 135 para fins de regulamentação, nas disposições finais da Lei 7183/84.

  5. Certos 135’s (i.e. táxis aéreos), “cooperativas” e/ou “fractionals”, adotam uma “prática Denorex” (i.e assinam a CTPS sô pelo piso do aeronauta, uns R$ 2.700,00 para configurar o vínculo “nos mínimos” e pagam o resto via fatura emitida por PJ de prestação de serviços, ou mesmo por fora, sem nota; preciso dar as iniciais das que fazem isso?). No caso, a fraude é trabalhista e fiscal. Quem se recusar, simplesmente fica fora da panela. Simples assim…

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Pois é, Fábio, mas nesse caso o crime pelo menos compensa, né? Porque o cmte de um 7X da vida, que ganha seus R$30K, vai receber uns R$27K por fora e economizar 27,5% de IR e 11% de INSS, 38,5% do total, o que dá mais de R$120K/ano. Ou seja, é uma Merça Classe C zero por ano que o cara tem de vantagem. E quem se ferra é o Tesouro, não a catchiguria, né? É bem diferente do INVAzinho que ganha R$15/h e ainda tem que pintar a parede do aeroclube e limpar a privada do banheiro do presidente…

  6. Renato
    3 anos ago

    Vai ser a manobra fatal para fechar de vez a porta de aeroclubes e escolas mequetrefes. Seleção natural…

    Sou totalmente a favor disso! Basta de escolas/aeroclubes vigaristas.

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Não sei não… Veja o caso das domésticas: dizia-se que as famílias iriam demiti-las em peso com a nova legislação. E o que foi que aconteceu? Simplesmente que elas conquistaram seus direitos, nada mais que isso! Eu acho que se os INVAs tiverem seus direitos respeitados, deve aumentar um pouco o preço da hora de voo (uns 10% ou 20%) e fica por aí.

      • Joao paulo
        3 anos ago

        Concordo com voce Raul Marinho, porem as demissoes so nao foram em massa por que a maioria dos patroes que sao de classe media passaram as domesticas pra trabalharem 2 vezes por semana dessa forma nao criaria vinculo, pois os mesmos nao teriam condiçoes de sustentar tanta carga tributaria jogada neles.Eu sou um exemplo passei a menina que trabalha comigo ha 15 anos para 2 dias da semana, eu iria demiti-la, depois de entrarmos em acordo ficou acertado 2x por semana. Deixar claro aqui não sou contra os direitos das domesticas e nem dos invas/H, so dei um exemplo.

  7. Beto Arcaro
    3 anos ago

    Pois é…Acredito que a qualidade de vida dos instrutores melhoraria muito. Como reflexo, teríamos invas mais eficientes e até uma certa competitividade no setor. Tipo, os melhores ganhariam mais, seriam mais valorizados, só que….
    Tudo isso tem um custo, e com certeza, o valor da hora de vôo sobe.
    O que é preferível?
    Hora de vôo barata e péssima qualidade na instrução, ou Instrutores melhores, com “diferencial”, segurança e melhor qualidade na instrução??

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      O ponto é o seguinte, Betão: há uma legislação trabalhista em vigor, e descumpri-la é ilegal. Não tem muito o que argumentar… Se cumprir a lei inviabiliza o negócio, então o negócio não é viável, simples assim. E olhe que nem estou entrando no mérito da segurança ou da qualidade, hein…

      • Beto Arcaro
        3 anos ago

        É claro!
        Que se cumpra a legislação!
        Mas, os “Empregadores” vão retrucar nessa moeda, para não regularizar os funcionários.
        E se o sindicato “bater o pé” o valor da hora de vôo vai dobrar.

        • Raul Marinho
          3 anos ago

          Pois é, mas pelo que me consta, fora a FIFA, nenhuma outra entidade está livre para não cumprir as leis do país… É o que disse, não há muito o que argumentar num caso desses. Já espernear, pode à vontade.
          A propósito, não vai dobrar nada, não. Um INVA custa quanto? R$30-35/h, no máximo, para um valor de hora de mais ou menos R$400 cobrado do aluno. Ora, se dobrar o custo do INVA, a hora vai para R$430. Se triplicar, vai para R$460. Não é o fim do mundo…

          • Beto Arcaro
            3 anos ago

            Acho louvável seguir as leis!
            Essa atenção maior do SNA já deveria ter ocorrido.
            Quanto ao salário, os invas vão ter que receber o piso mais as horas. Vão ser finalmente bem remunerados.

            • Douglas
              3 anos ago

              Bom, torço muito para isso, já que parece que os mínimos para se tornar INVA/H não vão subir. Me parece que as escolas, principalmente aquelas do interior de SP vão ter que parar de acumular Invas. Ouvi dizer que tem uma aí que tem mais de 100! Se isso for sério, e tomara que sim, pois são trabalhadores, esse tipo de coisa vai acabar. Vai ficar impossível manter 100 instrutores, pagando piso, férias, 13* e outras obrigações que desconheço. Para quem quer ser piloto a qualquer custo, mesmo trabalhando na escravidão para acumular horas, o cenário vai ficar horrível, pois o número de gente desempregada vai quadruplicar.

          • jsilva
            3 anos ago

            O grande problema Raul é que nos Aeroclubes os INVAs são “páu pra toda obra”, não fazem apenas o serviço de instrução de voo, portanto aquela instituição que tem digamos 10 INVAs na escala de voo dando instrução e ganhando 20pila hora e mais uns 10 INVAs aguardando vaga na escala e ao mesmo tempo fazendo outros trabalhos de serviços gerais sem ganhar nada ou muitas vezes apenas o alojamento e comida, terão que ser substituídos por profissional para a devida função, aí sim o custo vai aumentar.
            O SNA tem sim que apertar o cerco, notificar, fazer visitas surpresas etc…

            • Raul Marinho
              3 anos ago

              Não sei se vc sabe, mas se vc tem uma fazenda e contrata um empregado para cuidar do gado, se vc o designar para pintar a sede da fazenda, vc pode ser enquadrado como explorador de mão-de-obra em regime análogo à escravidão e perder a propriedade…

  8. mardeycouto
    3 anos ago

    Sindicatos… Sempre querendo quebrar empresas. Até parece que eles são a favor do desemprego geral.

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Como assim, Mardey? O sindicato, neste caso, só está querendo que se cumpra a Lei. Qual o problema?

  9. jsilva
    3 anos ago

    A situação dos INVA/H realmente não é nada boa, um trabalho muito suado e explorado por seus empregadores, muitas vezes arriscamos a vida voando em aeronaves velhas e ultrapassadas, por um lado temos a obrigação de formar novos pilotos, por outro não temos reconhecimento mínimo visto a demanda de Instrutores que estão na espera e se sujeitam a trabalhar nas piores condições, pois pensam que é melhor assim do que ficar no chão. A esperança de mudança era a lei das 200hs, que não saiu mas agora essa medida do SNA parece a luz no fim do túnel.

    No aeroclube onde trabalho como INVA ninguém tem carteira assinada, alguns foram obrigados a fazer o MEI ( Microempreendedor individual ) o que isenta de certa forma o Aeroclube das obrigações trabalhistas mas por outro lado mesmo sendo autônomos somos obrigados a cumprir horários mesmo não tendo voos no dia a realizar, por exemplo:
    – Se está chovendo, não sai voos, mas mesmo assim temos que cumprir horário de trabalho (CLT) das 8 as 18hs e nesse período realizar funções internas da instituição que foge da função de instrução, trabalhos como lavar aviões, varrer hangar, cortar grama, capinar, concreto, arrumar a pista, refeitorio, cozinha, office boy, analise de processo, secretaria em geral.
    – Ganhamos por hora de voo, mas num voo de 1hs, trabalho no mínimo 2hs devido aos Briefing e Debriefing, quando ainda o aluno mais novato ou com maior dificuldade demora mais tempo, já cheguei a demorar 3hs em uma instrução que ganhei 1hs.

    Acredito que se realmente a mudança sair do papel, vai ser muito importante na qualidade da instrução e vai mudar significativamente a rotina dos Aeroclubes e onerar muito o custo operacional o que vai gerar outro problema mas as instituições devem se adequar e ir se preparando.

    • Antonio Santos
      3 anos ago

      Perfeito o retrato da situação de inva no Brasil que voce realizou, realmente a unica profissão no Brasil onde todos os direito trabalhistas são desrespeitados e na aviação geral e instrução. Hoje até o trabalho de limpadora domestica possui mais direitos do que o de piloto, por essas e por outras, o pessoal que ainda não tem carteira fica bravo quando levantamento o assunto de 200h porem na verdade o unico e exclusiva objetivo e a valorização da profissão coisa que nunca nunca vai acontecer enquanto houver 20, 40 50 esperando por uma oportunidade de trabalhar (escravizar) de graça.

      Mais uma coisa, a SNA não deve esperar que pilotos e invas denunciem tal pratica e sim ir juto com as Delegacias Regionais do Trabalho fazer expedições a todos os aeroclubes e autuar na hora as instituições. Só assim esse ma pratica sera resolvida. Caso contrario sera como é hoje o único que bota aeroclube na justiça e a família do morto.

  10. Edeandro Lopes
    3 anos ago

    É por essas e outras que desanimei da profissão de piloto!

  11. Antonio Santos
    3 anos ago

    Excelente iniciativa do SNA, torcemos que não seja apenas para inglês ver. Uma duvida qual o piso da categoria INVA?

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