Está começando uma crise no setor de instrução aérea?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Um dia desses, conversando com o diretor de uma importante escola de aviação paulista, soube que a demanda por horas de voo em sua instituição encolheu cerca de 30% neste primeiro semestre de 2014 (em outras instituições, já ouvi falar de mais de 50% de queda, para falar a verdade). Lendo o Diário Oficial da União atrás de novidades na regulamentação da ANAC, também tenho me deparado com uma quantidade substancial de portarias suspendendo a homologação de cursos teóricos e, principalmente, práticos de pilotos em diversos aeroclubes e escolas de aviação Brasil afora. E, não menos importante, tenho recebido diversas mensagens de leitores em processo de formação de piloto dizendo que as instituições em que voam estão cada dia mais vazias. Todos estes são sinais de que, possivelmente, possa estar começando uma crise no setor de instrução aérea no Brasil, embora não tenha dados estatísticos que confirmem isso. Mas vamos explorar o que ocorreu no passado recente da aviação brasileira para projetar alguns cenários para o futuro dos aeroclubes e das escolas de aviação do Brasil*.

*Obs.: Na verdade, vamos tratar mais dos aeroclubes, que são instituições mais numerosas, antigas e complexas em termos de estrutura societária do que das escolas, que são mais recentes e, sob certo aspecto, “simples” – tratam-se de empreendimentos comerciais similares à maioria das empresas privadas.

Logo após o fechamento da Varig, lá por 2006/7, a situação nos aeroclubes estava caótica. Acostumados com décadas de subsídios e doações de combustível, aeronaves e peças de reposição, naquela época já fazia mais de 10 anos que os últimos Boero’s tinham sido entregues (sim, houve a distribuição de 20 Guri’s em 2006, mas foram muito poucos ante a necessidade dos aeroclubes). E a demanda por horas de voo de instrução estava no chão, com a aviação tentando se recuperar da crise que assolava o setor, o que desincentivava a entrada de novos alunos nos cursos de aviação. Mas chega 2008 e, apesar da “crise dos subprimes” no mercado financeiro internacional, a economia do Brasil dá sinais de robustez (mesmo com a contração de 0,2% no PIB de 2009, crescemos 7,5% em 2010). Naquele mesmo ano, é fundada a Azul Linhas Aéreas, com uma política inovadora de RH, que nos anos seguintes se mostraria bastante amigável com os pilotos recém-formados. TRIP (que, na época, era concorrente da Azul), Tam, Gol, e até a Passaredo também estavam contratando pilotos com extrema voracidade naquele período de 2009-2011. O pré-sal, recém-descoberto, se mostrava uma mina de ouro para a asa rotativa num futuro próximo. O câmbio favorecia a importação de aeronaves para a aviação geral – estas, praticamente dadas de graça nos mercados do primeiro mundo, arrasados pela crise. E,  como a cereja no bolo, os grandes eventos da Copa do Mundo e das Olimpíadas apontavam para uma demanda crescente por pilotos no Brasil. Começava a era do “apagão de pilotos”, cantado em prosa e verso pela imprensa brasileira!

Com isso, a demanda por instrução aérea explodiu, e os alunos fizeram fila nos aeroclubes e escolas de aviação (estas, ganhando importância crescente), onde imploravam, de joelhos, para poder voar nem que alguns minutinhos. O resultado foi que o dinheiro começou a jorrar no caixa dessas instituições, e muitos aeroclubes que estavam prestes a fechar ganharam nova vida. Apesar de uma situação patrimonial complicada – muitos, tecnicamente falidos, na verdade -, a entrada maciça de recursos permitiu que muitos aeroclubes em situação catastrófica passassem a crescer, adquirindo novas aeronaves (em grande parte das vezes, arrendadas, para não correr o risco de penhora em processos judiciais) e contratando instrutores às baciadas. Já as escolas de aviação, por serem mais recentes, não carregavam passivos expressivos, e o aumento do faturamento foi canalizado para um crescimento mais sustentado.

E assim foi até 2012/13, quando as boas notícias sobre a aviação começaram a escassear. Mas os alunos, ainda no meio da formação, não iriam simplesmente abandonar o curso assim, de uma hora para outra – daí o fato de que a redução efetiva na demanda só aparecer agora, em 2014. É claro que o mau tratamento dispensado aos alunos por muitas instituições na época do “apagão” também não ajudou a retê-los nesse momento menos favorável à aviação, mas as condições macroeconômicas e do setor aeronáutico certamente foram as que mais pesaram na debandada de alunos. E, para piorar, os custos operacionais começaram a subir rapidamente: o preço da Avgas já aumentou 20% só nos últimos meses (e deve subir bem mai depois das eleições), e o SNA está fazendo pressão para a regularização trabalhista dos instrutores (o que deve aumentar significativamente o custo de mão-de-obra). Se a demanda ainda estivesse aquecida, seria fácil lidar com isso: bastava imprimir uma circular informando o reajuste nos preços das horas de voo, e distribuir aos alunos. Mas com a demanda em baixa, não é bem assim que a coisa funciona…

Fora isso, aquele dinheiro que jorrou na era do “apagão de pilotos” era somente a geração de caixa do negócio, não o lucro. Boa parte daqueles recursos deveria ter sido provisionada para as grandes manutenções, para a depreciação das aeronaves e instalações, e para as despesas contingenciais do negócio, como ações trabalhistas e fiscais, por exemplo (quanto mais se opera, mais se gera esse tipo de passivo). E nem vou entrar no mérito do problema da corrupção, que sabemos ser endêmica em instituições “sem dono”, como os times de futebol, as ONGs em geral, e… Os aeroclubes. O resultado é que a situação de 2006/07 retorna agora, só que amplificada. Quem estava em situação complicada antes do “apagão” e não acumulou recursos nos anos de alta demanda, agora enfrentará uma dificuldade ainda maior.

Os aeroclubes bem administrados e a maioria das escolas de aviação, que souberam lidar com a bolha do “apagão”, sobreviverão, e ganharão dinheiro na próxima onda positiva da aviação. Quem não tem dívidas (especialmente as decorrentes de processos trabalhistas e fiscais) poderá lidar com a redução na demanda com relativa facilidade: basta reduzir o tamanho da operação que as contas se equilibram naturalmente. Já quem depende da entrada de caixa para pagar parcelamentos de processos judiciais perdidos, por exemplo, vai estar em maus lençóis. E é este o caso de parcela significativa dos aeroclubes que, além disso, também possuem frotas de aeronaves muito antigas, que requerem muita manutenção para continuar operando. Aí, só com ajuda externa para não sucumbir – que, na atualidade, deverá vir exclusivamente dos sócios, pois acho muito improvável que o governo venha a socorrer essas instituições.

Pelo menos é este tipo de canário que projeto para o futuro próximo da instrução aeronáutica do Brasil. Poso estar errado – e, sinceramente, acharia ótimo que estivesse! -, mas eu acho que veremos muitas instituições tradicionais do setor fechando as portas nos próximos anos. A boa notícia é que as que sobrarem serão muito mais saudáveis gerencialmente, e muito mais bem preparadas para prestar bons serviços. Mas vai doer.

42 comments

  1. Ilo Rego
    3 anos ago

    Qual seria o caminho para quem não abandona a ideia de se profissionalizar nesta área da aviação civil?

  2. Victor hugo gotuzzo
    3 anos ago

    Fico abismado de ver q. uma instituicao como a ANAC tao mal gerida,num pais continental como o BRASIL,eles se lacraram la no RIO,e nem se quer recebem pilotos e o pessoal de aviacao para solicitarem melhoras e melhorias no tao famigerado servico deles,e o pessoal q. esta em cargos superiores menos entende de aviao e aviacao,nao tem ninguem para resolver nada,um bando de perdidos,e burrocratas q. se quer nao souberam nem copiar o q. o velho DAC deixou a eles,la tem biologos,advogados,e ate nutricionistas,..mas aviologos niente,…tecnicos em aviacao/aquele cabo veio q.sabia oemprego da legislacao,eles mandaram embora,um coronelmeu amigo na transicao estava quase doido,indo embora para a base aerea,porque nao se entendia com os advogados da tal ANAC,..essa transicao foi muito mal feita, e era sabido q. daria no que deu,..mudam e nao perguntam para quem sabe,dai saem estas idiotices sem pe nem cabeca eh uma vergonha,..um atrazo,qdo se fala em ANAC o pessoal se arrepia,essa eh a verdade,eles estao acabando com a aviacao,se nao mudarem vai falir o sistema,muitas empresas de manutencao fecharao.

    Gotuzzo.piloto ainda desede 1974.

    • Edmundo
      3 anos ago

      Comandante Gotuzzo nós somos da mesma época ,você de 1974 e eu comecei meu historico na aviação em 1975 e vivo da aviação até hoje e tenho encontrado em todos os cantos do Brasil as mais diversas reclamações e as mais absurdas …por exemplo esses dias conheci um piloto comercial que não consegue revalidar porque a habilitação dele não existe ,e ele ja é piloto comercial à mais de vinte anos …conclusão quase perdeu o emprego.
      Raul Marinho acho que está na hora de passarmos essas informações para a mídia ,por exemplo a revista” veja” pra começar e tornar pública essas nossas reinvidicações ,pois ja chegamos ao limite ,pra vocês terem uma idéia fui fazer icao english test em Portugal e la a checadora me afirmou que passei ,mas ela é proibida pela anac de dar o certificado pois no final esse teste vem ao Brasil e fazem nova avaliação no Rio De Janeiro e não me passaram ,disseram que fiquei na avaliação “estrutura” ,mas ja que minha examinadora me falou isso eu fale que queria fazer um teste “AESA” para pilotos que é o teste padrão para todo os países da europa e meu nível foi quatro ,portanto vim com meu certificado em mãos valido pra o mundo todo …menos para o Brasil …me digam se devo ou não entrar com um processo em cima da anac ,ja fiz 20 translado de aeronaves from USA to Brasil sozinho e nunca tive problemas com meu inglês , acho que o inglês que se fala no Brasil deve ser melhor que o falado nos estados Unidos e na Inglaterra .
      Abraço à todos

      • Raul Marinho
        3 anos ago

        Edmundo, vc não faz ideia o que eu já tentei pautar a imprensa sobre os descalabros na aviação… E sabe qual foi o único órgão d imprensa que me deu ouvidos? Uma emissora de TV da Espanha! – Vide http://www.hispantv.com/detail/2014/04/01/265803/panorama-brasil-alas-quienes-no-pueden-volar

        • Edmundo
          3 anos ago

          ASSISTI E FIQUEI CONTENTE EM VER QUE ENCONTRAMOS PESSOAS CORAJOSAS LA FORA MOSTRAM COM CORAGEM AS COISAS ERRADAS EM NOSSO PAÍS,PENA QUE A NOSSA MÍDIA SE CURVA À ANAC E NÃO COMENTA NADA E SE CONTINUAR ASSIM A COISA VAI PIORAR
          GRANDE ABRAÇO RAUL

      • Marcus Britto
        3 anos ago

        Eu vivo isso até hoje, pois com 34 anos de aviação e mais de 6.000 Hs e todas as carteiras, tirei minha declaração de horas para ingressar em um Companhia Aérea, me entregaram uma declaração com 0 (zero) Hrs. Perdi a vaga…

        • Edmundo
          3 anos ago

          OLHA AMIGO TENHO QUASE 30.000 HORAS DE VOO POIS NÃO PAREI DE VOAR TODOS ESSES ANOS E FALEI PRA MEUS ALUNOS NA ESCOLA DE AVIAÇÃO EM CAMPO GRANDE QUE EU FARIA UM TESTE ENVIANDO MEU CURRICULUM E DESCOBRI QUE SE EU NÃO LANÇAR NA CIV ELETRÔNICA TODAS AS MINHAS HORAS QUE JÁ ESTÃO AMARELANDO NA CIV PAPEL ,EU NÃO CONSEGUIRIA NEM RETORNO DAS COMPANHIAS ,MAS TIVE UMA SURPRESA …EU NÃO CONSEGUI LANÇAR NEM A METADE EM TODAS AS CATEGORIAS MAS JÁ SERIA O BASTANTE UMAS 10.000 HORAS E OQUE ACONTECEU !?…NEM RESPOSTA DAS EMPRESAS .
          MINHA SORTE É QUE POSSUO UMA FIRMA DE AVIAÇÃO AGRÍCOLA DESDE A 25 ANOS E TODOS OS ANOS EU FAÇO MEUS VOOS NA TEMPORADA DE PLANTAÇÕES E NA ENTRE SAFRA VOO INSTRUMENTO E MINISTRO INSTRUÇÃO EM UMA ESCOLA DE AVIAÇÃO ,MAS AGORA A ANAC JÁ FOI LONGE DEMAIS ,DIZER QUE VOCÊ NÃO POSSUI AS HORAS QUE VOCÊ DECLAROU ?
          VOCÊ LANÇOU AS HORAS TODAS NA CIV ELETRÔNICA ?
          ACHO QUE REALMENTE ESTA NA HORA DE NOS UNIRMOS E PARTIRMOS PRA CIMA DA ANAC ,PRECISAMOS DE UM SENADOR DOS BONS E UM DEPUTADO DOS BONS TAMBÉM PRA NOS REPRESENTAR PERANTE A ANAC ,POIS TODOS OS CARGOS DE CHEFIA E PRESIDÊNCIA DA ANAC ,SÃO DE PESSOAS INDICADAS POR POLÍTICOS E QUEM OS COLOCOU LA ,VÃO TER QUE SE EXPLICAR OU RETIRAR OS INCOMPETENTES E APROVEITAR OS MILITARES QUE JÁ FORAM PRA RESERVA PRA POR EM ORDEM E ENSINAR QUEM JÁ ESTA LA E OS CONCURSADOS TEM QUE SER PESSOAS LIGADAS À AVIAÇÃO ,PILOTOS ,MECÂNICOS AERONÁUTICOS, ENGENHEIROS AERONÁUTICOS E NÃO “ENGENHEIROS DA ÁREA DA CONSTRUÇÃO ,DENTISTAS ,PSICÓLOGOS ETC” QUE NUNCA LERAM NADA SOBRE AVIAÇÃO DESDE A ÁREA BUROCRÁTICA ATÉ FISCALIZAÇÃO DE OFICINAS DE AVIAÇÃO ,ESCOLAS ETC
          VOU LHE DIZER UMA COISA AMIGÃO NÃO DESISTA ,CONTINUE NO PROPOSITO DA AVIAÇÃO ,VOCÊ TEM A EXPERIÊNCIA QUE PRECISAMOS NO MERCADO ,POIS LOGO ESSAS COISAS VÃO VIRAR ESCÂNDALOS AS QUAIS VIRÃO À TONA , VAMOS EM FRENTE

          • Marcus Britto
            3 anos ago

            Caro Edmundo, graças a Deus você possui uma Empresa de aviação agrícola e não sentiu o peso de não ter horas para currículo. O maior absurdo é que dei 10 anos de instrução de voo em um Aeroclube no RJ, administrado pelo antigo DAC e nem essas horas eles acham, tendo as folhas de pistas arquivadas com eles. Como eu não tenho minha Empresa e dependo de me contratarem, estou no chão a 3 anos, dando aula teórica e coordenando um curso de Piloto aqui em Santos SP.
            Meu pai nasceu ai em Campo Grande não sei se você conhece o Comandante da VASP que foi seguido por um OVNI em um 727 da Salvador ao RJ o nome dele é Gerson M. de Britto.
            Hoje, nem na instrução consigo voar, muito menos na agrícola pois aqui na região não tem nenhuma oportunidade.
            O que eu consegui lançar na CIV eletrônica foram umas 400 Horas de turboélice que voei off shore na prospecção de petróleo. As minha CIVs antigas já se estragaram, e como não precisava delas, porque antigamente lançávamos as horas no DAC e ficava registrado. Por conta disso estou sem voar e deixando de fazer o que mais gosto…

            • Edmundo
              3 anos ago

              AMIGÃO E SE VOCÊ LANÇAR AS HORAS QUE VOCÊ VOOU DANDO INSTRUÇÃO ? VAI AO AEROCLUBE E FAZ UM LEVANTAMENTO ,POIS ELES TEM CONTROLE DAS HORAS NAS CADERNETAS DIÁRIO DE BORDO ?
              VOCÊ FOI REGISTRADO COMO INSTRUTOR EM SUA CARTEIRA DE TRABALHO ?
              VAMOS ESTUDAR ALGO QUE SEJA PRA VOCÊ RECUPERAR PELO MENOS A METADE DESSAS HORAS .
              – EU ME LEMBRO DO CASO DO OVNI E NESTA ÉPOCA MEU IRMÃO QUE VOA NA TAM CHEGOU A OUVIR A DESCRIÇÃO DO OBJETO VIA FONIA E ALGUÉM AINDA DEVE TER ESSA GRAVAÇÃO EMOCIONADA DO COMANDANTE DA VASP .
              _- VOLTANDO AO ASSUNTO DAS HORAS …NO TEMPO DO DAC EXISTIA PROBLEMAS DE DESAPARECER HORAS QUE NOS PENSÀVAMOS QUE JÁ ESTAVAM REGISTRADAS ,MAS HOJE ENCONTRAMOS UMA ANAC MUITO MAIS COMPLICADA ,

              • Marcus Britto
                3 anos ago

                Edmundo, o Aeroclube já esta fechado a anos, era o Aeroclube de Nova Iguaçu no RJ e as folhas de pistas com os voos, foram recolhidos pelo DAC.
                Já tentei reaver essas informações, mas a ANAC que herdou todas essas documentações, não tem ideia de aonde esteja. Eu tenho todos os totais por categoria, só não tenho voo a voo.
                Quando estive no RJ para tentar incorporar esse totais, eles me disseram que só poderiam registrar 200 Hrs do meu PC, mais nada. e o meu INVA ? E o meu IFR ? e o meu Multi ? E ainda por cima eu fiz o meu INVA dentro do DAC, na turma especial que o IAC criou e ministrou o curso do INVA para PCs usando os recém chegados Aerobueros.
                Alegaram que perderam as horas registradas no computador, em um incêndio no Aeroporto do Santos Dumont (que eu acho que foi criminoso, queima de informações) e só fiquei sabendo bem depois quando fui registrar minha outra CIV, ou seja, as Aéreas quando consultavam minha posição de horas no DAC (antigamente faziam isso com seu Código DAC), não visualizavam nada e nem me dava satisfação, não me contratavam e eu perdia a vaga para outro.
                E agora meu amigo, com 51 anos de idade, ninguém quer mais me contratar, não dão importância a experiência, mas sim juventude. Tanto é que 2 professores da minha coordenação, foram contratados pela Azul, um com 167 Hrs e outro com 200 Hrs. Estão voando 195 e o primeiro quase passando para comando. Juventude meu amigo os pilotos velhos não tem mais vez, experiência só tem importância em um pais como o Japão, aqui é chão…

                • Edmundo
                  3 anos ago

                  ESTIVE NA EUROPA ,EM PORTUGAL COMO DISSE EM OUTRA CONVERSA E FIQUEI IMPRESSIONADO ,MESMO NA AVIAÇÃO NÃO EXISTE ,MAIS NOVO OU COM MAIS IDADE ,DESDE QUE VOCE TENHA SAÚDE E QUERIA CONTINUAR VOANDO …CONTINUA A VOAR SEM PROBLEMA ,SEJA INSTRUTOR OU PILOTO EXECUTIVO OU REGIONAL.
                  MAS TEMOS QUE IMAGINAR E TORNAR REAL ISSO PRA NÓS NO BRASIL TAMBEM

                  • Marcus Britto
                    3 anos ago

                    Concordo que na Europa é assim, mas aqui a mentalidade é tacanha !!! Fazer o que…

            • Edmundo
              3 anos ago

              FALANDO-SE NAS CIVS ANTIGAS VOCÊ CONSEGUE VISUALIZAR OS PREFIXOS DAS AERONAVES E AS DATAS DOS VOOS ?OU VAMOS DIZER QUE VOCÊ CONSIGA LEMBRAR OS PREFIXOS VOADOS NA ÉPOCA ,

              • Marcus Britto
                3 anos ago

                Impossível, muitas aeronaves, muitos voos…

  3. Edmundo Ribas
    3 anos ago

    Continuando ,sou piloto inva e tenho mantido todas as habilitacoes em dia ,mas a anac esta conseguindo parar pilotos ,pois nao dao respaldo e atendimento como deveria ,pois anac e nossa referencia ,teria que ser nossa casa onde fazemos reclamacoes ou solicitacoes de servicos . ate agora a ouvidoria nos atende e com muita eficiencia nos respondem em 20 dias aproximadamente ,…mas para nossa tristeza respostas desconexas “verificar rbha 61″… vamos la ler com muita atencao…mas nao e nada disso que precisamos e voltamos a entrar em contato com a anac via telefone… Mesmas respostas sem proveito algum .
    Exemplo que ja estou proximo a 30.000 horas de voo emtodas as categorias e continuo aprendendo que a anac nao nos respeita .Isso que estou publicando e pra que nossos futuros aeronautas se preparem para oque vem por ai ou vamos nos unir e mudar ate as cupulas da ma administracao desta agencia . nao queremos favorecimentos …queremos voar e ser atendidos com competencia

  4. Edmundo Ribas
    3 anos ago

    Foi muito clara a exposicao do colega ,mas eu alem disso tudo que voce escreveu… Temos a incopetencia da anac ,pessoas despreparadas e eu provo isso pelas respostas evazivas que me dao quando indago eles sobre revalidacoes por exemplo de piloto agricola ,minha habilitacao venceu em novembro e ate hoje recebo respostas inadequadas para a situacao e ainda o setor tem a cara de pau de responder que se passar de seis meses o piloto tem que passar por uma escola e ser reavaliado,mas o desespero vai se acumulando pois de mes em mes respondem sempre a mesma coisa .Por exemplo colegas se voce precisarser avaliado por um inspac …voce faz a solicitacao e nao respondem pra voce ese voce estiver disposto a ir a Ponta Grossa PR …Nao va pois cassaram o direito do checador da escola. Pena nao ter mais espaco pois tenho muito mais a comentar sobre a Anac. abraco a todos e desejo-lhes muita sorte

  5. Paulo
    3 anos ago

    Eu ouvi em porta de hangar… alguém tem alguma informação mais precisa sobre que os aeroclubes não poderiam mais formar pilotos comerciais, apenas privados? (Mantendo o foco na aviação esportiva/hobby como deveria?)
    Ouvi da mesma pessoa que o Aeroclube do PR, (ou associados) já estariam abrindo uma escola para poder continuar a formar pilotos comerciais, para usar as aeronaves compradas pelo Aeroclube (152, Seneca, corsico, etc… ou seja só n usariam os AB-115 do Governo).
    Caso proceda, isso pode acelerar em muito o fechamento de vários aeroclubes que não possuem aeronaves próprias… só as cedidas pelo antigo DAC.

  6. David Banner
    3 anos ago

    Alguém sabe dizer se ainda estão liberando FIES pra formação prática do curso de Ciências Aeronáuticas?

    Sei que em BH se formou um enorme” oba oba” quando o FIES começou a ser liberado pra pagar o prático. Assim a demanda subiu vertiginosamente, as escolas encheram as burras de dinheiro e formaram, como nunca na história de Belo Horizonte, PCAs e PCHs aos rodos.

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Essa história do FIES para financiar horas de voo é controversa. No meu entendimento, é ilegal, mas há quem diga que seja legal. De qualquer maneira, legal ou não, é um procedimento não recomendável, uma vez que o sujeito vai se formar com uma dívida gigantesca, cerca do dobro de um curso superior “comum”, e se encontrar o mercado retraído como agora, acabará ficando inadimplente.

      • David Banner
        3 anos ago

        Muitos pilotos desempregados e inadimplentes junto à caixa. É o que está previsto pro próximo ano, já que a grande leva de alunos que usaram o FIES em BH se formou em 2012. E foi uma farra. Vi muita gente que estava quase checando PCA pulando pra PCH alegando que “PCA” tava chato e que PCH era a bola da vez.

        Pelo que sei, quase todo mundo segue desempregado, apesar de estarem “FULL carteira”. Muitos, pra não falar quase todos, também não conseguiram tirar ICAO. Um verdadeiro tiro no pé.

        Já já os advogados da caixa vão começar a brincar de “seek & destroy” com os inadimplentes.

        Procurei alertar esse pessoal, mas o efeito “manada” arrastou muita gente pra essa armadilha.

  7. Enderson Rafael
    3 anos ago

    E o mais triste é que amadorismo na aviação não significa apenas falências, mas acidentes. Concordo com o Fábio Otero, sinto falta de reais “clubes de aviação” no Brasil. Além de serem escolas fracas, não servem como um local onde alugar aviões e ter fomentada a cultura aeronáutica. Uma pena. E como eu sempre digo: o programa está, ao meu ver, errado. Esse sistema de separar teórico e prático, de “levar os alunos nas costas”, seja com centenas de horas de aula pruma matéria que não exige mais que algumas dezenas ou com cheques complacentes, está formando aviadores nos quais empresas e nem INVAs confiam. Por isso pouca gente sola de verdade, por isso essa impressão de que estamos formando “copilotos”, ao invés de estarmos formando, como deveríamos, comandantes de aviões leves. Com instrutor do lado ninguém aprende a tomar decisão. Tem muito pra se consertar, mas acho que esse hiato na demanda é momentâneo. Não teremos um período tão próspero de contratação como 2004/2011 tão cedo, talvez nunca mais. Mas estamos melhores que em 2012/13. Ah, estamos. Mas aviação, custando o que custa, nunca será pra todos, menos ainda no Brasil. Eu fui um que levei 10 anos pra realizar esse sonho por conta, em boa parte, do custo. E ainda escolhi fazê-lo fora do Brasil entre outras coisas, pelo preço.

    • Fernando Rodrigues
      3 anos ago

      Eu fico pensando, porquê ainda não temos esse tipo de atividade no Brasil. É ruim demais fazer o curso e praticamente não poder mais voar a menos que esteja trabalhando, não poder levar a mãe/pai para um passeio tranquilo, raros os casos com muita insistência nos aeroclubes. Espero que os aeroclubes consigam migrar para essa atividade, assim certamente estarão lucrando.
      Em caso negativo, vou batalhar para juntar fundos e procurar desenvolver esse tipo de atividade pra daqui uns 10 anos quando tiver um pouco mais de maturidade.

    • Beto Arcaro
      3 anos ago

      Beto Arcaro, you mean? Kkkkk

  8. Rafael
    3 anos ago

    Caro Raul,

    Mais uma análise bem feita.

    O mercado é implacável com empresas/instituições mau gerenciadas. Simples assim.

    Sou mais um dos que adorariam ser piloto, mas acabaram se embrenhando no mundo corporativo. Ao retomar o sonho de infância, o meu pouco contato com aeroclubes e afins, deu para notar que existe uma parcela de amadorismo nessas instituições, que vão desde alunos serem mal tratados a composição de escalas toda bagunçada. Isso é apenas o que estava na minha frente. Imagine o que não ocorre nos bastidores?!

  9. Marcus Britto
    3 anos ago

    Pois é Raul, isso já era esperado desde a saída do DAC no cenário da instrução.
    Fui instrutor e diretor do extinto Aeroclube de Nova Iguaçu no RJ e nessa época o DAC (eu era feliz e não sabia) fornecia avião, apoiava a instrução e dava também apoio operacional.
    Hoje é cada um por si. Logicamente não levando em conta aeroclubes de referência como a EJ do Edmir e mais alguns poucos pelo Brasil, o restante tem que agregar aeronaves para poder voar, e muitas vezes tem 1 avião ou 2 e quando agrega de um particular, a margem de lucro é mínima.
    Em uma Empresa com uma margem de lucro pequena os problemas viram uma bola de neve…

    É essa a realidade do instrução no nosso país, esta igual a seleção, levando de 7 a 1.

  10. Edeandro Lopes
    3 anos ago

    Eu mesmo, já desisti da ideia de ser piloto, mas nunca vou abandonar a aviação… em muito devo a vocês que já são pilotos, suas experiência e espertize no setor, se não o fossem, eu ficaria sem voar, e sem dinheiro… o que ouço aqui, ouço de todos os pilotos que conheço, muitos até estão estudando faculdades, e pretendem abandonar o ramo… pois só em linha aérea se tem um digamos “retorno”, agora aqueles que estão na privada e particular, já estão literalmente firmando o pé no chão. O que salva aqui no MT é só o setor da aviação agrícola, domais tá tudo falido…

  11. Beto Arcaro
    3 anos ago

    Perfeito Raul! Essa é uma crise “Quantitativa”.
    A crise “Qualitativa” já existe há muito tempo!
    Outro dia, conversando com um amigo, chegamos à conclusão de que os Aeroclubes deveriam ser, como o próprio nome diz, simples “Clubes de vôo” desvinculados da instrução aeronáutica. Deixem isso para as escolas!
    Você quer voar suas horas para o PC, vá à um Aeroclube, consiga um “endorsement” para voar, alugue um Avião, e voe!
    Você já é PP e já, “em teoria”, Piloto não ?
    Quero viajar com a família?
    Vou lá, alugo um avião no “Clube” e vou voar.
    Escola é escola, clube é clube!
    Administrativamente, são muito diferentes.
    O que acaba “ferrando” com os Aeroclubes, hoje em dia, é justamente a “Instrução”.
    Esse modelo de Clube/Escola não funciona mais!
    Menos ainda, nesse ambiente cultural e econômico hostil em que vivemos.

  12. David Banner
    3 anos ago

    Parece que a molecada tá abrindo o olho e descobrindo que “amor” não paga contas.

    Gastar 200 mil numa formação aeronáutica, “acertar na loteria” e conseguir uma vaga no processo seletivo, disputar no tapa a vaga entre os inúmeros candidatos, pra depois não tirar nem 4 mil liquido como copila na Azul.

    Não tem “I love aviation”, “sonho de infância”, ou “amor pelo que faz” que sustente toda essa insanidade de inversão de valores da profissão de piloto.

    • Julio Novais
      3 anos ago

      200 mil? Uow..

      • David Banner
        3 anos ago

        Se for colocar a faculdade de CA nesse história, fica bem perto disso, Julio.

  13. Julio Soares
    3 anos ago

    O complicado vai ser o impacto disso no mercado de trabalho. Se já tem muitos INVAs desempregados, imagina se começarem a demitir.

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Vc está antecipando um artigo que está no prelo… Ia falar disso nesse post, mas achei melhor dividir, para o texto não ficar tão longo e mais focado.

    • Daniel
      3 anos ago

      A curto prazo INVAs desempregados, a longo prazo abertura para contratações de pilotos estrangeiros já que a instrução no Brasil morrerá…

  14. João Carlos Medau
    3 anos ago

    Análise perfeita. A demanda por escolas / aeroclubes segue a mesma curva da demanda das empresas aéreas por pilotos, apenas com uma diferença de tempo.

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Tks! Se vc, que é uma das pessoas que eu considero mais sensatas da aviação, acha o mesmo, então a coisa tá feia mesmo..

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