Sobre a experiência não-aeronáutica de um piloto

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Recebi uma mensagem na página FAQ que tem a ver com um assunto abordado no II Seminário Contato Radar – Empregabilidade & Segurança ocorrido na semana passada, então acho que vale a pena trazer o assunto para um deba mais amplo. Começando pelo questionamento do leitor Renan Gomes:

 

(…) no currículo de um piloto deve constar apenas a experiência relativa à aviação?
Por exemplo: tenho 30 anos, sou formado em ciência da computação, tenho MBA em gestão de TI e atuo na área de TI desde os 21. Trabalhei (e ainda trabalho) em grandes empresas da área hospitalar e em grandes projetos implantando os famosos ERP (sistemas integrados de gestão), coordenei equipes, etc. Enfim, numa possível transição para a carreira de piloto, toda essa experiência passada deve ser ignorada? Ou melhor, ela será ignorada pelo contratante?
Não é estranho apresentar um currículo onde a experiência inicia aos 30 anos? Não pode surgir a indagação sobre o que foi feito no passado?
Além disso, toda essa experiência fora da aviação agrega ao perfil profissional características comuns à ambas profissões, por exemplo: trabalho em equipe, paciência, disciplina, trabalho sob pressão, disposição para o aprendizado e novos desafios, etc.

Então, ao mudar de profissão, como eu deveria proceder ao elaborar o currículo para piloto?

E, agora, passando para os meus comentários:

Sobre o piloto ter uma formação fora da área da aviação, há diferentes interpretações. A TAM, por exemplo, considera qualquer diploma de nível superior para que o candidato possa somar pontos no seu processo seletivo.  Já a Azul só considera a formação em Ciências Aeronáuticas como um “diferencial”. E, nas oportunidades da aviação executiva, a amplitude de possibilidades é ainda maior… Então, uma formação em outra área, como TI, pode ou não aumentar as chances de contratação: vai depender de como o recrutador entende isso.

Mas o que é perguntado é um pouco diferente: a dúvida é se é preciso citar experiências fora da aviação para dar coerência à biografia do candidato com mais idade – no caso, um sujeito de 30 anos. Bem, é claro que o empregador vai querer saber o que o candidato fez da vida até aquele momento, então é preciso dizer o que se fez até então (ou o recrutador vai achar que você esteve preso dos 18 aos 30…). Mas o problema é que nem sempre convém falar sobre uma formação em outra área. Já ouvi diversas histórias de pessoas que tiveram que esconder diplomas e cargos para não serem prejudicadas em processos seletivos de pilotos. Pois é, pode parecer absurdo, mas isso realmente acontece: há recrutadores que acham que contratar um piloto com formação muito boa em outra área seria perigoso – esse candidato poderia abandonar o emprego mais facilmente segundo esses gênios do recrutamento.

Dito isso, o que eu recomendo é ser econômico na descrição do que se realizou fora da aviação. Partindo da máxima que diz que “o que não ajuda geralmente atrapalha”, eu não falaria nada sobre esse MBA, e citaria somente que se trabalhou com informática, sem entrar muito em detalhes. Se perguntado, diga que trabalhou em projetos de implantação de sistemas em hospitais, mas não precisa dizer que liderou equipes ou desenvolveu tecnologias. Num processo seletivo para pilotos, o interesse estará na sua capacidade como piloto, e ponto final. Depois, já empregado, você pode usar essas suas outras competências para, eventualmente, subir na carreira; mas num momento inicial, acho melhor não dar ênfase a isso.

 

 

6 comments

  1. Daniel
    3 anos ago

    Eu li e acabei descobrindo que sempre tive esta dúvida mas nunca soube…

    Sou um desses com muitos anos em T.I.

    Obrigado pelo post!!

  2. Antonio Santos
    3 anos ago

    É Viktor, realmente pelo site nunca vi chamarem ninguém mesmo, não sei nem se eles realmente usam aquela ferramente, todos que vi serem chamados ou foi por indicação de pilotos ou de faculdades como da PUC/RS. Depois que você tem os mínimos legais, digo as licenças e CHTs o que realmente importa é indicação, pois com certeza um indicado vai sobrepor um pc 1000 horas levando em conta que a visibilidade do indicado sera muito maior. Infelizmente considero um processo subjetivo e pouco democrático, mas como democracia nao passa nem perto de empresas privadas o negocio é puxar saco dos pilotos do Brasil e criar os seu próprio “networking”. Saco do patrão corrimão para o sucesso!
    A unica coisa realmente certa que tenho visto na empresa que esta contratando atualmente, é que independente de quem indica tem que passar pela seleção e na seleção eles não estão poupando NINGUÉM, no entanto o networking volta a ser importante pois com dicas de conhecidos que ja fizeram a provam fica muito mais fácil.

    • Viktor
      3 anos ago

      Na área de engenharia até consigo ser chamado por esses sites de seleção, até já consegui ser chamado pela helibrás……mas para piloto o buraco eh mais em baixo…..

      • Viktor
        3 anos ago

        ops ……embaixo

  3. Viktor
    3 anos ago

    Tentei uma vaga de copiloto na Azul mas não tenho formacao em Ciencias Aeronauticas, apesar de ter formação técnica em eletronica numa universidade renomada de Sao Paulo, mesmo assim nao resultou em nenhuma entrevista, acho que devido ser pc com pouca hora. Resumindo, o que importa mesmo eh a indicação ou entao voce já estar trabalhando na empresa em outra função com um tempo razoável na companhia.Nem precisa ter muita hora de voo para conseguir vaga de copiloto. Depois de essas e outras a gente acaba perdendo a confiança da seriedade nesses processos seletivos, não só da aviação como de outros lugares do setor privado.

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