IstoÉ Dinheiro: “O risco dos jatinhos”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Flutuando no oceano de asneiras que têm sido publicadas na imprensa sobre aviação nos últimos dias, encontra-se uma notável e honrosa exceção: o artigo “O risco dos jatinhos“, de autoria de Márcio Kroehn e Rodrigo Caetano para a IstoÉ Dinheiro. Nele, os autores explicam com invejável clareza e concisão como funciona o mundo da aviação particular, e não se abstém de colocar o dedo na ferida: o voo que vitimou o Eduardo Campos poderia ser mais um dos infames TACAs, cada vez mais comuns no Brasil (infelizmente)?

Não deixe de ler essa espetacular reportagem. Vale a pena!

 

18 comments

  1. Ilo rego
    3 anos ago

    Perfeito as colocações dos comandantes, precisamos nos unir, precisamos mudar essa cultura de que, quem paga tem o direito de fazer o que quer e bem entende.

  2. fredfvm
    3 anos ago

    No passado, eu falava aos proprietários dos aviões que já voei. Indagava-o com uma simples pergunta: “Senhor, é possível deduzir o montante total de toda sua fortuna, tudo o que o Sr. possui?”…

    E após um breve pensamento, eu adicionava uma questionamento: “O senhor já imaginou que toda a sua fortuna, sua família, sua credibilidade e demais coisa e pessoas que fazem uso de seu avião, está tudo nas mãos de um piloto?… que na possibilidade de seu próprio falecimento motivado por um acidente aéreo, toda sua fortuna estará perdida?”…

    Em conclusão, eu finalizava o questionamento: “O senhor tem como imaginar que um piloto mau remunerado pode comprometer toda sua fortuna e todo seu trabalho?. Podendo trazer-lhe um prejuízo incalculável…”. Um piloto com contas vencidas, problemas de todos os tipos onde a falta de dinheiro ocasiona uma total mudança no comportamento diário, etc, etc, tudo isso contra seus investimentos e sua própria vida, toda sua fortuna sendo deixada de lado por causa de uma ínfima economia sem sequer uma ponderação.

    OBS 1: Voando de copiloto (no passado), já abandonei por duas vezes meu posto, muito antes de ligar os motores do avião, deixando o piloto e o patrão no avião, por saber que havia um sério problema que deveria ser ajustado, e que a economia em “não querer fazer o certo”, estaria pondo em risco a operação do voo.

    — Nestes dois exemplos acima, não perdi o emprego, e de imediato os salário do comandante e o meu, como copiloto foram reajustados em quase 100%.

    OBS 2: Hoje, já não me encontro mais na aviação, pois os níveis salariais estão muito abaixo de um patamar mínimo. Muito “novos” empresários, donos de aviões, estão morrendo ou matando pessoas nos vários acidentes que vemos nas matérias jornalísticas diárias, justamente por um único fatos: SALÁRIO.

  3. “Story of my life”, Senhores…por tentar fazer aviação de 1o. Mundo (inclusive tendo que invocar mais de uma vez o Art. 169 do CBA, no sentido de proteger a integridade física do avião, minha e dos demais ocupantes) em meio a “gente” com mentalidade de “5o. Mundo”, estou (novamente) sem emprego fixo há um ano; sem receber o último salário nem a rescisão e a CTPS ainda em aberto. Não fossem minhas outras atividades, tanto no Brasil quanto no exterior, minha situação pessoal / familiar hoje estaria bem pior, se não desesperadora. Mas não importa. Minha aviação continuará sendo de 1o. Mundo, até o último dia. “Tem mais Deus a dar do que o Diabo para tirar.”

  4. Beto Arcaro
    3 anos ago

    Sim Raul!
    Sim Quaranta!
    Mas acho que foi isso que eu quis dizer, uai? Claro que existem pressões. É o que mais se vê por aí ? Hoje em dia, digo que já foi pior! O que eu digo, é que no caso do com o AFA, eu duvido que a tripulação era mal treinada.
    E também duvido que tenham havido pressões para o pouso.
    Pode ser que sim, mais quando a coisa aperta, eu, pelo menos, penso em voltar pra casa.
    Já tive esse tipo de situação na minha carreira, Patrão intransigente, etc. Nunca perdi o emprego por “peitar” intransigências. Não sei….
    É claro, que TPP ou TPX vão cair se não tiverem condições de vôo ou tripulação que sabe o que faz, mas do jeito que a imprensa coloca, parece que o TPX é extremamente mais seguro que o TPP. Talvez tenha me expressado mal….

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Sejamos francos: de cada 10 pilotos que sofrem pressão, qtos resistem? O cara tá endividado, o cara vai casar mês que vem, o cara é sem noção… Tem tanta coisa que influencia! No fim, uma minoria resiste…

      Qto ao TPX ser mais seguro que o TPP, vc viu minha resposta ao comentário do Humberto Branco da APPA num post de ontem?

      • Raul Marinho
        3 anos ago

        A propósito, a resposta é essa:

        Vamos imaginar uma operação IFR realizada com um King-90 – avião denominado “single-pilot”, ou seja: que pode ser operado com total segurança por um único piloto, seja em condições visuais ou por instrumentos (ele foi construído para isso, e homologado para tal inicialmente pela FAA, e depois pela ANAC). Se esta aeronave estiver registrada como TPP (uso privado, RBHA-91), ela vai poder voar com um único piloto mesmo, e tudo bem; mas se ela ela estiver registrada como TPX (táxi aéreo, RBAC-135), ela terá que operar obrigatoriamente com comandante+copiloto, mesmo sendo single-pilot!
        Daí a pergunta: a segurança aumentou na operação TPX em relação à TPP?
        A resposta não é tão simples…
        Se eu sou o dono do avião e o uso para viagens com minha família, eu contrato o Cmte.X para pilotá-lo, que eu avalio como competente para comandá-lo, e isso me deixa confortável quanto à sua operação, qual o problema?
        Mas se esse mesmo avião é do meu táxi aéreo, quem nele viaja não tem como saber se o Cmte.X é mesmo competente para realizar essa operação sozinho, então acho que faz sentido haver o copiloto Y compondo a tripulação, pois isso seria uma barreira a mais no tal do diagrama de Reason (aquele dos furos no queijo suiço que, quando se alinham, provocam um acidente).
        “Ah, mas tem proprietário de aeronave TPP muito mais consciencioso que a média dos operadores TPX”!!! Ok, isso é verdade. E justamente por isso que se tem que ter muito mais cuidado com a operação TPX. No TPP, a bomba tende a estourar no colo do dono do avião, enquanto que no TPX, quem morre é o cliente, não o filho… (É claro que estou dramatizando, mas só para facilidade de entendimento).

        • Beto Arcaro
          3 anos ago

          Eu pedi a conta de um emprego, após dois meses de briga com problemas de manutenção.
          Um mês depois o Avião quase largou a hélice de um dos Motores. Não morreram de sorte!
          Acabaram, de susto, vendendo o avião!
          A decisão “Go/No” sempre é tomada, quando se está no avião, com os motores funcionando.

        • Beto Arcaro
          3 anos ago

          Pois é Raul….
          E as tais pressões?
          Pelo que ouço de tripulantes, elas existem até na 121.
          Na 135 então? São muito mais fortes.
          Já faz um tempo, voei um avião TPP. Notei que o avião era certificado IFR mas não tinha A/P.
          Achei estranho.
          Esse avião agora é TPX. O pessoal se mata por aí, à noite, no meio da Cebezada, voando um avião IFR, sem piloto automático.
          E são bastante pressionados!
          Fazem milagres, pela empresa.

    • Marcelo Rates Quaranta
      3 anos ago

      Claro Betão! Hoje conversando com um amigão que voou esse mesmo Excel por um tempo, ele me contou que o Cmte. Martins era super experiente, excelente piloto e muito bem treinado. Houve pressão? Bem, não sabemos. Mas o fato é que eu já voei em campanha política e posso te afirmar uma coisa: Eles adoram botar uma pressão em cima do piloto! Os caras fazem as agendas deles e faça sol ou faça chuva, querem que o piloto faça milagres. Não gostam de admitir nem atrasos ou esperas! Repito: Não sei se esse foi o caso do Eduardo Campos.

      Agora, você deu sorte. Conheci pilotos que foram pra rua por não cederem à pressão do operador. Eu mesmo, há muitos anos atrás, quando ainda morava em Brasília, fui chamado pra voar um Skylane. O dono era um italiano mais grosso que tronco de carvalho. Chegou de São Paulo num voo comercial e queria ir para a fazenda de qualquer jeito. O avião ficava em Brasília por ser mais perto da fazenda, mas tanto ele quanto o piloto dele moravam em São Paulo, e esse piloto, por questões de saúde, não pôde ir para Brasília.

      Bom, chovia torrencialmente, e eu fui para o aeroporto só pra dar uma satisfação e dizer que naquelas condições era impossível sair. Ainda fui esperá-lo no Terminal Um !!!. Quando o cara chegou e eu expliquei que não dava, o sujeito subiu nas tamancas! Primeiro fez mil apelos. Como não deu certo, me falou um monte de impropérios! Disse que eu não devia ser piloto coisa nenhuma, que piloto era o dele que saía com qualquer tempo quando ele mandava, que eu não servia nem pra pilotar uma carroça e etc…

      Amigo, eu não dei uma bolacha naquele cidadão não sei nem porquê! (Deve ser porque meu grau de civilidade era maior que o dele). Como eu estava com a chave do avião dele, minha resposta foi jogar a chave numa lixeira. . Sabe porquê eu fiz isso? Porque havia uns dois bobinhos lá que disseram que se eu não fosse debaixo daquele dilúvio, que eles iriam porque estavam precisando de dinheiro. Quando voltei para o hangar eu falei que eles podiam ir, mas que primeiro tentassem achar em qual lixeira do terminal 1 eu tinha jogado as chaves do italiano.

      Então, quando você não cede à pressão, tem sempre um imbecil (ou dois) que se prontifica a se expor e expor os outros a riscos… Desnecessários.

      • Raul Marinho
        3 anos ago

        Não existe nada mais fácil do que encontrar um Kamikaze! Que o diga o Tojo, que nunca teve um Zero no chão por falta de tripulante!

      • Beto Arcaro
        3 anos ago

        Pois é Raul….
        E as tais pressões?
        Pelo que ouço de tripulantes, elas existem até na 121.
        Na 135 então? São muito mais fortes.
        Já faz um tempo, voei um avião TPP. Notei que o avião era certificado IFR mas não tinha A/P.
        Achei estranho.
        Esse avião agora é TPX. O pessoal se mata por aí, à noite, no meio da Cebezada, voando um avião IFR, sem piloto automático.
        E são bastante pressionados!
        Fazem milagres, pela empresa.

      • Beto Arcaro
        3 anos ago

        Uma vez, um proprietário me disse que eu era um ótimo Cmte, mas que eu poderia ser menos “Chato” quanto à operações com mal tempo, etc.
        Falei em tom de brincadeira, é claro, mas a mensagem foi bem entendida.
        Você sabe por que eu sou chato?
        Por que o Sr. me paga para isso!

  5. Marcelo Rates Quaranta
    3 anos ago

    Beto, permita-me discordar de você, mas não há absolutamente nada de abobrinhas no artigo em questão. Ele fala de uma realidade em nosso meio. Embora o Código Brasileiro de Aeronáutica, em seu Artigo 167 diga que “O Comandante exerce autoridade inerente à função desde o momento em que se apresenta para o vôo até o momento em que entrega a aeronave, concluída a viagem”, e complementado pelo Art. 168 preconize que ” Durante o período de tempo previsto no artigo 167, o Comandante exerce autoridade sobre as pessoas e coisas que se encontrem a bordo…”; a realidade está bem distante disso.

    Há patrões que são realmente intransigentes e acham que porque compraram um avião de 2, 3 ou 10 milhões de dólares, o avião é capaz de fazer todas as suas vontades. Ou melhor… Que o piloto tem que fazer mágica ou milagre e operar em condições marginais com seus “tesouros”.

    Aí vem a questão: O piloto deve ceder às pressões? A resposta é um sonoro NÃO! Mas se analisarmos por outro lado, esses ficam numa tremenda sinuca, pois são ameaçados de (forma direta ou velada) serem postos na rua, e emprego não está sobrando por aí. Essa é uma das grandes causas de acidentes, porém fica uma oportunidade para reflexão: Além dessa tênue “lembrança” do CBA de que nós, comandantes, somos a maior autoridade à bordo, há algum mecanismo legal que que nos garanta exercer essa autoridade? De que forma os patrões são sancionados caso tentem passar por cima da autoridade do comandante? A resposta é: DE NENHUMA!

    O Comandante pode até dar justa causa no patrão, mas terá perdido o emprego da mesma forma, e logo em seguida haverá outro no lugar dele. Ao patrão caberá apenas pagar a indenização trabalhista (depois de uma luta atroz na Justiça) e ainda sairá queimando aquele comandante, dizendo que é um criador de caso e que “coloca patrão na Justiça”. A empregabilidade desse comandante será seriamente comprometida tanto por parte do ex-patrão quanto por parte de colegas de caráter duvidoso.

    E negar que isso acontece é fugir à realidade. Isso acontece todos os dias e conheço inúmeros casos de pilotos que sofrem um bocado com a interferência (e até humilhações) dos seus patrões. Cedem com medo do desemprego e ainda de ficarem queimados no mercado. É uma triste realidade que vivemos na aviação justamente pela falta de de Leis que garantam a aplicabilidade do que é dito no CBA – Este sim, extremamente superficial no que diz respeito à nossa autoridade.

    Dizer que o cara que cede às vontades do patrão não é comandante é que se torna subjetivo sem uma análise mais profunda da coisa, pois conheço excelentes comandantes que já fizeram concessões exatamente pelas razões já expostas. O que temos que fazer é somar esforços para que essa prática da pressão seja banida do nosso meio, e nesse ponto, a reportagem nos fez um enorme favor de tornar público algo que é uma realidade e que as pessoas desconhecem.

    • Beto Arcaro
      3 anos ago

      O que eu digo Quaranta, é que nós é que temos que mudar essa Cultura! É claro que é uma situação que acontece muito, mas, enquanto não formos fortes e “peitarmos” (isso que eu quis dizer com ser Cmte!) a coisa toda não muda.
      Por que é que os médicos não agem assim? Não cedem as pressões ?

  6. Beto Arcaro
    3 anos ago

    Artigo do setor agricola!
    Recheado de Abobrinhas.
    O cara que sede às vontades do Patrão não é Comandante!
    Penso assim!
    Já usei em diversas oportunidades (quando o cara força a barra) a seguinte comparação.
    Imagine que o Sr.(Patrão) vai fazer uma cirurgia cardíaca.
    Aí o Sr. (Patrão) fala pro médico:
    Doutor, o Sr. pode dar um jeito de ser mais rápido, por que eu tenho uma reunião às 15:00, e amanhã eu tenho que bater uma bola com os meus amigos…
    É a mesma coisa!
    Quem faria essa proposta à seu próprio médico?
    E que tipo de médico toparia?
    Agora, era TACA?
    Eu não acredito realmente que isso influenciou no acidente.
    O Aeroporto estava aberto IFR, o procedimento seria feito da mesma forma, com o mesmo equipamento, com a mesma manutenção, TACA ou não TACA.
    O RBAC 91 existe, e é regulamentado!
    Aeronaves TPP voam todos os dias, sobre nossas cabeças de forma, às vezes até mais segura do que muito 135.
    Vocês já viram algum avião fazer uma IAM da noite para o dia?
    Ou então fazer a IAM voando?
    Eu já vi, e não era aeronave TPP.
    Essa coisa é meio subjetiva.
    Até então o avião era emprestado ao Comitê do Candidato Eduardo Campos. O que rolava por fora?
    Ninguém sabe!
    Péssimo também é o título da matéria. Chega à ser pejorativo!

    • Beto Arcaro
      3 anos ago

      É “Cede” viu, lá no começo!
      Maldito corretor do IPhone!

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Raramente discordamos, Betão, mas nesse caso temos uma exceção…

      Primeiro onde a discordância é em termos:
      “O cara que cede às vontades do Patrão não é Comandante!”
      Eu concordo com o que vc diz, mas o fato é que isto é o que mais se vê por aí… Ou estou enganado?

      Agora, sobre o TACA, ponto que realmente discordo de vc:
      Transportar pax de maneira remunerada numa aeronave TPP não derruba avião. Voar com CMA, habilitações ou IAM vencidos também não. É tudo papelada, burocracia, e o que derruba avião é piloto mal treinado, equipamento mal cuidado, planejamento mal feito, etc. Mas a burocracia nada mais é do que uma maneira de evitar que o voo ocorra com piloto mal treinado, com equipamento mal cuidado, com planejamento mal feito, etc! Se o sujeito dá um nó na burocracia e voa todo ferrado, é outra história, mas o objetivo da burocracia é tentar aumentar a segurança da operação…
      Entendeu meu ponto?

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