Um pouco mais sobre os números do mercado de trabalho de PCHs

By: Author Raul MarinhoPosted on
694Views7

Ontem, no post “Os números do mercado de trabalho de PCHs“, não escrevi tudo o que gostaria sobre o assunto para não deixar o texto excessivamente longo. Então, complemento agora com algumas informações e análises adicionais.

Conforme afirma o Ruy (e eu concordo), a quantidade de licenças de PPH emitidas em um determinado ano é um bom balizador da quantidade de licenças de PCH que serão emitidas no ano seguinte. Isto posto, gostaria de revelar quantos PPHs foram checados até maio de 2014: 414. Isso aponta, meus caros, para 994 novos PPHs até o final deste ano! Isso é 32% a mais do que os 755 PPHs checados em 2013 – e estes deverão se converter em 816 novos PCHs neste ano de 2014. Conclusão: se em 2015 teremos um incremento de 32% na emissão de novas licenças de PCH sobre 2014, devem ingressar no mercado de trabalho de pilotos profissionais de helicóptero no ano que vem nada menos de 1.074 indivíduos.

Então, recapitulando:

  • Em 2013, checaram 754 novos PCHs, e chegaram 167 novos helicópteros, resultando numa relação de 4,5 novos PCHs por helicóptero adicional incorporado à frota;
  • Neste ano de 2014, deverão checar 816 novos PCHs, contra 112 novos helicópteros, elevando a relação piloto/aeronave para 7,3:1; e
  • No ano que vem (2015), a previsão é que chequem mais 1.074 novos PCHs. Não sei quantos helicópteros novos chegarão no ano que vem, mas sejamos otimistas e suponhamos que serão 20% a mais do que neste ano, ou 134 unidades. Isso elevará a relação piloto/helicóptero para 8:1.

Percebem como o que já está ruim pode piorar significativamente? E não vai haver programa de “piloto estagiário” que dê jeito, pois a única maneira de resolver o impasse seria aumentando a demanda por pilotos para atender a esta superoferta – o que, sabemos, dificilmente ocorrerá.

Cenário maravilhoso para os contratantes de pilotos, né? Nem tanto…

O problema é que a maior parte desse batalhão de PCHs formados no período de superoferta jamais conseguirá se estabelecer no mercado. O sujeito tenta um, dois,… , cinco anos. Chega uma hora em que não dá mais, o cara desiste, muda de ramo, e abandona o sonho. No fim das contas, a quantidade de pilotos realmente capacitados permanece baixa. Aí, lá na frente, quando o mercado voltar a se aquecer, continuará não havendo profissionais capacitados no mercado, mesmo com a superoferta de pilotos de anos atrás! É por isso que eu entendo que a situação não é boa também para os operadores.

Os empresários dos táxis aéreos que operam nas plataformas pensam no curto prazo: “é muito melhor contratar um militar reformado com experiência em grandes aeronaves, pronto para voar na plataforma, do que investir na formação de um jovem piloto”. Os pilotos recém-formados pensam no curto prazo: “como é que eu vou conseguir uma indicação que me viabilize profissionalmente no mercado”. O dono de aeronave que opera num grande centro urbano pensa no curto prazo: “como é que eu viabilizo a operação da minha aeronave com um bom nível de segurança e o menor custo possível”. E as autoridades do setor (SAC, ANAC, etc.) simplesmente nem pensam nestas questões de oferta e demanda de pilotos no mercado, nem no curto prazo!

Mas a questão é: ninguém pensa no assunto da formação aeronáutica conjugada com as questões de oferta e demanda de pilotos no mercado em termos estratégicos, no longo prazo. Nem as empresas, nem os pilotos, nem os operadores, muito menos as autoridades do setor! Para falar a verdade, nem as entidades associativas e de classe – SNA, ABRAPHE, etc. – tem esse problema nos seus respectivos radares. O resultado é essa montanha russa, em que hora se quer “importar” pilotos, hora há superoferta destes mesmos profissionais (só que de pilotos sem experiência)… Que não é boa para ninguém, mas é particularmente péssima para quem quer se estabelecer profissionalmente no mercado.

Vejam os números: são 754 novos PCHs em 2013, e serão mais 816 neste ano e 1.074 no ano que vem. Só em relação aos formados neste triênio 2013-15, são 2.644 sonhos, 2.644 projetos, 2.644 investimentos (de cerca de R$100mil cada, totalizando R$264,4milhões) ameaçados. É o futuro de muita gente, além de muito dinheiro em jogo! Por isso, acho que este assunto precisa ser mais bem discutido, e URGENTE!

7 comments

  1. Telmo Tassinari Neto
    3 anos ago

    Prezados, boa tarde.

    Longe de fugir à realidade nacional e por consequência de nossa aviação inicio aqui com o seguinte:

    “Pergunte a um pássaro se ele pretende parar de voar, mesmo se o tempo e sua idade o ameaçarem”.
    “Pergunte a um peixe se ele se arriscará a viver na terra quando a água estiver poluída e o oxigênio começar a faltar”.
    “Pergunte ao aviador se ele um dia deixou de se emocionar ao retirar a borracha da pista ou pairar como um colibri, ou, efetuar um pouso mesmo que em emergência”

    Nada é fácil a ninguém (salvo exceções)!!!

    Ser um aviador não é para todos!
    Abraçar o sonho de passar a vida contrariando a natureza humana de estar fora de seu ambiente natural não é tarefa para todos!

    Quanto ao momento da aviação no Brasil, cabe a todos a reflexão e discussão dos motivos e a parcimônia para manter a classe e a atividade em harmonia e em segurança.

    Quem e recorda da aviação geral há 04/05 anos?
    Quem diria que em 2014 a situação ficaria como está?
    Quem se propôs, há 04/05 anos, criticar o que se apresentava?

    Ninguém.

    Claro, assistimos a uma enorme demanda por pilotos (rotativas e fixas) e por um ou outro motivo não nos preparamos para o seu reverso. Agora é o momento de pensarmos em alternativas de médio e longo prazo tanto para a formação básica quanto para a continuidade e capacitação destes pilotos, sem deixarmos de lado a contínua preocupação com a estabilidade da atividade.

    Quanto ao combate de atividades contrárias ao crescimento da aviação e pilotos, estas devem ser combatidas da melhor maneira possível e de modo a criar uma consciência unificada sobre os malefícios advindos destas ações, tanto para o piloto quanto para os empresários, empresas e aviação geral.

    Também acredito que o momento não está bom. Porem, acredito muito mais na capacidade desta classe de homens e mulheres vocacionados em manter o foco em seus objetivos até que os tenham alcançados. Acredito sim que a aviação não terá como fim um buraco. Ela sairá desta zona de alta pressão e voltará a alçar voos altos e cada vez mais seguros.

    Lembremo-nos que a aviação é feita de aviadores! Ela é feita por cada um de nós. Tentemos fazer o nosso melhor então, sempre.

    Forte abraço. Bons e seguros voos a todos.

    Rtt.

  2. Fernando Garcia
    3 anos ago

    Iria perguntar exatamente o que isso que vc ja respondeu, sobre a relação PCA/Avião, e ja vi que vc esta buscando dados… como faço pra saber quando vc escreverá sobre isso?

  3. Ricardo
    3 anos ago

    Para falar a verdade não esta facil para ninguem..
    Você citou uma relacao piloto/helicoptero em 8/1
    Mas se formos comparar com as outras areas de trabalho?
    Qual é a relacao engenheiro/ vagas ? Quantos engenheiros se forman todo ano?
    Não precisa ir muito longe….qual é a relacão PCA/ aviao?
    Eu nao vejo um futuro tao ruim para os novos PCH
    Quem tem o feijao com arroz(ifr+500h) uma hora ou outra acabando conseguindo uma oportunidade

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Mas se formos comparar com as outras areas de trabalho?
      Qual é a relacao engenheiro/ vagas ? Quantos engenheiros se forman todo ano?
      R: ???

      Não precisa ir muito longe….qual é a relacão PCA/ aviao?
      R: Não tenho os dados, estou buscando.

      Eu nao vejo um futuro tao ruim para os novos PCH
      Quem tem o feijao com arroz(ifr+500h) uma hora ou outra acabando conseguindo uma oportunidade
      R: Não me parece ser esta a realidade do mercado, infelizmente.

    • Abra o Olho
      3 anos ago

      Não vamos sonhar assim alto. Você já ouviu falar em Q.I.? É mais importante do que o “feijão com arroz”. Conheço gente com”feijão com arroz” + icao + 1000hrs + curso de ciências aeronáuticas, sem voar. Assim como conheço piloto com 100hrs empregado por QI. Desses 8:1, 3 conseguem emprego por QI, 3 vão desistir e 2 conseguem por próprio mérito. Sem falar em policiais militares que voam até 2 helicópteros de particulares quando não estão em missão pelo estado (isso é o que acho mais desleal, pois, eles não poderiam assumir emprego ou “bico” fora do serviço público).

Deixe uma resposta