Estadão: “Pilotos reclamam de jornadas longas e cobram mudança em lei”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Em relação ao mercado de trabalho de pilotos, um dos problemas é o que está na reportagem do Estadão, abaixo reproduzida (fonte: Aeroclipping do SNA): pilotos que trabalham demais. Outro é o extremo oposto: os pilotos que tem zero fadiga, porque desempregados… E uma coisa está relacionada à outra, é claro!

O Estado de S.Paulo
Segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Pilotos reclamam de jornadas longas e cobram mudança em lei
Para categoria, legislação atual, que permite jornada semanal de até 60 horas, está ultrapassada e precisa de revisão

Marcel Naves
RÁDIO ESTADÃO

nilton fukuda/estadão – 4/1/2011

Fadiga no ar. Profissional apela até para medicamentos

Os pilotos da aviação brasileira alegam que estão trabalhando com “fadiga extrema”, em virtude da legislação ultrapassada, e cobram mudanças nos turnos. A lei 7.173/84 determina que o período de trabalho dos profissionais do setor seja de até 60 horas semanais.

A Câmara ainda analisa o projeto de lei (PL4824/12), que amplia direitos trabalhistas dos aeronautas. O projeto tem caráter conclusivo e precisa ser analisado pelas comissões de Viação e Transportes; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e ainda Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, a jornada atual de 60 horas, somada ao modo de formulação das escalas, torna praticamente impossível o descanso adequado entre as viagens. O comandante Adriano Castanho alega que não são raros os casos de pilotos que dormem profundamente durante um vôo. “Temos o relato de um piloto combinar com o outro: ‘Olha, eu estou cansado e vou dar uma descansada, tudo bem? E quando ele acorda o outro piloto também está dormindo”, ressalta.

A situação tem obrigado os profissionais do setor a adotarem outras alternativas para se manterem acordados. Ouvido pela reportagem da Rádio Estadão, um tripulante – que por temer represálias prefere não se identificar – relatou que é comum uso de medicamentos para ficar acordado.“Na verdade os pilotos já entram cansados no avião. Pra tentar mitigar esta questão, é tomar bastante café, e por vezes tomar algum medicamento.”

O presidente da Comissão Nacional de Estudos de Fadiga explica que há um projeto parado no Congresso com o objetivo de alterar a lei. Enquanto não ocorre a aprovação, o comandante Paulo Licatti defende que é importante que as companhias aéreas sejam mais sensíveis à questão.

Seguro. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) está envolvida diretamente na reformulação da lei. O presidente, Eduardo Sanovicz, não vê ligação entre a fadiga extrema e a segurança.

Para ele, viajar no Brasil é algo extremamente seguro, sendo preciso muito cuidado para não se fazer alarde de uma situação que não existe. “Não existe nenhum tipo de risco, não existe nenhum tipo de insegurança ligada a esse tema. Se alguns aeronautas estão denunciando que se sentem cansados, isso significa que a gente pode reestudar isto, e estamos fazendo isto”, afirma o presidente da Abear.

6 comments

  1. Ric
    3 anos ago

    Gostaria de destacar que em alguns casos da aviação executiva, a questão de fadiga é até pior. Já que tem patrão que acha que o piloto é um botãozinho de liga e desliga e deve estar a disposição a hora que quiser. Recentemente conversei com um piloto de Seneca em uma sala AIS do Sul do País e o mesmo disse que tava esperando o patrão desde as 06:30 da manhã. Detalhe, ele falou isso as 17:30…o cara tava o dia inteiro em uma cadeira na AIS, a merce de lanchonete cara esperando o chefe. Regulamentação? Imagina ele falar isso ao patrão em tempos de vacas magras…

  2. Há alguns aspectos que nunca (ou pelo menos raramente) são ventilados:

    (1)- Muita gente (se não for a maioria) não consegue mais residir perto das bases, por que o custo da moradia aumentou estupidamente e o poder aquisitivo dos aeronautas brasileiros só fez diminuir, ao longo das últimas décadas. Então tem esse negócio da “base fantasma”, nego tem que se deslocar da “base real” para a “base oficial”, não raras vezes no mesmo dia do vôo ou na madrugada antecedente à programação, inclusive se arriscando a ser preterido como extra Cat 2, o que vem somar ao stress e ao cansaço da viagem. Em empresas que não flexibilizam ao tripulante a opção pela base, isso é um problema há mais de vinte anos; agora – em vista da volta da inflação e da degradação salarial – só está um pouquinho pior;

    (2)- Tem o problema da estruturação de certas empresas, em que escala e coordenação são subordinadas à Gerência Comercial e não a Operações, instaurando-se em decorrência disso os “fist fights”, os abusos com referência à não-observância da escala publicada etc.; em certas companhias aéreas, a escala é alterada diariamente, às vezes mais de uma vez ao dia e o padrão é “6 on x 1 off”, direto. Na prática, não existe vida social, é que nem viver com o beeper/telemensagem na cintura, esperando pela próxima alteração (e quem não for “achável” com freqüência, fica “mal visto”).

    São essas coisas – entre outras – que geram acúmulo de cansaço, não só pela estafa em si, mas também pela situação vexatória em que se encontram as relações laborais no Brasil, desde final dos anos 80. O “moral da tropa”, como dizem no meio militar, tá lá embaixo e não é de hoje. Aqui fora (nomeadamente na Ásia e Oriente Médio) voa-se bem mais, semanal e mensalmente e no entanto vive-se melhor, pq (1)- ganha-se melhor, (2)- a escala é elaborada de maneira mais racional, com maior antecedência (algumas até semestralmente), (3)- quase não há alterações de última hora e (4)- há mais dias livres agrupados etc.

    O problema também é que inexiste, por parte de muitos dos “top managements” das empresas brasileiras, real disposição em solucionar essas pendências. Depois acham ruim quando a moçada pede as contas e emigra.

  3. Thiago T
    3 anos ago

    ”O presidente, Eduardo Sanovicz, não vê ligação entre a fadiga extrema e a segurança.” esse cara só pode estar de brincation to me, só quem ja voou cansado/fadigado sabe o tamanho da exposição ao risco, a fadiga é uma ameaça sem precedentes e potencializadora de erros, tornando a performance humana extremamente baixa, dai se acontece algum acidente fica facil dizer que a culpa é da tripulação, e não se esqueçam, 1 grama de prevenção vale 1kg de cura!

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Tinha passado batido por essa pérola… Valeu por destacar esse absurdo!

  4. Yuri Souza
    3 anos ago

    O que está ocorrendo é o de sempre, quem está trabalhando reclama o dia inteiro e quem está desempregado rezando pra arrumar um emprego, essa história já é velha na aviação, trabalho na Tam e tive a infelicidade de sair em agosto de 2013 no PDV pois era “novo” na empresa sendo que já tinha 4 anos de casa! Retornei agora em Maio com vários colegas, o que ocorreu é que tomamos um choque sobre a realidade de estar desempregado no Brasil, e ver como é difícil arrumar um emprego nos dias de hoje, principalmente em linha aérea com todos os benefícios e regalias! O que posso garantir é que todos nós que voltamos, estamos trabalhando com outros olhos e mais motivados! Esse é meu ponto de vista!

    • Feliciano
      3 anos ago

      E o q isso tem a ver com o post?

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