Roberto Magalhães: “Nossa aviação”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Segue abaixo um texto do leitor Roberto Magalhães, com sua visão sobre a aviação. Mais um Pessimildo? Ou será um “Realildo”?

Nossa aviação

Nossa aviação é movida de qual forma? Qual o combustível? Ela é movida por dinheiro, desde o inicio, no período de formação do piloto no aeroclube/escola, até o setor comercial, o qual visa lucro transportando pessoas e cargas.
Durante a formação de um piloto, muitas vezes o mesmo inicia sem conhecimento sobre a carreira, mercado, dificuldades e barreiras, o qual vai descobrir no decorrer da profissão.
No processo de formação, como em qualquer curso, existem diversos tipos de alunos: adolescentes, jovens e adultos, as dificuldades iniciam para alguns com relação aos custos elevados e formas de pagamento não facilitadas, ou seja, à vista.
Superada esta barreira, começamos a falar da questão de habilidades/perícias: digamos que na minha visão de ex-instrutor de voo, 30% podemos considerar bons alunos, 50% alunos que estudam e se desempenham bem, e os 20% restantes não apresentam condições para continuar. Porém, aeroclubes/escolas que necessitam de receitas para permaneceram abertas, insistem nestes alunos que acabam concluindo seus cursos com um número de horas voadas em torno de 2x mais que um aluno na média, E de que forma estes são avaliados? Com um checador credenciado, o qual acaba muitas vezes aprovando este aluno em função de interesses comerciais.
Onde estão estes alunos? Eles estão voando em nossos diversos setores, como instrutores de voo, na aviação executiva, muitas vezes voando de graça apenas para adquirir experiência. Porém, para o ingresso em companhia aérea, com um curso superior de Ciências Aeronáuticas, uma carteira de piloto comercial com 150 horas é o suficiente, mesmo que quando alunos no aeroclube/escola, estes não tinham condições de pousar uma aeronave monomotor. Nestas seleções, existe algum voo de avaliação? Existe, lógico! Um simulador básico, onde o piloto executa alguns procedimentos IFR, os quais estão decorados e muitas vezes não sabem para qual lado curvar. Estes irão aprender em simuladores na própria companhia e durante a rota, com passageiros é lógico, testando os limites da aeronave e do nosso comandante e safety.
Nossa aviação de que forma irá dar certo, com uma agência que regula de forma incorreta e atrapalhada?
Com nossa economia que não cresce, com oscilação do dólar refletindo em manutenções, combustível e leasings?
Nosso mercado precisa achar maneiras de ganhar dinheiro. Como? Aplicando provas de proficiências linguistica, por exemplo: um prova que possuía um valor médio de R$450,00, hoje está entre R$935,00 e R$950,00 em função de mudanças na forma aplicada. Empresas que possuíam apenas uma sede, hoje já possuem 1 sede e 2 filiais, expandindo cada vez mais. Não existem horários disponíveis para período próximo, algumas possuem horário somente em Janeiro de 2015. Por trás destes, possuímos escolas, cursos preparatórios para a prova da ICAO, onde em média o investimento é de R$2.500,00. Agora uma pergunta: a aplicação desta prova é feita da forma correta, ou isso virou “business”?
Nosso mercado é dinâmico, aeronaves são devolvidas e adquiridas todos os dias, pilotos migram de cidades todos os dias em busca de emprego, deixando uma família, amigos entre outros. Para quê? Em busca de um sonho, sem nunca saber ao certo o que vai ocorrer: boatos na aviação preocupam, enlouquecem, e quase sempre são boatos.
Enfim, esta é nossa aviação: são poucas palavras que tentam demonstrar o que é este nosso mercado. Afinal, para muitos isto é uma paixão, para outros, apenas “business”.
Boa sorte para todos nós.

15 comments

  1. Alexandre França
    3 anos ago

    Ratificando o que o Raul falou:
    “NEM TODOS QUE TENTARAM, CONSEGUIRAM. MAS CERTAMENTE TODOS QUE CONSEGUIRAM, TENTARAM…”

  2. Otaviano
    3 anos ago

    É… Infelizmente o cenário não é bom!!!
    Todos nós que estamos no meio aeronáutico, tivemos uma motivação para estar nesse meio, no meu caso foi a influência paterna..

    Porém, alguns realmente não tem a vocação necessária.. outros não tem a competência necessária… outros ainda não tem a experiência necessária… e ainda há aqueles que não tem a indicação necessária, sendo que este último não deveria ser, mas é o mais relevante.
    E para isso, é preciso fazer parte das panelas.. O Thales aqui de BH falou bem.. “tem que trabalhar para entrar na panela..” Eu vivenciei isto, pois tentei me enturmar, mas a menos que você chegue num carro do ano, ou com um iphone/ipad novo, ou contando de alguma viagem que fez para os EUA, você não será aceito.. Então Aceitei, Não quero e nem faço parte de nenhuma panela, mas minhas habilitações estão todas em dia, e as minhas horas foram realmente todas voadas.

    Remontando aos tempos meus de PP teórico, não fazia idéia do quanto seria difícil voar.. principalmente por fazer parte de uma família que já tem pilotos e “conhecer” muitas pessoas do meio(o QI pra mim não funcionou). Acontece que hoje, muitos anos depois de iniciar o primeiro curso- não estou me vitimizando- fico muito insatisfeito e as vezes não entendo o que acontece, porque tenho PC/Multi/ifr e ICAO, Teórico do INVA/PLA e ground do C90 e E121 além do Curso PBN/RVSM. E pergunto, do que vale isso?

    Vôo poucas vezes um seneca, (pelo menos como comando) tenho currículos em praticamente todos os táxi aéreos do Brasil, Em todas as companhias, e simplesmente NADA….
    Fazemos investimentos de acordo com as expectativas, ou seja, se tenho tudo isso aí, é porque eu tive expectativa, só que, algumas delas não se realizaram, então você praticamente joga o seu dinheiro fora.

    Enquanto isso, vou trabalhando em outra área, batalhando para manter tudo em dia, com esforço próprio, sem fazer parte de panela, sem mendigar horas, sem dever favores a ninguém, esperando a próxima crista da onda..

    Para quem tá começando, é o seguinte: Vão te iludir, vão prometer tudo, vão te chamar pra voar e no fim das contas, vão te passar pra trás, e vai se dar conta que está no meio do ninho de cobras… e você vai achar ainda que esta é a melhor profissão do mundo…

    Mas tenho certeza que vai melhorar… A gente é Brasileiro e não desiste nunca…

  3. Denis Rodrigues da Silva
    3 anos ago

    Estamos vivenciando o antigo jargão “Apagão de pilotos” bombardeado pela mídia anos atrás. Na qual existe agora o excesso de pilotos formados.
    Enfim, primeiro emprego na aviação não está fácil, voar pra acumular horas não está fácil, dinheiro não está fácil, viver de vento não está fácil!

  4. Flying saucer
    3 anos ago

    Melhor coisa que eu fiz foi ter feito uma faculdade pública de engenharia enquanto tirava minha carteira de piloto comercial, já imagina que viria dias ruins…….Passar no concurso público é muito mais fácil que isso, infelizmente nesse país não dá para arriscar, já estou até juntando uma grana para comprar um RV-9. Acho que falta qualidade nos cursos de instrução prática e teórica pelo país, os critérios deveriam ser revistos para haver uma ” peneira ” melhor, haja vista o grande número de habilitações emitidas, e não ficar tudo baseado em critérios arbitrários e cursos adicionais de valores exorbitantes que não garantem emprego.

  5. Thales Coelho
    3 anos ago

    Rogério, vou ali pular duma ponte, porque me encaixo em vários dos seus itens. E, infelizmente, é a realidade.

    – Precisando de horas
    – Não tenho ground de aeronave
    – Não tenho curso de CRM, nem experiência com G100 (Interessante, a cadeira de CRM no Ciências Aeronáuticas não vale nada!)
    – Só voei em aeroclube.

    Pulo ou não pulo?

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Que é isso, cara! Vc tem filho pequeno prá criar!
      O desafio de se estabelecer profissionalmente na aviação hoje em dia é enorme, mas… Já foi pior, por incrível que pareça! E a única certeza que temos é que, se não tentar, não se consegue.

      • Thales Coelho
        3 anos ago

        Pois é Raul. Apenas comentando o comentário. Mas, não deixa de ser verdade, infelizmente como as coisas estão acontecendo, mesmo em um cenário com contratações na Azul por exemplo, a roda não está girando.

        O desaquecimento da economia reflete nos aeroportos, nunca vi meu aeroporto local aqui (Carlos Prates) tão parado em movimentos da geral e até mesmo da instrução de asa fixa.

        As modificações na segurança aeroportuária ao longo desses 7 anos que estou envolvido com aviação dificultam e muito a vida de quem não é da panela. Tem que ficar em hangar, o problema é que você não consegue entrar no hangar. O negócio é trabalhar para entrar na panela para poder entrar no hangar.

        O mais interessante de tudo foi o que Rogério citou e eu vivenciei essa semana em uma possível seleção para dar aula em curso teórico. Tem curso de CRM? Tem curso de SGSO? Tive todas essas cadeiras no meu curso de Ciências Aeronáuticas, mas não vale absolutamente nada! E aí entra no trabalho do Gustavo Carolino, estive reunido com ele, a proposta é muito, mas muito interessante.

        Abração, vamos caminhando.

      • Rogério Barreto - BOTUCATU-SP
        3 anos ago

        O PROBLEMA É QUE ESTA TODO MUNDO PENSANDO A MESMA COISA…
        TODO MUNDO ACHANDO QUE O OUTRO VAI DESISTIR, E TODO MUNDO PENSANDO EXATAMENTE A MESMA COISA… OU SEJA… TA TODO MUNDO ENRROLADO.

        OUVI DIZER QUE EM 2013 FORA REGISTRADAS 96 NOVAS AERONAVES NO BRASIL, E FORAM EMITIDAS MAIS DE 2.300 LICENÇAS DE PC. OU SEJA. MUITAAAA GENTE VAI FICAR PARADA. ( REALIDADE)

  6. Julio Petruchio
    3 anos ago

    Quanto pessimildos!
    Vocês devem estar falando de outro país qualquer da América do Norte ou da Europa, pois na propaganda política a Dilma, o Lulla e o Alexandre Quadrilha falam a todo momento que o país está “de vento em polpa” e a aviação vai bombar após 2015!?! SQN?!?

  7. Rodrigo
    3 anos ago

    Boa sorte a todos nós!

  8. Rogério Barreto - BOTUCATU-SP
    3 anos ago

    Coitado daquele que não é formado, sobretudo em alguma área de aviação(Ciências Aeronáuticas).
    Coitado daquele que não fala inglês fluente.
    Coitado daquele que esta precisando e mendigando horas de voo.
    Coitado daquele que não tem recursos para fazer um JetTrainner, um Ground de uma aronave específica.
    Coitado daquele que não tem curso de CRM, experiência com Garmin 1000 etc.
    Coitado daquele que não tem Multi/IFR
    Coitado daquele que só voou em Aeroclube.

    Digo coitado, pois pilotos com as qualificações acima estão sobrando no mercado, logo, coitado dos que não tem esta qualificação.
    Se você se encaixa em pelo menos 2 dos pontos acima. COITADO DE VOCÊ.

    Rogério B. Parizoto.

    • Anderson
      3 anos ago

      ?

    • Arthur Porto
      3 anos ago

      Interessante crítica a certos preceitos da aviação civil brasileira.
      Contudo, acrescentaria mais um termo no final do texto: PROFISSIONALISMO.
      Para alguns ser um profissional qualificado e comprometido com a aviação faz parte do seu projeto de vida. Pessoalmente ao encarar a aviação como uma realidade (ao invés da venda de um sonho que é o lema adotado por muitas escolas) foi um bom ponto de partida.
      1. Não sou formado em Ciências Aeronáuticas, mas não trocaria minha formação de qualidade por uma faculdade de baixa qualidade em C.A.
      2. Não falo inglês fluente, sendo que estudo diariamente para aperfeiçoar a língua estrangeira.
      3. Atualmente não tenho recursos financeiros para Jet Trainner ou Ground School, contundo ao conseguir, prefiro investir em voos de planador que para meus objetivos será mais útil.
      4. Estou precisando desenvolver as técnicas de voo que aprendi no aeroclube e aprender mais em termos de pilotagem, pois quem precisa de horas de voo e mendiga horas termina por fraudar a CIV.
      5. Não acredito que 10 horas de voo seja considerada boa experiência de G1000 e que apenas algumas horas de aula teórica lhe permita desenvolver boas técnicas de CRM, sem experiência o piloto é apenas mais um aprendiz e como tal o esforço em querer aprender é fundamental.
      6. Não tenho Multi/IFR, mas agradeço todos os anos por conseguir renovar meu CMA e acredito ser considerável a quantia que economizo ao renovar minhas licenças e habilitações.
      7. Somente voei em aeroclube e escola de aviação, sendo que não tenho que lidar com proprietários que “forçam a barra” expondo-me a perigos desnecessários.
      O mundo da aviação é amplo e antes de se sentir “coitado”, ou pensar que outros são “coitados”, visite um hospital de tratamento de câncer, faça uma boa ação doando sangue, pois em algum momento você ou um colega de trabalho precisará.
      A vitimização do aluno ou recém formado piloto de aeronave se tornou vigente em alguns papos de hangares.
      Proponho que vamos tentar nos tornar melhores profissionais, ou ao menos seres humanos mais dignos. Pois, quando a sorte ajudar a incompetência pode dificultar…
      O que é a tendência para acontecimentos positivos ou favoráveis na aviação?
      Desejaria a todos uma boa formação teórica e prática conciliada com noções éticas e de respeito as normas de segurança de voo.
      Arthur Porto

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