APPA: “Ensino aeronáutico do Brasil está em risco!”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A APPA publicou nesta semana um editorial focado na questão educacional da aviação: “Ensino aeronáutico do Brasil está em risco!” – baseado na apresentação que a associação fez numa reunião do Conselho Consultivo da ANAC. O diagnóstico apresentado é extremamente preocupante, vide este trecho do texto:

Fatos demonstraram que a total falta de política de ensino aeronáutico país põe em risco o setor como um todo e tem causado enormes prejuízos à comunidade da Aviação, que não suporta mais a negligência que pauta o ensino de aeronautas no Brasil. “Um país que não sabe o que quer para sua Aviação faz exatamente o que o Brasil tem feito. Hoje quem pensaria em buscar licenças pensa duas vezes. Quem já as tem, não tem segurança nenhuma de que conseguirá mantê-las sem dores de cabeça, seja pelo não funcionamento da ANAC, falta de checadores credenciados, descaso com que os Aeroclubes e Escolas são tratados ou falta de espaço aéreo para treinamento. Erra-se em todos os lados”, analisou Humberto.

As principais fontes de ameaça destacadas foram:

1. Expulsão ou Impedimento de Acesso de Aeroclubes e Escolas de Aviação de Aeroportos, em todo o Brasil;
2. Total falta de política para a modernização da frota de aeronaves para instrução e uso de simuladores;
3. Descompasso entre a tecnologia que existe e a instrução que é dada: no Brasil ainda se ensina aviação da década de 1940;
4. Descaso das autoridades com a garantia de espaço aéreo para treinamento;
5. Falência do modelo tradicional de Ensino no Brasil. Finge-se regular para todos e se pune os que buscam fazer bem feito;
6. Regulação para o Atraso: de onde deveriam nascer regras de impulso à aviação só nascem problemas que não param de se acumular.

Pois então: ontem, por coincidência, eu publiquei um post – “Gabriel Leporace: ‘A dificuldade da instrução de voo no RJ’” – que trata da preocupação #1 da lista da APPA. Os problemas citados neste post – que ocorrem no Rio de Janeiro, onde fica o QG da área de formação de pilotos da ANAC, por sinal – são exemplos vivos do que a APPA fala em seu editorial. E tudo vai cair no vazio, porque as autoridades aeronáuticas não estão nem aí para o problema.

Dá para não ser Pessimildo com um cenário desses?

12 comments

  1. Skynet
    3 anos ago

    Gostaria muito que a mídia geral soubesse dos fatos. Esse é o terrível começo de toda deterioração do sistema de aviação civil brasileiro, infelizmente a aviação não vai tolerar essas ingerências. Se o processo não começar a ser revertido agora, temo pelo pior….será que chegaremos aos níveis de segurança do continente africano?

  2. Rebelles
    3 anos ago

    Anac não é so escola ela ta interessada nas empresas aéreas aviação executiva, sempre existiu esses descasos com escolas e as escolas vendem carteiras para completar o ciclo de safadezas.

  3. Cristiano Feitosa
    3 anos ago

    Estou estudando PPH por conta em casa!! alguém mais experiente pode me falar se consigo prestar uma Banca antes das novas leis da RBAC61 entrar em vigor?!! Grato

  4. "Chocadonildo"
    3 anos ago

    Em alguns países (Subdesenvolvidos, inclusive) os professores nos cursos teóricos dos Aeroclubes são todos pilotos recém formados que não conseguem uma vaga no mercado, alguns instrutores que acabaram de checar e na maioria dos casos trabalham no aeroclube de forma gratuita dando aula teórica e na “fila” esperando sua oportunidade de INVA aparecer. No Brasil esse sistema é diferente, em muitos aeroclubes (principalmente no PP teórico) há pessoas que além de não serem pilotos, não possuem nenhum tipo de formação na área. Os Aeroclubes estão lotados de “apadrinhados” dos presidentes, em alguns casos deixam de contratar um INVA experiente e colocam aquele sobrinho do diretor recém checado para dar instrução. Outros diretores empregam toda a família, inclusive usando as aeronaves para viagens (quando vem a manutenção..xiii aeronave parada por anos) Antigamente eu acreditava nos Aeroclubes, na aviação pura e por amor, mas um dia todos nos acreditamos em Papai Noel e Coelhinho da Pascoa também. Hoje Aeroclube é utilizado para lucro dos diretores, tem presidente de aeroclube que é dono de escola de aviação em cidade vizinha!!! Da para acreditar?? E os sócios ainda reelegem… Pobre aviação brasileira. Aeroclubes fazendo inspeção por “Sedex” e a segurança de voo, o amor pela e respeito pela aviação indo embora.

  5. Douglas
    3 anos ago

    Se o sujeito for leitor assíduo deste blog e sonha em se tornar piloto ou algo parecido. Ele continua no sonho por duas hipóteses: ou é muito burro ou já tem emprego garantido.
    Sem desmerecer o trabalho do Raul, que aliás, é a única fonte confiável de informações sobre essa indústria que conheço.

  6. A decadência do sistema não para aí.
    Como estudante de PP e DOV, estou sendo preparado para “passar nas bancas”. Se quero aprender de fato, tenho que fazer isso paralelamente a escola, o que é péssimo.
    Para os DOVs o ensino de peso e balanceamento é feito com manual do 737-300, uma aeronave que basicamente não mais operada comercialmente no Brasil.
    Por causa da ANAC que não tem como prioridade as bancas, só poderei prestar a minha banca de DOV I após 13/11/2014. isso se o sistema online entrar em funcionamento. Até fevereiro as provas eram presenciais, mas como estão migrando, não sabemos quando poderemos prestar a banca.
    O pior é que eu vou terminar o curso de DOV, sem de fato aprender o que é DOV, já que não há um esquema de operações simuladas em escolas ou aeroclubes, ou seja, tenho que conseguir ser contratado em uma 121, 90 dias de estágio + ground + 40 despachos e aí então, serei checado e possivelmente um DOV.
    Some-se isso à todas as críticas que já existem, e aos demais cursos, todos com materiais defasados e cuja a orientação principal do ensino teórico é “passar na banca”. Aprender, entender o que é aviação e etc., não é a prioridade.

    • Eduardo Silveira
      3 anos ago

      Paulo,

      Formação de DOV… Você tocou no ponto mais delicado que existe hoje no campo da formação de pessoal para aviação RBAC121.

      Pretendo em 2015 ingressar em uma pós-graduação no campo do direito aeronáutico e para me familiarizar com alguns aspectos técnicos da aviação em geral, o curso mais rápido e abrangente que existe é (leia: seria) o curso de DOV.

      Analisei os regulamentos pertinentes, o manual do curso e as demais legislações aplicáveis e me animei bastante com o programa de instrução do curso, principalmente com um estágio obrigatório de 360 horas que existe no 2º módulo do curso.

      Resumindo a história…: Ao procurar as escolas em São Paulo, o que me passaram foi uma realidade completamente diferente do que constam nos regulamentos, principalmente quando as atendentes da secretaria tentaram me convencer que o ” estágio obrigatório” requereria contratação por parte de uma cia detentora de certificado RBAC121…

      Pesquisando em fontes oficiais e em fóruns, descobri e a ANAC abandonou o curso de DOV no tempo. Sem reformulação do plano curricular, sem a devida fiscalização e com a emissão de licenças sem o menor critério, as escolas fizeram deste curso um verdadeiro caça-níqueis. Além do programa de ensino ser defasado, as escolas lesam os alunos dispensando-os do curso antes da hora sob a alegação de que o estágio obrigatório não é responsabilidade da entidade de ensino, isto é lamentável.

      As escolas estão jogando o RBHA65, o RBHA141, o CDC, o CP e a Legislação do estágio no triturador de papel e utilizando os pedacinhos de papel confetes para ao lado da ANAC animar o carnaval que fazem com o dinheiro dos alunos.

      Como um aluno sabiamente comentou em um fórum, “O Brasil hoje não forma DOV”. Realmente.

  7. Francisco
    3 anos ago

    Tem que reformular a estrutura da anac..ou a sua extinção..e repensar a volta do DAC.

  8. Beto Arcaro
    3 anos ago

    Em risco??
    Acho que eu sou um “Acabildo”.
    Nem Pessimildo dá pra ser mais!

    • Julio Petruchio
      3 anos ago

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