O problema da fricção das manetes do King Air – fator contribuinte do acidente com o PP-WCA

By: Author Raul MarinhoPosted on
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No final do post “Saiu o RF do acidente de 2012 com o King Air em Jundiaí (PP-WCA)”, comentei sobre a questão das manetes de potência da aeronave poderem retornar automaticamente para idle, se o controle de fricção estiver frouxo – um fator contribuinte importante para o acidente. É algo difícil de compreender sem ver como o sistema funciona, então o amigo Ricardo, que é piloto de King, teve a brilhante ideia de gravar o problema acontecendo em seu avião, e o resultado é o vídeo abaixo. Em seguida, há um texto também dele explicando o que ocorreu em seu experimento. Para quem quer entender melhor o acidente, esse material é ouro, vale muito a pena! Agradeço ao Ricardo pela atitude: graças a pessoas assim que a aviação vale a pena!

Na decolagem deixei a manete esquerda friccionada e a direita frouxa, o resultado é que se tirar a mão da manete, ela volta e volta rápido.
No voo de cruzeiro a mesma coisa mas parece que com mais velocidade, volta mais rápido ainda.
Já quando soltei as 2 manetes, tanto do motor LH como RH, só a RH voltou, a LH perdia 10 ft.lbs de torque ou nem mexia, já a direita, praticamente zera, não deixei zerar por não ver necessidade.

As manetes de hélice e condition não tem efeito algum soltar a fricção pois elas mantem a posição previamente setada.

Resumo:
Dá pra notar que se tiver com as fricções soltas (froxas), e vc tirar a mão da manete pra dar flap ou trem, vai reduzir a IDLE o motor NA HORA.
Baixa altura, pouca energia e manete solta, não é uma combinação muito boa, ainda mais voando sozinho.

6 comments

  1. Luiz
    3 anos ago

    Ótima iniciativa do Ricardo. Parabéns !! Uma imagem vale mais que mil palavras.
    Vendo o vídeo, fiquei com dúvida: sem fricção em ambas, por que somente a manete da direita volta ? Esta é a especificação de projeto (??) ou uma falha “comum” em Kings ?

    • Ricardo
      3 anos ago

      Oi Luiz tudo bem? Olha, que eu já vi acontecer foi no C90 que eu vôo e em C90GTi 2008 em ambos só a manete da direita volta, não saberia te dizer o porque disso, provavelmente algum mecânico de C90 com o diagrama das manetes saiba te mostrar o porque mas provável que seja devido ao sistema de fricção.. Abraços, Ricardo

    • André
      3 anos ago

      Luizão, da uma reparada que depois de soltar a fricçao das duas ele aperta a da esquerda, imagino eu que para fazer essa ilustração mostrando a diferença…

  2. Zé Maria
    3 anos ago

    Raul, boa tarde.
    Em primeiro lugar, salientando que não sou habilitado em King e jamais voei um, mesmo de “saco”, ok!
    Resumo da ópera: a manete recuou, o piloto tentou o retorno imaginando estar mono e se acidentou, é isso mesmo? E em nenhum momento ele notou o recuo da manete? Surreal. . .
    Aproveitando, já saiu o RF daquele King que “varou” no Vale Eldorado?
    Abraço.
    Zé Maria

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      É isso mesmo… Mas o acidente da TAM em CGH não foi mais ou menos a mesma coisa? Sentado na frente do computador pode parecer banal lidar com as manetes, mas na hora do aperto mesmo, a coisa muda, meu amigo! Qto ao King de Vale Eldorado… Não me lembro deste acidente. Vc saberia a matrícula?

      • Zé Maria
        3 anos ago

        Raul, boa tarde.
        Em primeiro lugar, grato pela resposta.
        Também fiz a mesma analogia com o 3054. . .foi parecido, embora com uma diferença fundamental: o de Jundiaí era diurno, além do que, na falha de motor no caso do turbo-hélice, o procedimento deve ser semelhante ao bi-motor à pistão (mistura-passo-potência), literalmente obrigando o piloto a manusear o piano de manetes. . . e nem isso foi feito!
        Quanto ao King do Eldorado, não sei o prefixo, a história é vagamente a seguinte: aeronave com documentação vencida, pousou longo na 22 (acho que é isso. . .) varou, pegou fogo e foi abandonada pelo(s) tripulante(s), que se evadiram do local, por motivo justo. . .quem sabe alguém da turma que sempre posta por aqui possa dar uma luz nessa história.
        Abraço.
        Zé Maria

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