AeroMagazine: “Pelo fim do táxi-aéreo clandestino” – Uma visão realista sobre o impacto negativo das novas regras para hab.TIPO sobre a operação de aeronaves como o King Air

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A matéria “Pelo fim do táxi-aéreo clandestino” não é nova (foi publicada na revista AeroMagazine em agosto de 2013), mas traz uma informação interessante para o atual momento de reforma do RBAC-61 – em especial quanto às novas regras para a obtenção da hab.TIPO. Num dado momento da entrevista que ela traz com o comandante Milton Arantes Costa, presidente da ABTAer-Associação Brasileira de Táxis Aéreos, este afirma o que segue (grifos meus):

(…) Veja o caso das centenas de aviões King Air operacionais no Brasil. São três pilotos por aeronaves que precisam fazer o treinamento nos Estados Unidos. São 25 mil dólares por tripulante, faça as contas. O prazo agora foi prorrogado, mas só postergamos o problema. O King Air não precisaria ter certificação de tipo. O próprio fabricante nos disse que, nos EUA, ele é uma aeronave classe, um bimotor, e não é requerido manual. E o que está acontecendo? Temos uma frota de King Air, que é considerado um dos bimotores leves mais seguros do mundo, pronta para ser renovada, com financiamento disponível, mas os empresários estão vendendo suas aeronaves e comprando modelos de categoria inferior para não ter de se sujeitar às exigências de simulador.

Em suma, o empresariado brasileiro de pequeno e médio porte está inseguro em relação ao futuro. Também porque ele não sabe se vai conseguir operar uma aeronave que custa mais de dois milhões de reais por problemas burocráticos, ele gasta e a aeronave não pode operar. (…)

O restante da matéria é sobre a questão dos TACAs, muito importante também (e encarada com muita propriedade pelo cmte. Costa na entrevista), mas eu gostaria de me concentrar no trecho acima. Nele, o entrevistado afirma, UM ANO ATRÁS, que os proprietários de aeronaves TIPO que tinham a perspectiva de precisar de treinamento em CTAC para seus pilotos já estavam pensando em vender seus aviões (que, por sinal, é o mesmo que afirmo aqui). E, naquela época, a economia nem estava tão ruim; imaginem agora, que além da recessão, já temos as regras que encarecem a operação deste modelo de aeronave!? Pior que encarecer, pode até inviabilizar: como é que vai ficar a “fila” para treinamento no único CTAC homologado pela ANAC para o BE20, por exemplo (FlightSafety/Wichita)?

Percebem como a coisa ficou séria? A aviação geral – ou, pelo menos, parte significativa dela – está em risco de se inviabilizar! E isso não é catastrofismo ou “coisa de Pessimildo”: é o mercado que está dizendo isso!

Agradeço ao leitor Kadu, que indicou a matéria nos comentários ao post acima citado.

15 comments

  1. Amgarten
    3 anos ago

    Não é só o custo a ser pago aos centros, e também não é só os custos da viagem em si. Mas há o problema da indisponibilidade daquele tripulante durante o período, que vai significar indisponibilidade da aeronave. Isso é custo.
    Além disso, o fato de um empresário gastar com aeronave, cada vez mais, tem a ver de que ele possa utilizar essa aeronave, cada vez mais. Mas tem sido difícil utilizar aeronaves no Brasil de hoje, temos slot, notam, eventos diversos, espera de 30′ ou mais no solo acionado queimando combustível, demoras dos diversos órgãos para resolver a vida do cidadão (vejam quanto tempo leva autorização de LOA/PBN). Gente, tudo isso é custo!! Rico faz conta!! Quem não faz conta é pobre!! Alguém vai pagar por isso, não existe milagre. Estamos num país pobre, esta é a realidade; em sendo assim esta medida esdrúxula, ao invés de ajudar na segurança, vai atrapalhar. Onde está o papel de fomentar???
    E continuo com meu desafio:
    Peguem os dados dos acidentes aeronáuticos no Brasil envolvendo aeronave tipo, nos últimos anos , e mostrem quantos acidentes teriam sido evitados caso tripulação tivesse feito simulador.
    O resto é balela, ou de incautos, ou de “interessados”, ou de gente que não voa…

  2. Ricardo
    3 anos ago

    Não concordo com as afirmações que todo mundo vai sair vendendo avião assim não.
    Quem não tem condições de ter King não vai ter mas o que vcs acham que vai acontecer com esses Kings? vão vender para quem tem condições e já vai saber de ante mão que vai ter que pagar simulador.
    Por que não profissionalizar a aviação?
    Dizer que um avião cujo altímetro custa USD 9.000,00 ter um treinamento de 25.000 ser caro é balela, quem vai vender é quem já não faz manutenção correta, é quem já economiza no salário do piloto.
    Isso vai sim valorizar quem tem a CHT do tipo, estes sim serão valorizados pelos patrões já que não vai ser barato trocar de piloto.
    Prefiro dividir o espaço aéreo com pessoas mais qualificadas que com menos.
    Ou o pessoal aqui prefere andar na estrada com motoristas mal instruídos?

    • Julio Petruchio
      3 anos ago

      Aí você caiu da cama e acordou…

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Respeito muito sua opinião, Ricardo – afinal, vc é o cara que está no dia-a-dia do King, diretamente com o proprietário. E eu também acho que não vai haver uma debandada geral e imediata dos donos de King para os Barons e Cheyenes da vida – mesmo porque, como vc mesmo apontou, R$60mil/ano não é um valor tão astronômico assim para quem tem uma aeronave de milhões de dólares.
      Mas é um desincentivo, e não só econômico. Como vai ficar a fila na FlightSafety? Será que não vai acabar tendo piloto groundeado por meses porque não tem slot disponível para treinamento? E o piloto que não fala inglês ou que não consegue visto? No mínimo, o cara que estava pensando em adquirir um King deve estar pensando duas vezes… Então, eu não saberia te dizer em que medida isso vai afetar o mercado, mas que vai, vai, disso não tenho dúvidas!

      • Gabriel
        3 anos ago

        Raul, pq não enviar essa pergunta para a própria FlightSafety por e-mail ? Escutei que a CAE estava homologando o treinamento para King no Brasil, não sei como esta o processo !

        Bons Voos !

        • Raul Marinho
          3 anos ago

          Na verdade, eu estou entrando em contato com os representantes dos fabricantes dos TIPOs, assim eu não direciono a questão para o CTAC A ou B. Pq se eu falo com a FS p.ex., ela vai puxar a sardinha para o lado dela, e pode haver um concorrente prestes a lançar um novo produto, por hipótese, que eu não vou ficar sabendo, entende?

          • Gabriel
            3 anos ago

            Maravilha ! Aguardo ansiosamente! Abs !

    • Marcius
      3 anos ago

      Realmente Ricardo, nem todo mundo vai sair vendendo avião assim não.
      Mas acho que vai ter muito Inspac que irá apanhar na rua devido ao desespero e raiva de muitos pais de família que ficarão desempregados por causas das medidas insanas da ANAC.
      Graças a Deus meu patrão pagará meu simulador, mas e os colegas que não terão essa chance, ou os que não conseguiram o visto americano, ou os que perderam o avião porque estes foram vendidos?

    • Gabriel
      3 anos ago

      Concordo com você Ricardo. Alem disso, os proprietários de King já estão sendo subestimados antes mesmo do Mercado começar a absorver essa nova mentalidade/Realidade, como você mesmo disse, profissionalizando a aviação! Esse cálculo entrará nos custos dos operadores, e sera absorvido como uma nova e excelente realidade ! O que me preocupa, tirando agora os aspectos de Segurança:

      1 – Qual a quantidade de Pilotos de Kings no Brasil por modelo/na ativa e como a Flightsafety vai absorver esse treinamento ? Quais outras instituições estao aptas a desenvolver esse treinamento em um curto prazo ?
      2 – Qual a quantidade de intérpretes necessarios para os Pilotos que nao falam inglês e suas disponibilidades ? em Wichita eu conheço somente uma…..
      3- E o Brasileiros que nao conseguirem visto, como ficaram ? A unica saida seria ajuizar uma ação ?

      So um lembrete, o processo para retirar todas as autorizações para treinamneto nos USA é moroso, chato, leva um tempo ! Sugiro que as pessoas que estao com a licença por vencer comecem a providenciar, junto as intituicoes credenciadas, as papeladas necessárias! Englobei o mercado Beech pq esse parece ser o maior problema, os outros, nao creio !

      • Gabriel
        3 anos ago

        Me esqueci, pqcobrar R$10.000,00 reais em um Check inicial ou um recheque quando o checador brasileiro nao é enviado e isso é realizado pelo pessoal da Flightsafety ? Isso tem que ser mudado !

  3. amgarten
    3 anos ago

    E os custos só fazem aumentar…

    • Amgarten
      3 anos ago

      Pessoal, atentem, tradutor atrapalha e muito a instrução e o exame, consequentemente, a finalidade que seria a segurança, foi para o espaço.
      O correto seria que o órgão responsável, par certificar o centro, exigisse que se tenham ali instrutores na língua que se fala no país do órgão ( ex: se órgão for argentino, o centro tem que ter instrutores falantes em espanhol).
      Caso o centro não tenha isso, não obtém o credenciamento.
      Mas isso em país sério!

  4. Julio Petruchio
    3 anos ago

    Às vezes eu comparo o Raul Marinho como o Morpheus tentando acordar a galera no filme Matrix.

  5. Julio Petruchio
    3 anos ago

    Digo-lho e repito-lho: o “Putê nu pudê” só sossegará quando alcançar seu secundário objetivo, que vem despois de esvaziar os cofres públicos, que é o de quebrar totalmente o país.
    Na America Latrina o pseudo-socialismo começou com Hugo Chavez e Nicolás Maduro na Venezuela, Cretina Kirchner na Ar-rrentina e agora o “Putê nu pudê” começando pela aviação “dazelitibrancadizóiuzazu” na Banânia.

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