Formação aeronáutica na Bolívia

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Recebi a mensagem que segue abaixo de um leitor brasileiro que atua como instrutor de voo na Bolívia, e se dispôs a nos contar como funciona a formação aeronáutica naquele país. Vale a pena ler o que segue abaixo, nem que seja por mera curiosidade (garanto que vocie vai se surpreender com algumas informações):

Meu nome é Pedro Murtha, sou natural de Vitória/ES e atualmente dou instrução em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia.

Abaixo está um relato bem completo, não sei o que pode ser de bom aproveitamento pra você, portanto fique à vontade para utilizar o que julgar útil e caso deseje melhor detalhe em algo não hesite em me perguntar.
Resolvi compartilhar as experiências de formação aeronáutica e outros detalhes da aviação civil boliviana, devido a que aqui já se aplicam as regulamentações baseadas no texto da Latin American Regulation (LAR) desde 2011.
Apenas para que quadremos as informações, destaco o texto abaixo extraído do artigo “As mudanças na instrução aeronáutica“, escrito por Vinícius Casagrande, publicado no site Aero Magazine:

Durante a preparação final do RBAC 61, a Anac realizou audiências públicas para discutir o conteúdo com diversas organizações, mas o texto final é praticamente idêntico à Latin American Regulation (LAR 61) da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), que teve sua última versão publicada em outubro de 2007. A agência confirma que a criação de um novo regulamento para a emissão de licenças de pilotos no Brasil teve como motivação “a necessidade de harmonização com a legislação internacional conforme as normas estabelecidas no LAR 61”.
Aero Magazine, 02 de Outubro de 2012
Pois bem, sem entrar no mérito dos pontos positivos e negativos dessas alterações, o objetivo da Anac é harmonizar a atual legislação com a legislação internacional.
A Dirección General de Aeronáutica Civil (DGAC) boliviana é o órgão responsável pela regulação da atividade aérea no país e já trabalha com o temido texto da LAR há 3 anos (200h PIC para INVA, exigências para habilitações TIPO, etc…), o que não diminui a busca de alunos estrangeiros pelas escolas daqui (peruanos, brasileiros, colombianos, venezuelanos, argentinos, panamenhos, chilenos, equatorianos…).
Bolívia
Ao falar em Bolívia já se cria o pré-conceito de um país pobre, com ruas de terra, cidades precárias e aviação desregulada. Conceito criado principalmente por quem visita as cidades de fronteira (que geralmente possuem essas características).
O país na verdade é marcado por um grande contraste social (maior que no Brasil). A presença de estrangeiros é imensa, principalmente de brasileiros que buscam estudos com menores custos, como foi meu caso.
A cidade de Santa Cruz tem características de infra-estrutura semelhantes à Campinas. Aqui existem dois aeroportos e a maior população de brasileiros dentre as demais cidades da Bolívia (aprox. 15mil).
Formação Aeronáutica
Em Santa Cruz há 09 escolas de formação aeronáutica. Cada uma possui seus preços e características de instrução. A proximidade com a DGAC é muito grande, já que esta possui um gerência no aeroporto. A movimentação de fiscais e checadores nos hangares das escolas é constante, o que facilita manter os ‘contatos’ em dia. O atendimento na gerência regional, inclusive para estrangeiros, é bem mais fácil e acessível que no Brasil.
Há escolas onde o contato aluno-instrutor é distante. Conheci a brasileiros que voavam 1h e ‘canetavam’ 2h no curso de PP. Ao final não sabiam acionar o avião, temiam consultar o instrutor para não receber bronca e tinham que pagar vôos além das 40h para tentar fazer um bom cheque. Faltava maturidade para colocar-se na posição de ‘cliente’ e cobrar uma instrução de qualidade.
Compartilho a minha experiência:
Ao chegar à Bolívia, consultei todas as escolas. Me matriculei no PPAv de uma escola que já havia ensinado brasileiros e onde havia excelentes recomendações por partes de outros pilotos com quem tive contato. O contato aluno-instrutor era bem próximo e havia muita flexibilidade de horários. Sim, há instrução de boa qualidade aqui, e com características bem diferentes do Brasil!
A primeira licença aqui é a de Aluno Piloto. Além do Certificado Médico de 2ª Classe (emitido pela Força Aérea Boliviana), é necessário ter o Certificado de Ens Médio e o Visto de Residência para Países do Mercosul. O visto é acessível a todos, não há entrevistas migratórias, apenas aguarda-se o prazo de 03 meses para sua emissão, durante os quais não se pode fazer nada além de ser ‘turista’. O custo da licença é de US$30 e com ela é possível matricular-se em uma escola.
O curso de Piloto Privado é dividido em teoria (obrigatória) e prática (40h).
Todo o método de ensino é americano, baseado na FAA. Diferente do Brasil, a parte teórica e prática podem ser feitas juntas.
A teoria divide-se em:
Matérias antes de voar Matérias com vôos
Introd. à aviação Meteorologia
Aerodinâmica Reportes, Cartas e Prognósticos
Sistemas e Motores Regulamentações
Fraseologia Navegação
Aeródromos Performance
Instrumentos Peso e Balanceamento
Introdução ao vôo (Ground School) Fisiologia e Segurança de Vôo
Ao final de cada matéria a escola aplica uma avaliação baseada em perguntas do Test Prep da FAA.
As 40h de vôo são divididas em 3 fases: I- Manobras Elementares, II- Navegações, III- Aperfeiçoamento. Mínimos exigidos:
– 20h Duplo comando (instrução)
– 10h PIC (vôo solo com pelo menos 5h de navegação)
Dependendo da meteorologia, é possível terminar todo o curso em até 04 meses ou menos.
Agenda-se então o cheque, que é dividido em: Exame Teórico, Exame Oral e Voo de Perícia (características idênticas à FAA, inclusive as perguntas são as mesmas).
Custo médio do curso:
– Teoria: US$600
– Prática (40h c152):  US$3.200 (US$80/h)
– Emissão de licença: US$
– Total: US$3.970 (Aprox. R$9.730)
O curso de Piloto Comercial aplica as seguintes teorias:
Aerodinâmica 2 Fatores Humanos
Performance 2 Mercadorias Perigosas (HAZMAT)
Peso e Balanceamento 2 Vôo Controlado ao Terreno (CFIT)
Navegação 2 Gerenciamento de Recursos da Tripulação (CRM)
Regulamentações 2
Meteorologia 2 Incursões de Pista
Motores a reação Takeoff Safety
São necessárias 150h de vôo, com os mínimos de 70h PIC (com pelo menos 20h de navegação), 10h IFR simulado y 5h vôo noturno.
É possível terminar todo o curso em 06 meses, dependendo da meteorologia. O cheque também é dividido em Exame Teórico, Oral e Voo de Perícia.
Custo médio:
– Teoria: US$600
– Prática (150h c152): US$12.000 (US$80/h)
– Emissão de licença:  US$238
– Total: US$12.838 (Aprox. R$31.500)
O curso de IFR aplica as seguintes teorias:
Instrumentos Cartografia
Controle de Tráfego (ATC) Manual de Informações Aeronáuticas (AIM)
São realizadas 20h de vôo e 40h em simulador.
Custo médio:
– Teoria: US$600
– Prática (20h c152): US$1.600 (US$80/h)
– Simulador (40h): US$800 (US$20/h)
– Emissão de licença: US$47
– Total: US$3.047 (Aprox. R$7.466)
O curso de Multimotores possui como teoria o Ground School da aeronave que será voada, além de outros detalhes aerodinâmicos aplicados ao avião.
São realizadas 11h de vôo em Seneca (PA34) ou Apache (PA23), cujo custo divide-se em:
– Teoria: US$200
– Prática (11h PA23): US$3.025 (US$275/h); ou (11h PA34): US$3.850 (US$350/h)
– Emissão da licença:US$70
– Total (PA23): US$3.295 (Aprox. R$8.075); ou (PA34): US$4.120 (Aprox. R$10.095)
Em resumo:

– Aluno Piloto: US$30
– PP: US$3.970
– PC: US$12.838
– IFR: US$3.047
– Multi:US$3.295 (PA23)
– Total: US$23.180 (Aprox. R$57.000)
O custo não é alto, se comparado às escolas brasileiras. Considerando um planejamento de terminar todo os cursos em 01 ano, com um custo de vida médio de US$1.000 ao mês (não chega nem a isso), gasta-se cerca de 87 mil reais.
  • Somente os aeroportos das capitais possuem pista pavimentada. A grande parte dos aeroportos para onde se navega são pistas de terra ou relva, onde se pratica diversos tipos de aterrissagem.
  • Se treina Off-Airport Takeoff-Landing e Short Takeoff-Landing (pistas de no máx 1.000 metros), devido às características das maiorias das pistas no país.
  • Santa Cruz apresenta fortes ventos durante todo o ano. As práticas de manobras e navegações são realizadas com rajadas de ventos de até 35kts. (Nesse momento, estamos com vento 17kts G29kts, e voando). É uma experiência bastante singular.
  • Devido às fortes variações de ventos, a exigência dos cálculos de navegação é bem rígida.
  • Existe muita precariedade quanto à atualização e distribuição de cartas de navegação, que só são acessíveis nas escolas ou na sala AIS.
  • Devido ao narcotráfico, há a presença de força policial nos aeroportos avaliando cada Plano de Vôo e revistando as aeronaves que voam para certas localidades, o que atrasa os procedimentos pré-vôo.
  • As escolas são bastante rígidas quanto à manutenção dos aviões, graças à fiscalização constante da DGAC. Não há meio termo. Acidentes envolvendo aeronaves de escola são muito raros, nunca ouvi falar de nenhum que foi fatal.
  • As escolas têm, em sua maioria, aeronaves com trem de pouso triciclo. Não se ensina em trem de pouso convencional, a não ser que seja necessário para algum emprego em particular (aeronave agrícola, por exemplo).
  • Para ser instrutor, seja de terra ou de voo, é obrigatório a realização do curso Fundamentals of Instruction (FOI), que tem o mesmo modelo do curso da FAA e cujo certificado habilita ao piloto a dar instrução. O curso é aplicado por checadores da própria DGAC.
  • O curso de Jet Transition (Jet Trainer) é aplicado anualmente também por checadores da própria DGAC.
  • Na CIV Boliviana é necessário o Endosso do instrutor para cada fase de aprendizagem e tipos de equipamentos voados. Por exemplo, para que se voe avião com trem de pouso convencional, é necessário treinamento, solo e endosso do instrutor. O mesmo se passa para aeronaves com trem de pouso retrátil, flaps, ou motores de mais de 200hp. Para cada habilidade há um endosso. Eu aqui não posso voar trem de pouso convencional, pois não possuo esse endosso.
Para o curso de Instrutor de Vôo, além das 200h PIC, são necessárias 15h de instrução na aeronave em que se pretende trabalhar. Se chequei minha habilitação INVA em c152 e desejo dar instrução em c172, necessito fazer 15h de vôo na nova aeronave, solar e ter um endosso do meu instrutor, garantindo minhas habilidades. As escolas geralmente contratam seus ex-alunos.
E como conseguir as 200h PIC??? Bom, isso depende… você pode voar de safety com alguém e registrar algumas horas, ou então ser financiado pelo dono da própria escola, como foi meu caso. É isso mesmo, você não leu errado!!! O dono da própria escola pode financiar as horas que faltam pra você!! Claro que, para isso, o aluno deve demonstrar bom aproveitamento durante todo o curso, boas habilidades de voo e capacidade de dar instrução, além de ‘conquistar’ o seu espaço na escola. Começar dando aulas teóricas e construir uma boa relação com os demais pilotos.
Umas vez contratado, vai pagando de volta o investimento que a própria escola fez.
O que se passa é que, com as características de Mercado de Trabalho, há falta de instrutores para suprir o quadro das escolas.
À disposição para qualquer dúvida.
Abraços e sucesso.

Pedro Murtha Lacerda

46 comments

  1. Mauricio Barros
    7 meses ago

    Alguém falou em idioma e trabalhos na América e o Brasil fica meio isolado por causa disto,mas os outros países da América a aviação também não é o forte,então será difícil conseguir trabalho em outros países?

  2. Ademir
    1 ano ago

    Olá Pedro Murtha, desejo fazer o Agrícola. Pode fornecer o endereço de uma escola de piloto Agrícola?

  3. Maria
    2 anos ago

    Boa noite gostaria de saber preço horas de voo helicóptero Bolívia

  4. Luann
    2 anos ago

    Pedro,
    Boa noite,

    Eu estava lendo a dias sobre como tirar a CHT na Bolívia, e umas das poucas coisas que vi sendo mais plausível
    foi o teu post no Blog Para ser piloto.
    Como aqui no Brasil as coisas vão de mal a pior, com esse governo que está nos arrebentando em tudo quanto é
    lado. Estou querendo ir para o País vizinho, até mesmo em questão de custo em relação ao Brasil fazer a CHT.
    Se puder me dar algum norte de como ir atrás de um aeroclub bom, alojamento, visto de estudante.
    De quanto precisaria para tirar todas as minhas CHT´s aí na Bolívia.
    Quanto tempo levaria mais ou menos do início até o término do curso.
    Em relação ao visto, ele pode ser pedido aqui no Brasil, ou somente ai na Bolívia, e ter que aguardar 3 meses para
    poder matricular em um aeroclub.

  5. Carlos
    2 anos ago

    Pedro Murtha, mas acima de 30 anos da para trabalhar como instrutor? E co-piloto? tem como me enviar seu email para conversar contigo? Desde já, agradeço.

  6. Carlos
    2 anos ago

    Pedro Murtha, durante o curso da pra entender e aprender durante as aulas? Você que está neste ramo, para ser piloto de linha aérea, qual o limite de idade? Daria para trabalhar ai nesta área? Tem mercado pra instrutor ai? Outra questão, os Estados Unidos seria mais barato que na Bolívia? Desde já, obrigado.

    • Pedro Murtha
      2 anos ago

      Dá para entender sim perfeitamente. Qualquer dificuldade eu posso te dar um suporte também.
      Em relação a limite de idade para ingresso em Linha Aerea, é geralmente na casa dos 30 anos de idade, como você pode ver nesse artigo escrito pelo nosso Alexandre Sales:
      http://canalpiloto.com.br/estou-muito-velho-para-comecar-na-aviacao/

      Assim como ocorre no Brasil, para poder trabalhar na Bolívia é necessário ter cidadania boliviana. Você pode conseguir com 3 anos de residencia no pais, tendo grau de parentesco em primeiro grau com algum boliviano. É uma forma de preservar a mão-de-obra do país. No meu caso, solicitei após o 3 anos de residencia.

      Mercado pra instrutor é o que mais tem aqui. E, convenhamos, melhor pago que no Brasil..

      A Bolívia é referencia quanto a custo, pois tem o valor de combustivel mais barato (inclusive que os EUA). Mas como sou leigo na formação aeronáutica americana, posso recomendar ler o post feito pelo Raul:
      http://paraserpiloto.appa.org.br/2012/06/12/formacao-aeronautica-nos-eua-uma-visao-de-quem-faz/

  7. Carlos
    2 anos ago

    Pedro, vc pode trabalhar ai durante o curso?

    • Pedro Murtha
      2 anos ago

      Só não é possível trabalhar com aviação. Não recomendo buscar um emprego para bancar o curso pois, além de tomar tempo, a renda no país é baixa. Não compensa.

  8. Carlos
    2 anos ago

    Pedro, com o dolar com o valor de quase R$4, ainda é viavel fazer o curso ai? E quanto o idioma, vc já falava espanhol?

    • Pedro Murtha
      2 anos ago

      Eu não tenho muita base dos preços atuais no Brasil em meio a essa crise. Seria necessário pesquisar para comparar com os preços daqui…
      Tinha conhecimento básico de escola, mas nunca havia estudado espanhol. Foi aprender na marra.

      • Carlos
        2 anos ago

        Então, durante o curso da pra entender e aprender durante as aulas? Você que está neste ramo, para ser piloto de linha aérea, qual o limite de idade? Daria para trabalhar ai nesta área? Tem mercado pra instrutor ai? Outra questão, os Estados Unidos seria mais barato que na Bolívia? Desde já, obrigado.

  9. agostinho da guia
    2 anos ago

    top de mais esta informações.. talvez o meu o meu pc não vai ser aqui no brasil não ….com as duvidas de vocês consegui tirar as minhas …. o blog esta de parabéns

  10. vitoria
    3 anos ago

    eu ja fiz o teorico no brasil e passei na prova da anac, queria saber se tem como fazer a aula pratica ai.

    • raulmarinho
      3 anos ago

      Não dá para fazer parte do curso em um país e parte no outro; ou vc faz tudo lá ou tudo cá.

    • Pedro Murtha
      2 anos ago

      Como disse o Raul, você precisa começar o curso completo aqui. Ou então checar PP no Brasil e convalidar a licença aqui pra complementar seus estudos.

  11. Roberson
    3 anos ago

    Oi você pode me adicionar no seu watts estou aqui em Santa Cruz e estou interessado em fazer o curso de piloto 69161838

  12. leonardo
    3 anos ago

    ola pedro, estou fazendo o curso de piloto pp na bolivia cidade cochabamba é estou com medo d breve não vale no brasil,
    se eu fazer todos asprotica e aqui e nao passa na prova daqui posso fazer direto no brasil
    as hora de voo da bolivia tem validade no brasil, pq vou começa a voa dia 15 de novembro e queria fazer a prova da anac no brsil e pega as hr de voo aqui ? olha meu email soberanaleonardo@yahoo.com.br

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Na verdade, é o contrário: o seu brevê boliviano poderá ser convalidado no Brasil, mas não as horas de voo. Então, não vai adiantar vc tentar transferir seu curso para o Brasil, vc precisa checar o seu PP na Bolívia e, depois, convalidar a licença na ANAC.

      • Max Furrier
        3 anos ago

        Estimado Raul Marinho. Segundo a resolução da ANAC RBAC nº 61 EMENDA nº 05 acredito que seja possível sim convalidar as horas de voo na Bolívia no Brasil para obter a licença aqui, bastando para isso fazer os trâmites burocrático no Consulado do Brasil na Bolívia. A resolução diz: “Contagem e registro de horas de voo”.
        Na letra “j” desta seção tem este texto:

        (j) As horas de voo realizadas a bordo de aeronaves com marcas de nacionalidade e de matrícula estrangeiras somente poderão ser aceitas quando a finalidade for comprovar experiência para a concessão de licença e/ou habilitação e/ou comprovar a experiência recente, conforme previsto neste Regulamento, desde que as horas de voo tenham sido realizadas em centros de treinamento ou centros de instrução ou em empresas de transporte aéreo certificados pela autoridade de aviação civil do respectivo país, que seja contratante da Convenção de Aviação Civil Internacional, e sejam declaradas por aquela autoridade e consularizadas, conforme Manual do Serviço Consular e Jurídico do Ministério das Relações Exteriores.”

        • raulmarinho
          3 anos ago

          Pois é, mas preste atenção ao seguinte trecho “… e sejam declaradas por aquela autoridade…”. Isso significa que a agência boliviano teria que fornecer à ANAC, diretamente, a quantidade de horas voadas por vc naquele país. E como nenhuma agência faz isso (nem a ANAC), na prática não se convalidam horas voadas no exterior.

    • Pedro Murtha
      3 anos ago

      Como explicou o Raul, você só conseguirá convalidar a licença no Brasil. Horas de vôo não se transferem, nem em metade de curso.
      É impossível realizar teoria em um país e prática em outro. O curso deve ser completo na Bolívia ou no Brasil, conforme o que você julgue melhor.

      Quanto à dúvida do Brasil convalidar a licença, já citei mais abaixo o RBAC 61, Subparte B, que regulamenta e confirma a possibilidade de convalidação.

  13. Ricardo Toffoli
    3 anos ago

    Aposto que todos se surpreenderam com a excelente formação aeronáutica boliviana narrada pelo Pedro. Obrigado por nos brindar com esse relato Pedro.

  14. Bruno
    3 anos ago

    Ouvi dizer que anac não convalida carteiras tiradas na Bolívia… Onde será que podemos verificar esta informação?

    • Pedro Murtha
      3 anos ago

      Bruno, a Bolívia é contratante OACI, igual o Brasil. A convalidação é feita normalmente e prevista pela RBAC.

      RBAC 61, Subparte B.
      61.45 Convalidação de licenças e habilitações estrangeiras
      (a) Sem prejuízo do cumprimento das normas migratórias e trabalhistas do País, a ANAC pode convalidar uma licença estrangeira emitida por Estado contratante da OACI. Para tal, será emitida autorização especial que deverá acompanhar, sempre, a licença estrangeira original e a reconhecerá como equivalente a uma licença correspondente concedida pela ANAC.
      (e) As licenças estrangeiras pertencentes a brasileiros, natos ou naturalizados, podem ser convalidadas com a emissão de uma licença brasileira de grau correspondente à licença original. Na licença brasileira será averbada a informação da convalidação constando número e país emitente da licença original.

      Sugiro que, em caso de dúvida, seja melhor entrar em contato com a própria Anac.

  15. Marcos Véio
    3 anos ago

    Olá Pedro,

    Preciso do nome da escola que você trabalha. Um contato da mesma, ou até mesmo o seu contato. Vou avaliar a formação dos meus filhos aí.
    Até o final do ano vou da um pulinho aí para conferir essa realidade relatada.

    Obrigado pela sua mensagem. Com certeza é mais uma opção.

    • Pedro Murtha
      3 anos ago

      Marcos, creio que o objetivo do blog não é promoção de marketing das escolas, por tanto não vou citar por aqui. Porém pode enviar um e-mail para pedromurtha@gmail.com que te dou um suporte quanto à sua escolha.

  16. Marcio
    3 anos ago

    No ano passado, quando todo mundo estava indignado com a ANAC com as novas normas, eu falei: estão seguindo nada mais nada menos que as normas internacionais.

    Pronto. Está aí! E segundo o relado do Pedro. A aviação lá a coisa está mais equilibrada no sentido de ofertas vs demanda.

    Agora Pedro, se prepara para a revoada de “aviadores” para essas bandas. kkkkkkkk

  17. Jonas
    3 anos ago

    Cmte Pedro, no caso de que quem possui a carteira de ppa é possível tirar a licença de pca na Bolívia( qual seria o procedimento), qual aeroclube deste pais que o Sr, pode indicar.
    segue o meu e-mail: aviadorjonas@gmail.com

    • Pedro Murtha
      3 anos ago

      É possível sim. Tem que convalidar sua licença na DGAC. Assim que emitirem sua licença boliviana é possível prosseguir com os cursos que desejar. Como o objetivo do blog não é de Marketing não citarei aqui recomendações de escola, mas se deseja pode me enviar um email que te dou um suporte. pedromurtha@gmail.com

  18. Robson
    3 anos ago

    Olá Pedro Murtha Lacerda, tenho algumas perguntas.
    Como está o mercado de trabalho para PC na Bolívia?
    Brasileiros podem voar na Bolívia ?
    Como é a aviação agrícola ?
    Qual é a média de salários ?
    Obrigado !

    • Pedro Murtha
      3 anos ago

      Robson o mercado de trabalho é sazonal, igual no Brasil. A diferença é que, como os cidadãos falam em espanhol, há maior facilidade de saída de pilotos para voar em líneas de toda sulamérica, o que gera ofertas de vaga dentro da própria Bolívia. Parece que só o Brasil fica meio isolado dos outros países…
      A aviação agrícola aqui carece de pilotos. Grande maioria desses pilotos são colombianos e brasileiros. Bolivianos até existem alguns, mais velhos… Geralmente trabalham por 4 meses diretos em fazendas. Desconheço média salarial, mas posso averiguar.

  19. joao
    3 anos ago

    e no caso de pilotos com habilitacao brasileira para voar na Bolivia,o que teria que ser feito?algum processo de convalidacao?

    • Pedro Murtha
      3 anos ago

      Para voar aeronave de matricula boliviana tem que solicitar a convalidação da sua licença na DGAC. Vão avaliar suas horas e contatar a Anac pra confirmar as informações.

  20. Enderson Rafael
    3 anos ago

    Muito interessante, um misto de FAA com ANAC o programa. Já estive em Santa Cruz muitas vezes, é como o Pedro disse, mais preconceito que outra coisa: é mais estranho do que ruim, tem que visitar pra saber. Muito bom!

  21. Fabio Junior
    3 anos ago

    Em relação ao idioma. Espanhol, Portunhol ou um Inglês resolve? Outro ponto é a convalidação para a ANAC, como funciona?

    • Pedro Murtha
      3 anos ago

      Pode falar ingles aqui, espaço aéreo de aeroporto intl. Porém para chequeo é obrigatório falar ao menos o espanhol técnico. Nada muito difícil, o próprio curso teórico ensina Fraseologia. Com a prática também se aperfeiçoa.

      • Fabio Junior
        3 anos ago

        O idioma do material usado, comunicação com colegas e instrutor? O inglês serve?

    • Pedro Murtha
      3 anos ago

      Quanto a convalidação, é feita pela Anac normalmente, já que as horas são equivalentes. Só há o stress com a burocracia da agencia…

  22. Wagner
    3 anos ago

    Boa tarde Raul vc poderia me fornecer o contato do Pedro Murtha, gostaria de tirar algumas duvidas em relação a aviação boliviana.

    Aguardo contato.

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Pode publicar como comentário, que ele responde lá. Inclusive, isso é bom pois pode ser a dúvida de mais gente.

    • Pedro Murtha
      3 anos ago

      Olá Wagner, pode dizer sua dúvida. Aproveitamos que os demais já sanam também se houver.

  23. Rodrigo
    3 anos ago

    Muito interessante, eu achei! Como ainda não cobram imposto pra sonhar, gostaria que aqui tivesse uma formação aeronáutica mais completa também!

  24. Beto Arcaro
    3 anos ago

    Apesar dos problemas, uma muito boa formação aeronáutica.
    Aliás, aqui na América Latina, pelo que já ouvi dizer, devemos ser os piores nesse ranking também!

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