A abertura do mercado para pilotos estrangeiros é uma possibilidade REAL, sim!

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Nos comentários ao post “Blog Aviação Executiva: ‘Ameaça iminente. De novo.‘”, percebi que muita gente desdenhou do risco a que o Flemming se referiu. “Ah, é AFA!!!”; “imaginem, quem é que vai querer fazer uma barbaridade dessas?”… Pessoal, atenção: NÃO É AFA!!! O risco existe mesmo!!! Ainda mais agora que a obtenção/manutenção das habilitações de TIPO ficou muito mais cara e difícil para um piloto brasileiro! Pensem um pouco com a cabeça de um operador de aeronave TIPO: agora, ficou muito mais vantajosa a contratação de um piloto estrangeiro já habilitado a um determinado TIPO do que investir no treinamento de um piloto brasileiro. É isso, aliás, o que escrevo no meu artigo de 2010 (“Apertem os cintos, o piloto faliu“):

(…) se não houvesse restrição à contratação de pilotos estrangeiros, grande parte dos contratantes poderia optar por trazer pilotos já formados do exterior. Mesmo que fosse necessário pagar salários mais elevados, ainda assim compensaria financeiramente, uma vez que esses pilotos não requereriam investimentos em treinamento especializado (além de evitar todos os riscos a ele associados). Uma vez que as empresas contratam os pilotos mais sofisticados já formados no exterior para pilotarem os Airbus e Agusta da vida, os pilotos nativos persistirão pilotando os Paulistinha e demais relíquias de pau e pano, que não requerem investimentos elevados em treinamento. No fim das contas, um país que promovesse a abertura do mercado aos estrangeiros condenaria as futuras gerações de aeronautas a comer carne de pescoço, já que o filet mignon estaria reservado aos de fora.(…)

A propósito, naquele artigo eu explico passo a passo como o tal Projeto de Lei que contém o artigo que altera o CBA para permitir o ingresso de tripulantes estrangeiros foi concebido – o que está 100% coerente com o relatado pelo leitor José Luis no post de ontem, quanto ao comentário do Cmte Divaldo de Oliveira, que deu origem ao artigo do Flemming. Pessoal, atenção: o artigo que permite que tripulantes estrangeiros trabalhem no Brasil já foi “contrabandeado” uma vez, e isso pode estar ocorrendo novamente. Leiam o meu artigo de 2010 que vocês vão ver que isso é perfeitamente possível – e, naquele texto, eu trato de FATOS com a respectiva documentação. É por isso que eu estou afirmando que NÃO É AFA! Se precisar, eu desenho.

25 comments

  1. Fred Mesquita
    3 anos ago

    E a tal regra principal da ANAC, que é de FOMENTAR A AVIAÇÃO BRASILEIRA, onde foi parar ?

    • David Banner
      3 anos ago

      Fomentar. Exatamente. Agora estamos TODOS com FOME de voar. Conseguiram.

  2. Carlos Fernando de Barros
    3 anos ago

    Aos pilotos estrangeiros será que compensa receber seu salários em reais
    ? Será que compensa aturar as medidas desastrosas da ANAC e da Secretaria da Aviação Civil?

    • David Banner
      3 anos ago

      Se ele puder trabalhar aqui no Brasil com só com uma licença emitida pelo país dele, SIM.

      Eu não duvido nada que a ANAC permita que alguém com licença FAA/JAA trabalhar aqui no Brasil somente através de algum acordo chinfrim.

      Podem simplesmente alegar que FAA e JAA são referências para o mundo e que uma licença emitida sob essas regras sobrepõem aos requisitos da ANAC, e basta apenas alguma adequações e fazer uma “provinha” de regulamento e o cara já pode trabalhar aqui no Brasil sem maiores burocracias.

      Podem me chamar de maluco. Mas eu não espero nada menos do que esse tipo de coisa da ANAC.

  3. Thales Coelho
    3 anos ago

    Não creio que essa possibilidade de “importação” seja real, não simplesmente pelo fato de já ter o tipo. A habilitação tem que ser renovada anualmente, seja brasileiro, seja boliviano, seja alemão. Então, os custos serão os mesmos, vai ter que mandar o sujeito para o CTAC no exterior do mesmo jeito, não muda absolutamente nada, talvez uma economia no primeiro ano, e só.

  4. PPH CALERO
    3 anos ago

    Amigos o Negocio é bem sério ,Grandes empresas visam o lucro, O fazendeiro não vai contratar o gringo mais muitos empresários que voo internacional vão (amigos ,amigos negócios a parte !!!!!)
    Nos EUA a formação é muito mais completa tiramos como exemplo os Helicópteros existem escolas lá que com dez Robison 22 no Hangar com 20 horas de voo o aluno sola a aeronave(helicóptero) simuladores nais modernos existe investimento por parte do Governo cursos financiados ,sem contar que trabalhando de entregador de pizza consegue juntar uma grana p voar!!!!! Sem contar que ele tem toda uma infraestrutura. Sem contar os pilotos Militares que foram para o Iraque Afeganistão …esses pilots estão cheios de horas em diversas aeronaves militares, Blackhawk, -S92 ,Chinook e também estão ficando desempregados .Vir para o Brasil Voar em paisagem Maravilhosas ,Lindas Mulheres custo de Vida Barato, Pode ter Certeza que vai te um montão de Gringo querendo vir pra cá…Eles apreende o idioma Rápido são esforçados. Trabalho com turismo tenho visto muitos deles falando o português corretamente.
    O que tem de ser feito é a Classe piloto se UNIR e mostrar para ANAC que o BRASIL É DOS BRASILEIRO se elá quer que nos qualifiquemos que o GOVERNO invista no REAPARELHAMENTO de centros de treinamento aqui como foi Feito com os AEROCLUBES no Passado …
    Tem de fazer manifestação lá em Brasilia congresso Nacional vai ter Deputados que vão abraçar a causa, Somos tão bons quantos os Gringos só precisamos ter MEIOS .Se não nos unirmos OS GRINGOS VÃO FICAR COM O FILÉ E NÓS O OSSO….
    FORA DILMA…..
    A OUTRA OPÇÃO PODE ATÉ NÃO SER HONESTO ,MAIS CONSTRÓI AEROPORTO(MESMO QUE PARTICULAR COM DINHEIRO PUBLICO )))

    JUNTOS SOMOS FORTES.

    • Daniel Tarso
      3 anos ago

      Falam que a líder aviação é a principal fomentadora deste negócio dos pilotos estrangeiros, principalmente para PCH.

  5. amgarten
    3 anos ago

    Como certos MAVs já desviaram um pouco o debate neste tópico, então vamos colocar os pingos nos “is”. Quem possui aeronave não pode ser demonizado por isso! Pelo contrário, deveria ser motivo de orgulho, pois empreende, gera emprego e riqueza. Se a pessoa possui uma aeronave e utiliza para si mesma, ou para sua empresa, não pode ser obrigada a enviar tripulante seu para o exterior, por um capricho de alguns.
    Este custo vai afetar diretamente o proprietário que poderá contratar um estrangeiro caso a lei o permita fazê-lo. Mas o mais provável é acontecer o seguinte:
    1) Vende a aeronave = piloto desempregado
    2) Procura outros proprietários e compartilha a aeronave entre vários= piloto desempregado
    3) Se voa com dois em aeronave single, vai demitir um e voar com apenas 1 piloto = piloto desempregado / segurança de voo ameaçada.
    Aos gênios (ou MAVs) defensores da imposição, que por sinal são os mesmos que defendem voto obrigatório, voz do Brasil nas rádios, padrão brasileiro de tomadas elétricas, etc, gostaria de questionar qual sugestão para quem fica desempregado. Na verdade querem acabar com a aviação de vez!

  6. Rafael
    3 anos ago

    Adicionando algumas informações de ordem burocrática à discussão…

    1 – O processo de visto de trabalho leva em torno de 6 meses e precisa ser iniciado e os custos arcado pelo contratante, sendo que geralmente a validade é de 2 anos. Além disso, o empregador meio que fica “responsável” pelo empregado durante a sua estadia no Brasil, o que gera algum risco para a empresa. Fazendo uma analogia bem bem bem simplória, é o mesmo caso de um pai que responde por um menor.

    2 – O custo na folha de pagamento de um empregado estrangeiro é 30% maior que o de um brasileiro.

    3 – Demissão: demitindo o estrangeiro, você tem que arcar com os custos de mandar o empregado do volta para o país de origem.

    Para os países do Mercosul, Bolívia, Peru, Chile e Equador a coisa é diferente. Eles podem trabalhar normalmente como se fossem brasileiros.

    Acho que deve-se brigar e lutar para que a lei não seja aprovada, pois assim se elimina o problema na raiz.

    Entretanto, trazer um estrangeiro não é uma tarefa muito simples. Acho mais fácil os patrões cobrarem os custos do simulador dos pilotos, como as lojas de shopping fazem com os seus vendedores, que são obrigados a usar as roupas da loja e tem os seus salários descontados por isso, do que arcar com os custos e riscos de trazer um estrangeiro.

  7. Só repetindo um comentário de bar do meu amigo que é responsável pelos vistos americanos no brasil
    “Como posso emitir um visto para um piloto fazer as revalidações nos EUA todo ano, se esse visto não é de turismo nem de estudante, mas sim de trabalho e a duração minima desse visto é 10 anos.
    Pensando friamente, o cidadão recebe esse visto vai e não volta, porque ele iria gastar tanto dinheiro indo e voltando se o visto permitiria ele ficar nos EUA trabalhando legalmente (não necessariamente como piloto).

    • João
      3 anos ago

      Pooo não tinha pensado por esse lado, meu sonho é sair desse país, quando era luno as pessoas me perguntavam: Qual é a maior dificuldade para se tornar piloto e eu respondia: a parte financeira hj não mais hj a maior dificuldade se chama ANAC depois o dinheiro…

    • Amgarten
      3 anos ago

      Bem lembrado, Paulo. E aquele colega que está desempregado obviamente terá este visto negado, portanto será automaticamente impedido de seguir a tão sonhada carreira profissional, graças a uma imposição governamental. Governo este que simplesmente diz: “se vira!”

  8. Bruno
    3 anos ago

    Pois bem… a mudança no RBAC 61, nos restringindo apenas aos CTACS dos EUA, pelo ponto de vista apenas operacional concordo e acho excelente, simulador é sim necessário para separar quem é realmente piloto e tem capacidade para conduzir o TIPO, daqueles que conseguem a carteira pois tem um camarada que já voa um!!!! Concordo com uma aviação mais profissional, temos que nos nivelar por cima… A mas assim nós pilotos seremos prejudicados pois vai aumentar o custo para o operador e não teremos condições de pagarmos a nossas custas!!! Penso que só compra e mantêm avião quem pode!!! se o Proprietário que paga 3,5 a 5 Milhões em sua aeronave, não tem condições de manter um profissional proficiente e com a carteira em dia (isso só aumenta a sua própria segurança) ele compra então um avião CLASSE ou então se filia ao Smiles ou Fidelidade TAM e vai de avião de Carreira!!!! Já espero que serei muito criticado por essa opinião mas Raul, ando cansado de lidar com empresário com esse tipo de visão e ela hoje só existe por nossa cultura aeronáutica está ultrapassada!!!! Para finalizar eu posso viver no mundo da Lua por não acreditar que essa medida vai trazer piloto estrangeiro já habilitado para o Brasil, pois estamos falando da 91, a relação empregado/patrão em sua maioria das vezes é de confiança, não creio que o Fazendeiro lá do MT que voa lá o seu C90 ou B200 vai querer que alguém que nem é do seu pais voe sua aeronave!!!

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Não vou entrar no mérito de suas considerações iniciais porque este não é este o foco do post, mas quanto ao que vc fala no final, é o seguinte. De fato, um operador de King que voa no meio do mato dificilmente vai querer trazer um piloto de fora para si, mas e o do Challenger que voa para o exterior? E o do Agusta? E o do táxi aéreo que atua na plataforma? E tudo está interligado na aviação, amigo, não se iluda… Vc mexe de um lado, acaba refletindo no outro, cedo ou tarde.

      • Bruno
        3 anos ago

        Raul… o que eu disse no inicio está ligado a linha raciocínio… Mas estamos falando da 91… o táxi aéreo é RBAC 135 e como já acontece todo o treinamento inicial e periódico já é realizado por conta da Empresa, assim como no RBAC 121 isso não vai mudar!!! o que estamos em pauta é RBAC 91!!!! 99,9% relação de confiança entre empregado/patrão. O que poderia existir é uma atuação hoje inexistente por parte do SNA e ANAC para que fique claro a necessidade por parte do OPERADOR de custear tais treinamentos. Reserva de Mercado??? Também porque nāo investir para que tais treinamentos sejam feitos aqui??? olha o tamanho de nossa frota???
        Não podemos deixar de ressaltar que hoje vivemos sobre um momento económico fragilizado com um dólar altíssimo e um governo medíocre!!! isso sim vai prejudicar o Operador a custear e manter seu avião!!!!

        • Raul Marinho
          3 anos ago

          Então, Bruno, justamente pelo que vc afirmou que a 135 vai ser a primeira a contratar os estrangeiros! Ora, ela já arca com os custos de treinamento de seus funcionários, então que tal desonerar!? Nas 121, é mais complicado porque há uma relação diferente, há restrições legais de outra natureza, e os simuladores já estão no Brasil. Mas ponha-se no lugar de um operador da 135 que manda os pilotos todo ano para o exterior: não vai ficar muito mais interessante pagar um pouco mais para ter um estrangeiro que não se precise pagar o treinamento?

          • amgarten
            3 anos ago

            Raul, está certo! Como há pessoas que não enxergam o que acontece ao redor! Com ou sem simulador, as empresas 135 e 121 vão contratar ” a rodo” profissionais oriundos de países menos favorecidos.

      • Raul, podem vir por uns meses, naquela de curtir umas praias & umas “primas”, fazer uma gandaia, conhecer lugares etc….#SQN. Depois duns tempos nesta bagunça que é o nosso ATC, na ruína que são nossos aeroportos e mais a violência urbana e criminalidade, os serviços de péssima qualidade etc etc etc, te digo o seguinte: nego de 1o. Mundo não fica um, a menos que case com brasileira, goste muito daqui e tal…senão, só fica o povo aqui da volta e/ou de África, enfim, de lugares onde as condições salariais e/ou de trabalho sejam ainda muito piores do que as daqui (tudo nesta vida é relativo). Não me entendam mal, não quero soar esnobe e nem ofensivo, mas só quem foi (ou é) “expatriate” em bons empregos por pelo menos uns dois anos, para se dar conta de QUÃO RUIM É VOAR NO BRASIL. NINGUÉM MERECE. Em tempo: os colegas mais antigos lembrar-se-ão de que – a partir da 2a. metade da década de 70, por conta da Revolução dos Cravos e das guerras de independência das colônias portuguesas em África – muitos aviadores angolanos e moçambicanos vieram para o Brasil, alguns para voar helicópteros, outros como pilotos agrícolas e até mesmo nas regionais como TABA, VOTEC etc…pois é. Quantos desses permaneceram? Dos que eu conheço, nenhum. E isso que tinham as vantagens da identidade cultural, mesmo idioma etc…

    • Löhrs
      3 anos ago

      Bruno eu concordo contigo que o simulador separa o joio do trigo. Eu fiz Curso de C90 e B200 na Flight Safety de NYC e foi tenso no SIM, mas voltei reformado. Tem muita gente voando TIPO sem a menor condição. Passaram no check inicial abaixo dos mínimos porque o checador militar ou civil foi negligente ou camarada. Já se foram os tempo dos checks DE VERDADE do DAC. Muitos desses pseudo-pilotos estão voando com muleta, ou seja, com outro piloto (às vezes CMTE) do lado, porque o patrão NÃO CONFIA em voar com o cara SOLO. Obviamente este empregador está com essa pessoa por outros motivos, mas obviamente não é graças a sua proficiência aeronáutica. O mercado tem mais é que separar os profissionais dos amadores. É assim em qualquer profissão.

      Em relação ao que vc disse sobre um fazendeiro trazer um gringo tbm não acho muito factível porque a turma do agronegócio dá muito mais importancia às relações de confiança. Mas em relação ao operadores de turboélice e jato, não teria tanta certeza assim. Eles deixam o coração na mesa ao lado da cama quando se levantam, e seus cérebros são linkados à uma calculadora básica. As 4 operações já bastam, especialmente soma e multiplicação.

      • amgarten
        3 anos ago

        Eu não consigo entender certas afirmações. A pessoa diz “Tem muita gente voando TIPO sem a menor condição. Passaram no check inicial abaixo dos mínimos porque o checador militar ou civil foi negligente ou camarada”. Copiei na íntegra para não ser acusado de ser brasileiro que não sabe interpretar texto…
        Mas vamos lá, como é que estas pessoas que não têm a mínima condição estão por aí voando e ao mesmo tempo os índices de acidentes com aviões tipo estão tão baixos!?!? Alguém me explica a mágica?

        • Bob
          3 anos ago

          Tb não entendo Cássio. Veja que tem gente falando coisas que a própria realidade não sustenta. Diga-se de passagem, a parte da aviação que mais causa acidentes é justamente a menos cobrada em relação a isso. Se somar o fato de que quem voa no BR está sujeito a várias outras variantes que degradam a segurança de vôo no geral, combustível caro e pouco disponível, poucas alternativas em condições IFR, péssimo suporte a aviação geral, pistas ruins…etc etc, podemos até dizer que a aviação TIPO faz milagre nos índices de segurança de vôo. Quem já foi pra Angra numa véspera de carnaval ou fim de ano, não consegue entender como nunca um acidente aconteceu ali. Apesar da loucura que é, os únicos responsáveis por evitar as tragédias lá são os próprios pilotos, inclusive voando sem nenhum suporte em uma das terminais mais congestionadas do mundo, nos famigerados corredores VFR. Isso ninguém fala!

          • Amgarten
            3 anos ago

            Bem lembrado, Bob!! Queria ver qual simulador do mundo hoje está adaptado às agruras dos corredores visuais. Mas quem não é aviador, nem sabe do que estamos falando…

  9. Francisco
    3 anos ago

    Acredito nessa possibilidade. .só que quando os pilotos brasucas começarem a ficar desempregados e seus familiares começarem a passar fome, os funcionários da Anarc na forma física em si, podem andar com seguranças, eu sou o primeiro a mandar eles pro hospital.

    • Anônimo
      3 anos ago

      Hospital? Sabe de nada inocente…

  10. David Banner
    3 anos ago

    E que seja muito mal-vindo o programa “Mais Pilotos”!

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